UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

sexta-feira, 27 de março de 2026
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Formação de dirigentes na Escola Nacional Eliana Silva

O Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) inaugura, no dia 21 de fevereiro, a sede própria da Escola Nacional Eliana Silva, no Distrito Federal.

Juliana Alves | Coordenação Nacional do MLB


LUTA POPULAR – Desde 2019, a Escola Nacional Eliana Silva vem avançando na formação política de centenas de lideranças das ocupações urbanas, bairros e favelas onde o MLB atua. Já foram realizadas ao longo desses anos três turmas nacionais, tendo como objetivo principal o estudo da teoria de Karl Marx e temas como Filosofia, Economia, Socialismo, Concentração Fundiária, Reforma Agrária, especulação imobiliária e reforma urbana. 

Numa sociedade capitalista, onde 1% dos mais ricos controla 45% das riquezas do mundo, enquanto 1,2 bilhão de pessoas moram em condições precárias, não é possível falar de luta contra a fome ou por moradia sem dizer qual é o verdadeiro causador da miséria, do desemprego e das desigualdades sociais existentes. “Por isso, a luta que construímos é uma luta por uma transformação profunda e radical na sociedade, uma revolução socialista, e, para isso, é necessário que os milhões de brasileiros que vivem apenas do seu trabalho criem a consciência de quem é que os explora e os submetem à pobreza”, afirma Poliana Souza, da Coordenação Nacional do MLB.

Nessa luta pelo poder popular, a formação política dos coordenadores do MLB e dos núcleos é fundamental. Nossos núcleos são compostos por sem-teto, negros, pobres, trabalhadoras que vivem da informalidade ou com baixos salários, por quem mora nas favelas, barracos e ocupações e convive com a violência policial. Ou seja, a nossa Escola se propõe a formar aqueles que querem levaram a luta contra a classe que nos explora até o final.

Sede nacional

No dia 21 de fevereiro, será inaugurada a sede da Escola Nacional Eliana Silva, no Distrito Federal. Em junho, novas turmas regionais serão formadas, reunindo cerca de 100 coordenadores dos 20 estados onde o movimento está presente, o que será um marco no crescimento do MLB no país. 

Numa conjuntura como a que vivemos no mundo, precisamos aumentar ainda mais a nossa formação política para as lutas que viveremos no próximo períodos. A construção da Escola em cada estado, com cursos de formação mensais, será fundamental para o crescimento do MLB e a luta pelo poder popular e pelo socialismo no Brasil e na América Latina.

Matéria publicada na edição impressa Nº 328 do jornal A Verdade

A cada 100 estudantes que realizaram o Enem, apenas 8 conseguiram vaga em uma universidade pública

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O sonho da graduação gratuita permanece distante para a maioria dos brasileiros: das 274 mil vagas ofertadas pelo SiSU este ano, apenas 15% dos candidatos que concorreram conseguiram o acesso.

Movimento Correnteza


JUVENTUDE – Para a maioria dos estudantes brasileiros, o sonho de cursar uma faculdade gratuitamente não se realiza. No final de janeiro, após o Enem/SiSU, o Governo Federal divulgou os números do processo. Quase 5 milhões de estudantes se inscreveram para fazer a prova, mas, por diversos motivos, apenas 1,8 milhão se inscreveram no SiSU (sistema em que os estudantes competem entre si por uma vaga). Portanto, 3,2 milhões de pessoas desistiram de fazer a prova ou de concorrer a uma vaga.

O número de vagas ofertadas foi de somente 274 mil. Dessa forma, a cada 100 estudantes que decidiram concorrer por uma vaga, apenas 15 tiveram “sucesso” – mas, em muitos casos, esses estudantes tiveram que optar por cursos que não eram sua primeira opção. Se compararmos o número de vagas com o número de pessoas que fizeram a prova (contabilizando, portanto, aqueles que desistiram de concorrer), chegamos ao número de apenas 8 vagas para cada 100 candidatos.

Lucro na Educação

A falta de vagas em universidades públicas é um projeto político e econômico. No Brasil estão hoje algumas das maiores empresas de educação paga do mundo, como é o caso da Cogna Educação e da Yducs (donas de faculdades conhecidas, como a Estácio e a Anhanguera). O Brasil é o maior mercado de ensino superior privado da América Latina e o quinto do mundo. Segundo o Censo da Educação Superior, 79,8% dos estudantes atualmente matriculados no ensino superior estão em instituições privadas. 

Essas empresas têm tido um crescimento vertiginoso, com o apoio do poder público. Se, por um lado, os empresários da educação financiam campanhas políticas e fortalecem seus laços com governos e deputados, por outro, estes mesmos políticos atuam para diminuir o orçamento da educação pública. A conta é simples: menos vaga nas universidades públicas, mais estudantes sendo forçados a pagar mensalidades. Assim funciona o sistema capitalista na educação.

Fim do vestibular

O discurso de que não é possível investir mais em educação pública cai por terra quando o confrontamos com outros gastos do Estado brasileiro. Nos últimos dias de 2025, às escondidas, o Congresso Nacional aprovou a diminuição do investimento em várias áreas sociais e o aumento das verbas para as “emendas parlamentares”, que ficaram conhecidas nos últimos anos como “orçamento secreto” devido aos diversos esquemas de desvio de dinheiro. Ora, como pode haver dinheiro para esse esquema criminoso e faltar para a educação, saúde, saneamento básico, combate à fome e tantas outras necessidades do povo? 

Permitir o acesso do povo à universidade é uma questão de justiça com a classe trabalhadora, que constrói todas as riquezas do país. Diversos países já contam com sistemas de livre acesso (em que todos têm direito a cursar uma faculdade pública e gratuita) ou de acesso muito menos restrito do que o Brasil. 

O caminho para garantir o fim do vestibular e o livre acesso à universidade é o mesmo que milhares de estudantes já trilharam na história do nosso país: a organização coletiva e a luta organizada contra a ingerência dos grandes capitalistas sobre a educação.

Greve dos Correios enfrenta Governo e STF

Mesmo após uma greve combativa em dezembro de 2025, os funcionários dos Correios enfrentam uma nova ofensiva contra seus direitos: um projeto de privatização que prevê o fechamento de mil agências e a demissão de 15 mil trabalhadores.

Movimento Luta de Classes (MLC)


TRABALHADOR UNIDO – Por trás de cada entrega, há um trabalhador sobrecarregado. Com a redução de pessoal, que ultrapassa 40 mil vagas na última década, debaixo do sol escaldante ou das chuvas torrenciais, o carteiro brasileiro carrega nas costas o peso das vendas online, enquanto vê seu salário ser corroído pela inflação. 

Em luta pela manutenção de seus direitos, por reajuste salarial, contratação de mais funcionários e melhores condições de trabalho, os trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) fizeram uma combativa greve em dezembro de 2025. O movimento enfrentou o Governo Federal, o Supremo Tribunal Federal, o interesse do imperialismo na privatização, a imprensa burguesa – que tentou ocultar a voz dos trabalhadores e divulgou apenas as consequências da greve nas entregas de Natal.

Uma das pautas centrais era barrar o processo de privatização – apelidado de “reestruturação” – colocado em curso pelo Governo Lula e capitaneado pelo presidente dos Correios, Emmanoel Rondon. Neste plano, existe a previsão de fechar 16% das agências da estatal, o que representa cerca de 1 mil das 6 mil unidades próprias em todo o país, além de um Programa de Demissão Voluntária (PDV) envolvendo 15 mil funcionários até 2027.

A combatividade da greve nacional garantiu uma vitória no Tribunal Superior do Trabalho (TST), com reajuste de 5,1% e a manutenção de benefícios, como o “vale-peru”, gratificação de férias de 70% e o adicional de 200% para trabalho em dias de repouso. Além disso, a decisão sobre o dissídio impediu a empresa de repassar aos empregados os custos da administração do plano de saúde.

Bastou voltar das férias, para que a direção da empresa – com aval do Governo Federal – entrasse com pedido no STF para suspender várias cláusulas do dissídio coletivo, dentre elas o principal benefício, que é o plano de saúde.

O STF tem em seu histórico o carimbo de inimigo da classe trabalhadora, como a liberação da terceirização irrestrita, o veto ao piso da Enfermagem e a criminalização de inúmeras greves. Assim, o ministro Alexandre de Moraes, no dia 28 de janeiro, suspendeu todo o acordo – à exceção do reajuste –, permitindo à ECT impor ataques históricos ao vale-alimentação, à gratificação de férias, ao direito ao repouso e ao plano de saúde dos trabalhadores.

“Precarizar a vida dos ecetistas e retirar direitos conquistados não é solução para os desafios da empresa. Muito pelo contrário: é um caminho certo para o sucateamento. Retirar direitos, cortar benefícios e desvalorizar quem carrega os Correios nas costas é jogar a maior empresa de logística da América Latina na lata do lixo”, afirmou, em nota, o Sintect-AL.

Da mesma forma, o Sindicato denunciou a cumplicidade do Governo a esse projeto de ajuste fiscal e entrega das Estatais do Brasil. “Esse ataque tem a chancela do presidente Lula, que nomeou Emmanoel Rondon como presidente dos Correios, mesmo sabendo de sua postura alinhada à precarização”.

Importante destacar que os Correios são a empresa mais antiga do Brasil e a única presente em todos os 5.570 municípios. Em 2021, no auge da pandemia, e antes das empresas de logística assumirem o mercado, a Estatal registrou o lucro recorde de R$ 3,7 bilhões.

Ou seja, esse “prejuízo” alardeado ignora que os Correrios estão sendo desmontados para favorecer as empresas privadas, a exemplo da Amazon, Loggi, Mercado Livre e Fedex, que lucram ao operar apenas em áreas rentáveis e deixam aos Correios o custo social de integrar todo o imenso território nacional.

Matéria publicada na edição impressa Nº 328 do jornal A Verdade

Ondina Seabra: a primeira professora negra de Sorocaba

Ondina Seabra foi a primeira professora negra de Sorocaba. Com uma história de vida associada às lutas das mulheres e do povo negro da cidade, Ondina foi até o seu falecimento, aos 102 anos, apaixonada pela luta e pela vida.

Karla Albuquerque | Sorocaba (SP)


Mulheres – Filha de pai sapateiro, mãe empregada doméstica e irmã de três mulheres, Ondina Seabra foi incentivada pela sua mãe a estudar e tornou-se a primeira professora negra da cidade de Sorocaba.

Contrariando o sistema, Ondina dedicou mais de 30 anos da sua vida a lecionar na educação pública, realizando o sonho de poder alfabetizar a sua comunidade. Contra as estatísticas e batendo de frente com o machismo e o racismo decidiu transformar a vida em alegria e resistência.

Onda, como era chamada pelos colegas e amigos, foi responsável pela formação de milhares de jovens ao longo dos seus 38 anos dedicados à educação. Além de professora, também foi militante do movimento negro da cidade

Luta junto ao Movimento Negro

A frente negra de Sorocaba foi um coletivo formado em sua maioria por trabalhadores e trabalhadoras negras do bairro Vila Leão, bairro tradicional da cidade. A frente dedicava-se a transformar a vida das crianças negras da cidade levando educação, cultura e direitos básicos aos filhos das operárias e operários sorocabanos 

Muito envolvida com as artes, Ondina dividia seu amor à luta com o amor à dança, sendo uma das poucas mulheres negras da cidade que frequentava o “Sorocaba Clube”, famoso pelos grandes  bailes promovidos no centro da cidade. Apesar disso, Odina só podia dançar se fosse acompanhado de algum homem branco

Ondina (à esquerda) lutou durante toda a sua vida pela educação e pelos direitos do povo negro (foto: Reprodução)
Ondina (à esquerda) lutou durante toda a sua vida pela educação e pelos direitos do povo negro (foto: Reprodução)

Amor à vida e à luta

Em 2020, aos 99 anos Ondina relatou “Se a nova geração não lutar, nunca conquistarão um lugar melhor. Estamos acostumados a ver só os brancos nos melhores lugares da sociedade, por isso temos que lutar para garantir a igualdade. Temos capacidade, vontade de trabalhar, de vencer e de ser feliz. Todo mundo tem, não importa a cor. O preconceito existe e deve ser combatido, por isso devemos todos lutar”. 

Ainda aos 99 anos Ondina disse o que esperava da vida: “Adoro a vida, tenho um carinho por ela. Às vezes acredito que ainda posso conquistar o mundo. Adoro acordar cedo, ler meu jornal, ouvir minhas músicas e falar com minhas amigas pelo telefone”.

Ondira faleceu aos 102 anos em 2024 dando exemplo de verdadeira lealdade a alegria de viver e de lutar para transformar este mundo.

Estudantes ocupam SEDUC de São Paulo

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Estudantes ocupam SEDUC de SP para lutar contra a “sala do futuro” e denunciar descaso na educação no governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos)

Michael Rocha e Raul Ziyech | São Paulo (SP)


JUVENTUDE – No dia 26 de fevereiro, a Praça da República, no centro histórico da capital Paulista, amanheceu sob a a revolta inflamada dos estudantes contra a “Sala do Futuro”, um conjunto de plataformas digitais impostos pela SEDUC que visa sucatear o ensino público ao trocar a sala de aula presencial por aplicativos de celular.

A ação foi construída simultaneamente pelas entidades estudantis combativas do Estado de São Paulo em três cidades: São Paulo, Suzano e Ribeirão Preto, a partir de um processo de lutas dos estudantes em suas escolas, junto com a mobilização da delegação do Movimento Rebele-se rumo ao 46⁰ CONUBES, congresso que elege a direção da entidade nacional dos estudantes secundaristas.

Estudantes vencem e são ouvidos na SEDUC-SP

Os estudantes, organizados em seus grêmios e na FENET, AMES-SP, ARES-ABC, ARES-Alto Tietê, entre outras, passaram nas salas de aula nas últimas semanas mobilizando um calendário de lutas para denunciar a situação precária das escolas.

Na gestão do governador fascista Tarcisio de Freitas (Republicanos) as escolas sofrem com falta de orçamento, falta de professores e as direções autoritárias perseguem os gremistas, tutelam suas entidades e empurram goela abaixo as plataformas digitais.

No primeiro momento do ato (realizado na praça da República), os estudantes já se depararam com a repressão dos guardas da secretaria, que prensaram com a porta da grade uma estudante que estava apenas tentando entrar para dialogar e defender a educação de qualidade. 

Após muitas falas de denúncias da situação da educação e pressão incansável dos estudantes que ficaram do lado de fora, na chuva, e dos militantes que pressionaram do lado de dentro, a secretaria de educação foi vencida e teve que ouvir o que os estudantes tinham a dizer. 

A denúncia foi unânime: as alunas e alunos de São Paulo não têm nada para elogiar o projeto privatista da educação do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e seu comparsa Renato Feder, secretário de educação do estado.

Na sala, com cerca de 15 representantes de setores da secretaria, ecoaram denúncias de assédio, merenda precária, estrutura caindo aos pedaços, falta de materiais didáticos, fechamento das salas do noturno, poucos aparelhos tecnológicos para as atividades digitais, falta de professores, e rejeição total ao sistema “pedagógico” digital da Sala do Futuro. 

Feder e Tarcísio: Parasitas da educação.

O governo estadual foi responsável por um corte de R$11 bilhões de investimento nas escolas estaduais (2024), a militarização de 100 unidades escolares do estado e com, ainda por cima, a plataformização do ensino com a “Sala do Futuro”, se tornando o principal inimigo da educação e da juventude paulista.

Ex-CEO e atual acionista da Multilaser – marca dos tablets usados nas salas de aula pra realizar as atividades digitais -, Renato Feder tem lucrado muito com esse projeto, assim como outros empresários envolvidos nos contratos do governo. 

Já foram investidos nas plataformas privadas quase R$500 milhões, enquanto o nível real de aprendizagem só piora e há todos os dias aulas vagas por falta de professores. Apesar dos dados fantasiosos gerados por esse modelo de ensino, que ajudam eles a camuflarem o que está acontecendo, nossa juventude está cada vez mais distante do conhecimento.

Ousar lutar, ousar vencer!

Desde a conquista do direito ao voto para menores e a Lei do Grêmio Livre, tudo que hoje ainda podemos salvar e chamar de direitos é fruto do avanço das lutas do movimento estudantil. Ninguém, nem mesmo o governador pode com um movimento estudantil forte, amplo e organizado. Por isso, devemos avançar na organização de mais jovens para se realizarmos lutas cada vez mais consequentes, mais transformadoras. 

E por isso, o movimento Rebele-se propõe para cada estudante, cada grêmio, cada entidade estudantil um Março Rebelde – em homenagem aos 58 de imortalidade de Edson Luís (estudante assassinado pela Ditadura Militar) – que chacoalhe e vire de ponta cabeça o estado de São de Paulo. 

Nosso dever é encontrar em cada estudante, em cada grêmio, em cada escola uma fonte para a vitória dos estudantes, identificar em cada problema uma solução de luta e estimular a rebeldia transformadora da juventude. É nosso dever mobilizar desde já para o nosso calendário de lutas e apresentar para cada jovem trabalhador que a única saída é um movimento combativo e disposto a enfrentar os inimigos da educação.

Operários da Ypê sofrem com péssimas condições de trabalho

Operários da Ypê são expostos à vazamentos químicos e a inalação de produtos tóxicos sem receber adicional de insalubridade. Além disso, faltam equipamentos de EPI enquanto a empresa lucra bilhões e submete trabalhadores à escala 6×1.

Igor Tadeu e Vanessa Patrucci | Jaguariúna (SP)


Brasil – Diversos trabalhadores da empresa de produtos de higiene Ypê têm denunciado aos militantes da Unidade Popular pelo Socialismo (UP) as degradantes condições de trabalho a que estão submetidos diariamente. 

Conforme relatam os funcionários nas Brigadas Operárias, ocorrem casos frequentes de acidentes de trabalho no dia a dia dos trabalhadores. A empresa ignora condições básicas de segurança para uma indústria química do porte da Ypê, desde a falta de EPI ‘s, a riscos de lesão para homens e mulheres que carregam peso nas mãos ininterruptamente durante o processo produtivo sem o auxílio de uma máquina especializada.

De acordo com um operário que prefere não se identificar: “Tínhamos uma paleteira elétrica, mas quebrou e não consertaram porque disseram que vão comprar uma nova ao invés de consertar, estamos esperando há meses e enquanto isso são 10 sacos de 25kg por reator, isso umas 60 vezes por turno” disse o trabalhador da linha de produção. 

Descaso com a saúde do trabalhador 

Em outras áreas, o cenário de descaso com a saúde e integridade da pessoa também é visto. Os depósitos de armazenamento de químicos estão fora do padrão adequado, onde os reagentes ficam expostos lado a lado sem a organização ideal, faltam estruturas básicas de segurança, como bacias de contenção, chuveiro de emergência e lava olhos.

Ainda há sérios problemas relacionados à infraestrutura, como fiação exposta, armários que armazenam inflamáveis sem estrutura corta-fogo e que ficam próximos ao estoque de caixas e área de mata, causando um grave risco de incêndio. 

Outra trabalhadora da área, relata: “Trabalho em um dos laboratórios da Ypê e acesso constantemente o almoxarifado de químicos que apelidamos de ‘Cativeiro’ devido às péssimas condições estruturais e mesmo levando para liderança nada foi feito. Em uma visita do time de segurança ao local, que só aconteceu porque acionei após falta de atitude dos encarregados, os técnicos de segurança relataram sentir um forte cheiro de clorofórmio*”.

E continua “Nós que frequentamos sempre já não sentimos mais, a gente acaba se acostumando com a exposição prolongada.” 

Operários do setor de sabão em pó também relataram ficarem expostos à inalação de pó durante sua jornada de trabalho. Além disso, denunciaram que com as chuvas a situação fica ainda pior, pois além da inalação, sofrem com o risco de queda, uma vez que o chão fica extremamente escorregadio.

Ao denunciar esses absurdos aos encarregados, em especial à falta de máscaras EPI ‘s para o caso de vazamento de ácido sulfúrico, o superior disse: “Não será necessário disponibilizar máscaras para todos, em caso de vazamento é só tampar o nariz e correr”. 

Na mesma reunião, funcionários relataram um vazamento do ácido que gotejava de uma válvula quebrada, e que era contido provisoriamente com ajuda de um saco. Ao invés da gestora solicitar o conserto ou a substituição, sugeriu contornar o vazamento alegando não haver verba para essa demanda.

A partir das brigadas operárias, trabalhadoras sentem confiança de denunciar os crimes cometidos pela Ypê (Foto: Igor Tadeu, Jornal A Verdade)
A partir das brigadas operárias, trabalhadoras sentem confiança de denunciar os crimes cometidos pela Ypê (Foto: Igor Tadeu, Jornal A Verdade)

Operários sem adicional de insalubridade

Segundo dados revelados pela própria empresa, em 2008 o faturamento do grupo Ypê poderia ser estimado em R$900 milhões. Nos dias de hoje, certamente a cifra ultrapassa o valor de 1 bilhão de reais. Enquanto isso, paga um salário de miséria, rouba o tempo de vida de seus funcionários mantendo a escala 6×1 e os obrigando cumprir horas-extras não-remuneradas. Além de não pagar o adicional insalubridade

Segundo uma ex trabalhadora da empresa, a fala de adicionais de insalubridade não é uma novidade. “Entrei sabendo que não existiam os adicionais, mas lá dentro, conhecendo todos os processos, não fazia sentido não haver. Quando conversei com meus colegas sobre o assunto, percebi que o tema era um tabu entre todos”

A mesma funcionária decidiu investigar o porque a empresa não cumpria o compromisso previsto por lei: “Decidi que ia perguntar sobre isso durante a reunião semanal para nossa gestora, onde todos estariam presentes e poderiam ouvir a explicação, não houve resposta. Cobrei diversas vezes, durante essa mesma reunião e também nos bate papos individuais. Meses se passaram e saí da empresa sem respostas.”

“Quando eu trabalhava na Ypê, passei por sucessivas crises de ansiedade por conta da pressão do trabalho. Chegava a vomitar quatro vezes por semana por conta disso. Não podia ir ao banheiro com frequência, nem para vomitar, pois tinha que ficar o tempo todo no atendimento. Também, na época, ouvi falar de um acidente de trabalho em que um funcionário teve as duas pernas amputadas por conta de uma empilhadeira.”, relatou outra ex funcionária ao Jornal A Verdade

Os brigadistas do Jornal A Verdade, militantes da UP e do MLC organizaram um protesto e estenderam uma faixa na frente da empresa em denúncia ao que os operários e operárias sofrem diariamente. Em todas as conversas na porta da empresa a militância e os trabalhadores leem as novas edições do jornal, tomam o café da manhã juntos organizam suas denúncias para barrar a escala 6×1

*Clorofórmio é um composto químico. Sua exposição à longo prazo pode gerar danos ao sistema nervoso central e compromete o funcionamento de alguns orgãos vitais

Grande Recife bate recorde de vítimas de bala perdida e jovens baleados

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O Grande Recife registrou, em 2025, o maior número de vítimas por bala perdida em todo o país. Pior: a maioria das vítimas são crianças. 

Vitória Pereira| Recife


SOCIEDADE- O Grande Recife registrou, em 2025, o maior número de vítimas de bala perdida desde o início do monitoramento do Instituto Fogo Cruzado, em 2019. Foram 72 pessoas atingidas, entre mortos e feridos. O dado mais preocupante é o aumento expressivo de crianças e adolescentes baleados na Região Metropolitana.

Ao longo do ano, 148 crianças e adolescentes foram atingidos por disparos de arma de fogo. Parte dos casos terminou em morte. Os números indicam uma escalada da violência armada e evidenciam a vulnerabilidade da população mais jovem.

Mais do que estatísticas, os dados revelam uma rotina marcada pela insegurança nas periferias. Muitas vítimas não tinham envolvimento com conflitos armados e foram atingidas em meio a tiroteios ou disputas entre grupos.

Juventude no centro do fogo cruzado

O crescimento do número de jovens baleados mostra que a violência atinge, de forma cada vez mais direta, a infância e a adolescência. São estudantes, trabalhadores informais e jovens em deslocamento cotidiano atravessados por confrontos frequentes em bairros periféricos.

O cenário amplia o debate para além das ações imediatas de segurança pública. A violência não se explica apenas por conflitos isolados ou falhas pontuais na repressão. Ela está relacionada às condições materiais de vida da população.

Territórios marcados por desemprego, precarização do trabalho, baixa renda e déficit educacional concentram maiores índices de violência armada. São áreas historicamente negligenciadas, onde o Estado costuma se fazer presente sobretudo por meio da força policial.

Desigualdade, território e crise social

Enquanto autoridades divulgam reduções pontuais em indicadores criminais, o aumento de vítimas de bala perdida e de jovens baleados expõe uma contradição: a violência continua atingindo de forma desproporcional a população pobre e periférica. A concentração de renda e o acesso limitado a direitos básicos moldam territórios de exclusão, onde disputas e confrontos se tornam parte da rotina.

A resposta predominante tem sido o reforço do policiamento e de operações ostensivas. A persistência dos números, porém, sugere que a militarização isolada não enfrenta as causas estruturais do problema. A bala perdida não é um acaso, mas consequência de uma dinâmica social marcada por desigualdade histórica.
Superar esse cenário exige políticas públicas integradas, com investimento consistente em educação, emprego, cultura, assistência social e urbanização.

Sem enfrentar as bases da exclusão, os confrontos tendem a se repetir. O recorde registrado não é apenas estatístico, é um sinal de alerta sobre quem segue mais exposto à violência e sobre os limites do modelo atual de gestão da segurança e de uma sociedade que não protege se quer suas crianças.

Hugo Motta aumenta próprio salário enquanto servidores de sua cidade não têm reajustes há 10 anos

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Hugo Motta (Republicanos) é Presidente da Câmara dos Deputados e um dos maiores inimigos dos trabalhadores brasileiros nos últimos tempos. Representante das velhas oligarquias familiares na política, tenta fazer na Paraíba seu feudo, enquanto mantém a classe trabalhadora refém. 

Misa Aribel| Redação Paraíba


SOCIEDADE- Começando às articulações para as eleições de 2026, o nome de Hugo Motta volta ao centro do debate político na Paraíba. Enquanto o presidente da Câmara dos Deputados fortalece seus aliados com um projeto político que defende reajustes e benefícios para o alto escalão, os trabalhadores públicos na cidade em sua cidade natal têm vivido o oposto: mais de 10 anos sem reajustes reais e luta constante pelas suas reivindicações.

Nos últimos dias, Motta defendeu publicamente o plano de reestruturação salarial dos servidores do Legislativo, elevando a verba dos deputados de R$ 133 mil para aproximadamente R$ 165 mil, e afirmou que o gasto “cabe no orçamento”, repetindo argumentos usados para justificar o reajuste que foi rapidamente passado na Câmara. Ele argumenta que corrigir salários é uma questão de justiça, evitando diferenças nas carreiras.

A mesma lógica, porém, não é aplicada a servidores municipais da cidade comanda por seu pai, Nabor Wanderley. Em Patos, cidade no sertão da Paraíba, servidores públicos municipais têm denunciado que os seus salários estão congelados há cerca de 10 anos, sem reposição adequada frente à inflação acumulada e sem negociações bem-sucedidas de reajuste. Em março de 2025, dezenas de servidores saíram às ruas em um ato organizado pelo SINFEMP, exigindo reajuste salarial e melhores condições de trabalho, apontando que o próprio prefeito, vereadores e os secretários receberam aumentos significativos enquanto os servidores não tiveram nenhuma recomposição real do salário.

Na prática, isso significa que professores, profissionais da saúde, trabalhadores administrativos e outros tantos trabalhadores sofrem com a perda real de poder de compra e uma crescente dificuldade para manter despesas básicas. Isso causa impacto direto na qualidade das escolas, postos de saúde e setores administrativos, que funcionam graças ao trabalho desses profissionais, que hoje relatam sobrecarga e desmotivação.

Enquanto isso, na Câmara dos Deputados, os projetos pautados por Hugo Motta e aprovados pelo Congresso não só preveem reajustes automáticos como também criam novos benefícios e gratificações!  Alguém que pauta o aumento de salários de quem já ocupa o topo da pirâmide salarial está completamente desconectado da população.

Esse argumento de que “cabe no orçamento” não é neutro. É usado pelas mesmas pessoas criticam o governo por qualquer gasto, chamando de “crise fiscal”. O orçamento é política, escolha de quem recebe prioridade. Optar por ampliar verbas de gabinete é escolher os próprios interesses, principalmente agora que ele ocupa posição consolidada no cenário nacional e mira em 2026 para ampliar a força de sua família com novas alianças no Congresso.

Qual é o compromisso concreto que os Motta têm com os servidores públicos? Afinal, se há espaço político para discutir reajustes no alto escalão, por que a situação dos trabalhadores municipais segue sem solução? Eles erguem promessas de desenvolvimento e crescimento econômico sempre nos períodos pré-eleitorais. já estamos cansados de ver essas pautas genéricas. Para os servidores de Patos, a questão é mais concreta e imediata: Quando será feito o reajuste, reposição inflacionária e reconhecimento profissional?

Para isso, não há outra saída senão se unir contra essas decisões que beneficiam poucos. Se a palavra “reajuste” ecoa em Brasília como vitória corporativa, nas cidades médias do interior ela soa como claro abandono. O que eles precisam ouvir em resposta é o grito nas ruas, em continuidade ao fim da PEC da Blindagem. Ou o Estado serve ao povo, recompondo salários, garantindo direitos e priorizando o bem comum, ou serve aos próprios bolsos e aos burgueses, ampliando a distância entre quem decide e quem sofre. A escolha de Hugo Motta e de seus aliados será cobrada nas ruas, nos sindicatos e nas urnas.

FORA HUGO MOTTA E SUA FAMILIA!

Luta pelo transporte mobiliza estudantes em Garanhuns (PE)

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Após receberem a notícia de que ficariam sem transporte coletivo, estudantes, moradores e militantes dos movimentos sociais de Garanhuns, agreste pernambucano, decidiram mobilizar a comunidade para lutar por um transporte público e de qualidade. 

Raul Herculano| Garanhuns


LUTA POPULAR- No final de fevereiro os estudantes de Garanhuns, agreste pernambucano, foram surpreendidos com a notícia de que a empresa de transporte local – Padre Cícero- teria a concessão para operar as rotas que atendia as comunidades do Boa Vista, Mundaú, João da Mata, Vale do Mundaú e Aloísio Pinto, em Garanhuns, agreste pernambucano, cancelada. Isso significava que, já na segunda (02/03), estudantes e trabalhadores ficariam sem transporte para o trabalho, escola e seus afazeres diários.

Diante desse absurdo, uma mobilização iniciou na cidade. A Unidade Popular, o Movimento Correnteza, o Movimento de mulheres Olga Benario e a União da Juventude Rebelião (UJR) iniciaram um abaixo-assinado entre os moradores, uma série de denúncias nos bairros e muita agitação contra esse retrocesso. E a mobilização provou que a luta vale a pena.

As mobilizações culminaram com uma reunião ampliada dos movimentos, que aprovou um ato na Universidade Federal do Agreste Pernambucano (UFAPE), um dos locais afetados pelo corte da linha de transporte. No dia 04 de março, a UFAPE recebeu a visita do Ministro da Educação, Camilo Santana, e contou com o apoio do sindicato dos servidores da universidade, servidores e Diretórios Acadêmicos que fortaleceram a luta junto aos moradores dos bairros e movimentos. Faixas, cartazes, caixa de som e panfletos endossavam ainda mais as denúncias.

O ato exigiu a retomada, ampliação e melhoria imediata do Transporte coletivo, a abertura “Restaurante Universitário a preço popular!”, inclusão dos estudantes universitários da rede federal no Programa Nacional de Apoio ao Transporte Escolar (PNATE), construção de brinquedoteca e fraldários e outras 13 reinvindicações, as quais foram entregues ao Ministro da Educação e ao reitor da UFAPE. Estes se comprometeram na abertura do R.U até fevereiro de 2027, e a utilização do recurso R$ 20 milhões já previstos para a melhorias na estrutura da UFAPE.

Essa luta ocorre em meio a falta d’água na cidade, a ausência de uma delegacia da mulher que funcione 24 horas ou mesmo questões básicas, como saneamento básico para lhe dar com as chuvas e etc. Enquanto isso, sobra dinheiro no município para aumentar o vale-alimentação para os políticos, no valor de 5 mil reais, o estado anuncia que sobrou R$ 4 bilhões de Superávit e enquanto a federação destina R$ 1,82 trilhões ao pagamento dos juros da dívida pública.

A luta por transporte e melhorias na UFAPE também serviu para fortalecer e mostrar a força do coletivo e importância dos movimentos sociais na luta, essa que sempre nos ensina que não há outro caminho e alternativa para os mais pobres, se não construir cotidianamente uma alternativa de luta social em nosso estado e no país.  Como sempre dizemos, só conquista quem luta!

O capitalismo nos adoece. É preciso transformar a sociedade

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O Monopólio do capital torna-se um entrave para o modo de produção que com ele e sob ele floresceu. A centralização dos meios de produção e a socialização do trabalho atingem um ponto em que se tornam incompatíveis com o invólucro capitalista. Este é rompido. Soa a hora final da propriedade privada capitalista. ( Karl Marx. O capital Livro I).

Alberes Simão- Petrolina (PE)


 SAÚDE- Vivemos uma epidemia silenciosa. Em cada esquina, em cada tela, há jovens cansados, ansiosos e deprimidos, tentando sobreviver em um mundo que os consome por dentro. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que o suicídio já é quarta principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos, mas o que o sistema não diz é que o verdadeiro culpado tem nome: capitalismo.

Este modelo de sociedade que transforma tudo em lucro e todos em competidores produz miséria emocional. Somos bombardeados por cobranças, metas, comparações e ilusões de sucesso. No capitalismo, os avanços da ciência servem apenas para enriquecer um punhado de pessoas. O trabalhador é explorado até a exaustão; o estudante, sufocado pela pressão do desempenho; o desempregado, culpado por não “vencer”. O capitalismo não só rouba o tempo e o corpo, mas também envenena a alma.

A fábrica de ansiedade

O jovem de hoje nasce conectado, mas vive isolado. A internet, apresentada como liberdade, virou uma vitrine de sofrimento. As redes sociais impõem um padrão de felicidade impossível, criando uma geração que sorri nas fotos e chora em silêncio. A lógica é simples: quanto mais inseguros, mais consumimos; quanto mais sozinhos, mais obedecemos.

Com base em registros da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) do Sistema Único de Saúde (SUS), o jornal Folha de São Paulo mostrou que, de 2013 a 2023, ocorreu um expressivo crescimento da ansiedade entre crianças e jovens. As principais causas apontadas pela reportagem são: crises econômicas, climáticas, autodiagnósticos simplistas e uso excessivo de celulares e jogos (FSP, 31/05/2024). A situação é tão alarmante, que nem os meios de comunicação da própria burguesia conseguem esconder os fatos.

A “liberdade” capitalista é uma farsa. Somos “livres” para escolher entre mil produtos, mas não para decidir o rumo da própria vida. O sistema promete sucesso a todos, sabendo que só poucos o alcançarão e culpa cada um por não conseguir. Essa é a violência psicológica do neoliberalismo: transformar exploração em “mérito pessoal”. Luiz Falcão, em seu livro o Capitalismo e as doenças, fazendo uma análise do momento social em que vivemos, afirma:

“Os Arautos da burguesia, da mesma forma que culpam os desempregados por não conseguirem emprego, a natureza pelas tragédias climáticas e os pobres pela pobreza, responsabilizam o ser humano pelas doenças.”

O lucro acima da vida

Enquanto milhões adoecem, as indústrias farmacêuticas faturam bilhões vendendo antidepressivos. A tristeza virou mercado. A dor virou mercadoria. O sofrimento é lucrativo e por isso o sistema não quer curá-lo. Prefere anestesiar. Não é coincidência que os países mais capitalistas sejam também os que registram os maiores índices de ansiedade e suicídio. O “progresso” que prometem é construído sobre a destruição da vida coletiva e a privatização da esperança.

Resumindo: A vida da classe operária na moderna sociedade capitalista consiste em superexploração, metas e cobranças abusivas, assédio e falta de perspectiva no trabalho.

Saúde mental é luta de classes

 O livro “Capitalismo e as Doenças” aponta que o adoecimento da população não pode ser compreendido apenas sob uma perspectiva biológica, pois está profundamente relacionado às estruturas do sistema capitalista. Segundo o autor, a lógica da exploração do trabalho e da busca incessante pelo lucro contribui para o desgaste físico e mental dos indivíduos, transformando a saúde em um elemento secundário diante da produtividade. Além disso, Falcão argumenta que a desigualdade social, característica do capitalismo, limita o acesso aos serviços de saúde, fazendo com que o direito à vida saudável seja condicionado à posição econômica. Nesse contexto, a medicalização dos problemas sociais atua como uma estratégia de ocultamento das verdadeiras causas do adoecimento, desviando o foco das condições precárias de trabalho e de vida. Assim, o autor demonstra que o capitalismo não apenas convive com as doenças, mas também cria e mantém as condições sociais que favorecem sua reprodução.

Falar de depressão e suicídio não é só uma questão médica; é uma questão política e de classe. A saúde mental do povo trabalhador não será alcançada com remédios caros ou palestras motivacionais, mas com mudança radical das condições de vida. Precisamos recuperar o sentido coletivo da existência: o apoio mútuo, a solidariedade, a organização. Nenhum algoritmo substitui um abraço, nenhum lucro compensará a perda de um camarada.

A juventude que hoje sofre é a mesma que pode romper as correntes. Transformar a dor em revolta, e a revolta em ação. Porque só uma sociedade socialista onde a vida valha mais que o lucro poderá curar as feridas abertas por séculos de exploração.

Viver é resistir. Lutar é libertar

Enquanto o capitalismo nos adoece, a luta coletiva nos cura. Que cada lágrima derramada se transforme em combustível para a transformação. Que a juventude, ao invés de se render ao desespero, erga-se em nome da vida, da dignidade e da esperança. Porque o suicídio não é o fim individual é a denúncia de um sistema que mata em silêncio. E só a revolução pode calar essa máquina de sofrimento.

Esse ano de 2026, a União da Juventude Rebelião (UJR) e a Unidade Popular organizaram diversas atividades em todo país visando aprofundar ainda mais a colaboração mútua, o espírito de coletividade e companheirismo. Rodas de conversa, caminhadas, trilhas, campeonatos de futebol e outros esportes, mostrando que é possível trocar as horas nas telas por ações que estimulem a saúde mental, a consciência de classe e a natureza, mostrando que uma outra sociedade é possível, e que práticas como essas comprovam isso. O autocuidado também é feito no coletivo, onde também cuidamos uns dos outros enquanto ao mesmo tempo nos fortalecemos. Como afirmou o revolucionário Julius Fučík, “Que a tristeza nunca seja associada ao nosso nome”.

Desmonte e precarização do SUS: Prefeitura de Diadema realiza fechamento do CAPS Leste

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Prefeitura de Diadema realizou o fechamento do CAPS Centro Leste sem qualquer anúncio oficial nos seus canais institucionais, a informação veio a público por meio de uma faixa afixada em frente à unidade

Redação SP


SAÚDE – A Prefeitura de Diadema realizou o fechamento do CAPS Leste sem qualquer anúncio oficial nos seus canais institucionais. A informação veio a público por meio de uma faixa afixada em frente à unidade, informando que o atendimento passaria a ocorrer em outro endereço, que corresponde, na prática, à unidade do CAPS Sul do município.

Até o momento, não houve nota oficial, coletiva de imprensa ou publicação explicando a decisão. A ausência de transparência tem gerado questionamentos entre usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).

O CAPS Leste é um serviço adulto de saúde mental que atende a população da região leste de Diadema, sendo referência para oito Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do território. A proposta apresentada pela gestão municipal prevê a redistribuição dessas UBSs entre o CAPS Sul e o CAPS Norte, fragmentando o território que, até então, tinha no CAPS Leste sua unidade de referência.

Embora a medida esteja sendo apresentada como uma “reorganização” da rede, na prática o CAPS Leste deixa de existir como referência territorial, rompendo uma lógica construída ao longo de anos. Implantado em 2007 e consolidado como o segundo CAPS 24 horas do município, o serviço teve papel estratégico na estruturação da rede de saúde mental de Diadema, fortalecendo um modelo de cuidado em liberdade, territorializado e comprometido com a continuidade do vínculo entre equipe e usuários.

Desmonte da rede de cuidado em saúde mental

O que se sabe até o momento é que a decisão estaria sendo sustentada por uma diretriz do Ministério da Saúde que estabelece parâmetros populacionais para habilitação de Centros de Atenção Psicossocial. Esses parâmetros indicam proporções de CAPS conforme o número de habitantes do município. No entanto, o próprio Sistema Único de Saúde é regido pelo princípio da equidade, que pressupõe maior oferta de cuidado justamente nos territórios que apresentam maior vulnerabilidade social e maior demanda por políticas públicas.

Diadema é uma cidade de alta densidade populacional e marcada por desigualdades estruturais, fatores reconhecidamente associados ao aumento do sofrimento psíquico. De acordo com dados de 2018 do Índice Paulista de Responsabilidade Social, desenvolvido pela Fundação Seade, o município apresenta indicadores que revelam desafios persistentes: índice de escolaridade de 56 e taxa de analfabetismo de 4,7%, evidenciando fragilidades no acesso à educação; índice de longevidade de 66, apontando para condições de vida ainda aquém do ideal; e índice de riqueza de 42, que explicita desigualdades econômicas significativas no território.

Diante desse cenário, a simples aplicação de um critério numérico descolado da realidade social ignora as especificidades locais. Em contextos de maior vulnerabilidade, a redução de serviços não representa apenas uma reorganização administrativa, mas um enfraquecimento da rede territorial de cuidado e ampliação do risco de desassistência em saúde mental.

Nenhum direito a menos

A ausência de diálogo público e de transparência na comunicação da medida reforça a percepção de que decisões estruturais sobre a saúde mental do município estão sendo tomadas sem participação popular e sem respeito aos usuários do SUS. Para trabalhadores e usuários, a decisão sinaliza um movimento de redução estrutural da política pública de saúde mental em Diadema.

O fechamento do CAPS Leste reacende o debate sobre o modelo de atenção que se pretende sustentar: um modelo territorial, construído para substituir a lógica manicomial, ou uma organização orientada prioritariamente por critérios administrativos e contenção de custos.

Em um cenário ainda atravessado pelos impactos psicossociais da pandemia, a descontinuidade de um serviço de referência levanta preocupações sobre possíveis efeitos de desassistência e sobrecarga da rede. Defender o CAPS Leste é defender a rede territorial de cuidado e que nenhum direito pode ser  reduzido em nome da austeridade.