UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

sexta-feira, 27 de março de 2026
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Trabalhadores do Supernosso denunciam a farsa da redução da jornada e paralisam unidade em BH

Paralisação em BH desmascara manobra do Supernosso que aumenta carga diária e retira direitos sob o disfarce de folga extra.

Marcelo Pereira – Belo Horizonte (MG)


Na última quarta-feira, 4 de março, o Movimento Luta de Classes (MLC) realizou uma paralisação em uma unidade do Supermercado Supernosso no bairro Santa Tereza em Belo Horizonte (MG). Após a última ação do MLC nessa rede, em dezembro de 2025, houve resposta dos patrões: passaram a ofertar vagas 5×2, porém aumentando a jornada diária de trabalho. Isso demonstrou que, com luta, se conquista! A burguesia nunca cede um milímetro sem a pressão organizada do povo. Mas a proposta dos patrões não é suficiente e esconde armadilhas para manter intacta a taxa de lucro dos capitalistas. Queremos a redução real da jornada de trabalho para 36 horas semanais, sem redução salarial!

Ao longo das semanas, o MLC realizou diversas panfletagens na porta do supermercado e de shoppings para conversar com os trabalhadores e agitar essa pauta. A partir disso, recolhemos denúncias de que esse golpe dos patrões está sendo realizado em outras grandes redes, como a Drogaria Pacheco e a Chilli Beans. A Pacheco é a segunda maior rede de drogarias e teve um faturamento de R$14 bilhões em 2023, apresentando um grande crescimento durante a pandemia enquanto o povo morria. A Chilli Beans faturou R$ 1,4 bilhão em 2024 e o Grupo Supernosso quase R$5 bilhões. Tudo isso só é possível com a superexploração dos trabalhadores, oferecendo salários que não são suficientes nem mesmo para pagar as contas do mês e jornadas exaustivas.

Militante do MLC entrega o jornal A Verdade para uma trabalhadora em frente ao mercado.
Agitação e propaganda com o jornal A Verdade na porta da loja. Foto: Daniel Cotta @afterdark.dan

É exatamente para manter esses lucros exorbitantes que os donos do poder tentam nos enganar. O jornal A Verdade recebeu, sob o compromisso do mais absoluto sigilo para evitar perseguições patronais, uma denúncia revoltante de um companheiro da rede Supernosso que desmascara a falsa “bondade” da empresa.

O trabalhador relata: “O Supernosso está fazendo a maior propaganda de que vai acabar com a escala 6×1, mas é tudo armadilha do patrão. Ninguém está falando que, duas semanas antes de anunciarem isso, eles já foram lá na surdina e cortaram a premiação de todas as lojas! E a covardia não para por aí: a nossa jornada diária, que era de 7h20min, agora aumentou para 8h40min. Ou seja, a gente vai trabalhar muito mais por dia e ainda perder dinheiro para ‘pagar’ por essa suposta folga. Estão tirando com uma mão para fingir que dão com a outra.”

Policial de costas observa militantes conversando com trabalhadoras na calçada.
Intimidação policial não impede a organização da classe. Foto: Daniel Cotta @afterdark.dan

Essa é a verdadeira face do capitalismo, camaradas! O patrão suga a nossa energia e o nosso trabalho não pago (a mais-valia) para não perder um único centavo. Eles intensificam o nosso desgaste físico nos forçando a trabalhar 8h40min e ainda metem a mão no nosso bolso cortando a premiação. É o velho golpe da classe dominante: fazem propaganda na mídia de que estão “melhorando” as condições, enquanto precarizam ainda mais a nossa vida no chão de loja.

Sabemos que não haverá justiça para a classe trabalhadora enquanto vivermos nesse sistema capitalista. As regras do jogo sempre vão proteger os donos do capital. Por isso é preciso seguir na luta por melhores salários e redução da jornada de trabalho, intensificando a organização nos nossos locais de trabalho, rumo à construção da sociedade socialista. Somente no socialismo é que os trabalhadores e as trabalhadoras tomarão as rédeas do país para atender aos seus interesses, e não apenas para dar lucros bilionários para um pequeno bando de sanguessugas. Quem produz toda a riqueza somos nós, e a nós ela deve pertencer.

Greve dos Metalúrgicos da KABI conquista direitos no Rio de Janeiro

Trabalhadores da KABI fazem greve vitoriosa, barram o parcelamento de salários e fortalecem a luta contra a escala 6×1.

Rafael Figueira e João Casares – Rio de janeiro (RJ)


Desde o início do ano, a militância do Movimento Luta de Classes (MLC) vem construindo uma grande campanha de denúncias contra a famigerada escala 6×1 nas fábricas metalúrgicas da Zona Norte do Rio de Janeiro, utilizando o panfleto nacional do MLC e brigadas periódicas do jornal A Verdade.

Durante essa mobilização, fomos informados do ataque criminoso aos direitos do trabalhador  na fábrica KABI Strong, onde os funcionários ficavam meses sem receber e, quando ocorria o pagamento, os salários eram parcelados.

Diante dessas denúncias, nossa militância intensificou o contato com os operários na porta da fábrica e produziu um panfleto específico a partir das denúncias deles sobre essa situação. Com isso, conseguimos o contato de diversos trabalhadores indignados que, por medo de represálias e do assédio moral da empresa, não queriam conversar em frente à unidade, mas aceitaram realizar reuniões individuais para tratar do problema.

Após essas reuniões, organizamos uma plenária on-line para apresentar a proposta de paralisação para o dia 04/03, Dia Nacional de Paralisação contra a Escala 6×1 em todo o Brasil. O objetivo foi fortalecer a mobilização específica dos metalúrgicos e somar forças à luta nacional.

Devido à firmeza dos operários, no dia 04/03, a militância do Movimento Luta de Classes (MLC) e da União da Juventude Rebelião (UJR) garantiu um piquete combativo na porta da fábrica. O som das palavras de ordem e o café da manhã compartilhado na calçada romperam o silêncio da exploração, transformando a madrugada fria em um símbolo de resistência e solidariedade operária.

Chegamos ao local com uma hora e meia de antecedência e utilizamos o carro de som para organizar a primeira assembleia. Garantindo que nenhum trabalhador seria filmado ou fotografado para evitar riscos de retaliação, iniciamos uma greve operária pelo recebimento dos salários e pela garantia de estabilidade do dia de pagamento. Com a greve estabelecida, convocamos o sindicato para formar uma mesa de negociação mista com a empresa.

Após a primeira assembleia, outras demandas surgiram. A empresa se recusava a pagar o dissídio de 6% conquistado pela categoria em outubro do ano passado e condicionava um “bônus” de 10% à assiduidade, pontualidade e metas de produção. Reivindicamos o pagamento integral do dissídio coletivo — um direito dos trabalhadores — com os retroativos desde outubro para todos os funcionários. Além da definição de um dia fixo para o pagamento e da abolição do parcelamento de salários, exigimos que nenhum trabalhador sofresse descontos ou punições por exercer o direito de greve.

No meio da manhã, o proprietário surgiu com o cinismo típico da burguesia, afirmando que “tirava do bolso” para manter a empresa. Enquanto os trabalhadores amargavam contas atrasadas e geladeiras vazias, o patrão encenava uma falsa compreensão, mas negou-se a fixar o dia do pagamento. Diante dessa postura intransigente e desrespeitosa, os operários responderam com a única linguagem que o capital entende: decidiram, em assembleia, pela continuidade da greve.

Ainda no primeiro dia, o patrão revelou sua face mais perversa ao tentar usar a fome como arma contra o movimento. Anunciou o fechamento da cozinha e o corte da alimentação, além de ameaçar demitir quem lutava por comida na mesa. Tais ataques, longe de acovardar a categoria, apenas inflamaram a indignação. O patrão mentiu ao dizer que a greve era ilegal, ignorando que o calote nos salários é o verdadeiro crime.

No dia 05/03, chegamos cedo à porta da fábrica, desta vez acompanhados pelo sindicato e com a notícia de que outro responsável pela unidade havia solicitado uma reunião com a comissão. Na ocasião, fomos informados de que a Justiça havia intervindo na empresa, que se encontra em Recuperação Judicial (ou Fiscal), e que um dos critérios para tal processo é a garantia de que não haja atrasos salariais.

Nessa reunião, o administrador judicial comprometeu-se a:

  • Pagar o dissídio retroativo;
  • Garantir um dia fixo para o pagamento já em março;
  • Apresentar, até segunda-feira, uma solução para o pagamento referente a fevereiro;
  • Garantir a não retaliação dos trabalhadores grevistas.

Na próxima segunda-feira, haverá uma reunião de mediação com a Justiça, o sindicato, o MLC e a direção da fábrica para resolver pendências como a situação da cozinha e pagamentos de férias atrasadas.

Com essas decisões registradas em ata pela Justiça e assinadas por todas as partes, os trabalhadores celebraram a vitória de quem não se curvou. Em assembleia, decidiram encerrar a greve com o orgulho de quem recuperou a dignidade através da luta. O sentimento geral era de que a KABI já não é a mesma: agora, o operário entra na fábrica de cabeça erguida, sabendo da força que tem quando está unido.

A vitória na KABI prova que o único caminho para a emancipação da classe operária é a luta direta e organizada. Só o socialismo libertará os trabalhadores da escravidão assalariada! Seguiremos presentes na porta da fábrica, mas também dentro, pois essa luta consolidou um núcleo do Movimento Luta de Classes na KABI Strong. Estaremos atentos quanto ao cumprimento do acordo e prontos para retomar a luta, ao lado dos trabalhadores, sempre que necessário.

Só a luta coletiva é capaz de barrar a exploração e conquistar direitos! A vitória na KABI é um combustível para as próximas batalhas.

Pelo fim da escala 6×1!
Rumo à construção de uma sociedade onde quem produz tudo, a tudo pertença!

 

Greve dos guarda-vidas civis do Paraná escancara os efeitos da precarização do trabalho no Brasil

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Não pagamento e atraso do valor das diárias trabalhadas é motivador da greve apesar do aumento de investimento do Estado com a operação verão.

Willian Araki e Leonardo Fontes | Redação PR


TRABALHADOR UNIDO – Em dezembro de 2025 o governo do estado do Paraná anunciou um aumento no contingente de bombeiros e guarda-vidas (669 e 362 respectivamente) para acompanhar a campanha Verão Maior Paraná 2026, que visava aumentar o fluxo de banhistas para o litoral do estado. Com a presença de vários artistas como Ana Castela e Gusttavo Lima, 2026 quebrou recorde nas areias das cidades Matinhos e Pontal do Paraná com mais de 2,56 milhão de pessoas, com o estado gastando mais de R$10,4 milhões com a contratação das atrações. Esse dinheiro, no entanto, não foi o mesmo empregado para o pagamento dos guarda-vidas civis, contratados em regime de diárias de R$165,00 sem data fixa para pagamento e materiais básicos de trabalho (protetor solar, óculos, chinelos).

Histórico de precarização

A categoria dos guarda-vidas civis no estado do Paraná já enfrenta um histórico de precarização em relação à contratação para a alta temporada do litoral, principalmente no que diz respeito aos atrasos e ausência do pagamento das diárias e a discrepância entre os GVC e os militares, que receberam um aumento de R$110,00 chegando a R$400,00 neste ano.

“Todo ano é assim, cai o dinheiro para os bombeiros, o comando recebe o dinheiro para a guarda-vida civil mas eles demoram para depositar”, relatou Robson* em entrevista ao Jornal A Verdade. “Depois que acaba a temporada, eles demoram um mês e meio, quase dois meses para pagar. No final você está pagando para ir trabalhar”.

A Greve como arma do trabalhador unido

Neste ano, após dias de greve, os trabalhadores da GVC conquistaram seu pagamento de salário com a promessa de pagamentos em dia. Isso demonstra o poder da organização do trabalhador, que em face da precarização, vai à luta para garantir o mínimo que é o recebimento por seus dias trabalhados.

Dentro do sistema capitalista, a segurança do povo é sempre prejudicada em detrimento do lucro, para o governo do Paraná é mais importante pagar milhões para “artistas” milionários que honrar com os pagamentos dos funcionários que trabalham para garantir o bem-estar dos trabalhadores.

*Nome alteração adotado por segurança.

Exploração na Callink: MLC mobiliza trabalhadores em Uberlândia contra a escala 6×1

Pelo fim da escala 6×1 e contra os salários de fome, o MLC realizou um ato combativo na porta da Callink, em Uberlândia. A mobilização apresentou aos trabalhadores a necessidade urgente da greve para barrar a exploração de uma empresa que triplica seus lucros enquanto impõe a miséria aos seus operadores.

Rafael Fumero – Uberlândia (MG)



No dia 4 de março, o MLC organizou, em Uberlândia (MG), um ato nacional pelo fim da escala 6×1 na empresa Callink, agora responsável pelo Call Center localizado no bairro Granja Marileusa, na Zona Leste da cidade.

De acordo com o CEO do Grupo Callink, Fabiano Batista, a empresa é “muito mais do que um Call Center”. Após adquirir as operações da Algar Tech, o grupo encerrou o ano de 2025 três vezes maior do que em janeiro do mesmo ano. Porém, a realidade dos trabalhadores encontrada pelo MLC não é proporcional a esse lucro: já são anos contando apenas com a atualização do salário mínimo, sem reajustes reais, sob ameaças constantes de demissão, repressão ao apresentar atestados médicos e nenhuma perspectiva de mudança.

No decorrer das últimas semanas, o MLC realizou panfletagens com os trabalhadores do polo e apresentou a alternativa da luta, tendo como meta paralisar a operação para reivindicar o fim da escala 6×1, a redução da jornada, reajuste salarial digno e o respeito aos seus direitos.

Pelo fim da escala 6×1 e redução da jornada de trabalho!

Para construir o ato, militantes do MLC, com o apoio da União da Juventude Rebelião (UJR) e da Unidade Popular (UP), chegaram antes do turno das 07h — um dos maiores, junto ao das 08h — e dialogaram com cerca de 350 trabalhadores no local.

As denúncias foram inúmeras: salários que seguem estritamente as convenções patronais, ameaças frequentes de demissão e perseguição contra quem apresenta atestado médico — o que muitas vezes resulta em mudanças compulsórias de turno ou novas ameaças de dispensa. O cenário é de sobrecarga, assédios e profunda insatisfação.

Vozes da exploração: assédio e arrocho salarial

Pietra, mãe de três filhos e contratada há mais de dois anos, denunciou: “Cansei de ouvir nas reuniões que, só porque sou mãe, tenho que me dedicar mais no trabalho. Eu quero um salário digno, quero ter tempo de qualidade com meus filhos”. Ela relata já não ter esperança de que a pressão constante cesse sem resistência.

Já Carlos demonstrou preocupação com a aquisição da Algar pela Callink: “Antes, quando alguém era demitido de maneira abusiva, podia procurar emprego na outra empresa. Agora, com essa compra, eles podem simplesmente tirar a pessoa do mercado de trabalho, e quem não tem alta qualificação vai ficar desempregado”.

Justamente pelo monopólio da Callink em Uberlândia, o diálogo entre os trabalhadores e a empresa exige a mediação de um sindicato combativo. Este deve ser ligado à classe, pronto para denunciar abusos, defender juridicamente os injustiçados e, sobretudo, determinado a organizar grandes jornadas de luta.

Regina, mãe solo e trabalhadora na empresa, destacou a precariedade financeira: “Se pelo menos o salário mínimo viesse inteiro para a nossa conta, seria bom. Tem dia que descontam atraso e a gente tem que se explicar no RH, além dos descontos do INSS que fazem o salário, que já é pequeno, ser menor ainda”.

Só a greve e a organização operária garantem a vitória

Durante o ato, a pressão covarde que a empresa exerce diariamente sobre cada trabalhador dificultou que a categoria parasse as atividades naquele momento, mas isso não silenciou a revolta. Pelo contrário: dezenas de trabalhadores expressaram o desejo de lutar e grande interesse na pauta.

Conforme as notícias de paralisações em outros polos chegavam, a emoção aumentava: “Parou mais uma, a gente tem que parar aqui também!”. Ficou evidente que a escravidão assalariada no Call Center precisa acabar. Assim como na história do Brasil, o povo quer lutar pelo fim da escala 6×1, e a saída não poderia ser mais clara: greve operária com o MLC!

Todos os nomes utilizados na matéria são fictícios para proteger a identidade dos trabalhadores.

Toda solidariedade a Carol Solberg

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Atleta foi suspensa após ter comemorado a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. A atitude da Federação é exemplo de qual lado os dirigentes do esporte brasileiro se encontram, e qual o compromisso deles.

Natanael Sarmento – Redação Pernambuco


OPINIÃO- A Federação Internacional de Voleibol – FIVB suspendeu a atleta brasileira Carol Solberg em 19 de fevereiro. Punição por declaração dela considerada “conduta antidesportiva” pela entidade. A atleta está impedida de participar da etapa do circuito mundial em João Pessoa. O pretexto da retaliação foi comentário no mundial da Austrália, em 2025, sobre a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro: “ontem no Brasil nós colocamos na cadeia o pior presidente de todos os tempos. Vamos comemorar!”

O paradoxo dessa punição administrativa por declaração política é que esta decisão é política. Do comitê. A pretensa separação da decisão do CIVB da política é falsa. Separar a atividade desportiva ou qualquer atividade humana da política é uma falsificação, ou manipulação da realidade. A primeira lei da dialética ensina que tudo se relaciona. Expliquemos melhor.

Lógicas

A lógica formal ou mecânica resulta de anos de observação da natureza, foram desenvolvidas regras importantes desde A.C. por Aristóteles e outros gregos. Com os limites do conhecimento da época. O princípio da identidade diz que A é A, logo, A não é B, uma coisa não pode ser outra ao mesmo tempo, vida não é morte, flor é flor, árvore é árvore, separadamente, nessa mesma lógica tradicional, esporte é esporte e política é política. Embora importante, tal lógica não explica o processo, o movimento, a transformação de todos os fenômenos que ocorrem na natureza e na sociedade.

Foi o desenvolvimento das ciências observando as mudanças e movimentos da natureza e das sociedades que possibilitou o surgimento da lógica dialética, com base em leis universais do movimento e da transformação universais, correlacionando fenômenos que eram explicados estaticamente, isoladamente. Desde que nascemos surgem novas células e outras morrem, a morte orgânica faz parte do processo de luta de forças contrárias que se relacionam morte-vida.

A flor resulta do processo de desenvolvimento de uma planta (árvore) que se desenvolveu a partir de uma semente e assim por diante. Por isso a visão da história humana na perspectiva dialética de correlacionar os fatos aparentemente separados, é mais condizente com uma visão científica e comprovada na prática como verdadeira.

Façamos rápido exercício de lógica: O Esporte (A) não é política (B) na lógica formal, pois são atividades distintas, A não é B. Isso é verdadeiro, mas insuficiente! A afirmativa veraz na aparência é falsa na essência, pois separa o inseparável:  a relação da atividade desportiva com a política. Todos os desportes e atletas (A) dependem de atos políticos. De incentivos e recursos públicos, de transportes, centros de treinamentos, assistência técnica, nutricional e médica, e, enfim das condições de sobrevivência. De liberdade e condições dignas de moradia e trabalho, de tratamento igual, independente de gênero, etnia, religião ou convicções políticas.

Desconsiderar essas relações não contribui para o desenvolvimento dos desportos e muito menos, dos atletas. A aplicação da sanção com base no regulamento da FIBV foi decisão política e mesquinha com base em interpretação formal. Decisão injusta e desumana, pois atenta contra direitos da personalidade, contra direitos humanos fundamentais consagrados nas Constituições do mundo civilizado como liberdade de expressão e de trabalho.

Qual foi o delito de Carol?

Carol comemorou com palavras a prisão do fascista Bolsonaro, tipo social que, no poder a prejudicou como cidadã, atleta e mulher. Como cidadã vide os atos terroristas golpistas pelos quais foi condenado no STF a 27 anos de prisão. Como mulher pelas declarações machistas e misóginas que marcam a vida pública do hoje presidiário.

Como atleta, por que no exercício da presidência o “mito” destruiu o Ministério dos Desportos, reduzido à secretaria especial.  Militarizou e aparelhou a Secretaria Especial de Desporto. Enfraqueceu políticas públicas desportivas como o projeto olímpico brasileiro – com mais 10 anos, o programa Bolsa-Atleta, criado no governo Lula e que chegou a financiar 80% dos competidores olímpicos e paraolímpicos brasileiros. Nas Olímpiadas de 2016 a Bolsa-Atleta beneficiava 75% dos atletas nacionais.

O General Décio Brasil, foi o segundo chefe da Secretaria de Desporto exonerado em doze meses. Consta que o General Brasil resistiu à nomeação de Marcelo Magalhães para alto cargo executivo, tratava-se do padrinho de casamento do Flávio Bolsonaro, filho do presidente. Para o General Brasil tal qualificação não bastava, mas para Bolsonaro a “famíglia” se basta e o Brasil caiu.

Prejudicou milhares

Antes da papuda, nos tempos da presidência e durante a pandemia Covid-19 que matou mais de 700 mil pessoas, da “famosa gripezinha”, Bolsonaro prejudicou diretamente o mundo desportivo. Vetou o PL 2824/2020 aprovado no Congresso e assim cortou a liberação do auxílio (R$ 600,00) para atletas em dificuldades, bem como a dedução de 1% para 2%, no limite de deduções dos patrocínios e doações, da Lei de Proteção ao Esporte.

Ao longo de três décadas na política, Jair Bolsonaro patrocinou atos e declarações machistas e misóginas que lhe renderam, inclusive processos legais. Para refrescar a memória, sobre o nascimento da única filha mulher chamou de “fraquejada”. Numa discussão com a deputada Maria do Rosário afirmou para atingi-la na condição humana de mulher: “você não merecia ser estuprada porque é muito feia”. Constam ataques chulos a jornalistas chamadas de “idiotas”, “analfabetas” que fossem “dormir pensando nele”.

O presidiário quando obrava no Alvorada declarou que as pautas Lgbtqia+ são nocivas e destroem a família. Afirmou: “o Brasil precisa deixar de ser um paraíso de maricas”. Sobre o turismo para gays em 2019 vaticinou: “quem quiser fazer sexo com mulher, fique à vontade”.

Regra e justiça

A lei, a regra, o regulamento são meios e devem servir à aplicação da justiça. É velha a discussão sobre essa distinção entre a lei, o meio e a justiça o fim. A tragédia Antígona de Sófocles já abordava a temática da aplicação da lei como justiça ou injustiça. Séculos depois os romanescos inventaram a tal da hermenêutica e fixaram regras para interpretações de regras, e mais modernamente, para integração e complementações de lacunas e soluções de antinomias.

Mas o CIVB em pleno século XX aplica a “justiça punitiva” de Creonte da narrativa de meio milênio A.C.  Ou será expressão da perversão do maldoso Procusto? Do assaltante de estradas que colocava suas vítimas numa cama e cortava as suas pernas ou as esticava até ficar no tamanho exato do leito?

Na exatidão da bitola do art. 8.1 do Regimento Disciplinar a FIVB proíbe Carol, atleta profissional de voleibol, de participar do circuito mundial da etapa de João Pessoa/PB. Pelas declarações dessa atleta contra o malfeitor Bolsonaro em entrevistas de 2025 na Austrália.

Conservadorismo e fascismo

No Brasil e no mundo, a direita tem hegemonia nas entidades desportivas. Federações, confederações dos esportes têm sido alinhados às pautas conservadoras e instrumentalizados pelos fascistas. Não vamos nos deter neste artigo sobre as denúncias de corrupção e de lavagem de dinheiro, que abundam, aqui e alhures.

Atletas profissionais com visibilidade apoiadores da extrema direita fazem declarações sem punição alguma, vide Neymar, Felipe Melo, Lucas Moura dentre outros que apoiaram publicamente o fascista Bolsonaro.  Perguntamos para ofender: algum deles recebeu suspensão, ou sequer uma repreensão pública da CBD ou da FIFA?

Dois pesos e duas medidas

Carol Solberg, cidadã brasileira, foi punida por representar uma voz progressista contra os reacionários fascistas. Teve violada a sua liberdade de expressão e de trabalho. A questão não é Carol em si, mas o que representa, politicamente silenciar e aceitar passivamente essa aberrante retaliação da direita encrustada no comitê brasileiro e internacional que se sentiu o dedo na ferida.

As autoridades da CBV – Confederação Brasileira de Voleibol – deviam se envergonhar do papel servil e capacho de prepostos da direita, defender o desporto e os atletas, protestar contra a injusta punição de Carol.

Em defesa do esporte, da liberdade de expressão e de trabalho, contra a perseguição fascista a atletas capazes de pensar criticamente, prestamos toda nossa solidariedade a Carol Solberg.

Operação Vassalos é uma mostra do coronelismo no sertão pernambucano

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Operação deflagrada pela Polícia Federal no último 25 de fevereiro investiga uma das famílias mais poderosas de Pernambuco, a família Coelho, que há mais de cem anos se mantém como uma verdadeira oligarquia no sertão do estado, na cidade de Petrolina, uma das mais ricas de Pernambuco.

Redação Pernambuco


SOCIEDADE- A Polícia Federal batizou de “Vassalos” a operação deflagrada nesta quarta-feira (25) contra a família Coelho, de Petrolina (PE). O nome diz tudo: vassalos são aqueles que devem lealdade incondicional a um senhor feudal. A ironia histórica é precisa — e dolorosa para o povo sertanejo que há mais de cem anos sustenta com seu trabalho e seu voto o domínio desse clã.

Os alvos são o ex-senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), o deputado federal Fernando Coelho Filho (União-PE) e o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho. A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do STF, e cumpriu 42 mandados de busca e apreensão em cinco estados. A investigação aponta para um esquema de desvio de recursos por meio de emendas parlamentares: a empresa Liga Engenharia, ligada ao grupo familiar, teria recebido cerca de R$ 74 milhões do famigerado orçamento secreto entre 2019 e 2024. Os crimes investigados incluem peculato, corrupção, lavagem de dinheiro, fraude em licitação e organização criminosa.

Do Coronel Quelê ao orçamento secreto

Para entender a Operação Vassalos, é preciso recuar no tempo. A família Coelho governa Petrolina desde o início do século XX. O patriarca, o latifundiário Coronel Quelê (1885–1952), acumulou terras, fundou indústrias e construiu um império de fazendas e meios de comunicação. Seu filho Nilo Coelho tornou-se governador biônico nomeado pela ditadura militar e presidente do Senado em 1983.

Fernando Bezerra Coelho herdou essa máquina e a modernizou: foi prefeito de Petrolina três vezes, senador, ministro de Dilma Rousseff e, mais tarde, líder do governo Bolsonaro no Senado. Seu filho Fernando Filho foi ministro de Temer. O outro filho, Miguel Coelho, governou Petrolina. Em cada governo federal — Lula, Dilma, Temer, Bolsonaro —, os Coelho encontraram um lugar ao sol. Sua lealdade nunca foi ideológica: foi sempre patrimonial.

Coronelismo modernizado, racismo mantido

O historiador André Luiz, da Frente Negra Revolucionária, analisa que o coronelismo não acabou — apenas trocou o rifle pela caneta e a jagunçada pelo assessor jurídico. Em Petrolina, a mídia alinhada aos Coelho silencia críticos — como o escritor e ambientalista Vitor Flores, que sofreu ataques racistas orquestrados por aliados do ex-prefeito Miguel Coelho. Para André Luiz, “a República ainda é dominada pelos latifundiários, que escravizam a opinião pública por meio de chantagem financeira”.

A Operação Vassalos não investiga apenas um esquema financeiro: expõe as entranhas de um modelo de poder que nunca rompeu com o Brasil colonial. A derrota do coronelismo não virá apenas dos tribunais — virá da organização dos trabalhadores, camponeses, negros e periféricos que ainda hoje são governados como vassalos em sua própria terra.

“É preciso construir um verdadeiro poder popular”

Em nota, a Unidade Popular em Petrolina reafirmou o compromisso com  as lutas do povo petrolinense. A cidade tem sofrido com a falta d’água e com um transporte precarizado, tem vários bairros inteiros que ficaram dias sem água, falta emprego e moradia para a população, e esse caso escancara como a burguesia só vive para esse tipo de ação: explorar até a ultima gota daqueles que mantém a sociedade funcionando. Mais: é importante a participação popular e a denúncia desses crimes, exatamente pelo fato de não podermos confiar nessa justiça, que infelizmente costuma ficar ao lado dos poderosos. Coisa que não aceitaremos sem luta.

Jornada de luta contra a escala 6×1 mobiliza trabalhadores em todo país

Trabalhadoras e trabalhadores se mobilizaram em várias partes do país em greves e mobilizações contra a escala 6×1 após jornada de luta convocada pelo Movimento Luta de Classes.

Redação


TRABALHADOR UNIDO – Nesta quarta-feira (04/03), trabalhadores de 15 estados realizaram uma jornada de atos políticos e greves. A jornada de luta foi chamada pelo Movimento Luta de Classes, que declarou apoio aos trabalhadores paralisados.

De acordo com a apuração da nossa reportagem, pelo menos 2 mil trabalhadores de 8 empresas entraram em greve total ou parcial. Além dessas greves, ocorreram mais 14 atos em várias cidades. Para além da reivindicação da redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1, os trabalhadores também reivindicavam outros direitos básicos, como pagamento em dia, reajuste salarial e melhores condições de trabalho.

Após a Reforma Trabalhista aprovada pelo golpista Michel Temer, se tornou prática a adoção da escala 6×1 com o objetivo de reduzir o pagamento de horas extras e de adicionais por trabalho nos finais de semana e feriados. Ou seja, trabalhamos mais, recebemos menos e os patrões aumentaram seus lucros.

Ato em frente à fábrica Inylbra, no ABC Paulista. Foto: JAV/SP

Greve no Rio e em São Paulo

A adesão e o apoio às greves foram massivos. Nesse processo, muitos trabalhadores revelaram outras demandas específicas que foram adicionadas à pauta de reivindicações. Na UNIEX. fábrica têxtil na capital paulista, a escala 6×1 foi adotada no final de 2025.

Os trabalhadores passavam todo o turno de trabalho sem poder sentar e enfrentavam altas temperaturas e falta de ventilação. Também tinham menos de uma hora de janta e recebiam vale-alimentação insuficiente. Enquanto isso, o patrão comprou novas máquinas e fazia ameaças constantes de demissão. Nesta situação, cerca de 200 trabalhadoras e trabalhadores realizaram uma greve hoje.

O estado contou também com uma greve de 3 horas dos trabalhadores da empresa Normatel, que presta serviço à Petrobras na Baixada Santista. Houve atos também em Campinas, na fábrica de alimentos Selmi, e no ABC Paulista, na empresa têxtil Inylbra.

Uma operária da empresa Inylbra relatou as condições de trabalho na empresa. “Somente na semana passada, três trabalhadores desmaiaram durante o trabalho, estava muito quente, não tem ventiladores suficientes, quase não dá para respirar de tanto calor.” Indignada com as condições de trabalho, ela continua: “Mesmo assim, eles não nos deixam nem parar para tomar uma água fresca e quando vamos ao banheiro, muitos estão com a torneira sem funcionar, têm privada quebrada e falta tranca nas portas, um verdadeiro descaso com nós trabalhadores”

Assembleia dos trabalhadores da metalúrgica Kabi, no Rio de Janeiro, entraram em greve contra a falta de salário. Foto: JAV/RJ

No Rio de Janeiro, a principal mobilização ocorreu na fábrica Kabi, do setor de metalurgia. Os 176 trabalhadores iniciaram uma greve contra o parcelamento dos salários, exigindo pagamento em dia e o fim do assédio moral dentro da fábrica e contra a escala 6×1.

Só o anúncio da greve já demonstrou a força da organização: a empresa foi obrigada a pagar o salário de janeiro. Em assembleia organizada pela categoria, os trabalhadores decidiram pela manutenção da greve, deixando claro que não aceitarão atrasos, parcelamentos nem desrespeito.

Além da Kabi, o Rio contou com uma mobilização dos motoristas e cobradores da empresa de ônibus SIT, que presta serviço de transporte público na cidade de Macaé, no interior. Atos políticos foram realizados também na COMLURB, empresa de limpeza urbana da capital e nas fábricas da Cervejaria Cidade Imperial, em Petrópolis, e na fábrica têxtil Almare, em Teresópolis, na Região Serrana do Rio.

Após paralisação dos trabalhadores de supermercado em BH, militantes do MLC se reuniram num ato político contra a escala 6×1. Foto: JAV/MG

Supermercados paralisados em MG e PE

Recife e Belo Horizonte amanheceram com dois supermercados com paralisações parciais dos trabalhadores. Na capital mineira, mais de uma centenas de trabalhadores paralisaram as atividades numa greve parcial no supermercado Supernosso. Numa assembleia, os funcionários denunciaram as péssimas condições de trabalho e iniciaram a greve. Minas Gerais contou também com atos políticos na fábrica de alimentos Vilma, em Contagem, e no Callink, empresa de telemarkenting em Uberlândia.

Já em Recife, foram os funcionários do supermercado Mix Matheus fecharam o supermercado logo no início do ato político do MLC. Nos supermercados de todo país é comum a escala 6×1, com jornadas de trabalho desumanas e condições ruins de trabalho, isso tudo no setor que é um dos que paga o menor salário no Brasil. Pernambuco também contou com uma mobilização na fábrica de cerâmica Luzarte, em Caruraru, no interior.

Ato realizado na entrada da gerência dos garis de Brasília. Foto: JAV/DF

Mobilização na limpeza urbana se destaca em todo país

Outra categoria que se destacou na jornada nacional foi a limpeza urbana. Além do ato no Rio de Janeiro, garis de Porto Alegre, Brasília, João Pessoa, Maceió e Belém, também se mobilizaram contra a escala 6×1.

Belém do Pará foi onde a mobilização dos garis gerou mais repercussão. Após o início da mobilização grevista, os trabalhadores da empresa Ciclus Amazônia foram brutalmente reprimidos pela polícia e a Guarda Municipal com spray de pimenta e balas de borracha.

Além de Belém, cerca de 200 garis de João Pessoa também realizaram uma greve de 3 horas denunciando a escala 6×1. No estado, a mobilização da categoria é liderada pelo Sindilimp-PB, que vem através das greves conquistando uma série de direitos para a limpeza urbana paraibana.

Em Porto Alegre, Maceió e Brasília, a categoria da limpeza urbana também realizaram atos políticos para denunciar a imposição da escala 6×1 numa categoria que sofre com falta de condições de trabalho e está constantemente exposta a risco de saúde. Os atos reivindicaram também o fim dos descontos abusivos, distribuição de Equipamentos de Proteção Individuais (EPI’s), vale transporte e vale refeição.

PM e Guarda Municipal de Belém reprimiram brutalmente greve dos trabalhadores da empresa Ciclus Amazônia e o ato político organizado pelo MLC. Foto: JAV/PA

Operários mobilizados em outras partes do país

Fábricas de vários setores da economia também contaram com mobilizações operárias. Com o apoio da militância do MLC houve atos políticos em Manaus, Curitiba, Itajaí (SC), Goiânia e Anápolis (GO).

Em Manaus, o MLC organizou um ato em frente à fábrica de plásticos Coplast. Em Curitiba, a manifestação foi na porta da fábrica da Coca-Cola, enquanto que em Itajaí (SC) foi na empresa Gomes da Costa, maior produtora de sardinha enlatada do país.

Em Goiás, trabalhadores da fábrica de produtos de limpeza Ypê e militantes do MLC realizaram um ato na porta da fábrica em Goiânia, enquanto que na empresa terceirizada Dínamo, que presta serviço a concessionária de energia Equatorial em Anápolis, no interior do estado também ocorreu um ato.

Manifestação durante greve na empresa Normatell, na Baixada Santista. Foto: JAV/SP

Pressionar o Congresso pelo fim da 6×1 e redução da jornada de trabalho

Uma das primeiras mobilizações contra a escala 6×1 ocorreu na fábrica da Pepsico, na Zona Leste de São Paulo. Após uma greve que durou 9 dias, os trabalhadores conquistaram mais um sábado de folga e demonstraram que as máquinas paradas geram prejuízo e medo nos patrões.

Esse exemplo se espalhou pelo país e teve como resultado a pressão para que a pauta fosse discutida no Congresso Nacional. A revolta da classe trabalhadora com a escala desumana de trabalho adotada no Brasil e com os baixos salários e altos lucros dos donos das fábricas tornou a pauta quase unânime entre o povo e políticos.

Mas engana-se quem acredita que sozinho o Projeto de Emenda à Constituição que tramita no parlamento será aprovado pelos deputados e senadores do Centrão e da Direita para aprovar a proposta. Sabendo que a classe trabalhadora quer o fim da 6×1, políticos da direita querem inserir medidas que acabem com a escala, mas mantenham a exploração dos trabalhadores como ampliar a jornada diária ou pagar somente os dias trabalhados, acabando com o fim de semana remunerado.

O Movimento Luta de Classes defende que o fim da escala 6×1 deve estar ligado diretamente à redução da jornada de trabalho de 44h para 36h semanais. Isso fará com que trabalhemos menos e tenhamos, de fato, mais tempo para descansar, conviver com nossas famílias, estudar e ter lazer.

Para isso, não podemos confiar em um Congresso que já tentou enganar os trabalhadores diversas vezes como na PEC da Impunidade e nas tentativas de votar a Anistia para o fascista Bolsonaro e os generais golpistas.

A aprovação do fim da 6×1 e da redução da jornada de trabalho virá somente com grandes mobilizações, manifestações e amplas greves nas fábricas de todo o Brasil. Foi assim que a classe trabalhadora conquistou todos seus direitos e, independente de quanto tempo passe, assim continuará sendo. Porque o patrão só entende uma linguagem, a das máquinas paradas e dos braços cruzados.

Londrina (PR) passa a ter a segunda maior tarifa de ônibus do Brasil

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Enquanto empresas de transporte de Londrina mascaram dados, trabalhadores e estudantes começaram a pagar R$ 6,25 para se locomover dentro da cidade. Trabalhadores são os mais afetados pela política entreguista e neoliberal de Tiago Amaral (PSD).

Juno Devergenes | Redação PR


TRABALHADOR UNIDO – Londrina é a segunda maior cidade do Paraná, com 555.965 habitantes (IBGE). No entanto, é a segunda cidade mais cara do Brasil inteiro para andar de ônibus. Em janeiro deste ano, a Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) apresentou seu reajuste de R$ 11,84 para R$ 11,86) e a Londrisul, de R$ 10,22 para R$ 10,85, dos quais R$6,25 são pagos na passagem e o restante é pago por meio de impostos da Prefeitura. A CMTU foi conivente com o aumento usando o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) e a compra de carros como justificativa.

“Nós estamos falando de praticamente 102 carros novos, uma frota em que você tem mais de 55% de ônibus que atende a população de Londrina com ar-condicionado, com carregador de celular, levando esse conforto”, disse Bianchi, presidente da CMTU.

Essa justificativa é estranha para os usuários mais frequentes dos ônibus. Os carros que andam ao centro da cidade até são seguros e limpos (não se pode dizer o mesmo da periferia), mas a ineficiência das frotas tira até 4 horas do dia de quem precisa trabalhar e estudar. 

Estudantes trabalhadores sofrem mais

Os estudantes, desde 2018, precisam pagar metade do valor da tarifa, como relata Mariana Sousa, que estudou Direito na UEL (Universidade Estadual de Londrina) e hoje trabalha em dois empregos para pagar as contas. Ela pega ônibus desde que se mudou para Londrina em 2016 para estudar. Sempre vim e voltei da faculdade de ônibus, só que naquela época, a gente não pagava a tarifa. Aí depois começou com uma palhaçada que o estudante deveria pagar, e aí começamos a pagar meia, mas até aí tudo bem, era meia que a gente pagava”, relata. 

Depois que começou o mestrado, tudo ficou mais difícil porque ela se mudou para mais longe e aí precisa fazer integração. “Preciso pegar dois ônibus e aí começa a ficar pior porque cansa mais e eu tô achando muito absurdo pagar, eu já achava absurdo pagar cinco e pouco, agora é R$ 6,25! Fora que o ônibus não tem melhoria nenhuma, muitas vezes o ônibus tá fedorento, tá impedido, tá lotado, não tem lugar pra sentar, eu acho isso um absurdo, tem ônibus que tem ar-condicionado, mas tem ônibus que não tem…Fora quando o motorista passa nos pontos correndo, é um absurdo, é muito caro pagar R$ 6,25 em uma tarifa, sabe?”

Os estudantes universitários que precisam trabalhar são os que mais sofrem com a ineficiência do transporte, encarando três turnos de trabalho e perdendo seu tempo de descanso nos carros “confortáveis, com ar-condicionado e carregador de celular”.

Bruna Medeiros, estudante de Serviço Social da UEL, pega cinco ônibus por dia para ir ao trabalho, ao estágio, à faculdade e retornar para casa. “É difícil porque às vezes não tem quantidade de ônibus suficiente, parece. Então demora muito para chegar o ônibus”, denuncia. Ela também relata que nem sempre os ônibus têm ar condicionado “como estão falando que sempre tem”. Ela também conta que mesmo com o meio passe, a tarifa acaba saindo cara. “Quando estava R$ 5,25 já era caro, então agora vai ficar pior ainda. Eu e minhas amigas comentamos sobre isso. Todo mundo ficou meio preocupado com a situação, porque às vezes tem gente que não consegue ir para a faculdade no final do mês, que está sem passe já”, diz.

Povo nas ruas, pela Tarifa Zero em Londrina

Apesar da desculpa esfarrapada para justificar o valor exorbitante da passagem, os dados da planilha de custos de ambas as empresas mostram que a aquisição de novos veículos não é a maior fonte de gastos. A CMTU, até a data em que este artigo foi escrito, só disponibilizou a planilha de custos de 2024, que não apresenta notas fiscais, e possui diversas anomalias contábeis.

Ano Referência Tarifa Técnica TCGL (R$) Tarifa Técnica Londrisul (R$) Tarifa Pública (R$) Subsídio da prefeitura (R$) Número de passageiros pagantes Quantidade total de ônibus
2022 5, 46 5, 46 4, 00 25,2 milhões 1.905.012 327
2023 6, 97 5, 76 4, 80 33 milhões 2.216.313 353
2024 8, 49 8, 04 5, 75 94,9 milhões 2.224.636 357
2025 11, 84 10, 22 5, 75 177 milhões 2.381.593 382
2026 11, 86 10, 85 6, 25 118 milhões Não informado 384 (102 novos)

Fontes: TCGrandeLondrina, CMTU Londrina, CBN Londrina, G1 Globo, Bonde, Jornal A Verdade e Portal Londrina.

Tais dados demonstram que, de 2023 para 2025, o valor da tarifa técnica quase dobra, indicando que, ou houveram aumentos nos custos, ou a eficiência piorou. No entanto, a compra de 102 novos veículos foi realizada entre 2025 e 2026, quando o aumento foi menor. Na planilha de custos de 2024, além da diferença de 30 centavos por litro de diesel entre uma empresa e outra, o pneu da Londrisul é R$ 815 mais barato (45,55%), e a recapagem é de R$ 140 menos custosa (315,38%). Além disso, ambas empresas pagam o mesmo salário para os motoristas (R$ 3.405,65), mas a equipe administrativa apresenta custos discrepantes: enquanto a diretoria da TCGL apresentou um custo de R$ 35.243,96 por mês, a diretoria da Londrisul registrou  R$ 7.776,89 por mês. As despesas administrativas por veículo também são divergentes: a TCGL, R$ 2.095,68 e a Londrisul, R$ 1.178,82. O custo fixo total por quilômetro da TGCL foi de R$ 4,1996, enquanto na Londrisul foi de R$ 3,0332.

Por fim, a TCGL registrou o maior número de passageiros por km rodado (12%), o que reduziriam os custos, mas sua tarifa técnica é 9,3% mais cara. Se a TCGL operasse com a mesma estrutura de custos unitários de pneus, diesel e administração da Londrisul, sua tarifa técnica deveria ser substancialmente menor que R$ 10,00 devido ao seu IPKe (Índice de Passageiros Equivalentes por Quilômetro) superior.

Após perceber tais inconsistências, a CMTU pediu uma auditoria, que não foi realizada pois a empresa que o prefeito fascista José Tiago Camargo do Amaral contratou (LG Mobilidade Urbana) foi investigada pela Polícia Civil por suspeitas de fraude e simulação de concorrência, e duas das três empresas que apresentaram orçamentos para balizar o preço da prefeitura pertenciam ao mesmo grupo familiar. Além disso, um servidor da CMTU estaria envolvido no direcionamento do contrato.

Quem é leitor do Jornal A Verdade já sabe o que esses números estranhos mostram: o uso da máquina pública e das empresas privadas para tirar dinheiro do povo trabalhador. A população sabe muito bem que o valor da tarifa é injustificável, que ano que vem vão inventar mais alguma desculpa para aumentar mais ainda, e o problema continuará existindo.

Por isso, a Unidade Popular, juntamente com a Frente Classista Combativa de Londrina, iniciou uma jornada de ações pela Tarifa Zero na cidade, com atos públicos, brigadas do Jornal a Verdade e panfletagens nos terminais centrais e regionais, reivindicando a TARIFA ZERO e a estatização do transporte público. Duas mídias da imprensa burguesa fizeram a cobertura do ato do dia 30 de janeiro, mas nenhuma delas publicou uma matéria sequer.

Enquanto o trabalhador percebe que tais problemas jamais serão resolvidos pela gestão da prefeitura e pelos políticos da burguesia, a UP está presente para apresentar a única solução possível: A organização da nossa classe e a construção de uma sociedade nova, sem fraudes insustentáveis, a sociedade Socialista com a ditadura do Proletariado.

Trabalhadoras da Blisfarma em Diadema (SP) deflagram greve

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A decisão de cruzar os braços foi tomada em assembleia no dia 06/02 na porta da fábrica Blisfarma, localizada em Diadema-SP, onde as operárias, em sua maioria, decidiram pela greve parando a produção até receberem os salários atrasados.

Lucas Barbosa e Ana Carolina | Diadema (SP)


Trabalhador Unido – Desde o final do ano passado, dezenas de trabalhadoras e trabalhadores da fábrica Blisfarma  Indústria Alimentícia e Farmacêutica estão sem receber os salários e o 13°. Além disso, a fábrica localizada em Diadema, nos bairros Cassa Grande e Serraria  parcela diversas o vale-alimentação

A Blisfarma é uma das principais fábricas do Setor Farmacêutico do ABC Paulista e possui contratos com grandes marcas do ramo,  Mesmo com o aumento da produção e dos lucros, a empresa não cumpria seu acordo com as trabalhadoras de pagar em dia o salário

Sem salário não tem trabalho

Sem uma solução apresentada pelos patrões, a indignação cresceu entre as trabalhadoras. Foi assim que, no início de 2026, o Movimento Luta de Classes recebeu diversas denúncias dos funcionarios através das brigadas do jornal A Verdade. 

Já nas primeiras brigadas, realizadas antes das 5h da manhã, ficou evidente a revolta e disposição de luta das trabalhadoras. Algumas operárias relataram que iniciaram um movimento dentro da fábrica para faltar coletivamente no trabalho, juntas elas decidiam o dia e paralisavam. 

“Nós fazíamos um combinado entre nós mesmas e parava o trabalho, faltava e procurava não comprometer nosso trabalho, a verdade é que estamos revoltadas que sem salário não tem trabalho”, relatou uma operária da linha de produção

Com as panfletagens e brigadas do jornal diariamente, o MLC juntamente com o STILASP, sindicato que representa a categoria, propôs convocar a assembleia para decidir os rumos da luta. 

A disposição de construir uma greve crescia no interior da fábrica, o movimento se difundia e foi decidido crescer adesão da greve juntando forças com as operárias da Blisfarma das duas unidades, que vivem os mesmos problemas. 

As trabalhadoras decidiram cruzar os braços e ficou provado que quem realmente faz a fábrica funcionar são os operários. A decisão tomada em assembleia contou com a mobilização do MLC com apoio do sindicato.

Brigadas e panfletagens do MLC na porta da empresa impulsionaram greve (Foto: JAV SP)
Brigadas e panfletagens do MLC na porta da empresa impulsionaram greve (Foto: JAV SP)

A luta continua

O resultado da greve na Blisfarma foi imediato, no mesmo dia da assembleia que aprovou a paralisação, o primeiro salário atrasado foi depositado e a movimentação já mostrava o caminho da luta.

Ainda assim, a empresa segue dando calote nas funcionárias e muitas demandas ainda não foram atendidas.

Enquanto não for pago tudo que a empresa deve às trabalhadoras e trabalhadores a luta continua. O MLC segue organizando as panfletagens na porta da fábrica e realizando o trabalho na base, para conquistar cada direito, contra a exploração dos patrões e pelo Socialismo.

Água de São Carlos sofre ameaça de privatização

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Trabalhadores do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) da cidade de São Carlos (SP), se mobilizam na tentativa de barrar o avanço da privatização do serviço na cidade. Apresentado como um projeto de universalização do acesso às redes de água e esgoto, o programa não passa, na realidade, de mais um episódio de privatização.

Vinícius Martins, Victor Chaves e Ivan Borgueti | São Carlos (SP)


Trabalhador Unido – Em 2025, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) da cidade de São Carlos (SP), responsável pelo serviço de distribuição e tratamento de água da cidade, entrou na mira do programa “UniversalizaSP”. 

Trata-se de um projeto do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que busca promover ações para aumentar a cobertura das redes de abastecimento de água e tratamento de esgoto, estabelecidas pelo Marco Legal do Saneamento Básico (Lei nº 11.44), que estabelece as diretrizes nacionais para esse serviço. Contudo, o que se vê na prática é a venda de mais uma empresa estatal para o setor privado sem nenhuma justificativa verdadeira.

Netto Donato (PP), prefeito de São Carlos, afirma que a adesão da cidade ao “UniversalizaSP” serviria para integrar os serviços da cidade aos de outros municípios participantes e aprimorar a distribuição de água e o tratamento de esgoto, ampliando a rede municipal. Porém, os dados oficiais mostram que 99% da população são-carlense já possui acesso a água potável e à coleta de esgoto em seus domicílios, fruto do trabalho dos servidores do SAAE. 

A privatização piora a vida do povo

A estratégia adotada pela prefeitura para efetivar o plano de privatização é velha e conhecida: precarizar o serviço através do corte de investimentos, com a desculpa de “equilibrar as contas” e preencher a gestão dos serviços com indicações políticas incompetentes e subordinadas a acordos eleitorais. 

O resultado é um serviço de pior qualidade para a população e a solução defendida pela prefeitura para os problemas intencionalmente fabricados é a privatização a preço de banana.

Além disso, nas cidades onde o saneamento básico já foi privatizado, houve o aumento expressivo das tarifas de água e esgoto; a piora na qualidade do serviço; a queda do investimento nas periferias, causando a exclusão do serviço prestado à população pobre e a precarização do emprego. 

Felipe dos Santos Araújo, de 35 anos, assistente administrativo do SAAE afirmou para o Jornal A Verdade: “Em nenhum momento se pensa na realidade do trabalhador do SAAE e da população, porque aquilo que a gente vê em outros serviços de saneamento privatizados é tanto o aumento da taxa de água quanto da taxa de esgoto nos locais onde a iniciativa privada entra”. 

Perguntado sobre o que o UniversalizaSP representa, Felipe comentou: “para o trabalhador do SAAE, a possibilidade de perda de emprego ou de aceitação de condições piores de trabalho. E, para a população, significa o aumento da conta de água onde a iniciativa é aprovada”.

A saída é a mobilização popular!

Desde novembro do ano passado, a Unidade Popular (UP) está se mobilizando para conscientizar a população da cidade e apoiar os trabalhadores do SAAE na luta contra a privatização, participando ativamente das audiências públicas da Câmara Municipal e a organização de brigadas do jornal A Verdade nas portas das diferentes unidades da empresa.

Os trabalhadores do SAAE estão se mobilizando para lutar contra a privatização. Já foram realizadas reuniões para a criação de uma comissão para forçar o prefeito e vereadores da base privatista a recuarem nesta decisão. 

Como fizeram os operários da PepsiCo em São Paulo e Sorocaba, e da BYD em Camaçari (BA), a resposta popular deve ser uma grandiosa greve dos trabalhadores. Água não é mercadoria, por isso o SAEE é patrimônio do povo e não dos grandes capitalistas.

MLB avança na luta por moradia e educação

“Quem luta, conquista”: a palavra de ordem MLB ganha força com a nova sede da Escola Eliana Silva e a resistência da Ocupação Maria do Arraial.

Edinho Vieira | Belo Horizonte (MG)


LUTA POPULAR – A luta do MLB deu um grandioso passo recentemente: a conquista da sede da Escola Nacional de Formação Eliana Silva, em Brasília. Desde que foi criada, em 2018, a Escola Elina Silva já reuniu diversas turmas e acumula experiências em todo país.

A luta por moradia não se limita apenas a quatro paredes e um teto, pois é preciso ter dignidade para viver. A luta das ocupações urbanas nos mostra que a casa é só o primeiro passo, uma verdadeira escola na luta por nossos direitos.

A própria ocupação já traz impactos significativos para a vida daqueles que lutam por um teto, o alívio no estresse e na ansiedade causada por conta das dívidas com aluguel e alimentação já são um resultado imediato; a dupla e tripla jornada de trabalho para que o dinheiro dê para todas às contas já não são tão necessárias e, com algum tempo livre, os pais e mães podem ficar mais com os filhos, realizar passeios em famílias e momentos de lazer.

Ler e escrever

Na ocupação Maria do Arraial, no centro de Belo Horizonte (MG), um conjunto de moradores dedicaram esse tempo aos estudos. Antes, as rotinas eram extremamente pesadas e cansativas; gastavam em média duas horas de deslocamento entre a antiga casa de aluguel e o trabalho. Hoje, gastam cerca de quinze minutos a pé até o trabalho. Ao voltarem para casa, podem tranquilamente fazer suas refeições na cozinha coletiva da ocupação e sabem que suas crianças foram bem cuidadas na creche. Agora, com mais tempo e menos preocupações, podem enfim acessar um direito que por todos esses motivos sempre lhes foi negado: a educação.

Tudo começou ainda em 2023, bem no início da ocupação, com professores do projeto “Doar Educa” e da Escola Nacional Eliana Silva, que deram o primeiro passo, ensinando jovens e adultos a ler e escrever.  “Para mim foi muito importante, pois sempre quis estudar e nunca consegui antes. Os meus filhos estudam e eu não conseguia ajudar eles no dever de casa. Hoje eu posso ajudar um pouco mais”, relata Aureni, dona de casa de 33 anos, que mora na ocupação com seu marido e os 4 filhos.

Gleiciane Gomes, de 39 anos, dona do lar, também relata que a iniciativa foi muito importante em sua vida: “Eu finalmente aprendi a ler e escrever quando completei esse processo, que havia iniciado quando criança, mas não cheguei a concluir”.

Segundo André Lucas Magalhães, professor e educador popular, “o projeto de alfabetização é muito simbólico, vem de como o MLB vê o ser humano e seus direitos. Antes, iniciamos uma turma na ocupação Paulo Freire, e o êxito foi grande; logo nos primeiros meses da ocupação Maria do Arraial iniciamos uma turma lá também, com iniciação ao letramento e numerações, contas básicas que pudessem dar maior independência e confiança aos alunos”, explica.

Após o processo de alfabetização, os alunos ganharam confiança. Era hora de um novo passo. Se matricularam na Escola Municipal Paulo Mendes Campos, a três quarteirões de casa, e deram início ao ensino regular formal.

Luta pelo direito de estudar

Em 2025, uma nova luta: a prefeitura de Álvaro Damião (União Brasil) ameaça a escola e a educação em Belo Horizonte com o projeto de fim do ensino em tempo integral e o fechamento da escola. O Movimento Luta de Classes (MLC), junto aos trabalhadores da escola, organiza lutas contra esse ataque. Logo, alunos e pais se somaram a esta mobilização. A ocupação Maria do Arraial, é claro, não ficou de fora.

“Foi luta. Tivemos de fechar a rua, não poderíamos perder nossa escola. Somos alunos, mas nossas crianças também estudam lá”, lembra Aureni.

Reinilson Câmara, da coordenação do MLC, acredita que a ocupação foi determinante na vitória desta luta. “A escola corria risco de fechamento total, e a participação da ocupação foi decisiva, abriu suas portas para as reuniões de preparação da luta e ajudou na mobilização da comunidade escolar”, afirma. Após a luta, com a força do poder popular, a Prefeitura recuou e desistiu de fechar a escola.

No momento, a Ocupação Maria do Arraial enfrenta uma ameaça de despejo. O Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) quer tirar o lar das mais de 50 famílias que hoje ocupam o prédio que antes não cumpria nenhuma função social. Várias tentativas de negociação e propostas foram feitas, mas o Senac insiste unicamente no despejo sem nenhuma alternativa para as famílias. 

“A ocupação mudou muito a minha vida e de minha família, primeiro porque sai do aluguel e hoje, com esse dinheiro a mais, podemos comprar coisas para nossos filhos, dar uma alimentação melhor, roupas e outras coisas que antes faltavam por conta do aluguel. Morar no centro pra mim foi outra coisa muito importante, pois antes eu precisava pegar três ônibus para ir ao médico fazer o acompanhamento; hoje eu não pego nenhum, é tudo perto”, conta Aureni.

Despejos não destroem apenas paredes e tetos; destroem vidas, dignidade e sonhos. Tiram direitos fundamentais muito além da moradia. As famílias da Maria do Arraial não desistirão, pois sabem que “quem luta conquista”.

Matéria publicada na edição impressa Nº 328 do jornal A Verdade