UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

domingo, 1 de fevereiro de 2026
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Deve-se cuidar da juventude

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A maior e mais cruel estratégia que a burguesia tem sobre o nosso povo é a sua capacidade por meio de sua propaganda ideológica de responsabilizar cada indivíduo sobre suas dores. Sendo assim, é essencial fazer o debate com nossos companheiros sobre cuidado físico e psicológico, mas não individualizá-lo, de modo que se nossos problemas são coletivos a solução também deve ser.

Mary Araújo | União da Juventude Rebelião (MA)


JUVENTUDE – Olhar em retrospecto para a história da humanidade é perceber que todos os povos oprimidos do mundo estão destinados a serem extraordinariamente livres, não por favor da corja de exploradores, mas pela revolta presente em cada indivíduo que experimenta as desigualdades e injustiças que o capitalismo impõe ao povo.

A dor dos chamados excluídos transpõem as barreiras territoriais, nacionais, continentais e inunda a cada pessoa que sofre com a expropriação da riqueza, o vil pensamento do lucro acima da vida. Lutar em tais condições do capitalismo global é mais do que um brado de liberdade, é um ato de amor profundo (por si mesmo e pelos outros), é quebrar um ciclo de silenciamento e ódio que aprisiona o povo trabalhador que tudo produz na desesperança. É querer mais do que uma promessa de conciliação e um pedaço do bolo, é querer “o bom, o justo, o melhor do mundo” e o bolo inteiro.

A juventude tem, dentro desse cenário, um papel significativo já que a revolta está inata dentro de cada jovem, como diria o Che “ser jovem e não ser revolucionário, é uma contradição genética”, por isso, cabe a juventude estar apta para exercer o seu papel em organizar a rebeldia e em transformar cada jovem em um quadro revolucionário e fazer de cada luta um passo a mais para a esperança da nova sociedade.

De todas as maravilhas do mundo o socialismo, de todas as lutas travadas a maior que os comunistas fazem é pela vida. Não baseada na sobrevivência de aguentar para lutar mais uma vez, não em morrer pela revolução, mas viver por ela. Doar todos os melhores e mais importantes dias para construir uma nação de novo tipo onde a aurora já começou a surgir.

Desse modo, é imprescindível que façamos o debate e acompanhamento sobre a importância do trabalho de cuidado consigo e com os outros em cada espaço, já que em uma sociedade que individualiza cada vez mais as mazelas que são coletivas o que sobra para nós, os jovens, é o desânimo e o adoecimento -seja ele emocional, físico ou mental. Devemos fazer a disputa de nossos companheiros não só ao nível de ganhá-los para estarem na luta, mas para decidirem viver além das dificuldades que esse sistema nos impõe.

Cuidado coletivo 

A maior e mais cruel estratégia que a burguesia tem sobre o nosso povo é a sua capacidade por meio de sua propaganda ideológica de responsabilizar cada indivíduo sobre suas dores, de apresentar salvações individuais para questões coletivas e secundarizar os reais motivos para o adoecimento do nosso povo, o cansaço, falta de produtividade e descontentamento é automaticamente patologizado, a solução nós apresentada é a de remédios que não acabam, quando nossas necessidades são por vezes causadas pelo déficit vitamínico por alimentos de baixa qualidade, pela falta de tempo para exercícios físicos, pela dificuldade no acesso a lazer, cultura e entretenimento.

Sendo assim, é essencial fazer o debate com nossos companheiros sobre cuidado físico e psicológico, mas não individualizá-lo, de modo que se nossos problemas são coletivos a solução também deve ser. Devemos formar grupos de caminhada, datas para praticar exercícios físicos coletivamente, fazermos o acompanhamento sistemático de como está o acompanhamento psicológico dos companheiros e se eles fazem, como anda sua alimentação, seu sono, seus estudos gerais e sobre o marxismo-leninismo.

Devemos disputar a vontade de viver de nossos companheiros, pois se organizar é um ato de amor. Mas viver por isso é um ato de resistência.

Trabalhadores do Mix Mateus em Recife paralisam contra a escala 6×1

Após coleta de denúncias, panfletagem e brigadas do Jornal, o Mix Mateus Santo Amaro paralisou sua atividade por 1 hora e meia para lutar contra a escala 6×1.

Evelyn Dionízio | Redação PE


TRABALHADOR UNIDO – No dia 02 de dezembro, dia nacional de luta contra a escala 6×1 tocada pelo Movimento Luta de Classes e pela Unidade Popular, os trabalhadores do Mix Mateus Santo Amaro paralisam suas atividades durante 1h30. Após semanas de mobilização com brigadas do Jornal A Verdade, panfletagem e conversas com contatos recolhidos, obtiveram vitória ao realizar greve na luta por uma escala de trabalho mais justa, por melhores condições de trabalho e pelo aumento dos salários.

No dia houve intimidação de gerentes, filmando os trabalhadores que pudessem se unir à luta grevista na parte de fora do mercado. Três viaturas da Polícia Militar também estiveram no local para “acompanhar a movimentação”. Com a mobilização a partir das brigadas do Jornal, foi possível recolher diversas denúncias de assédio moral e sexual encobertos dentro do ambiente de trabalho, além de reivindicações quanto ao fim do desvio de função e limitação do uso do refeitório.

“Sem contar que início de mês eles sobrecarregam os operadores de caixa, obrigando a ficarem operando o caixa mais de 6hrs sem intervalo, muitos operadores passam mal com fome, pressão baixa e privados de irem no banheiro pois não tem quem faça a rendição a demora é [sic] de quase 1hrs após o solicitado.”, relatou Isabele Fabiola.

Enquanto isso, o Grupo Mateus continua lucrando sob risco de perdas milionárias de investimentos por “erros contábeis”. Por isso, os trabalhadores que dependem do emprego para sustentar suas famílias vivem o dia a dia com medo da demissão, principalmente após o anúncio da fusão com a rede Atacarejo.

“Fui trabalhadora da escala 6×1 e sei o que passam as operadoras de caixa, função que ocupei durante muitos anos, função essa que nos explora e nos adoece. Porque quando é na hora de fechar o caixa do dia a gente tem medo que falte dinheiro porque se faltar vai ser descontado do nosso salário de fome.”, relata Camila Falcão, do Movimento de Mulheres Olga Benario. Rafael Freire, da redação do Jornal A Verdade, complementa que “que a luta da classe trabalhadora pela redução da jornada de trabalho vai nos acompanhar enquanto existir o sistema capitalista porque é justamente colocando o trabalhador pra trabalhar mais horas, colocando o trabalhador pra produzir mais, que aumenta o lucro do patrão”.

A paralisação de 1h30 do Mix Mateus provou que só a luta unida do povo trabalhador pode alcançar uma mudança no sistema de exploração que vivemos. Apenas com greves organizadas podemos arrancar de uma vez por todas o fim da escala 6×1, a diminuição da jornada sem redução dos salários e aumento do salário mínimo, além de melhores condições de trabalho, o básico para a classe responsável por gerar toda a riqueza do país.

Sem metrô aos domingos, trabalhadores tem o direito ao lazer diminuído no Recife

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Suspenso há 1 ano e sem dialogar com os usuários, a falta de metrô aos domingos, além de mostrar o extremo sucateamento do serviço, mostra a negação do acesso para o trabalhador ao lazer, que não tem outra opção quando o transporte coletivo é feito apenas para o trabalho.

Marina Aguiar| Recife


CARTAS- Desde setembro de 2024, o metrô do Recife teve sua operação suspensa aos domingos para realizar manutenção nas linhas Centro e Sul. A verdade é que o sistema metroviário está passando por um processo de sucateamento e que precisa de reparos urgentemente. Além disso, diversos metroviários denunciam que a suspensão é necessária, pois a companhia de transporte não consegue mais custear as viagens e que, para não se endividar mais, necessitaria também suspender aos sábados.

O domingo é, tradicionalmente, o dia de ir à praia, ao parque, pegar um cinema no Shopping Boa Vista, juntar os amigos ou fazer aquele passeio simples, mas tão necessário que recarrega as energias para suportar mais uma longa semana. Para quem mora em áreas mais afastadas do Centro, como Camaragibe, Jaboatão, Cajueiro Seco e tantos outros lugares que dependem do metrô, esse direito ao lazer simplesmente deixa de existir quando o sistema fecha.

O lazer é um direito garantido por lei. A Constituição Federal de 1988 o estabelece como um direito social no artigo 6º e o artigo 227 reafirma o dever do Estado de garantir esse direito às crianças e adolescentes. No entanto, o que vemos é justamente o contrário: nada é feito para facilitar o acesso da população pobre ao lazer.

Em outras opções de transporte, o tempo de deslocamento dobra ou até triplica. Isso desanima o trabalhador a tentar um programa diferente no fim de semana, especialmente quando é preciso enfrentar filas, baldeações e a incerteza de horários de ônibus. Nos finais de semana a frota é reduzida, já que todo o sistema de mobilidade urbana foi pensado apenas a serviço do trabalho e não para o dia a dia do povo. Grande parte desses usuários tem apenas o transporte coletivo como alternativa e, diante da necessidade de pegar três ou quatro ônibus para chegar ao destino, acabam desistindo.

Há que se destacar que em muitos locais só existem lazer nos centros da cidade ou nas capitais. Já para os interiores o que sobra são apenas praças. Assim, o trabalhador de São Lourenço da Mata, por exemplo, tem apenas um cinema e praças para descansar nos finais de semana. Isso também lhe nega o acesso à cultura, quando muitas vezes as exposições e shows acontecem tarde da noite na capital.

Desse modo, a suspensão do metrô aos domingos deixa evidente que o sistema foi pensado para funcionar apenas em dias “úteis”. Mas úteis para quem? Para “facilitar” a vida do trabalhador? Mas, da mesma forma que precisamos do metrô para trabalhar e produzir, também precisamos dele para viver a cidade, para deslocar, para ter escolhas.

Fica ainda mais evidente a quem o metrô atende quando em dezembro a operação aos domingos é retomada para estimular as compras no Centro. Ou seja, quando há interesse econômico envolvido a circulação é garantida, mas quando o assunto é garantir o direito ao lazer do trabalhador, o serviço simplesmente não existe. Fechar o metrô nesse dia contribui ainda mais para afastar a população do centro do Recife, um espaço que já vive tantas discussões sobre abandono e até sobre a privatização de ruas, como a do Bom Jesus. A quem interessa afastar ainda mais o pobre do coração da cidade?

As pessoas precisam de espaços de lazer, mas também precisam de condições reais para chegar até eles. De que adianta ter equipamentos públicos se o acesso é praticamente inviável? Para garantir o direito ao lazer, é necessário um real investimento público no transporte coletivo e que cumpra seu real objetivo de servir a população de forma integral e não para encher os bolsos de empresas estrangeiras. O pobre gosta de passear, de caminhar pelo centro, comprar uma trufa na feira do Bom Jesus e sentir o vento no Marco Zero. Ele só precisa do mínimo: transporte público digno, eficiente e que não transforme um simples passeio em uma maratona de três horas.

“O Agente Secreto”: quando o Estado cria inimigos para manter o controle

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O filme O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, lançado no início de novembro de 2025, tem chamado atenção por se tratar de mais uma obra cinematográfica que expõe e aprofunda uma das questões mais delicadas de nossa história recente: a ditadura militar de 1964. Repetindo o sucesso de público e crítica de “Ainda Estou Aqui”, o filme do pernambucano tem chamado atenção do grande público também fora do país e é um trabalho que precisa ser conhecido por todo o povo brasileiro. 

Gabriela Calixto e Vitória Pereira| Recife


CULTURA- O filme O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, mistura ficção e memória histórica para mostrar como o Estado brasileiro usou a vigilância e o medo para fabricar inimigos e justificar a repressão durante a ditadura militar. A obra foge do eixo Rio–São Paulo e coloca o Nordeste no centro da história, revelando violências e silenciamentos ainda pouco discutidos.

A infiltração como instrumento de controle do Estado

No longa, acompanhamos Armando (Wagner Moura), pesquisador da Universidade Federal de Pernambuco que passa a ser perseguido depois de negar envolvimento em um projeto ligado ao governo Geisel. Forçado a voltar ao Recife, ele vê sua vida virar alvo de agentes estatais e intermediários privados. Essa perseguição mostra como, na ditadura, a repressão não se limitava a militantes políticos: atingia trabalhadores, estudantes, professores e famílias comuns.

O filme expõe como a infiltração e o monitoramento eram usados como ferramentas para desmobilizar qualquer forma de organização popular. A ideia de “segurança” servia mais para proteger interesses da elite econômica do que para garantir direitos e liberdade ao povo.

O Recife de 1977: um cenário silenciado pela ditadura

Ao ambientar a história no Recife, Kleber Mendonça rompe com a centralização do debate sobre a ditadura no Sudeste. A cidade aparece quase como uma personagem: o clima úmido, os sons das ruas, os interiores populares e os espaços públicos constroem a tensão do período.

Essa escolha revela uma memória frequentemente apagada. O Nordeste também sofreu vigilância, violência e censura, mas raramente virou tema do cinema nacional. O filme resgata essa perspectiva e mostra que a repressão não tinha fronteiras.

Ficção e realidade: quando o cinema escancara as estruturas de classe

Embora seja ficção, o filme dialoga diretamente com acontecimentos reais. A cena em que a patroa deixa a filha da empregada atravessar a rua sozinha faz referência ao caso do menino Miguel, morto em 2020. O paralelo deixa claro que desigualdade, negligência e hierarquias de classe continuam moldando vidas e violências no país.

Além disso, o filme mostra como regimes autoritários fabricam suspeitos para justificar vigilância e repressão. Essa lógica, típica da ditadura, também aparece em democracias capitalistas atuais, onde trabalhadores, estudantes e movimentos sociais são tratados como ameaça para manter a ordem da classe dominante.

Memória, narrativa e o papel do cinema brasileiro hoje

A história de Marcelo, reconstruída por gravações e recortes após sua morte, evidencia como regimes autoritários tentam apagar as vozes de quem foi perseguido. Lembrar, nesse contexto, se torna um ato político. Quando opressores são anistiados e perseguições são normalizadas, abre-se espaço para que novos abusos voltem a acontecer.

O filme também chama atenção para o cenário cultural brasileiro. Com mais de 25 prêmios e forte candidato ao Oscar de 2026, O Agente Secreto revela a importância do investimento em cultura. O longa contou com R$ 27 milhões em financiamentos públicos e privados, prova de que, quando há recursos, o cinema nacional alcança reconhecimento mundial.

A obra importa não só por revisitar o passado, mas por alertar para o presente. A construção de inimigos internos é uma estratégia que continua sendo usada por governos e corporações para manter o poder. Sem memória, sem cultura e sem incentivo, o risco é que esses apagamentos se repitam.

 

Prisioneiras políticas paraguaias se levantam novamente contra a impunidade, o confinamento e a tortura

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Em greve de fome desde o final de novembro, militantes paraguaias denunciam perseguição, tortura e o fascismo por parte do governo. 

Redação


INTERNACIONAL- Após nove dias de greve, as prisioneiras políticas paraguaias Carmen e Laura Villalba e Francisca Dino retomaram uma nova greve de fome desde 27 de novembro. Não é um gesto simbólico: é o grito de quem enfrenta um cerco duplo repressivo. Por um lado, as condições desumanas e degradantes das prisões, típicas de um sistema que pune a pobreza, a insurgência e a militância comunista. Por outro, o isolamento político, que busca romper a organização da solidariedade humanitária e a capacidade de denunciar o desaparecimento de Lichita, o duplo infanticídio de María Carmen e Lilian, bem como as anomalias legais nos casos das três presas políticas.

A violência que enfrentam não é uma exceção, é a política prisional de um Estado que reproduz a lógica da contrainsurgência e a “Doutrina Bukele” exportada para toda a América Latina. Prisões superlotadas, suspensão de direitos básicos, punição coletiva, isolamento prolongado, negação de atendimento médico, proibição de estudo e leitura, censura das visitas, obstáculos administrativos para as visitas, tudo enrolado em um discurso de “segurança” que não é mais que governar pelo medo.

Esse modelo repressivo é a ferramenta do capitalismo dependente para lidar com as revoluções vivas. O aparato prisional funciona como um laboratório onde formas extremas de disciplina e desumanização são testadas — a mesma máquina que é então aplicada em territórios indígenas, bairros pobres e comunidades organizadas.

No entanto, nenhum regime de força apaga obrigações sob o direito internacional.

O Paraguai está violando abertamente:

  1. Regras Mandela: proibição absoluta da tortura, isolamento prolongado, punição coletiva e negação de assistência médica.
  2. Convenção Interamericana contra a Tortura: obrigação de prevenir, investigar e punir práticas degradantes.
  3. Convenção sobre Desaparecimento Forçado: dever de garantir a busca sem obstrução – incluindo a participação das famílias, que agora é negada a Carmen.
  4. Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos: direito à integridade, à vida, à comunicação com o exterior, à educação, à defesa.

A nova greve de fome deixa claro que as presas políticas não estão apenas lutando para sobreviver, mas para desmontar um regime de terror institucional que visa a se tornar a norma continental. Em um país onde uma menina – Lichita – ainda está desaparecida, onde a mãe é proibida de participar da busca e onde prisioneiros são punidos por ler, estudar ou receber visitas, a responsabilidade política e histórica é quebrar o silêncio.

O vestibular ainda é uma ferramenta de exclusão

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Apesar de alguns avanços no ingresso ao ensino superior, a urgência de uma educação gratuita, democrática e verdadeiramente para toda a juventude está longe de ser uma realidade onde a meritocracia e o individualismo decidem quem vai conseguir uma vaga no tão sonhado ensino superior. 

Gabriel Marinho Cunha de Barros| Paraíba


Educação- A conquista de uma vaga na universidade pública, celebrada como uma oportunidade de ascensão social, ainda funciona como parte da reprodução da dominação e ideologia da classe dominante. O ingresso no ensino superior público legitima, perpetua e naturaliza, sob a roupagem do mérito e da excelência, uma lógica profundamente excludente e seletiva. No centro desse funcionamento está o vestibular, esse filtro que decide quem entra e, por consequência, quem permanece do lado de fora da tão sonhada vaga. Mas este dispositivo de seleção não nasceu neutro — e tampouco permanece como tal.

A origem do vestibular

O vestibular foi criado no Brasil na década de 1910, a partir das reformas no ensino superior que buscavam, entre outras coisas, controlar o crescimento do número de estudantes e garantir que a universidade fosse ocupada por um grupo “qualificado”. Na década de 1930, com a criação da Universidade do Brasil (atual UFRJ), o vestibular passa a ser institucionalizado como condição obrigatória de ingresso. O critério de seleção, até então restrito a provas específicas de cada instituição, torna-se gradativamente um instrumento de regulação do acesso — não a partir das capacidades intelectuais, mas das desigualdades materiais que precedem a chegada de qualquer estudante às portas da universidade.

E é justamente aí que reside seu papel ideológico: o vestibular transforma a desigualdade social em “fracasso individual”. Ele não mede apenas conhecimentos — ele homologa trajetórias marcadas por abismos históricos e legitima que os mais pobres sejam reprovados por critérios que jamais tiveram chance de atender. A lógica do mérito, nesse cenário, opera como véu: oculta as determinações estruturais que moldam as trajetórias e transforma o sucesso dos privilegiados em virtude pessoal. Quem conseguiu a vaga, “estudou, abriu mão de muita coisa, fez pelos seus méritos”. Quem ficou de fora, “não se esforçou o suficiente”. Essa é a ótica vigente.

Nesse sentido, o vestibular é uma barreira de contenção social, de ordenamento do acesso ao saber e de manutenção da universidade como espaço de reprodução das elites.

Que a universidade se pinte de povo

 A defesa do fim do vestibular mostra a debilidade em nossa educação, como também é uma exigência política, profundamente ancorada na realidade do país. O Brasil é uma nação forjada na exploração colonialista, onde o acesso à educação superior ainda é um privilégio restrito a cerca de 20% da população jovem — e mesmo esse número esconde desigualdades profundas entre instituições públicas e privadas, entre brancos e negros, entre centro e periferia.

É necessário também que se diga: as políticas de cotas, embora conquistas relevantes das lutas sociais, permanecem, na maioria dos casos, limitadas ao vestibular. Elas funcionam como brechas no filtro, mas não resolvem o problema. Ao restringirem-se ao momento do ingresso, ignoram o fato de que a exclusão é um processo que começa muito antes da prova e continua depois dela. Sem políticas reais de permanência, de acolhimento, de reorganização curricular, essa mesma juventude que passa por um verdadeiro funil, acaba por não conseguir se formar e acabam abandonando, por diversos motivos, o sonho de concluir seu curso superior.

É necessário construir uma formação que articule universidade e território. Criar uma universidade onde ensino, pesquisa e extensão sirvam para realmente transformar todos os grandes problemas da sociedade, não continue sendo entregue ao rentismo. Precisamos abrir as portas do ensino superior, e, como falou Che Guevara, que a universidade se pinte realmente de povo.

Mulheres ocupam Prefeitura de Natal em manifestação no dia 25 de novembro

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Mulheres são agredidas pela Guarda Municipal no dia internacional de combate à violência em manifestação 

Movimento Olga Benario | (Natal) RN


MULHERES – O dia 25 de novembro é o dia internacional de combate à violência contra as mulheres. A data homenageia as irmãs Mirabal, Pátria, Minerva e María Teresa, que lutaram contra a ditadura na República Dominicana e foram assassinadas brutalmente pelo ditador Rafael Trujillo. Nesse sentido, no dia 25 de novembro, as mulheres no mundo todo se reúnem em manifestações para lutar por seus direitos e pelo fim da violência 

 

Em Natal, capital do Rio Grande do Norte, não foi diferente. Na última terça-feira, cerca de 80 mulheres organizadas no Movimento de Mulheres Olga Benario e no Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), ocuparam o palácio Felipe Camarão, sede da Prefeitura do Natal. A manifestação aconteceu em repúdio aos casos de violência contra a mulher na cidade, mas também a violência de estado que estão submetidas as mulheres, em especial aquelas que moram na periferia: creches, escolas e postos de saúde precarizados, falta de iluminação e aumento dos bancos de doação de leite também estavam entre as principais pautas.

 

Ainda assim, a Guarda Municipal respondeu às mulheres com truculência. “Estávamos fazendo nossas agitações, palavras de ordem, pressionando o gabinete da Prefeitura para nos atender. Ninguém estava quebrando nada ou agredindo ninguém. Até que a guarda decidiu ir pra cima de uma das nossas companheiras, então começou uma repressão truculenta ao nosso ato. Nos agrediram e jogaram spray de pimenta na gente” relata Kivia Moreira, da coordenação do Olga.

 

Após o episódio de violência, o Movimento foi atendido pelo secretário adjunto do prefeito, que recebeu o ofício. Fruto da mobilização, foi conquistada uma reunião com a secretaria de mulheres do município para tratar especialmente das pautas voltadas para o combate a violência de gênero. No Rio Grande do Norte, 22 mulheres foram vítimas de feminicídio somente neste ano, e a cidade de Natal conta com apenas uma casa abrigo que está superlotada e o Centro de Referência da Mulher Elizabeth Nasser (CREN), que está precarizado em decorrência do baixo recurso investido.

 

“Foi uma ação muito importante, porque chamou atenção pra pauta, que parece ser esquecida pela prefeitura, pelo estado, enfim, o poder público, que prefere ignorar as mulheres e nos deixar morrer sem perspectiva, seja pela violência dentro de casa ou fora de casa. E mostra como reage o Estado quando as pessoas se organizam, porque o que estávamos pedindo ali não era nada além de um direito básico, o direito a viver bem. Essa ação foi importante porque mostrou que as mulheres podem e devem ser poder!”, relata Alice Morais, do Movimento de Mulheres Olga Benario.

Prefeitura de Bayeux (PB), não chama concursados para ocupar cargos e precariza condições de trabalho

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Precarizando o serviço público e priorizando a terceirização, o governo municipal de Bayeux (PB) é reflexo de como o capitalismo enxerga o serviço público em todas as esferas.

Redação Paraíba


 

TRABALHADOR UNIDO- Os servidores públicos no estado da Paraíba estão imersos num oceano de irregularidades. Apesar a legislação favorecer a contratação por meio de concursos públicos, considerando que contratações fora desse modelo sejam feitas apenas em casos excepcionais, na prática, a maior parte dos servidores públicos na Paraíba estão contratados temporariamente. O Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE-PB) estabeleceu, em resolução de 2024, que a contratação de servidores públicos nos municípios paraibanos por modelo de contrato temporário não deve ultrapassar em 30% o total de servidores efetivados por concursos. No entanto, segundo dados do próprio TCE-PB, 178 das 223 prefeituras do estado se encontram em situação de excesso de contratações necessárias.

Um dos casos que chama mais atenção é o município de Bayeux, que segundo dados do Ministério Público da Paraíba, possui 1.166 servidores efetivos e 2.355 temporários. Isso significa cerca de 201% de servidores temporários em relação aos efetivos; 171% a mais que o limite normativo. Esses dados são resultados de diversas práticas políticas das gestões de Bayeux, principalmente do não cumprimento de chamadas de concursos públicos. No caso mais recente, em julho de 2024 a prefeitura de Bayeux realizou um concurso que oferecia 568 vagas imediatas e 2.845 vagas em cadastro de reserva, para diversas profissões, incluindo professores. Apesar de a princípio concordar com as condições do edital e com a homologação do concurso, a prefeitura não realizou de forma plena a chamada de aprovados. Em maio de 2025, agora sobre a nova gestão de Tacyana Leitão (PSB), a prefeitura publicou um novo decreto, anulando a homologação do concurso.

Concursados exigem seus direitos

A irregularidade das contratações dos servidores públicos traz a precarização do trabalho desses servidores, não possuindo a estabilidade que os servidores efetivos, e, em alguns casos, não possuindo a mesma remuneração. Além disso, a temporariedade do contrato, faz com que os contratados estejam dependentes da vontade dos gestores, a renovação ou não de um contrato temporário pode ser feita por questões políticas, ou ainda, por relações de nepotismo. Dessa forma, as prefeituras obrigam centenas de trabalhadores à estarem alinhados com a gestão, especialmente durante às eleições, quando além do voto são coagidos a estarem nas atividades de campanha. A realização de um concurso que não resulta na contratação dos aprovados é um insulto aos trabalhadores aprovados. O Jornal A Verdade entrevistou Angelline Santos, membra da comissão de representação dos aprovados, para discutir sobre a demanda dos aprovados por seus direitos, e as condições de trabalho da categoria dos professores em Bayeux.

A Verdade: A prática comum no município de Bayeux em relação à contratação de professores é através de contratações provisórias, ao ponto em que o ministério público constatou excesso de contratos provisórios, com mais de 170% a mais que o permitido. Qual efeito isso tem nas condições de trabalho dos professores de Bayeux?

Angelline: São trabalhadores com baixos salários, precarizados, com excesso de trabalho, muitas turmas com alunos neurodivergentes ainda esperando acompanhamento dos monitores, que também esperam a convocação. Para além dessa realidade caótica, contratados são constrangidos a manter engajamento nas redes sociais do município, durante eleições são também constrangidos a participarem de atos, carreatas e passeatas. É a verdadeira massa de manobra, que infelizmente se dobra a interesses políticos escusos pois precisa colocar comida na mesa.

Além de demorar para fazer concursos, a prefeitura também tem feito concursos em que nenhum professor foi nomeado aos cargos. Qual pode ser a causa disso?

 Alguns poucos conseguiram a nomeação ainda na gestão passada, em novembro de 2024, pouco tempo depois da homologação.  Esse número não chega a 5% do número total de vagas imediatas. Temos um longo caminho pela frente, pois a prefeitura só realiza concurso quando há intervenção do Ministério Público. Essa é uma realidade, não só de Bayeux, como de muitos municípios Brasil afora. É nítida a vantagem eleitoral quando a máquina pública é ocupada por contratados que se sujeitam aos interesses eleitoreiros dos seus gestores. “Cabide eleitoral” é como chamamos esse comportamento ilegal das gestões que trocam emprego por voto e trabalho nas eleições.

Como tem sido a reação dos professores e da população? Há alguma movimentação para exigir que as nomeações sejam feitas?

O concurso de Bayeux contempla diversos cargos, desde apoio, como é o meu caso de auxiliar de merendeira, passando pela administração, professorado, e até procuradores. Atuamos em diversas frentes cobrando nomeação: panfletagem, protestos, publicações nas redes sociais, denúncias ao Ministério Público, mandados de segurança, ações contra o município que se opõe firmemente a todas essas frentes. A população não tem ainda a dimensão do problema, mas sente na pele a falta de professores, técnicos de enfermagem, monitores, auxiliando diretamente à mesma. E os professores seguem amargando essa espera, apesar de o ano letivo ter iniciado com muitos desfalques.

Em geral, como a gestão de Tacyana tem lidado com as questões educacionais da cidade?

A gestão de Bayeux nos parece mais do mesmo, mas com uma preocupação enorme em sair bem na foto. Então vemos investimento pesado em publicidade e propaganda, enaltecendo algumas poucas reformas de praças públicas, ao passo que escolas continuam com problemas básicos como falta de energia e insegurança. Assim como nas demais secretarias, a de educação tem um secretário não técnico, de outra área que não da educação. Se existisse um interesse genuíno em melhorar os índices educacionais ridículos do município, a contratação dos professores aprovados que aguardam a tão sonhada nomeação seria pauta urgente da gestão. A luta dos aprovados de Bayeux está perto de trazer boas notícias. Acreditamos cegamente na justiça. Já são duas ações civis públicas impetradas pelo MP em favor dos aprovados. Uma delas, inclusive, nos garante um cronograma e consequente nomeação. Infelizmente o entendimento da gestão não é de respeitar os trâmites jurídicos. A prefeitura está desobedecendo duas ações, impedindo que nós, mais de 500 aprovados, assumamos um posto que nos é de direito, garantido com tanta dedicação e esforço.

A luta pelo direito dos aprovados

 No dia 14 de setembro, trabalhadores de diversas categorias foram às ruas, exigindo o direito à nomeação dos aprovados e denunciando as irregularidades da gestão. A luta não é apenas pontual, resultado de um edital não cumprido, mas sim mais uma expressão da luta travada pela classe trabalhadora por seus direitos; pois não podemos depender da boa vontade da classe dominante, temos que fazer nossas reivindicações com garra, sem conceder nenhum direito a menos.

Polícia invade sede da UP e persegue militantes em Santa Catarina

Em mais uma tentativa de criminalizar movimentos sociais e partidos de esquerda em SC, a polícia comandada pelo governador fascista Jorginho Mello invadiu a sede do partido Unidade Popular e casa de militantes do MLB em Florianópolis.

Redação


BRASIL – Forças repressivas do Estado de Santa Catarina, sob comando do governador fascista Jorginho Mello (PL), arrombaram a sede do partido Unidade Popular (UP), em Florianópolis, na manhã desta quinta-feira (27). Também efetuaram abordagens nas casas de militantes do Movimento de Luta nos Bairros (MLB), na capital e no interior (Itajaí e Navegantes).

“Quebraram a porta da sede do partido e saíram levando computadores, materiais, cadernos e celulares. Quando invadiram, a gente não estava lá”, relata a presidente da UP em Santa Catarina, Júlia Andrade. “Se eles quisessem fazer uma busca, nós temos a chave. Não precisava dessa truculência toda. Não recebemos intimação, nada. O documento que apresentaram na portaria do prédia fala em busca na sede do MLB”, conclui.

Imediatamente, o partido convocou uma plenária de solidariedade para o local que foi invadido. Comparecerem dezenas de militantes da UP e de outros partidos de esquerda e movimentos sociais, que debaterem essa ação de perseguição e convocaram um ato unitário para esta sexta-feira, dia 28, às 11h00, em frente à Catedral, em Florianópolis. Também foram convocados atos em outras cidades. Ver cronograma completo no final da matéria.

Em nota enviada à imprensa, a PMSC afirmou que a invasão foi justificada pela participação de militantes do MLB e da UP em atos contra a escala 6×1 num shopping, em abril, contra a fome em um supermercado, em maio e a ocupação de um prédio abandonado por famílias sem teto. Além disso, a PM acusa os militantes e terem tentado impedir um evento na Univali que contava com a presença de deputados e outras autoridades fascistas reconhecidas por perseguirem militantes de esquerda pelo país.

“Trata-se da tentativa de criminalizar a luta social, especialmente porque também invadiram casas de militantes do MLB, um movimento com mais de duas décadas de ação e luta por moradia. Quando fazem isso, na verdade, estão protegendo a grande especulação imobiliária, aqueles que faturam em cima do preço absurdo dos aluguéis, da especulação. É essa inversão de valores que o fascismo promove: tenta inverter a realidade, criminalizando movimentos sociais e partidos que estão, de fato, junto à classe trabalhadora”, completou Júlia.

“É uma ação absurda, de caráter fascista, autoritária e injustificável. Policiais invadirem a sede de um partido devidamente constituído nesse país. Isso é ação típica de Estado de exceção, de ditadura”, reforço Leonardo Péricles, presidente nacional da UP.

Vale salientar que, até o momento, o partido Unidade Popular não recebeu nenhuma informação oficial sobre a operação truculenta e não teve acesso ao inquérito ou aos mandados judiciais em que o partido supostamente é citado.

Entrada da sede do partido Unidade Popular arrombada pela polícia nesta quinta (27/11). Foto: UP-SC

Governador rico e fascista

As ações das polícias ocorrem 20 dias após a veiculação de um vídeo em que, portando um pedaço de madeira, o governador Jorginho Mello atenta contra o Plano Nacional de Proteção a Defensoras e Defensores de Direitos Humanos, instituído pelo Governo Federal.

Entre os movimentos citados na nota da Polícia está um protesto que ocorreu na Universidade do Vale do Itajaí (Univali), em que estudantes contestaram a presença de Nikolas Ferreira em um espaço de produção do conhecimento.

O governador Jorginho Mello também estava presente na ocasião. Segundo apuração do portal ICL Notícias, a Univali é a instituição de ensino particular que mais recebe recursos públicos do caixa estadual e tem o filho do governador, Bruno Mello, como um dos seus professores. Só neste ano, já são R$ 136 milhões de verba pública destinados pela Secretaria Estadual de Educação.

Atos contra a criminalização daqueles que lutam

  • Florianópolis: 28/11, 11h00, Catedral, Praça XV
  • Chapeçó: 29/11, 14h00, Praça Central
  • Joinville: 27/11, 18h30, Praça da Bandeira
  • Tubarão: 27/11, 19h30, Praça do Avião
  • Criciúma: 29/11, 15h30, Parque da Prefeitura

Greve nacional da FENET mobiliza milhares de estudantes no país

Greve dos estudantes de Institutos Federais mobiliza 15 mil estudantes em todo país. Pauta de reivindicação principal é a construção de bandejões e a redução do preço da alimentação na rede federal.

Lucas Roseno e Lucas Marcelino | São Paulo


JUVENTUDE – Nesta quarta (26/11), milhares de estudantes dos Institutos Federais (IF) e do CEFET, organizados pela Federação Nacional dos Estudantes de Ensino Técnico (FENET), realizaram uma Greve Nacional em diversos campi no país. O foco principal da greve é exigir a construção de restaurantes estudantis (bandejão) nos campi que não possuem e a melhora da qualidade e diminuição do preço nos institutos que tem.]

Até as 13 horas, o balanço da direção nacional da FENET informava que mais de 40 campi haviam paralisado as atividades em todas as regiões do país, totalizando pelo menos 15 mil estudantes em greve. Além dessas unidades, ao menos 13 outros institutos registraram manifestações ou atividades.

Para garantir que o dia da greve não fosse um dia de folga, mas um dia de luta e mobilização, grêmios e centros acadêmicos organizaram programações culturais, esportivas e políticas com os estudantes.

Faixa denuncia altos preços no bandejão do IFSP. Foto: Willdaly Souza/JAV

A situação pelo país

Diferente das escolas de ensino básico, os IFs não oferecem merenda nos intervalos das aulas. As opções para se alimentar são comprar nas lanchonetes, levar sua própria comida ou pagar para comer em um bandejão. Mas como pagar todos os dias para comer em uma lanchonete ou levar uma marmita suficiente para se manter alimentado durante todo o dia sendo estudante de baixa renda?

Pensando nessa realidade, o movimento estudantil lutou por anos pela aprovação do Plano Nacional de Assistência Estudantil (PNAES). Aprovado em 2024, o PNAES atingiu – segundo o próprio Governo – apenas 400 mil estudantes em todo o Brasil.

O IFCE campus Fortaleza sofre com um rodízio de estudantes para se alimentar. Os estudantes precisam se revezar no Restaurante Acadêmico (RA), correndo risco de no dia não ter almoço. “Tem toda uma burocracia pra comer. Você tem que provar que você vai ficar até tarde naquele dia no campus para comer naquele dia, sendo que nem todos os estudantes conseguem fazer isso”, relata Maré Castro. 

Estudantes realizaram protesto nesta manhã, em frente ao IFPB. Foto: FENET
Estudantes durante atividade de greve no IFAM. Foto: FENET
Estudantes realizam assembleia no campus de Florianópolis do IFSC. Foto: Ariadne Meneghel @meneghelis

MLC realiza primeiro Congresso Estadual no Rio Grande do Norte

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MLC realiza seu primeiro congresso estadual para organizar a classe trabalhadora
potiguar contra a escala 6×1, e contra a reforma administrativa, orientando todas e todos os trabalhadores a se somarem nas greves e paralisações, em solidariedade ao povo palestino e em combate a violência contra as mulheres.

Comissão Estadual MLC | Natal/RN


TRABALHADOR UNIDO – No dia 15 de novembro de 2025, o Movimento Luta de
Classes do Rio Grande do Norte realizou o seu primeiro Congresso Estadual, realizado
na sede do Sindicato das petroleiras e petroleiros do Rio Grande do Norte (Sindipetro
RN), em Natal-RN. O congresso contou com a presença de mais de 25 trabalhadores e
trabalhadoras de diversas categorias do serviço público, de empresas privadas e trabalhadores autônomos, e da escala 6×1. A mesa de abertura foi composta por Kívia
Moreira, da Coordenação Nacional do Movimento de Mulheres Olga Benario, Alice
Morais, da Unidade popular pelo Socialismo, Francisco Dias e Samuel Timoteo da
Coordenação Nacional do Movimento Luta de Classes.

O Congresso foi marcado por importantes debates e relatos acerca da conjuntura estadual,
nacional e internacional e dos desafios da organização da classe trabalhadora em seus
sindicatos, contra a exploração capitalista e a piora nas condições de vida, demonstrando
a urgência do fortalecimento das organizações de trabalhadores, combatendo o avanço do
fascismo e do Imperialismo no mundo, além do imobilismo da social democracia tanto
nos Governos como em inúmeros sindicatos.

Foi ressaltado que devemos nos somar nas mobilizações e movimentações dos trabalhadores nesse mês de novembro em solidariedade ao povo palestino, ao combate à violência contra as mulheres, as lutas populares, e ao chamado de ato contra a escala 6×1. Durante a atividade, foi lido e debatido o texto “sobre as greves”, do revolucionário Vladimir Lênin, demonstrando que a classe trabalhadora tem possibilidade força de derrubar seus patrões e exploradores, e construir uma sociedade socialista, livre da exploração e opressão.

LUTA CONTA A ESCALA 6X1 E CONTRA A REOFRNA ADMINISTRATIVA

O mote do Congresso teve como os principais temas a luta pelo fim da desumana Escala
6×1, que rouba o tempo, convívio e lazer dos trabalhadores, além de ser uma pauta de
avanço de nossa classe, para arrancar mais direitos. As últimas décadas foram marcadas
por mobilizações de defesa dos direitos, agora tem-se uma pauta ofensiva para arrancar
mais direitos, e não apenas defende-los. É possível destruir essa escala, sem redução
salarial.

Também em defesa dos serviços e servidores públicos, contra a Reforma Administrativa,
que representa um ataque feroz à população, destruindo os direitos historicamente
conquistados pelos trabalhadores. Ou seja, ambas as pautas refletem a luta da classe trabalhadora contra o avanço da super exploração do trabalho no Brasil, e tem como objetivo transferir dinheiro para o bolso dos banqueiros e bilionários, precarizando ainda mais as condições de vida. Ao final do Congresso, foi eleita a nova Coordenação Estadual do MLC que tem a tarefa de organizar, convocar e tocar as lutas no estado do RN, organizando as chapas para sindicatos, para as Comissões Internas de Prevenção de Acidentes e Assédios (CIPA), bem como fortalecer as greves e paralisações dos trabalhadores contra todos os ataques.