No marco de seus 15 anos, o Movimento de Mulheres Olga Benario avança o desenvolvimento da sua organização a nível internacional com um ato de lançamento em Portugal nos dias 6 e 7 de março de 2026.
Vanessa Couto e Larissa Santos | Portugal
INTERNACIONAL – No ano em que completa 15 anos de organização e luta, com presença consolidada em 23 estados e no Distrito Federal, o Movimento de Mulheres Olga Benario avança para uma nova etapa de sua construção política: está em desenvolvimento a sua organização a nível internacional! O ato de lançamento ocorrerá nos dias 6 e 7 de março de 2026, em Portugal. Esta iniciativa consolida um processo coletivo de formação, organização e internacionalização da luta das mulheres trabalhadoras, desenvolvido ao longo de 2025, a partir das tarefas definidas no 2º Encontro de Verão da Unidade Popular Socialismo.
Naquele encontro, as militantes apontaram como central a necessidade urgente de organizar as mulheres trabalhadoras da Europa diante do aprofundamento da exploração capitalista, da retirada de direitos e do avanço da violência contra as mulheres em escala global. Os dados alarmantes de feminicídio, violência doméstica, precarização do trabalho e sobrecarga do trabalho reprodutivo evidenciam que a opressão de gênero segue como um dos pilares de sustentação do sistema capitalista.
Como resposta política a esse cenário, as militantes da UP iniciaram um ciclo de formação a partir da 4ª edição da Cartilha do Movimento Olga Benario, voltado ao desenvolvimento político das camaradas e à preparação para o lançamento internacional. Esses ciclos têm como objetivo fortalecer a compreensão teórica e prática sobre a origem da opressão das mulheres, a relação entre patriarcado e capitalismo, a história das lutas feministas marxistas e o papel das mulheres na construção da sociedade socialista.
As formações vêm sendo realizadas de maneira sistemática em Portugal, nas cidades de Lisboa e Porto, abertas ao público e articulando militantes de diferentes nacionalidades e realidades, reforçando o caráter internacionalista do movimento.
Desde agosto de 2025, os encontros têm abordado os temas da cartilha e contextualizado os dados do cenário português, estabelecendo paralelos com os acúmulos do Brasil e permitindo às militantes exercitar a análise crítica das condições sociais em que estão inseridas. Essa prática tem orientado o debate sobre a organização política como meio fundamental para transformar a realidade.
É notável o desenvolvimento das companheiras ao se debruçarem sobre os temas, construindo confiança para falar em público e iniciar debates importantes sob a perspectiva marxista-leninista. O processo também tem ampliado o alcance do Olga para mulheres ainda não organizadas e contribuído para educar camaradas contra práticas e discursos machistas, uma barreira histórica encontrada por mulheres em organizações de esquerda no mundo inteiro.
O trabalho formativo não se limita ao acúmulo teórico: está profundamente ligado à prática política concreta, por meio da intervenção nos territórios, da construção de núcleos e da atuação junto às mulheres trabalhadoras, imigrantes, jovens, mães, mulheres negras, LGBTIA+ e mulheres com deficiência. A perspectiva é objetiva: organizar para lutar e transformar a realidade material das mulheres nos locais onde vivem e atuam politicamente.
Nesse contexto de fortalecimento internacionalista, militantes da Unidade Popular e do Movimento de Mulheres Olga Benario estiveram, no dia 9 de janeiro, em Berlim, onde visitaram a Galeria Olga Benario, espaço organizado pela Associação de Vítimas e Perseguidos do Regime Nazista (VVN/VdA), entidade antifascista fundada em 1984. A galeria preserva há mais de quatro décadas a memória e o legado revolucionário de Olga Benario.
Durante a visita, as militantes foram recebidas por Katinka Krause, voluntária do espaço, e realizaram um gesto simbólico que expressa a continuidade da luta: a entrega da bandeira do Movimento de Mulheres Olga Benario à galeria. A bandeira foi imediatamente colocada na vitrine principal, ao lado das vestes de Olga, reafirmando o vínculo entre passado, presente e futuro da luta revolucionária das mulheres.
A visita reforçou o sentido político do lançamento internacional: honrar a memória das mulheres que lutaram contra o fascismo e o capitalismo e, simultaneamente, assumir a tarefa histórica de organizar as mulheres trabalhadoras no presente.
O Movimento de Mulheres Olga Benario nasceu com a convicção de que não existe emancipação das mulheres sem a superação do capitalismo, e o lançamento internacional será o resultado direto desse processo coletivo de formação, organização e internacionalismo que marca a trajetória do Movimento.
No dia 8 de março, estaremos nas ruas de Portugal pelos direitos das mulheres e pelo socialismo.
Matéria publicada na edição impressa Nº 328 do jornal A Verdade
Enquanto o orçamento público é drenado por desvios e pelo pagamento de juros da dívida pública, o sucateamento das escolas é marcado pela falta de professores, banheiros sucateados e salas de aula sem ventilação.
Movimento Rebele-se
JUVENTUDE – Durante o mês de fevereiro, milhões de estudantes voltam às aulas nas escolas de ensino fundamental e médio. Infelizmente, uma grande parte desses jovens encontrarão as escolas com os mesmos problemas estruturais dos últimos anos.
O problema começa na sala de aula, em especial com a falta de professores em muitas escolas, impedindo que os estudantes possam ter aulas de todas as disciplinas. O calor também afeta um grande número de alunos e professores, já que muitas escolas não contam com ar-condicionado ou ventiladores de boa qualidade. Não existem laboratórios para aulas práticas e, frequentemente, faltam até mesmo sabão e papel higiênico nos banheiros sucateados.
Escolas precárias
No ano passado, do Norte ao Sul do Brasil, estudantes revoltados com a situação de suas escolas se posicionaram em manifestações e redes digitais. “A merenda estava vindo com larva e tinham estudantes passando mal de calor! Nem tinha aula o dia inteiro, porque, nessas condições, as diretorias achavam melhor liberar os estudantes para irem para casa”, relata Rayana Rodrigues, presidenta da União dos Estudantes Secundaristas de Pernambuco (Uespe).
Fica o questionamento: nessas condições, como manter as turmas em sala? Como educar e preparar esses jovens para os vestibulares e a vida?
Em São Paulo, o governo estadual não se preocupa com a situação das instituições de ensino. Na Zona Sul da capital paulista, uma aula da E.E. Pastor Emílio diz que não é possível mais ficar calado: “Na minha escola a quadra estava há três anos fechada. Ninguém podia jogar, correndo risco de caírem pedaços na nossa cabeça. A gente parou as aulas, fizemos cartazes, toda a comunidade se envolveu”, disse.
Cadê a verba das escolas?
Essa precarização das escolas públicas brasileiras não acontece por acaso. No sistema capitalista, os grandes empresários controlam, na prática, a política econômica dos governos. Prefeitos, governadores, deputados, vereadores e todo tipo de autoridade pública mantêm relações criminosas com essa elite financeira e se apropriam do dinheiro público, fruto do trabalho de milhões de brasileiros, por meio de contratos superfaturados, licitações fraudulentas ou desvio de dinheiro das emendas parlamentares. O mais grave dos esquemas é o pagamento dos chamados juros e amortizações da Dívida Pública, que destina quase metade de todo orçamento do país para banqueiros e especuladores já muito ricos.
Do outro lado dessa balança estão os investimentos em áreas sociais, sempre sofrendo cortes orçamentários “em nome da saúde da economia” e “do equilíbrio fiscal”. Esses argumentos nunca são evocados pelos grandes canais de televisão ou pelos políticos no poder quando se trata dos seus privilégios e esquemas de desvio de dinheiro público, mas sempre são colocados na mesa quando se trata de destinar o orçamento do país para as necessidades do povo trabalhador e da juventude.
No Paraná, o deputado Luis Corti (PSB) propôs, via PL 390/2025, instituir “vouchers” para incentivar a compra de materiais escolares em empresas privadas – um “jeitinho” de escoar dinheiro público para esses empresários e desresponsabilizar o Governo do Estado pela entrega dos materiais.
Outro exemplo é o programa “Sala do Futuro”, em São Paulo, modelo que entrega (desde o começo sem licitação!) milhões do nosso orçamento para plataformas digitais e para a compra de aparelhos eletrônicos. Veja que ironia: a empresa Multi, ligada ao secretário de Educação do Estado, venceu parte de um desses “megaeditais”.
Manifestações
No Ceará, a estudante Beatriz Martins, presidenta da União dos Estudantes Secundaristas da Região Metropolitana de Fortaleza (Uesm), conta com orgulho como os estudantes estão enfrentando esses ataques contra a Educação: “Ocupamos a Secretaria de Educação duas vezes com alunos de várias escolas. Em uma delas, a Adauto Bezerra, a luta era pela expulsão de um professor acusado de assediar alunas e pela reabertura da quadra. Na Creusa do Carmo não tinha professor de educação física. Em outras escolas, a luta era pelo ar-condicionado e por ventiladores. As manifestações dos estudantes trouxeram conquistas: ar-condicionados em todas salas de aula de duas escolas, a expulsão do professor que assediou alunas e, pela primeira vez em anos, o interclasse do pessoal que estuda lá no Adauto”.
Em São Paulo, na ETEC Júlio de Mesquita, os estudantes conquistaram a reforma de um bloco da escola que estava praticamente interditado. “A verdade é que, mesmo com as denúncias frequentes, só deram atenção quando um ventilador deu curto. Pegou fogo até na mochila do menino. O Movimento Rebele-se lá da escola convocou uma assembleia, organizou a manifestação na porta da escola e a resposta não demorou a vir: conquistamos o investimento de 3 milhões para a ETEC”.
A defesa da educação pública é uma batalha constante e diária contra os interesses dos grandes capitalistas da educação e dos políticos que representam os interesses dos ricos. Ao longo da história, diversos direitos estudantis só passaram a existir após grande pressão dos estudantes e dos trabalhadores da educação, como é o caso da merenda escolar e do passe livre no transporte público nas cidades em que esse direito é garantido.
Essas lutas também formam toda uma nova geração de jovens conscientes dos seus direitos e dispostos a se organizar. A participação em manifestações, a organização dos grêmios estudantis e outras iniciativas dos jovens dentro das escolas combatem a ideia de que devemos pensar somente em nós mesmos, fortalece a coletividade e faz com que os estudantes compreendam as raízes da desigualdade social e da precariedade das escolas.
Matéria publicada na edição impressa Nº 328 do jornal A Verdade
Trabalhadores do Hospital Veredas retomaram as mobilizações de greve no último contra o atraso de seis meses de salários.
Redação AL
TRABALHADOR UNIDO – Os trabalhadores do Hospital Veredas, em Maceió (AL), retomaram as mobilizações de greve, no último dia 27 de janeiro, para denunciar o desrespeito da gestão com a vida de seus funcionários. São seis meses de salários atrasados, além da humilhação e da mordaça que a empresa Geesta (administradora) tenta impor aos trabalhadores.
Após ação judicial para coibir a atuação dos sindicatos representativos, com previsão de multa de R$ 10 mil em caso de piquetes ou mobilizações, os trabalhadores procuraram o Movimento Luta de Classes (MLC) para apoiá-los a partir da denúncia publicada na última edição do jornal A Verdade.
Nessa retomada, já houve manifestação diante do Hospital, na principal avenida da cidade, na porta da gerência do Hospital e na Secretaria de Saúde do Estado. Esse processo trouxe muitas lições, como não se intimidar diante de decisões judiciais injustas e de ações policiais truculentas – como a tentativa de levar detido um militante do MLC que apoiava a greve –, a formação de novas lideranças e o autofinanciamento coletivo das lutas.
A decisão de retomar a mobilização prova que os ricos donos da Geesta não podem submeter os trabalhadores à fome e à servidão. Haverá resistência, e a força da classe trabalhadora fará essa luta ser vitoriosa!
Matéria publicada na edição impressa Nº 328 do jornal A Verdade
Cerca de 15 cidades iranianas foram bombardeadas por forças militares imperialistas dos EUA e Israel. Centenas de pessoas foram assassinadas, incluindo dezenas de crianças numa escola primária feminina e o líder do país, o aiatolá Ali Khamenei. Irã é o terceiro país atacado pelos Estados Unidos apenas em 2026.
Redação
INTERNACIONAL – Em mais uma agressão militar não provocada, a aliança entre Estados Unidos e Israel iniciou, neste sábado (28/02), uma guerra contra o povo iraniano. Cerca de 15 cidades e regiões do país foram atacadas. Um dos principais ataques das forças imperialistas foi contra uma escola infantil para meninas, que deixou, até agora, ao menos 85 pessoas mortas, a maioria de crianças. No total, já são mais de 200 mortes, incluindo o líder do país, o aiatolá Ali Khamenei e alguns generais das forças armadas iranianas.
O Irã é o terceiro país atacado só neste ano pelos EUA. No dia 3 de janeiro, militares estadunidenses invadiram a Venezuela, assassinaram mais de 100 pessoas e sequestraram o presidente Nicolás Maduro e a primeira-dama Cilia Flores. Neste ataque, o ditador Donald Trump demonstrou que os planos imperialistas dos EUA estão em plena fase de execução na América Latina e em todo o mundo.
Desde então, os imperialistas têm apertado o cerco econômico contra Cuba e tentaram mais uma infiltração militar nesta semana, utilizando barcos “civis” para colocar agentes terroristas estadunidenses dentro do território cubano.
Fumaça subindo da sede da 5ª Frota dos EUA sediada em Manama, no Bahrein. Foto: ATS
Resposta do Irã
Em resposta à agressão estadunidense e sionista, militares iranianos atacaram bases dos EUA nos Emirados Árabes Unidos, Barhein, Catar, Kwait, Arábia Saudita, Iraque e Jordânia, além de alvos militares dentro de Israel. O país sionista conta com apoio da Força Aérea Real britânica para sua defesa, confirmou o primeiro-ministro do Reino Unido Keir Starmer.
Mesmo depois de 30 anos de sanções econômicas, os iranianos continuam demonstrando capacidade de causar danos importantes às forças imperialistas no Oriente Médio.
Entre as bases atacadas, está a sede da 5ª Frota Naval dos EUA, sediada na capital do Bahrein, Manama. Há relatos de militares iranianos, divulgados pela imprensa russa e do próprio Irã, de pesadas baixas também no lado estadunidense e ao menos um navio militar logístico dos EUA atingido próximo ao Estreito de Ormuz, que foi fechado pelas forças armadas iranianas. Pelo estreito passa cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mercado mundial.
Desde as primeiras horas do dia, os governos dos fascistas Donald Trump e Benjamin Netanyahu deixaram claro que o objetivo é derrubar o governo teocrático iraniano e colocar no lugar um governo fantoche liderado por Reza Pahlavi, descendente do último Xá (imperador) do Irã deposto pela Revolução Islâmica em 1979.
Trump quer impor guerra mundial aos povos do mundo
Neste último dia 24 de fevereiro, Donald Trump compareceu ao Congresso dos EUA para proferir seu discurso anual. Entre os temas de política externa, deu atenção especial ao Irã, aumentando o tom das ameaças contra o país islâmico. “Jamais permitirei que o principal patrocinador do terrorismo no mundo tenha uma arma nuclear”, disse o presidente estadunidense.
Durante quase duas horas de discurso, Trump usou dados falsos e informações soltas para tentar justificar as debilidades da economia dos EUA e, da mesma forma, acusou o Irã de desenvolver a bomba atômica.
A verdade, porém, é que o único país na História a usar uma bomba atômica foram os próprios Estados Unidos, em 1945, contra a população indefesa do Japão, quando a 2ª Guerra Mundial já estava definida.
Em junho de 2025, o Estado neonazista de Israel – com todo apoio dos EUA – bombardeou o Irã em meio ao genocídio do povo palestino. Foi uma tentativa de derrubar o governo iraniano e, ao mesmo tempo, desviar os olhares do mundo para o extermínio da população da Faixa de Gaza.
Ou seja, se a sanha de lucros e de poder dos capitalistas estadunidenses não para de crescer, a necessidade de organização da classe trabalhadora, em nível mundial, também deve caminhar a passos acelerados.
Só uma ampla mobilização popular pode deter os planos do imperialismo de submeter os povos do mundo aos interesses mesquinhos de meia dúzia de magnatas do petróleo, dos bancos, da indústria armamentista e das chamadas Big Techs.
No Brasil e no mundo, militantes palestinos tem sofrido perseguições e ataques por parte de sionistas. É o caso de Rawa lsagheer, apoiadora do Jornal A Verdade e principal alvo das perseguições feitas por defensores do genocídio executado na faixa gaza.
Redação SP
Internacional – O cessar-fogo conquistado pelos palestinos após mais de dois anos de genocídio não eliminou os ataques dos sionistas contra esse povo. Enquanto o Estado de Israel intensificou o bombardeio na faixa de Gaza e no Líbano nos últimos dias, refugiados e militantes palestinos estão sendo perseguidos em diversas partes do mundo por defender sua terra.
No dia 07 de fevereiro, o coordenador europeu da Samidoun (Rede de Solidariedade aos Prisioneiros Palestinos) Mohammed Khatib foi detido e teve sua deportação definida pelo governo da Grécia sob a alegação de ameaça à “segurança nacional”.
No Brasil, o professor sionista Mauro Rosa (UFRJ) publicou uma série de vídeos repletos de informações falsas e incorretas acusando mulheres muçulmanas e movimentos palestinos de realizarem “turismo de parto” no Brasil e em outras partes do mundo.
O autor acusa as mulheres muçulmanas de gerarem filhos para serem educados por extremistas e se tornarem futuros terroristas do Estado Islâmico. Outras acusações que beiram a insanidade envolvem o Irã e falam de uma invasão muçulmana no Brasil.
Ambas alegações são termos sem significado que servem para confundir as pessoas e promover o ódio e preconceitos como xenofobia, islamofobia e racismo. Os comentários dos vídeos do professor Mauro Rosa – que já foi candidato pelo PMN e é assessor de um parlamentar do PL – demonstram o resultado dessa lógica irracional.
“Misericórdia senhor nos livra dessa cultura do mal”,“Já tenho visto mulheres aqui em Niterói RJ de cabeça coberta com lenços do tipo mulsumanos (sic). Acho que aos poucos estão entrando e infiltrando as culturas deles no Brasil. Tenho preocupação com isso sim”. Esses são alguns dos comentários publicados nas redes digitais por pessoas que citam Olavo de Carvalho e um suposto “islamocomunismo” para desumanizar os árabes e mulçumanos – principalmente as mulheres – e tentar justificar a perseguição contra quem luta pela libertação da Palestina e dos presos políticos mantidos nas prisões de Israel.
Enquanto isso, os verdadeiros terroristas são os soldados sionistas que assassinam crianças e bebês palestinos, que destroem casas, hospitais e universidades em Gaza e na Cisjordânia, além de atacar países como Síria, Líbano e Irã. Quando terminam esses serviços, viajam o mundo promovendo casos de xenofobia e racismo.
Já o professor, enquanto recebe salário pago pelos brasileiros, espalha mentiras sobre uma guerra cultural (em que ele defende o conservadorismo) e promove o ódio a um povo que sofre uma das maiores tentativas de extermínio dos últimos anos.
O acusador é um defensor de genocidas e terroristas, pois faz campanha pela libertação de criminosos como Bolsonaro e defende o carniceiro de Gaza, Benjamin Netanyahu. Não podemos aceitar que a universidade pública continue empregando quem promove mentiras e discursos de ódio.
Solidariedade com Rawa Alsagheer e o povo palestino
O autor dos vídeos escolhe alguns alvos específicos para além do povo palestino, tentando criminalizar essas pessoas e organizações e colocando-as em risco. Entre elas estão a Frente Palestina São Paulo, o Movimento do Caminho Revolucionário Alternativo Palestino (Masar Badil) e o bar e espaço cultural palestino Al Janiah, além de militantes como a jornalista palestina Soraya Misleh. Mas o principal alvo é Rawa Alsagheer, com exposição de fotos suas enquanto profere acusações falsas.
Rawa é refugiada palestina de origem síria e coordenadora da Rede Samidoun, uma das principais ativistas da luta palestina no Brasil. Pela luta que faz em defesa do seu povo, ela é consistentemente perseguida por grupos da extrema-direita. Essa perseguição provocou a sua demissão do Museu da Imigração e uma intimação pela Polícia Federal, além de diversas ameaças à sua vida
“A libertação da Palestina é a libertação de cada um de nós e a derrota do sionismo significa derrotar o capitalismo e o imperialismo”, afirmou Rawa para o Jornal A Verdade.
Além de contribuir com o Jornal A Verdade, Rawa esteve presente em nossa festa de 25 anos, em diversas manifestações e na organização e realização da Vigília de 24 horas pela Palestina
Nos solidarizamos com Rawa Alsagheer e reafirmamos nosso compromisso com a luta pelo fim do genocídio e pela libertação da Palestina!
A greve na educação protagonizada pelos trabalhadores terceirizados não é apenas uma paralisação por reajuste salarial; é um grito de socorro e de revolta contra a humilhação diária imposta pelo prefeito Álvaro Damião, pela secretária Natália Araújo e pela direção da MGS. São milhares de pais e mães de família, auxiliares de apoio à inclusão, faxineiras, cantineiras e porteiros, tratados como moeda de troca em um jogo de poder que ignora a fome de quem faz as escolas de Belo Horizonte funcionarem. A gestão da prefeitura decreta o arrocho salarial enquanto entrega a cidade aos ricos.
Reinilson Câmara – Belo Horizonte – MG
Belo Horizonte – Para entendermos o que se passa nas escolas municipais, precisamos olhar a conjuntura nacional. O Brasil vive sob a cartilha do neoliberalismo, que visa apenas encher os bolsos da burguesia com o suor do povo pobre. A terceirização é a principal arma dos patrões para dividir a nossa classe e rebaixar salários. E não nos enganemos: a luta dos terceirizados é a luta de toda a comunidade escolar.
A exploração que adoece e separa famílias
As mães e pais de alunos precisam enxergar quem está dentro da escola: a faxineira e a cantineira que cuidam dos seus filhos também são mães de família! Só que a exploração dos patrões rouba dessas trabalhadoras o direito de cuidar das suas próprias crianças. Elas passam o dia garantindo a educação do filho dos outros, mas chegam em casa esgotadas e com um salário de fome. A exploração que os pais sofrem lá fora é a mesma que massacra essas companheiras lá dentro. A nossa classe é uma só!
Essa realidade opressora não é uma teoria; ela tem rosto, nome e calos nas mãos. Ela se expressa na voz do companheiro Hugo, trabalhador da faxina, que denuncia o peso de uma rotina esmagadora em troca de migalhas.
“Esse trabalho nosso é bem difícil, porque nós limpa (sic) a escola, carrega (sic) lixo, leva quatro andares para baixo… É um trabalho muito pesado que a gente faz, mas só que pouco valorizado. A gente trabalha muito e ganha pouco. É só R$1.100… Tem gente que paga aluguel, compra uma verdura, compra uma carne, já vai tudo pra lá.”
Como um trabalhador pode sobreviver com R$1.100 reais hoje? É a prova de que, no capitalismo, quem produz a riqueza e mantém a engrenagem girando vive na miséria, enquanto os engravatados lucram. Sem a faxina, não há escola. Sem a escola, a sociedade para. Mas o sistema insiste em tratar esses trabalhadores como descartáveis.
A crueldade se estende ao cuidado com nossas crianças, escancarada no relato da companheira Amanda, apoio à inclusão. Ela desmascara a farsa do “somos todos uma família” e mostra como a desigualdade salarial adoece a classe.
“A gente passa 10 horas dentro das escolas. Não tem tempo pra família, o tempo que sobra é pra descansar… Faxina recebe R$1.100, nós auxiliares, vergonhosos R $1.600… Nós somos máquinas, e para a prefeitura somos apenas números. A gente só serve pra trabalhar e pra poder trabalhar mais.”
A fala de Amanda atinge o coração da exploração: o trabalhador é visto apenas como uma máquina. As trabalhadoras da inclusão dedicam suas vidas para cuidar de crianças com deficiência, assumindo uma responsabilidade imensa técnica e emocional, para no fim do mês terem que escolher qual conta vão pagar. Elas abdicam de suas famílias para cuidar das famílias da classe trabalhadora, e recebem em troca o descaso.
Insegurança e o terrorismo dos patrões
E no meio desse fogo cruzado, a insegurança arranca a paz de espírito. A companheira Tamires, também da faxina, expõe o terrorismo psicológico da instabilidade contratual e das manobras sujas dos patrões.
“Alteraram a minha carteira digital de trabalho sem autorização minha para serviços gerais 2. Pode me mandar para qualquer outro lugar sem minha autorização… O contrato vence dia 28 e tá todo mundo sem saber se tem emprego. Teve um colega que foi jogado pra penitenciária… Sou mãe solo, pago aluguel, preciso de um salário melhor. Nós não temos vozes, eles abusam muito disso, não tem respeito com a gente.”
É fundamental fazermos aqui uma denúncia firme: a MGS, mesmo sendo uma empresa pública do Estado, adota práticas coronelistas, assediadoras e de profundo desrespeito com seus funcionários, funcionando como uma ferramenta de precarização. O tratamento dado aos trabalhadores é péssimo. No entanto, não podemos cair na armadilha da Prefeitura. A solução da SMED de repassar esses contratos para Organizações da Sociedade Civil (OSCs) e empresas privadas de terceirização é jogar o trabalhador da frigideira direto para o fogo.
Se a MGS é ruim, as empresas privadas são ainda piores. O único objetivo da iniciativa privada é o lucro absoluto. Para lucrar mais, essas empresas enxugam o quadro de funcionários, atrasam salários, dão calote nos direitos trabalhistas e fecham as portas de um dia para o outro, deixando milhares na rua da amargura. A terceirização privada é a escravidão moderna institucionalizada. O que a Prefeitura e o Governo do Estado fazem é jogar o povo contra o povo, usando o atendimento às crianças e os empregos dos trabalhadores como peças de xadrez em suas disputas políticas eleitoreiras.
A saída é a luta e a organização da classe trabalhadora
A greve é o instrumento legítimo de defesa da nossa classe. Como disse a companheira Amanda: “fazer greve não é ficar em casa esperando, é estar aqui mostrando a nossa força”. É parar a produção e mostrar quem realmente constrói esta cidade.
Mas precisamos dar um passo além. A luta sindical por reajuste, por melhores condições e contra os descontos covardes é essencial hoje, mas amanhã o sistema capitalista continuará a nos oprimir se não houver organização revolucionária. Por isso, chamamos cada trabalhador e cada pai e mãe de aluno a fortalecer a greve, a se organizar no movimento luta de classes (MLC) e a construir as fileiras daqueles que não lutam apenas para melhorar as correntes que nos prendem, mas para quebrá-las definitivamente. Precisamos apoiar e difundir o jornal a verdade, que é a voz do povo oprimido, o megafone de denúncias que a grande mídia esconde.
A nossa união é a única força capaz de frear os ataques de hoje e construir o amanhã. O fim da exploração do homem pelo homem, o fim das humilhações e da miséria só virá com a construção de uma sociedade socialista, onde a riqueza produzida pelos trabalhadores seja controlada por eles próprios, garantindo educação, moradia, saúde e vida digna para todos.
Lançado em 25 de fevereiro de 1936, o filme mais importante da carreira de Charlie Chaplin permanece atual, além de ter trazido em sua época uma profunda crítica à exploração capitalista e suas crises, cada vez mais violentas.
Clóvis Maia – Redação Pernambuco
CULTURA- Em tempos de escala 6X1, baixos salários, exploração e precarização da mão de obra e o uso da tecnologia para extrair mais lucro do trabalhador ao invés de ajudá-lo, Tempos Modernos, lançado há exatos 90 anos, parece um retrato dos dias atuais. Feito em uma época em que o cinema mudo era visto como ultrapassado, Chaplin usou de toda sua experiência para criar uma obra que dialogasse com a situação social de seu tempo, o que veio a se tornar um clássico do cinema mundial.
A história nos apresenta o seu personagem Carlitos, como ficou conhecido no Brasil, tendo que se tornar um operário, adoecendo diante da exploração, sendo demitido, fazendo greve, procurando emprego, como uma espécie de representação do que o povo americano estava sofrendo. Problemas como a falta de moradia, fome, violência policial, drogas, em uma época em que o capitalismo atravessava a sua maior crise até então, a chamada Grande Depressão, que teve seu estopim com a queda da bolsa de valores de nova York em outubro de 1929.
Muito popular em todo o mundo e com uma carreira já consolidada, Tempos Modernos deixou de ser um retrato de uma época, para se tornar uma espécie de radiografia de um sistema decadente.
“Não pare para o almoço, fique à frente da concorrência”
Essa é uma das frases emblemáticas que representam o filme, em um momento em que uma empresa apresenta ao patrão uma máquina que obriga o trabalhador a comer enquanto realiza seu trabalho. Outra cena clássica é a do Carlito adoecendo ao tornar-se um apertador de parafuso, mas o longa é totalmente marcado pela denúncia, desde o adoecimento causado por uma rotina exaustiva, passando pelo patrão, que enquanto lê seu jornal e monta um quebra cabeça em sua confortável sala, vigia seus empregados com mão de ferro e manda aumentar ainda mais a exploração.
Chaplin não fez apenas uma crítica ao modo de como as máquinas iriam substituir o trabalho humano um dia. Ao contrário, a proposta de Tempos Modernos é mostrar que o capitalismo só visa o lucro acima da vida, por isso a introdução já mostra um grande relógio apontando para esse controle do tempo – e da vida- da sociedade, que segue ‘tocada’ como um rebanho de ovelhas para o matadouro, ou a opulência das elites, em contraste com a fome assolando os mais pobres nas ruas. As imagens representadas são tão atuais, tão universais que, assistindo o filme 90 anos depois, que é quase inevitável não relacionar o filme com as imagens mais recentes de um EUA, considerado o coração do capitalismo, mergulhado na miséria e na pobreza, tendo à frente do Estado um fascista que ameaça o mundo com uma nova guerra mundial.
A linguagem artística à serviço da sociedade
Chaplin era crítico do cinema falado. Para ele, o uso da mímica, do humor corporal e da música ajudavam a tornar o cinema como uma linguagem democrática, popular e universal. As mensagens nos filmes de Chaplin, aliás, não deixavam dúvida: era um cinema popular e com um recorte de classe, mesmo o ator nunca tendo sido um militante de esquerda ou organizado. Os atuais sucessos de obras como Ainda Estou Aqui, O Agente Secreto, Pecadores, Argentina 1985 e Parasita mostram o quanto é possível se fazer uma arte cinematográfica dialogando com os grandes temas da sociedade, sem se render ao que é feito hoje na indústria de Hollywood.
“Animem-se. Nós vamos conseguir!”
Esse foi o último filme em que o personagem Carlito aparece. Na cena final, ao som de Smile, música composta por Chaplin para o filme, a mensagem deixada é de esperança e fé no futuro, reforçando que as coisas podem ser transformadas. Chaplin, aliás, foi duramente perseguido pela sua arte mais popular e crítica. Critico dos EUA por se recusarem a fazer uma frente ampla contra o nazifascismo junto aos soviéticos, foi exilado em 1952 pelo Macarthismo, mesmo tendo morado 40 anos na América e ajudado a erguer o cinema por lá.
Hoje, mais de 100 anos de seu primeiro filme (Carlitos Repórter, de fevereiro de 1914) as obras de Chaplin continuam sendo vistas por todo o mundo, atingindo todas as faixas etárias, idiomas e sendo uma fonte de formação e inspiração para lutar, sobretudo para enfrentar o dia a dia desse sistema tão perverso. Ainda hoje seus filmes são reproduzidos em cines debates em ocupações, escolas e universidades, e Tempos Modernos mostra como a arte é uma ferramenta ainda muito atual contra a alienação e todo o embrutecimento promovido por um sistema que não consegue nos entregar nada mais do que crise e violência e que está em franca decadência.
Prefeitura da cidade de Caucaia (CE) quer acabar com o “Bora de Graça”, programa de passe-livre universal na cidade. Primeiro sucatearam o programa e agora querem acabar completamente com esse avanço na garantia de um direito básico: se locomover pela cidade.
João Victor | Caucaia CE
A história do transporte no Brasil é uma história de roubo contra o povo. No sistema em
que vivemos, onde o lucro vale mais que a vida, o direito de circular pela cidade virou uma mercadoria. Os donos de empresas de ônibus, em parceria com governos que trabalham para os ricos, sugam o salário dos trabalhadores para oferecer um serviço péssimo, ônibus lotados e demorados. Em Caucaia, o Programa Bora de Graça, lançado em 2021, foi uma vitória que mostrou que é possível ter transporte sem cobrar passagem. Mas agora, a prefeitura e os empresários se uniram para destruir essa conquista.
Como nós, comunistas, sempre avisamos: o que os ricos dão com uma mão, eles tentam tirar com a outra assim que podem. O novo prefeito, Naumi Amorim (PSD), junto com a Empresa Vitória, começou um plano para acabar aos poucos com o Bora de Graça. A Unidade Popular pelo Socialismo (UP) está na linha de frente para impedir esse retrocesso e garantir que o povo não volte a ser refém da catraca.
Como o programa começou
Para entender o que está acontecendo agora, precisamos lembrar como tudo começou
em setembro de 2021. O programa não surgiu por bondade da prefeitura de Vitor Valim, mas porque a economia da cidade estava parando. Com a pandemia e o desemprego, o povo não tinha dinheiro nem para procurar emprego. Antes do programa, só 18 mil pessoas conseguiam usar o ônibus por dia.
Quando a passagem ficou gratuita, o dinheiro que o trabalhador deixava na catraca
passou a ser usado para comprar comida e remédios no comércio da própria cidade. O resultado foi imediato: o número de passageiros subiu para 90 mil por dia. Caucaia virou exemplo para o Brasil inteiro, mostrando que o transporte gratuito melhora a vida de todo mundo e ajuda até o pequeno comércio.
Fonte: Prefeitura de Caucaia (2024)
O programa não virou lei
O grande erro da gestão anterior foi ter feito o programa apenas por um papel assinado pelo prefeito (um decreto), sem transformar o Bora de Graça em uma lei permanente e aprovada pelos vereadores. Isso deixou o programa frágil. No capitalismo, o que um prefeito assina hoje, o outro pode rasgar amanhã.
Além disso, a prefeitura continuou pagando uma empresa particular, a Empresa Vitória, para operar o serviço. Em vez de criar uma empresa pública de transporte, o governo ficou dependente dos lucros de um empresário. Quando a prefeitura começou a atrasar os pagamentos, os donos dos ônibus começaram a fazer chantagem contra o povo.
A chantagem da Empresa Vitória e os cortes em 2025
Em dezembro de 2024, a Empresa Vitória mostrou sua verdadeira face: anunciou que ia
voltar a cobrar R$ 3,50 de passagem se não recebesse o dinheiro da prefeitura. Isso é o que chamamos de “Máfia do Transporte”. Se o lucro do patrão diminui um pouco, a primeira coisa que ele faz é punir quem trabalha.
Depois que o novo prefeito Naumi Amorim assumiu, o ataque ficou ainda pior. Em janeiro de 2025, a prefeitura fez um acordo com a empresa e com o Ministério Público para reduzir o dinheiro do transporte. O resultado? Retiraram 16 ônibus da frota, que caiu de 70 para apenas 54 veículos.
Menos ônibus nas ruas significa mais tempo de espera no sol, ônibus ainda mais lotados e trabalhadores chegando atrasados. Para completar o ataque, mudaram o nome do programa para “Passe Livre”, tentando apagar a força do nome “Bora de Graça” e preparando o terreno para colocar regras que vão dificultar a vida do povo.
Por que eles querem acabar com o transporte gratuito?
O dono da empresa de ônibus quer arrancar o máximo possível do recurso público e ainda tentar arrancar mais dinheiro por meio das passagens. A “Máfia do Transporte” no Ceará, liderada por empresas como a Vitória, não quer que o povo se acostume com direitos. Eles querem que o transporte seja ruim e caro para que o governo continue dando dinheiro público para eles sem nenhum controle.
A única solução real é a estatização: o transporte tem que ser do Estado, sem empresas privadas no meio, e controlado pelo próprio povo. Só assim a frota não será reduzida quando o prefeito quiser “economizar” em cima do lombo do trabalhador.
A Unidade Popular na linha de frente da resistência
Enquanto os políticos faziam acordos nas salas com ar-condicionado, a Unidade Popular
(UP) foi para as ruas. No dia 23 de outubro de 2025, a militância da UP e outros movimentos sociais realizaram um grande protesto em frente à prefeitura. Os moradores de Caucaia deixaram claro que não iam aceitar o fim do programa.
A prefeitura de Naumi Amorim respondeu com truculência, usando a guarda municipal para barrar o povo. Mas a luta não parou. Os militantes da UP estão todos os dias nos ônibus e terminais, vendendo o Jornal A Verdade e conversando com os passageiros sobre a necessidade de se organizar contra os cortes. A luta em Caucaia se soma à vitória dos estudantes de Juazeiro do Norte, que conquistaram o passe livre com muita mobilização, e aos protestos contra a redução de linhas de ônibus em Fortaleza.
UP panfletando pela melhoria do transporte. Fonte: Iago Barreto
Só a luta muda a vida!
O que está acontecendo em Caucaia é um aviso para todos nós. Os direitos que conquistamos com luta só podem ser mantidos com mais luta. O prefeito Naumi Amorim diz que “não tem dinheiro”, mas o dinheiro aparece quando é para pagar as empresas de ônibus. A verdade é que eles querem que o trabalhador aceite o mínimo, enquanto os empresários continuam ricos.
Não aceitaremos nenhum ônibus a menos! Não aceitaremos a volta da cobrança de passagens! A Unidade Popular continuará denunciando esse desmonte e organizando o povo nos bairros e nas paradas de ônibus.
Agitação no ato em defesa do “Bora de Graça”. Fonte: Iago Barreto
Trabalhador, trabalhadora e jovem de Caucaia! Eles querem que você se conforme com o ônibus lotado e com a espera demorada. O desmonte do Bora de Graça é um roubo do seu tempo e do seu suor. Não deixe que decidam o futuro do seu transporte em reuniões secretas!
A Unidade Popular pelo Socialismo (UP) convoca você: venha se organizar! Forme um
núcleo de luta no seu bairro, denuncie o atraso do ônibus, participe dos protestos. Precisamos exigir que o transporte seja um direito de todos e que as empresas de ônibus sejam expulsas da nossa cidade para dar lugar a um sistema público e controlado pelo povo! Se eles cortam os ônibus, nós aumentamos a nossa luta!
Organize-se na Unidade Popular!
Pela volta dos 70 ônibus e manutenção total da gratuidade!
Contra a máfia do transporte e o governo dos ricos!
Viva a luta da classe trabalhadora! Viva o Socialismo!
Alternando estudos teóricos sobre o marxismo-leninismo com atividades práticas, exercícios físicos e vivências em ocupações urbanas, a atividade consolidou a disciplina militante e o compromisso com a construção do socialismo, preparando os jovens para os desafios organizativos de 2026.
Sabrina Ferreira | Redação PR
JUVENTUDE – Entre os dias 6 e 12 de fevereiro, ocupamos Curitiba com 30 militantes decididos a fazer da 1ª Semana Vermelha da UJR um marco de organização e rebeldia! Convocamos militantes do litoral à fronteira do estado e por isso, tínhamos o desafio de arrecadar R$ 4.500 em passagens. Para garantir a execução da atividade, usamos a criatividade e a política: contamos com nossos aliados, que conhecem as lutas da nossa organização no cotidiano, além de construirmos relações politizadas com nossos familiares e amigos para apoiarem a construção da juventude revolucionária. Militantes, por iniciativa própria, desapegaram de itens que não precisavam mais, arrecadaram recursos que foram investidos na Escola do Socialismo. Resultado: quebramos diversas barreiras antes mesmo da escola começar!
Antes mesmo do início oficial, a 1ª Semana Vermelha já mobilizava a militância com a ‘campanha da porcentagem’. A dinâmica era simples: o valor total foi dividido em cem cotas de R$ 45,00 (1%) e, a cada meta atingida, um quadradinho era preenchido no mural. Essa visualização constante do progresso fortaleceu a confiança coletiva de que, tarefa a tarefa, superaríamos qualquer barreira para construir nossa organização.
Quadro para acompanhar as metas da Semana Vermelha em Curitiba
Também fizemos arrecadações de alimentos para garantir a alimentação integral da militância. Diversas idas nas portas de mercado pedindo doações e brigadas do jornal A Verdade, conversas com vizinhos, familiares e militantes da Unidade Popular pelo Socialismo possibilitaram que fossem arrecadados mais de 40 quilos de frango, 20 quilos de arroz, 360 ovos, 10 quilos de frutas da estação e todos os itens necessários. Os pães foram produzidos pelos próprios militantes durante todas as manhãs. No primeiro dia de curso, atingimos 100% das nossas metas para as passagens e alimentação.
Com o clima de vitória, a alvorada começava às seis horas da manhã e o café era feito por comissões de militantes do próprio curso, era servido com frutas e proteínas antes da ida ao parque da cidade para a realização de 50 minutos de exercício físicos, com alongamentos e brincadeiras e 45 minutos dedicados para o estudo individual ao ar livre.
Às nove horas começavam os trabalhos. Nos três dias primeiros dias, realizamos ativos de organização, trabalho de massas e finanças, contando com a presença do secretariado nacional da UJR. As lutas apresentadas na matéria “7° Congresso do PCR define novas tarefas dos revolucionários diante da ameaça imperialista” da edição 327 do jornal A Verdade escancarou a necessidade de, em 2026, triplicarmos a nossa organização, assim como elevar a capacidade de organização, direção e inserção nas lutas concretas.
O plenário discutiu a execução dessas missões a partir de uma reflexão profunda sobre o significado prático de ser uma União da Juventude ‘REBELIÃO’. Não há possibilidade de uma organização revolucionária crescer sem organizar lutas concretas na sociedade e modificar a realidade em que vivem. Che Guevara já assinalava que “ser jovem e não ser revolucionário é uma contradição genética”. Sendo assim, uma juventude revolucionária tem o dever de desgastar o sistema capitalista e forjar quadros para a revolução.
Enfrentar os medos e as inseguranças é um dever revolucionário; somente a luta pode modificar nossa realidade e as lutas de um jovem comunista devem ser pelo novo: o novo ser humano, as novas relações e a nova sociedade. Devemos ansiar o novo e não evitá-lo, afinal, quem defende a manutenção das estruturas atuais não são os revolucionários. O clima dos debates e das propostas formuladas inspirou a militância a criar uma palavra de ordem que sintetizasse o acúmulo coletivo: “Coragem! Disciplina! E ousadia | Viva a UJR, toca luta todo dia!”.
Consolidar o jornal A Verdade na relação com o povo
A militância da UJR tem aprofundado o debate sobre avançar a relação com a nossa melhor ferramenta de luta: o jornal A Verdade; e ligá-lo de forma inquebrantável ao nosso cotidiano. Por isso, planejamos a campanha de emulação Emmanuel Bezerra, que colocou a juventude no exercício de falar mais sobre o socialismo com os trabalhadores da cidade, nos tubos de ônibus (paradas de ônibus), na entrada do Restaurante Popular e nas praças. Também realizamos diversas brigadas extras durante a1ª Semana Vermelha, em especial junto aos estudantes nas portas das escolas, chamando para lutar e construir uma UBES combativa em seu 46° Congresso. Também construímos a Brigada Nacional dentro do IFPR, revezando turnos das equipes de brigadistas para passar nas salas, desejar boas vindas aos calouros e convidar a construir a luta popular.
O sucesso da atividade evidenciou que é possível fazer o extraordinário no trabalho diário. Não há outro caminho para organizar nosso povo senão cada um de nós irmos às ruas denunciar e, organizar lutas e vitórias que desgastam o capitalismo, ganhando a consciência das pessoas para a nossa política e conquistando mentes e corações. Assim, durante essa semana 253 jornais foram convencidos, mais de R$ 400 em doações arrecadados para consolidar o jornal semanal e coletados 40 contatos de jovens e trabalhadores interessados em construir o socialismo! O militante que ganhou destaque no primeiro lugar da emulação foi presenteado com uma camiseta cuja estampa homenageia Emmanuel Bezerra, como símbolo da liberdade futura que se constroi diante de nosso trabalho cotidiano.
Brigada e panfletagem da UJR no Instituto Federal de Curitiba durante a Semana Vermelha.
Lutar e Estudar, Estudar e Lutar!
A nova edição da Escola Sarah Domingues fechou a 1ª Semana Vermelha. Essa nova edição contou com aulas de Filosofia Marxista, Economia Política Marxista e Fundamentos do Leninismo. A Coordenação Nacional da UJR garantiu a presença de mediadores de três estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.
Durante as exposições, as lutas políticas e ideológicas acentuadas nas aulas foram preparadas para as questões específicas do território. Um dos exercícios propostos desafiou a militância em pensar em intervenções que escancarassem a mais-valia em diversos cenários (na porta da fábrica, numa passagem em sala, em uma batalha de rima e numa reunião das famílias do bairro). Após as apresentações, o coletivo pôde opinar, sugerir alterações e valorizar os itens mais importantes. Assim, durante as brigadas no período da semana, as intervenções foram se aperfeiçoando nas abordagens da população e na coleta de contatos, além de escancarar os elementos que devem ser aprofundados na formação da militância.
“Pudemos ver na nossa prática, na própria construção da atividade durante o dia a dia o que aprendemos na escola. Aprendemos sobre mais-valia, como apresentar para o trabalhador e, logo após, na volta, toda a juventude aplicando no caminho para onde estávamos alojados”, afirmou Giovanny Godoi, militante do interior do estado.
Leitura diária de 30 minutos ao ar livre em Curitiba
Resistência e cultura
Alguns dias antes de iniciarmos as atividades, o combativo Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) realizou sua primeira ocupação de moradia no estado do Paraná (ver matéria“Ocupação Francisco Bernardo nasce no Centro de Curitiba”da edição 328 do Jornal A Verdade). Para juntar as lutas pela resistência travadas pelas famílias e pela juventude, realizamos uma grande feijoada com ingressos solidários aos participantes da 1ª Semana Vermelha. Nesse espaço inédito de luta do povo favelado do Paraná, os militantes se envolveram na construção e na vivência de um verdadeiro território livre da fome.
À noite nos dedicamos às atividades externas e de lazer. Nesses momentos, a cultura foi crucial para elevar o nível de debate em torno das tarefas colocadas à UJR no estado. Um cinedebate que exibiu o filme “Saneamento Básico”, de 2007, ocorreu numa das noites da1ª Semana Vermelha na intenção de instigar a reflexão sobre a criatividade exigida para solucionar os problemas e alavancar a construção material da nossa organização. No longa-metragem, uma comunidade do interior do Rio Grande do Sul necessita de uma fossa séptica e, não tendo recursos públicos para o saneamento básico, os trabalhadores veem-se utilizando a única verba disponível, reservada à cultura, para realizar um filme e só então conquistar as reformas no esgoto da região. “A obra nos fez pensar que, de fato, devemos fazer por nossas mãos tudo o que a nós nos diz respeito. Independente das adversidades, nós, assim como nosso povo, temos as condições para utilizar dos recursos disponíveis das melhores e mais criativas formas, como foi a campanha da porcentagem, e concretizar o desenvolvimento da nossa tarefa histórica, que é a revolução socialista”, relata Belle Ullmann, militante no estado.
Organização, disciplina e lições coletivas diárias
Aquartelados na Ocupação de Mulheres Enedina Marques, a juventude preparou todas as etapas para garantir as atividades da 1ª Semana Vermelha no dia a dia. Com um cronograma bem definido, a comissão de disciplina garantiu a concentração e a fidelidade aos horários reservados para cada período.
Vários militantes assumiram novas tarefas de estrutura e inúmeros desafios apareceram. Foi central o processo de reflexão coletiva e autocrítica acerca da organização das atividades. O tempo para os debates em torno das exposições eram preciosos, portanto para corrigir a falta de organização e a má administração do tempo, o informe que precedia as atividades eram diários: apresentando os problemas e buscando uma alternativa coletiva para melhorarmos nossas ações e assim, ter a concentração, a disciplina e a direção coletiva para solucionar nossos problemas e acumular a teoria marxista-leninista com qualidade. Um bom comunista aprende o tempo todo, dentro e fora das reuniões, nos detalhes do cotidiano.
Além disso, como forma de refletir individual e coletivamente sobre as lutas políticas assimiladas nos ativos e aulas durante a semana, um painel feito de cartolina vermelha permaneceu colado na parede da sala onde os trabalhos foram realizados com o chamado: “Deixe um recado para a UJR em seus 30 anos”. Dessa maneira, os militantes colaram post-its com palavras de ordem que se propõem a colocar em prática no próximo período, como “contra a praga do desânimo”, “urgência em superar nossas debilidades” e “a disposição não deve estar acima da disciplina”.
Motivados pelo exemplo do patrono da União da Juventude Rebelião, Ernesto Che Guevara, os militantes organizaram como última atividade da semana um mutirão de limpeza da Ocupação Enedina Marques como trabalho voluntário. A partir dessa mobilização coletiva, não contribuímos apenas com a manutenção do espaço conquistado pela luta das mulheres trabalhadoras curitibanas, mas também compreendeu, na prática, o significado de um trabalho não alienado. Tornou-se perceptível a relação profunda que o jovem comunista possui com a construção do socialismo por meio da iniciativa voluntária e ativa.
A 1ª Semana Vermelhaprovou para nós que quando nos convencemos de alguma atividade, que somos convencidos da nossa política levamos a cabo com alegria. Não haverá barreiras financeiras, barreiras estruturais que nos impedirão de cumprir o nosso papel histórico de sermos a última a geração a viver no capitalismo e a primeira geração a ver os raios de sol da sociedade nova, da sociedade da liberdade, da sociedade socialista! Se lutarmos, venceremos! Sem dúvida venceremos!
Café da manhã coletivo na Ocupação Enedina Marques com frutas e proteínas antes dos exercícios físicos matinais
A Zona da Mata mineira sofre com as enchentes e a negligência do poder público que privilegia a especulação imobiliária em detrimento da vida do povo. Os cortes nas verbas de prevenção e a falta de moradia digna empurram a população periférica para as áreas de risco, expondo a lógica do Estado de priorizar o capital enquanto o povo pobre sofre com tragédias anunciadas.
Reyel Almeida | Juiz de Fora – MG
Nesta segunda-feira (23), diversas cidades da região da Zona da Mata mineira, como Juiz de Fora, Ubá e Matias Barbosa, foram atingidas por enchentes e deslizamentos que contabilizam, até a publicação desta matéria, mais de 400 pessoas desabrigadas, 36 vítimas fatais e dezenas de desaparecidos. A maioria dos atingidos são moradores de periferia.
Mais uma vez, a classe trabalhadora e o povo pobre de Juiz de Fora e região são castigados não só pela chuva, mas pela omissão do Estado burguês em prevenir desastres e deslizamentos de terra, mesmo sabendo que todos os anos a situação se repete. Nossas cidades não contam com planejamento urbano adequado; o que prevalece é a vontade das grandes construtoras.
Estado burguês condena o povo para garantir o lucro
Este cenário de calamidade não é novo, mas a intensificação de eventos como o atual reflete um padrão histórico de negligência que atravessa décadas. Nos últimos vinte e cinco anos, a Zona da Mata mineira tem sido palco de tragédias recorrentes que comprovam esse descaso: o desastre ambiental de Cataguases em 2003, o rompimento da barragem em Miraí em 2007 e as enchentes históricas de 2020, que deixaram dezenas de mortos. Mesmo quando não há vítimas fatais imediatas, como nos temporais recordes de dezembro de 2025 em Juiz de Fora, o rastro de destruição e o risco constante expõem a falha crônica do Estado em implementar políticas de prevenção e planejamento urbano eficazes, ignorando os alertas e o sofrimento de sua população mais vulnerável.
Em dois anos, o governador fascista Zema reduziu em 96% a verba de prevenção contra o impacto das chuvas em Minas Gerais, decaindo de R$ 135 milhões para R$6 milhões. De acordo com a Auditoria Cidadã da Dívida, o Governo Federal também cortou, em 2025, o equivalente a R$ 200 milhões do orçamento para prevenção de desastres ambientais. Além disso, o Poder Executivo deixou de aplicar cerca de 35% dos recursos já destinados à gestão de riscos e desastres, segundo dados do TCU.
Cidade de Ubá coberta pela água: a negligência do poder público já registra 7 vítimas fatais. Foto: Hélio de Souza
Especulação imobiliária faz o povo morar em áreas de risco
A classe trabalhadora sofre pela especulação imobiliária, que empurra o povo que não tem condições de pagar aluguéis caríssimos para os piores locais de moradia, como nas encostas e beiras de rio, enquanto milhares de prédios estão abandonados nos grandes centros. Somado a isso, vivemos uma crise climática causada pelo modo de produção capitalista e quem paga a conta, até com a própria vida, são os que não têm culpa nenhuma. A população que é condenada a viver em lugares de alto risco é majoritariamente negra, indígena e imigrante; é o chamado racismo ambiental.
Só o povo salva o povo!
Neste momento, a solidariedade de classe se faz urgente para apoiar os moradores e suas famílias que perderam tudo nessa tragédia. Não podemos apenas nos lamentar; é necessária a organização de lutas para que este crime cometido não seja esquecido e pela reparação às famílias das vítimas e a todos os prejudicados. Porém, as injustiças contra o povo pobre só terão fim quando fizermos uma verdadeira Revolução no nosso país, que coloque o povo no poder, derrubando os poderosos burgueses que se fortalecem com o nosso sofrimento. O povo, com a sua solidariedade de classe e sua resistência, demonstra que a tomada do poder é cada dia mais possível para a construção de um mundo com moradia digna, paz e segurança — e só será assim para todos na sociedade socialista!
Judiciário decidiu por garantir impunidade à violência policial que interrompeu os sonhos de Thiago Flausino, uma criança de apenas 13 anos, na Cidade de Deus. Mãe acusa desrespeito e injustiça por parte do poder judiciário.
João Herbella | Rio de Janeiro
BRASIL – Nos dias 10 e 11 de fevereiro, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro realizou um Júri Popular para decidir sobre os fatos ocorridos na madrugada de 7 de agosto de 2023. Na ocasião, os policiais Diego Leal e Aslan Wagner sentaram no banco dos réus. Eles foram acusados de, durante uma operação ilegal, utilizarem um carro particular descaracterizado e com insulfilm para efetuar disparos contra o jovem Thiago e seu amigo Marcos Vinícius. Os dois passeavam de moto pela Cidade de Deus e já tinham caído do veículo no momento em que o crime aconteceu.
Thiago foi morto com um tiro nas costas. Marcos Vinícius foi baleado na mão, mas conseguiu escapar. Para tentar se livrar da punição, os policiais implantaram uma arma ao lado do corpo de Thiago, o que foi descoberto em uma investigação de fraude processual.
Mais de dois anos após a execução de Thiago, aconteceu o julgamento dos responsáveis. Foram dois dias cansativos de audiência. A defesa dos policiais tentou, de forma insistente, associar a vítima ao crime organizado.
A estratégia buscava “justificar” o assassinato e levantar dúvidas nos jurados. Os advogados sugeriram a possibilidade de troca de tiros, mesmo sem apresentar qualquer prova. Em um dos momentos mais absurdos, a defesa dos policiais afirmou que uma foto do menino Thiago fazendo um coração com a mão representaria um “C” de Comando Vermelho e questionou as músicas de funk que ele escutava.
Quem era Thiago?
Em casos como esse, além de lidar com a dor da perda, os familiares também são obrigados a defender a honra e a memória das vítimas. É o que Priscila Menezes, mãe de Thiago, relata. “Ali quem foi julgado não foram os policiais. Foi o Thiago. Naquele tribunal, a justiça não foi feita pra nós de comunidade, nós que somos pretos e somos favelados. Ali nós somos desrespeitados e marginalizados. Mas eu, a família e os amigos sabemos quem realmente era o Thiago e eles não vão poder mudar a história dele.”
Thiago Menezes Flausino, um jovem negro de apenas 13 anos tinha o sonho de ser jogador de futebol. Jogava em dois clubes na Cidade de Deus. Ele tinha 91% de presença na escola e chegou a ter o caderno reconhecido pela letra mais bonita da turma.
Junto a outras 242 crianças e adolescentes, foi vítima da violência policial em 2023 no Brasil. Casos como o de Thiago continuam acontecendo. Em fevereiro de 2026, Leonardo Lobo, estudante da UERJ, foi assassinado pela PMERJ na saída do jogo do Flamengo.
Quando o Estado mata, quem se responsabiliza?
É claro que esses crimes não são casos isolados. A verdade é que isso faz parte de uma política pública do Estado Brasileiro de promover o genocídio da juventude negra e conta com a Justiça Burguesa para garantir sua impunidade. Mesmo mentindo em seus depoimentos, os policiais foram absolvidos pela morte de Thiago e tentativa de assassinato de Marcos pelo Juri Popular que encerrou com placar de 4×3.
Depois do resultado, a mãe do menino desabafou em entrevista ao Jornal A Verdade. “Sentimento de tristeza, de revolta. Até porque dá mais munição para eles virem fazer o que eles fazem na favela: matam e incriminam. E quando chega lá, quando conseguimos levá-los ao banco dos réus, vão lá e absolvem. É muito triste, a realidade é muito triste, estou muito infeliz. É desesperador. Tinha todas as provas. Eles mudaram de versão três vezes, eles implantaram uma arma e foi provado isso. Realmente esse júri não vive a nossa realidade e nesse tribunal não existe justiça para nós.”, afirma.
Justiça por Thiago!
Apesar da absurda decisão, a família de Thiago, apoiadores, militantes da UP e da Frente Negra Revolucionária e familiares de outras vítimas de violência policial, saíram de cabeça erguida do TJRJ com gritos de “Thiago Presente!” e “Justiça!”. Como se não bastasse o resultado do julgamento, duas viaturas do Batalhão de Choque aguardavam na saída do tribunal, em uma tentativa de intimidar os familiares da vítima.
Todos os que estavam lá saíram com a certeza de que a luta por justiça não termina com a sentença de um tribunal. Ela segue na denúncia permanente, na organização popular e na exigência de mudanças profundas que coloquem a vida acima de qualquer interesse econômico ou político.
Somente com uma transformação radical da sociedade, que confronte o racismo estrutural e a exploração do capitalismo será possível impedir que vidas jovens sejam tratadas como descartáveis. Enquanto prevalecer um modelo que coloca o lucro acima da dignidade humana e naturaliza a violência nas periferias, casos como o de Thiago continuarão se repetindo.
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