UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

sexta-feira, 27 de março de 2026
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Os professores temporários e o capitalismo

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Professores temporários já são maioria nas redes estaduais brasileiras, resultado direto da política neoliberal que precariza o trabalho docente e desmonta a educação pública. Contratos instáveis, baixos salários e falta de direitos afetam educadores e estudantes. Enquanto isso, recursos públicos são desviados para a dívida e a privatização. A saída passa pela organização coletiva e pela luta em defesa da educação pública.

Davi Cavalcante | Fortaleza, CE


A maior parte dos professores no Brasil são temporários

Desde 2021, os professores temporários passaram a representar a maior parte da categoria, nas escolas estaduais brasileiras. Segundo dados do Censo Escolar 2024, publicados pelo INEP, 51% dos professores da rede estadual em todo o país não têm vínculo efetivo, isso representa 356 mil trabalhadores, só na rede estadual, que estão submetidos a contratos temporários, os quais são frágeis, instáveis e precarizados.

Essa realidade não é um detalhe técnico da gestão pública. É a consequência direta da política liberal aplicada à educação. No modelo capitalista, a precarização do ensino público serve à lógica do lucro: reduz-se o orçamento das escolas, amplia-se a rotatividade da força de trabalho e desresponsabiliza-se o Estado diante das garantias mínimas à categoria.

No Ceará, por exemplo, esse cenário é ainda mais dramático. No final de 2023, mais de 60% dos professores da rede estadual atuavam sob contratos temporários, conforme levantado por sindicatos e confirmado em dados do Censo Escolar. Essa proporção expõe a negligência do poder público à carreira docente e a corrosão dos planos de valorização a longo prazo.

Contratos precários, vidas instáveis

O professor temporário, ao contrário do efetivo, não tem estabilidade, não tem plano de carreira, não tem garantia de renovação do contrato , e muitas vezes sequer recebe em dia. Estudos como o da pesquisadora Maria José Marques (UFC, 2006), demonstram que os temporários, especialmente no Ceará, não recebem benefícios previdenciários, são transferidos de escola a cada 6 meses e vivem em constante insegurança. Eles são, para as gestões como ela diz, “descartáveis a cada renovação de calendário”.

Além disso, a carga horária quebrada e os vínculos múltiplos em diferentes escolas fazem com que muitos professores passem o dia todo em deslocamento, com salários que não cobrem nem o custo de vida. Há estados em que o pagamento do professor temporário é inferior ao piso salarial da categoria, descumprindo, inclusive, leis federais.

A precarização afeta também os estudantes

Não é só o professor que sofre. O aluno da escola pública também é vítima direta dessa lógica de rotação e instabilidade. O estudo do Todos Pela Educação (2023) demonstra que escolas com alto número de docentes temporários apresentaram pior desempenho nas avaliações do Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica), tanto em português quanto em matemática.

A constante mudança de professores prejudica a construção de vínculos pedagógicos, o acompanhamento de estudantes em maior vulnerabilidade e a consolidação de projetos educacionais consistentes. Em outras palavras: o ensino na escola pública é sabotado por essa política de precarização, não é um problema técnico ou pedagógico, é projeto.

Como os capitalistas lucram com a precarização da educação?

É preciso deixar claro: toda essa situação não é um erro de gestão. É uma expressão do lucro de um punhado de capitalistas. O sucateamento do serviço público é feito propositalmente para gerar lucro para poucos.

Por exemplo, enquanto o Estado corta investimentos em educação sob a desculpa da “responsabilidade fiscal”, os recursos públicos são sugados pelo sistema da dívida pública  que representaram só em 2024 um gasto de R$ 1,997 trilhões dos cofres públicos (42,96% do orçamento federal). Esse dinheiro serve agora para pagar juros e amortizações de títulos da dívida que estão na posse de bancos privados e especuladores do capital financeiro, muitos desses sendo instituições financeiras estrangeiras como a BlackRock,HSBC, Pimco entre outras. Ou seja, o dinheiro que poderia ir para a escola do nosso bairro é cortado para ser enviado à bancos do exterior.

Um exemplo concreto dessa política é o chamado Arcabouço Fiscal, aprovado em 2023, que impõe um teto de crescimento real das despesas públicas, entre 0,6% e 2,5%, dependendo do crescimento do PIB dos anos anteriores.

A regra vale para o total das despesas e não há garantias específicas para setores básicos como educação ou saúde além dos mínimos constitucionais. Isso significa que, mesmo com o aumento da população estudantil e das demandas por infraestrutura e pessoal qualificado, o Estado fica impedido de ampliar seus investimentos de forma proporcional, congelando a possibilidade de contratação de professores efetivos, aumento salarial e melhorias estruturais nas escolas. Com isso, aprofunda-se o quadro de contratações precárias, a exemplo dos professores temporários que, atualmente, já são maioria em diversas redes estaduais.

No entanto, o capital não lucra apenas com a redução dos investimentos. Ele avança também na mercantilização da escola pública, criando novas formas de extrair lucro direto a partir do próprio funcionamento do sistema educacional. Isso ocorre, sobretudo, por meio da privatização e terceirização da gestão escolar e dos serviços educacionais. Projetos como os implementados no estado de São Paulo onde o governador fascista Tarcísio de Freitas propôs um plano que entrega a gestão de 33 escolas estaduais à iniciativa privada por até 25 anos evidenciam essa tendência. Nesses modelos, empresas privadas passam a administrar escolas públicas mediante contratos milionários, sendo remuneradas com recursos públicos para gerir, contratar e até definir o projeto pedagógico das unidades escolares.

No estado do Paraná, um projeto semelhante prevê a terceirização de mais de 200 escolas públicas, com um custo médio de R$ 800 por aluno repassado às empresas gestoras. Estima-se que o governo estadual gaste cerca de R$ 2 bilhões a mais com esse modelo privatizante, em comparação à gestão pública direta. Isso significa que, ao invés de investir esse valor na contratação de mais professores efetivos, na melhoria da estrutura escolar ou na valorização da carreira docente, o Estado opta por canalizar os recursos para empresas privadas, cuja única motivação é o lucro.

No fundo, o objetivo do capitalismo aqui é claro: reduzir o papel do Estado como provedor direto de direitos sociais e transformá-lo em um mero financiador de empresas privadas. Essa lógica destrói a perspectiva de uma educação como direito universal e transforma o ensino em uma mera mercadoria, sujeita às leis do mercado. Os professores temporários, nesse contexto, tornam-se a peça ideal desse modelo: mão de obra barata, flexível, descartável e muitas vezes sem representatividade sindical, podendo ser substituída a qualquer momento sem custos políticos ou trabalhistas.

A luta é necessária. A saída é coletiva, sindical e socialista

Enquanto isso, os professores seguem adoecendo, trabalhando sem direitos, vivendo em tensão permanente e tentando manter viva uma paixão pelo ensino que o capitalismo insiste em esmagar.

Mas a indignação cresce. A vida nos ensina que só conquistamos algo quando “corremos atrás” e lutamos por aquilo, os sindicatos, movimentos e organizações populares têm papel fundamental em organizar a revolta dos educadores em todo o Brasil. O caminho é a construção de greves, atos unificados em defesa da revogação do arcabouço fiscal, a defesa incondicional do FUNDEB , a luta por concursos públicos em todo o país e que os temporários sejam efetivados em sua profissão. Por isso é necessário arregaçar as mangas, e caso as gestões dos sindicatos tentem frear o avanço da luta, é necessário formar chapas que dêem vazão à vontade da maioria da categoria.

Mais do que isso, é preciso romper com a lógica que vê a educação como despesa, é preciso romper com o sistema que lucra a partir da destruição da educação pública. A educação é um direito, e esse direito só pode ser plenamente garantido em uma sociedade em que os trabalhadores de fato governem , uma sociedade socialista.

Organize-se no Movimento Luta de Classes e na Unidade Popular!

É preciso transformar a indignação em ação coletiva. Professores, estudantes, familiares e toda a comunidade escolar devem se unir em torno da defesa de uma educação pública, gratuita e de qualidade para todos.

Se você é professor ou trabalhador de qualquer categoria e está cansado de viver nessa realidade, Organize-se no Movimento Luta de Classes! Construa a Unidade Popular!
É preciso lutar por um outro projeto de país. Por uma educação pública digna e por um sistema socialista que valorize de verdade o trabalho e a vida de quem educa.

Governo entrega acesso do Porto de Paranaguá à empresas privadas enquanto povo é despejado

O governo entreguista de Ratinho Junior (PSD) iniciou o projeto de privatização do Porto de Paranaguá com o primeiro leilão de concessão de um canal de acesso à iniciativa privada no Brasil.

Leonardo Fontes e Willian Araki | Redação Paraná


BRASIL – O Porto de Paranaguá, localizado no estado do Paraná, é o terceiro maior porto de contêineres do Brasil e o maior graneleiro (exportador de grãos) da América Latina. Também conhecido como Porto Dom Pedro II, atualmente é administrada pela empresa pública Portos do Paraná. Em 2025 (ano em que o porto completa 90 anos), no entanto, o governo entreguista de Ratinho Junior (PSD) iniciou mais um projeto de privatização, com o primeiro leilão de concessão de um canal de acesso à iniciativa privada no Brasil.

O leilão foi uma verdadeira disputa bilionária e imperialista entre a empresa Consórcio Canal Galheta Dragagem (CCGD), formada pela brasileira FTS e o grupo belga DEME e a Chec Dredging Co. subsidiária da China Harbour Engineering Company (CHEC). A CCGD venceu a concessão pagando apenas R$ 275 milhões para explorar o porto por 25 anos.

Em contrapartida, enquanto o Porto é privatizado e nossa soberania é vendida, o povo da cidade de Paranaguá sofre com despejos violentos e ameaças da polícia federal.

Privatização é precarização

Após o leilão, o valor estipulado de investimento é de R$1,23 bilhão nos cinco primeiros anos, sendo de total responsabilidade da CCGD a dragagem, ou seja, a ampliação da profundidade do canal de acesso ao Porto, além de ser responsável por realizar estudos, sinalização e outras ações de manutenção e modernização do canal.

Porém, o que a história recente de nosso país nos mostra é que, para a iniciativa privada, o que importa é o lucro, empregando mão-de-obra terceirizada e precarizada, pouco investimento em pesquisas e estudos de impacto ambiental e segurança da população. Como aconteceu nos casos de Brumadinho e Mariana, vítimas do descaso das empresas de mineração Vale (privatizada em 1997) e BHP (multinacional australiana).

Assim, o governo fascista de Ratinho Jr que já tem investido nas privatizações das escolas e da empresa de Energia Copel, agora também planeja entregar o Porto de Paranaguá aos seus amigos empresários, representantes da burguesia e inimigos do povo. Incentivando que esse modelo de leilão também seja utilizado em outros portos do País, como Santos (SP), Rio Grande (RS), Salvador (BA) e Itajaí (SC)*. Entregando as riquezas de nosso país, a nossa soberania e o futuro das crianças para a iniciativa privada e o imperialismo estrangeiro.

Moradores sofrem despejos e ameaças

No dia 21 de outubro, a polícia federal, militar e a Guarda Civil Metropolitana realizou, através da 27ª fase da Operação AIFA (Ação Integrada de Fiscalização Ambiental), uma série de despejos violentos no bairro Jardim Figueira em Paranaguá. Com a desculpa de coibir desmatamentos e ocupações irregulares em áreas de preservação de mangue, o que ocorreu na verdade foi a demolição de casas de cidadãos que moravam há anos na região. 

Rogério, trabalhador e morador do bairro, foi uma das vítimas dessa violência.  Ele morava no local desde antes da pandemia, e ao voltar do trabalho, viu sua casa demolida, sem avisos. Sua única alternativa foi juntar os pedaços maiores e levantar um espaço para não ficar ao relento.

“Chegaram enquanto ele estava trabalhando, a gente chegou a avisar os policiais, o agente do IBAMA, mas eles não quiseram nem saber, meteram o pé na porta dele, no vidro e começaram a derrubar a casa dele. Quase mataram o cachorro dele.” relatou João (nome fictício), vizinho do Rogério que presenciou a cena. 

Outros moradores, que estavam em casa, protestaram contra os despejos e foram recebidos pela polícia com fuzil na mão e ameaçados para não intervirem ou gravarem a situação. Além de serem ameaçados de prisão, multa ou apreensão de veículos, alguns moradores tiveram seus muros derrubados por se posicionarem contra a ação da polícia.

Segundo os moradores da região, os despejos estão sendo realizados para ampliar a capacidade logística da região, com abertura de mais centros de distribuição e estradas para dar vazão ao novo acesso que será construído.

Essa é mais uma prova de que no capitalismo, o estado é um aparato violento de opressão da classe trabalhadora pela classe dominante, a grande burguesia. Servindo para garantir o lucro de empresas estrangeiras em detrimento da vida e dos direitos dos trabalhadores. 

A organização é o único caminho

Apesar da violência policial, o povo de Jardim Figueira não se intimidou. Vários moradores denunciaram à Unidade Popular (UP) e ao Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) a situação que estão vivendo e demonstraram que estão prontos para se organizar e lutar pelos seus direitos.

Apenas com o fim do capitalismo e a construção do estado socialista o nosso país poderá ter soberania nacional e dar dignidade para o povo.

*https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2025-10/porto-de-paranagua-e-concedido-ao-consorcio-canal-galheta-dragagem

Há que se cuidar dos núcleos

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Atingindo a marca de quase 12 mil filiados em 2025, a Unidade Popular (UP) reafirma seu papel como o partido dos explorados ao transformar revolta em organização revolucionária.

Tati Bornato | São Paulo (SP)


PARTIDO – A Unidade Popular (UP), o partido dos explorados e oprimidos, tem aumentado o número de participantes em suas fileiras, passando de 10 mil filiados, em 2024, para quase 12 mil filiados até junho de 2025. Esse crescimento revela que a classe trabalhadora vê neste partido uma forma de combater o sistema capitalista e de lutar pelo socialismo.

Ao ingressar na UP, os novos militantes podem se organizar em núcleos de base, espalhados por bairros, vilas, favelas, fábricas, escolas, universidades e locais de trabalho. Os núcleos assumem a tarefa da formação teórica, com estudos individuais e coletivos, e com formação prática, pois são também espaços de construção das lutas territoriais, como reivindicações por coleta de lixo nos bairros mais afastados dos centros urbanos, iluminação adequada nas ruas, ponto de ônibus próximo aos postos de saúde, pressionam órgãos públicos para resolverem o problema das enchentes que assolam as casas e assassinam as famílias trabalhadoras. As lutas movimentam os militantes a encontrarem novas pessoas, que também estão revoltados com esse sistema, para se organizarem na UP.

A UP é “dos pretos, dos favelados, partido pobre, do povo organizado” e não se alia aos grandes ricos. Além da contribuição individual mensal de cada militante, os núcleos desempenham um papel fundamental na política de autossustentação. Eles desenvolvem atividades de finanças, como cursos de formação, confecção de camisetas com estampas de heróis revolucionários, organização de brechós e eventos culturais, incluindo festas temáticas e cine-debates.

Os núcleos também são espaços de acolhimento em que cada militante pode coletivizar os problemas individuais e obter soluções e acompanhamento coletivo, colocando em prática o significado da palavra camarada!

Os núcleos vão além. Os militantes se somam aos movimentos sociais que constroem a UP e apoiam lutas mais amplas que também fazem parte do Programa partidário: redução da jornada de trabalho, fim da escala 6×1 e aumento de 100% do salário mínimo. Apoiam protestos contra a fome para exigir cestas básicas, denunciam a carestia e os preços abusivos praticados por grandes redes de supermercados. Além disso, apoiam as lutas das mulheres e dos movimentos estudantis.

Lançada recentemente, os núcleos também apoiam a luta antirracista por meio da Frente Negra Revolucionária (FNR), que nasce da “perspectiva de combate e de transformação da sociedade para pôr fim aos herdeiros dos senhores de escravos a atual classe rica e dominante brasileira e para organizar os negros que ainda hoje necessitam vender sua força de trabalho para sobreviver e seguem sendo massacrados, física e ‘espiritualmente’, pelo sistema capitalista, racista e opressor”.

Lutas não faltam. Elas ocorrem por necessidade, e não por escolha. O avanço do fascismo no Brasil e no mundo precisa de uma classe trabalhadora organizada e revolucionária. É preciso romper as correntes e construir um mundo novo, bom, justo e melhor para todos.

Mulheres trabalhadoras: pilares da revolução

O trabalho de coordenação dos núcleos é fundamental para o desenvolvimento responsável deles. A presença nas reuniões é fundamental. Além disso, é preciso mobilizar os camaradas a participarem das lutas e das brigadas do jornal A Verdade. É no fogo da batalha que se forjam os melhores quadros para estarem à frente da revolução. É preciso assegurar a participação de todos os militantes, principalmente das mulheres, nas reuniões.

Organizar as mulheres dentro da UP é decisivo. A emancipação da mulher está ligada diretamente à luta contra o capitalismo, pois a opressão de gênero também é uma forma de exploração. Portanto, garantir condições materiais para militância das companheiras é urgente. Nesse sentido, a organização de creches para cuidado coletivo das crianças é uma contribuição revolucionária para que camaradas mães participem melhor das reuniões e lutas. Também uma programação antecipada das datas e horários das reuniões permite que essas mães planejem melhor seu dia para garantir sua presença.

Há que se cuidar dos núcleos, camaradas!

Só é possível organizar a classe trabalhadora com núcleos fortes. É preciso, portanto, tratar os núcleos com zelo, disciplina e como tarefa revolucionária prioritária.

Cada militante é responsável por fortalecer e garantir o bom funcionamento dos núcleos da Unidade Popular. Trata-se de um compromisso diário, sistemático e contínuo, valorizando as reuniões e compreendendo-as como um local de partida no avanço da consciência revolucionária. Cada ação consciente dentro do núcleo contribui para a materialização do Poder Popular e do Socialismo.

Conheça e se organize no partido dos explorados e oprimidos. Filie-se à Unidade Popular!

MLC compõe chapa de oposição no Congresso da CNTE

Movimento Luta de Classes compõe chapa de oposição no Congresso da CNTE e defende que a única forma de combater o fascismo nas ruas é mobilizando a classe trabalhadora.

João Casares e Juliana Borges | MLC


TRABALHADOR UNIDO – Dos dias 15 ao 18 de janeiro, aconteceu, em Brasília, o 35º Congresso da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE). Pela primeira vez, o Movimento Luta de Classes (MLC) participou com uma delegação composta de militantes do Rio de Janeiro e do Mato Grosso.

O Congresso reuniu mais de 2 mil profissionais da educação pública, mas, infelizmente, não priorizou o debateu sobre a precarização da educação, o adoecimento mental da categoria e suas condições de trabalho, a Reforma do Ensino Médio e a mercantilização da Educação, como defendiam os militantes do MLC.

Os problemas começaram desde as eleições dos delegados. Em muitos estados, como no Rio de Janeiro, nem houve votação, apenas se reproduziu a proporção da diretoria atual, impedindo que grupos de fora da diretoria tivessem ao menos a chance de se candidatar.

Essa falta de democracia se manteve durante o Congresso. Havia poucos espaços para intervenções e as inscrições nos debates não garantiam o direito à fala. Os painéis se tornaram palestras pró-Governo Lula e os Grupos de Trabalho eram limitados a dez falas de curtíssimo tempo.

Qualquer posição crítica à CNTE ou ao Governo Federal era vaiada pelo conjunto dos delegados das forças majoritárias, principalmente nas falas de delegadas mulheres. Dulce Adrieli, militante do MLC, foi impedida pelos cantos de “Olê, olê, olá, Lula! Lula!” de utilizar o 1 minuto de fala que tinha direito.

Luta contra o governismo 

Apesar de estarmos presenciando a ascensão do imperialismo e do fascismo no mundo e de ver a classe trabalhadora sofrer ataques dia após dia, a maior parte das intervenções da direção da CNTE apresentava a reeleição de Lula em 2026 como única solução para os problemas do Brasil e do mundo.

Infelizmente, o debate sobre a organização da classe trabalhadora para a luta, a mobilização de uma greve geral em defesa da educação pública, contra a escala 6×1, ficou de lado e o Congresso se tornou um palanque eleitoral para as eleições presidenciais de 2026.

Após a maior parte do chamado “Bloco de Oposição Alternativa” decidir compor a chapa majoritária, aliando-se à política do imobilismo e do governismo, as eleições seriam feitas em chapa única. Diante desse cenário, os companheiros do MLC decidiram que ajudariam a conformar uma de oposição com todas as forças que eram contra a política que está sendo implementada na CNTE.

Assim, o MLC defendeu que a única forma de combater o fascismo nas ruas e nas urnas é mobilizando a classe trabalhadora e que o movimento sindical tem uma importante tarefa de organizar os trabalhadores para disputar a consciência do povo e apresentar o socialismo como real alternativa.

Apesar de pouquíssimos delegados, nossa chapa conquistou 6,24% dos votos válidos, prova de que é possível e necessário disputar a consciência da classe trabalhadora para a
linha revolucionária, mesmo quando as condições não são favoráveis.

Matéria publicada na edição impressa Nº 328 do jornal A Verdade

A luta continua pela consolidação do sindicato livre

Durante o Encontro Estadual do MLC, na Bahia, foram tiradas as metas de legalizar o Sindicato Livre dos Trabalhadores da Construção Civil, Montagem e Manutenção de Camaçari e Região, fundado no fogo da luta durante a greve.

Redação BA


Respondendo ao chamado de construir uma grande paralisação nacional contra a escala 6×1, o Movimento Luta de Classes (MLC) construiu uma greve no canteiro de obras da montadora chinesa BYD, em Camaçari (BA), que durou oito dias. Essa greve teve uma repercussão nacional e internacional, haja vista as precárias condições que os trabalhadores da construção civil tinham que se sujeitar todos os dias (A Verdade, nº 324). Vale ressaltar que essa obra, em dezembro de 2024, também recebeu denúncia de trabalho análogo à escravidão (A Verdade, nº 314).

Graças à greve e à força da classe operária unida, foi possível arrancar uma série de conquistas: mais ônibus de circulação interna, assim como ônibus para levar os trabalhadores ao canteiro, mais banheiros, bebedouros com água gelada, mais micro-ondas, etc.).

Entretanto, os patrões empresa chinesa e das construtoras terceirizadas também prepararam seu contra-ataque à organização dos trabalhadores. Realizaram demissões de grevistas, descontos na folha de pagamento dos dias de greve (mesmo as empresas fazendo acordo de que a paralisação seria abonada) e, em certos casos, até mesmo alguns retrocessos.

O jornal A Verdade recebeu denúncias de que foi construído um novo refeitório, contudo, apenas os trabalhadores chineses teriam acesso ao mesmo, restringindo a presença dos operários brasileiros. A mensagem da burguesia é clara: deixar os operários inseguros de lutar por seus direitos, por mínimos que sejam, e dizer que o lucro da BYD está acima de suas vidas.

Sindicato Livre

Para fazer frente a esses ataques, é preciso fortalecer o Sindicato Livre dos Trabalhadores da Construção Civil, Montagem e Manutenção de Camaçari e Região, fundado no fogo da luta durante a greve. Tendo isso em vista, no Encontro Estadual do MLC, que aconteceu no dia 24 de janeiro, foram tiradas as metas de legalizar o sindicato e consolidar seu trabalho, fortalecendo as lutas no canteiro de obras da BYD e fazendo a visita em outros canteiros. Vale ressaltar que, durante a greve na BYD, trabalhadores de outras obras procuraram o MLC, pois também queriam realizar paralisações em seus respectivos locais de trabalho.

Para atingir esses objetivos, as brigadas operárias cumprem um papel decisivo. Nas semanas anteriores à greve, foi realizada uma série de brigadas na porta da empresa, sendo vendidos cerca de 80 jornais e distribuídos 1.500 panfletos. A brigada operária é de extrema importância para convencer os trabalhadores a fortalecerem as lutas por melhores condições de trabalho e, acima de tudo, da necessidade de construirmos o socialismo.

Em janeiro, o Sindicato Livre e o MLC realizaram quatro brigadas na BYD. O sindicato também iniciou uma importante luta pela medição da insalubridade do local de trabalho e o respectivo pagamento do adicional previsto em lei, demanda que ficou pendente desde a greve. Em fevereiro, a meta é fazer visitas em outras obras da região.

A luta da classe trabalhadora avança!

Matéria publicada na edição impressa Nº 328 do jornal A Verdade

Trabalhadores da limpeza urbana arrancam salários atrasados

Após 50 dias de atrasos salariais e condições de trabalho degradantes, trabalhadores da limpeza urbana, funcionários da empresa General Goods, conquistaram o pagamento de seus salários atrasados.

Clodoaldo de Oliveira | Campina Grande (PB)


TRABALHADOR UNIDO – Para a categoria dos trabalhadores da limpeza urbana não existe feriado ou recesso. Faça chuva, faça sol, os agentes de limpeza estão na rua para manter a cidade limpa. Também é cotidiana e incessante a superexploração imposta a esses trabalhadores pelos capitalistas. Em geral, são empresas terceirizadas que exploram esse serviço essencial.

Em Campina Grande (PB), os trabalhadores da empresa General Goods iniciaram 2026 sem receber seus salários. Após 50 dias sem pagamento, e depois de terem trabalhado durante o Natal e o Ano Novo, o presente que ganharam foi ficarem sem dinheiro para suas despesas básicas, como alimentação, o aluguel e as contas de casa. A postura da Prefeitura de Campina Grande – responsável pela fiscalização do contrato – foi de reforçar o assédio da empresa para que os trabalhadores não parassem o serviço, mesmo sem receber os salários.

O Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Limpeza Urbana da Paraíba (Sindlimp-PB), dirigido pelo Movimento Luta de Classes (MLC), realizou intervenções na empresa para cobrar o pagamento dos salários atrasados e o fornecimento de equipamentos de proteção individual (EPIs). Os trabalhadores se uniram ao sindicato e decidiram paralisar o serviço.

O desespero da empresa e da Prefeitura foi grande, já que uma greve seria a gota d’água no caos administrativo da gestão da cidade, que está há décadas sob controle da oligarquia da família Cunha Lima.

Os salários dos prestadores de serviço da saúde e da educação também estavam atrasados, assim como o aluguel dos imóveis em que funcionam unidades básicas de saúde. A própria secretaria de Administração teve a energia cortada e depois foi despejada por falta de pagamentos.

Não bastasse, Campina Grande começou o ano enfrentando uma crise ambiental que teve repercussão nacional. Cerca de 10 toneladas de peixes mortos foram retiradas do Açude Velho, cartão postal da cidade. E adivinha quem entrou no açude para recolher toda essa carniça? O prefeito Bruno Cunha Lima e seus secretários? Os donos das empresas de limpeza? Não! Os mesmos trabalhadores da General Goods, que, sem salários, passaram três dias e três noites, submetidos ao odor fétido de peixe podre dentro das águas contaminadas do açude.

José, funcionário da empresa, desabafou: “O nome disso se chama covardia! Aqueles peixes podres que têm no Açude Velho e no Canal… quem estava lá eram os prestadores de serviço. Eu estou trabalhando no Canal. Eles não dão uma bota de borracha. Eu chego com minha bota toda suja em casa todo dia, fedendo a lama podre… Sobre o atraso nos salários, é para o cara ir trabalhar sem receber dinheiro, é?! Existe isso?! E essa cesta básica que eles dão pra gente, o cara não come não?! É pro cara chegar em casa só olhar para o alimento, beber água e voltar para trabalhar?! A gente sem receber um centavo, com as contas atrasadas, com o cartão atrasado, aí vem água, vem luz, gás…”.

Salários pagos

No dia 19 de janeiro, os trabalhadores aprovaram, em assembleia, que iriam deflagrar greve se os salários não estivessem na conta no dia seguinte. Após a pressão da categoria e do sindicato, a empresa, acuada, depositou o pagamento na conta dos funcionários.

Para Radamés Cândido, presidente do Sindlimp-PB, “essa é mais uma mobilização que mostra que quem luta, conquista. Desde dezembro, a empresa não pagava o salário dos trabalhadores. Só depois das assembleias e panfletagens feitas pelo sindicato o salário caiu na conta. Vamos tocar a luta pra frente, pra garantir a dignidade dos trabalhadores”.

Essa conquista é fruto da luta coletiva da categoria unida ao sindicato. Viva a luta dos trabalhadores!

Matéria publicada na edição impressa Nº 328 do jornal A Verdade

Maria do Arraial Resiste: Justiça burguesa ordena despejo de 50 famílias no centro de BH

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Em Belo Horizonte, a Ocupação Maria do Arraial sofre ordem de despejo judicial, ameaçando 50 famílias que lutam por moradia digna no centro da cidade. Expedida em segunda instância a pedido do Senac, a liminar ignora a função social da propriedade e privilegia o mercado, evidenciando que, para o Estado, a especulação imobiliária vale mais que a dignidade humana.

Thiago Toledo | Belo Horizonte – MG



Na Rua da Bahia, a apenas 100 metros do histórico Edifício Maletta, 50 famílias resistem a uma ordem de despejo expedida no primeiro mês de 2026. O prédio, pertencente ao Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), foi sede de atividades educacionais até 2017. Entre 2017 e 2021 — último ano em que o Senac utilizou o imóvel —, o espaço serviu apenas como uma sede administrativa da entidade, permanecendo ocioso desde então.

“Por que a gente ocupou aquele prédio ali no centro? É só porque a gente acha legal e porque estava abandonado? Não, é porque o pobre tem seu lugar, a gente está numa luta política ferrenha, batendo para cima”, afirma Karol Mello, presidenta municipal da Unidade Popular (UP) e moradora da Maria do Arraial.

O caso: Uma batalha contra a especulação

A Ocupação Maria do Arraial nasceu em julho de 2023, quando aproximadamente 200 famílias, muitas delas em situação de rua e organizadas pelo Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), ocuparam o local. Desde então, as famílias vivem uma batalha jurídica com o Senac. Em primeira instância, o pedido de reintegração de posse havia sido indeferido após uma visita técnica da Comissão de Conflitos Fundiários.

“Teve uma visita do desembargador. No momento também estavam o presidente do Senac, as famílias da Maria do Arraial, os advogados… as famílias falaram e os representantes do Senac ficaram sem palavras ao ver a organização. As famílias ofereceram cafezinho, eles entraram nas casas. É um prédio comercial que passou por um processo de adaptação para residencial feito pelas próprias famílias”, relata Karol.

Apesar da organização exemplar e da função social cumprida pela ocupação, a lógica do capital prevaleceu na segunda instância. “Na segunda instância, não temos a Comissão de Conflitos Fundiários, então o processo correu direto para o despejo. O MLB foi notificado e agora temos a ordem em mãos”, finaliza Karol.

Memória de Maria, luta do povo

O nome da ocupação homenageia o primeiro símbolo de resistência por moradia na cidade, quando esta ainda era o Arraial de Curral del-Rei. Maria foi uma senhora negra, de origem bantu, que residia em um rancho onde hoje se encontra a Rua Sergipe. Sem aviso prévio ou indenizações, Maria e outros habitantes foram intimados a abandonar suas moradias para a construção do Palácio da Liberdade e da nova capital. Apesar da resistência, foram despejados e suas casas demolidas. Hoje, o MLB retoma esse nome para dizer que o povo não será mais apagado da história de Belo Horizonte.

Ocupar é um direito

De acordo com o Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (UFMG), Minas Gerais é o estado com o terceiro maior índice de população de rua, com um aumento de quase 10% em 2025. Em Belo Horizonte, são mais de 14 mil pessoas sem moradia.

Em contrapartida, o Censo de 2022 do IBGE aponta que a capital mineira possui mais de 108 mil imóveis permanentemente desocupados. Ou seja, há quase oito casas vazias para cada pessoa morando na rua.

Embora a Constituição Federal de 1988 defina no Artigo 5º que “a propriedade atenderá a sua função social” e no Artigo 6º que a moradia é um direito social, essas leis não são aplicadas na prática pelas autoridades, que têm na burguesia nacional e estrangeira seus reais beneficiários. Se para os poderosos a especulação imobiliária vale mais que a vida, o povo mostra que só a luta organizada garante direitos.

Lutar é preciso: “Enquanto morar for privilégio, ocupar é direito”

“A gente sabe que a única coisa que resolve é a luta. E essa luta não é só das famílias; é também do MLC (Movimento Luta de Classes), porque tem muito trabalhador organizado ali. É do Movimento de Mulheres Olga Benário e da Unidade Popular. É a luta contra o capitalismo e o fascismo”, afirma Karol Mello.

Na tarde desta quarta-feira (11/02), moradores da ocupação, militantes da UP, do MLB e apoiadores realizaram um ato de denúncia na porta da prefeitura de Belo Horizonte. Com o Jornal A Verdade em mãos, os manifestantes dialogaram com a população sobre a injustiça do despejo e propagandearam o Socialismo como a única saída para que o direito à cidade seja de quem nela trabalha.

A Ocupação Maria do Arraial segue em vigília e convoca toda a militância e apoiadores para as próximas mobilizações.

Viva o MLB!
Maria do Arraial resiste!

Exploração de lítio no Vale do Jequitinhonha enriquece mineradoras às custas do meio ambiente e saúde do povo mineiro

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A mineração de lítio, protagonizada por diversos monopólios imperialistas, é propagandeada pela burguesia como o símbolo do progresso em Minas Gerais. No entanto, a realidade mostra o contrário: solo contaminado, casas destruídas e problemas respiratórios são a nova rotina da população do apelidado “Vale do Lítio”.

Sat Montaigne | Montes Claros, MG


O Vale do Jequitinhonha, área do nordeste de Minas Gerais que compreende 55 cidades, é um ambiente rico em cultura, recursos naturais e histórias de resistência de povos que, bravamente, resistiram e resistem às ganâncias das classes dominantes ao longo da história.

Inicialmente ocupado por povos indígenas, como os aranãs e outros do tronco macro-jê, o território que hoje compreende o Vale do Jequitinhonha era perfeitamente preservado, com diversas aldeias e povos entre o ambiente de transição entre Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica. Contudo, no século XVI, chegaram à região grupos de invasores europeus, que logo os denominaram de “botocudos”, termo racista para generalizar e animalizar povos indígenas que usam botoques.

Logo, os colonizadores promoveram um amplo genocídio dos povos indígenas da região. Tudo para roubar suas terras, se apossar delas e explorar a vasta riqueza natural local. Conforme foi-se passando o tempo, em cima de sangue indígena nasceram cidades e cidades, que possuem papel essencial para a extração de minérios no Vale do Jequitinhonha. Além da mineração, a área desenvolveu uma cultura popular vívida, moldada pela luta diária dos povos afrodescendentes, indígenas e os trabalhadores brancos pobres, que compõem a população do Nordeste de Minas.

Há lítio em Minas! Mas quem se beneficia?

Subitamente, a região sofreu uma violenta virada política. Com a chegada da Companhia Brasileira de Lítio (CBL), em 1991, o Vale do Jequitinhonha vê os primórdios do que viria a ser a origem de sérios problemas ambientais e sociais à população. Contudo, no século XXI, a situação se agrava: com o crescimento da relevância do lítio no mercado global, conhecido por ser uma alternativa (supostamente) “sustentável” a materiais derivados de petróleo e outros recursos danosos ao meio ambiente, a área é rapidamente transformada em interesse das potências imperialistas de todo o mundo.

Foto: Divulgação Diocese de AraçuaÍ
Foto: Divulgação Diocese de Araçuaí

Fruto da submissão da burguesia mineira e do milionário entreguista Romeu Zema, governador de Minas Gerais, aos interesses do imperialismo, a área foi rapidamente aberta a monopólios do exterior. Com quantidades vastas de lítio, essencial para a produção de celulares, carros elétricos e baterias no geral, em 2023 surge na região a primeira ave de rapina: a canadense Sigma Lithium. Logo em seguida, a também canadense Lithium Ionic, a norte-americana Atlas Lithium, a australiana Latin Resources e inclusive a montadora chinesa BYD, adquiriram terreno no Vale do Jequitinhonha. Tudo fruto do projeto “Vale do Lítio”, planejado pelos políticos dos ricos de Minas Gerais para atrair empresas para, deliberadamente, explorar o lítio mineiro, destruir a natureza local e se apropriar das riquezas do povo.

A promessa falida

Rapidamente, o povo do “Vale do Lítio” notou que a ilusão propagada pelo governo mineiro, que propagandeou amplamente que a área passaria a prosperar financeiramente, é uma mentira. Na verdade, os únicos que prosperaram com essa política são os ricaços do exterior que, sem pensar duas vezes, se apropriaram do lítio da localidade.

Enquanto isso, a classe trabalhadora da região recebeu, em troca de seu labor, a contaminação do solo regional, que possui níveis absurdamente acima do recomendado de alumínio, que deriva do processo de extração do lítio feito pelas mineradoras. Uma das consequências desse solo contaminado com excessos de alumínio é a danificação de ossos, músculos e do sistema nervoso central.

Ademais, as detonações realizadas pelas mineradoras têm surtido sérias consequências: poeira voando às cidades, abalos do solo que geram rachaduras nas casas e barulhos insuportáveis são características descritas por moradores do Vale do Jequitinhonha. Ou seja, enquanto os monopólios de extração de lítio lucram o mais rápido possível com o mineral, sem qualquer consulta dos povos e comunidades tradicionais e quilombolas locais, o povo é quem sofre — e onde estão os parasitas capitalistas que prometeram prosperidade, ou uma narrativa falsa de “sustentabilidade”, tal qual Romeu Zema?

E tem mais! Contaminação da água, aumento dos casos de depressão e ansiedade (em função da piora da qualidade de vida), casos de problemas respiratórios que enchem os postos de saúde, o desvio de estradas… E ainda não se vê para onde foi a sustentabilidade!

Ainda, o Vale também é de interesse a bilionários fascistas como Elon Musk, CEO da produtora de carros elétricos Tesla, e acompanhou ativamente a eleição de seu capacho, Tadeu Barbosa (PSD), para a prefeitura de Araçuaí, centro da mineração de lítio. O domínio da extração na região é crucial para que o monopólio estadunidense possa competir com a chinesa BYD, outra empresa imperialista que, no Brasil, é conhecida pela superexploração e precarização do trabalho.

Foto: Divulgação Diocese de AraçuaÍ
Foto: Divulgação Diocese de Araçuaí

O lítio pode servir ao povo?

Pode e deve! A verdade que o governo de Minas Gerais não conta é que, sob controle popular, o lítio pode ser explorado segundo as necessidades do povo, se e quando elas existam.

Sob gestão proletária, a extração mineral pode não somente remodelar a forma como atua, de modo a reduzir danos. Ela é capaz de redirecionar os lucros e riquezas geradas a partir dela não para o bolso de bilionários, mas para a melhora das condições de vida do povo do nordeste mineiro, do Brasil e do mundo.

Mas não nos iludamos! Somente com a organização popular, radical e disciplinada, é possível que o lítio sirva ao povo. Por isso, é fundamental a expansão da luta coletiva contra a mineração no Nordeste de Minas, atualmente travada exemplarmente pelo Coletivo Cacique Merong no centro-sul e sul mineiro. É urgente nos unirmos por uma sociedade onde nós, trabalhadores, que geramos toda riqueza produzida na Terra, sejamos os reais gestores dela. A burguesia, classe de vagabundos que enriquecem com nosso suor, não nos serve — é necessário o Socialismo!

Tudo pertence aos que tudo produzem!




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FONTES

https://www.almg.gov.br/comunicacao/noticias/arquivos/Povos-do-Jequitinhonha-denunciam-impactos-por-exploracao-do-litio/
https://apublica.org/2025/12/exploracao-de-litio-no-jequitinhonha-tem-mais-casas-rachadas-do-que-promessas-cumpridas/
https://social.mg.gov.br/noticias-artigos/2627-vale-do-litio-projeto-estrategico-do-governo-de-minas-celebra-dois-anos-transformando-vidas-na-regiao
https://g1.globo.com/mg/grande-minas/noticia/2024/08/04/vale-do-litio-a-regiao-no-interior-de-mg-que-despertou-o-interesse-de-empresas-estrangeiras.ghtml
https://letsgobahia.com.br/noticia/default/elon-musk-compra-terreno-em-minas-gerais-de-olho-no-litio-brasileiro
https://g1.globo.com/jornal-nacional/litio-exclusivo/noticia/2023/09/21/saiba-como-o-brasil-esta-explorando-o-litio-usado-nas-baterias-de-celulares-laptops-e-veiculos-eletricos.ghtml
https://quatrorodas.abril.com.br/noticias/a-cidade-de-minas-gerais-que-e-fonte-de-discordia-entre-elon-musk-e-a-byd/
https://revistapesquisa.fapesp.br/exploracao-de-litio-amplia-contaminacao-do-solo-e-da-agua-em-minas-gerais/
https://aepet.org.br/artigo/a-eleicao-que-musk-acompanhou/

Av. Araceli, já!: Câmara propõe Camata para substituir Michelini como nome de importante avenida em Vitória (ES)

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Após décadas de mobilização popular, um novo projeto na Câmara de Vitória ignora o clamor por homenagem à Araceli e propõe o nome de um político marcado por declarações contra comunidades negras.

Kayza Araújo e Ana Thompson | Espírito Santo


A discussão sobre o nome da Avenida Dante Michelini voltou ao centro do debate público em Vitória. Mas, em vez de representar um gesto de reparação histórica, a nova proposta apresentada na Câmara Municipal pode aprofundar a injustiça histórica. O Projeto de Lei nº 004/2026, de autoria do vereador Armandinho Fontoura (PL), propõe substituir o nome da via por Avenida Governador Gerson Camata. A iniciativa surge após a morte de Dante Brito Michelini, o “Dantinho”, um dos acusados pelo assassinato de Araceli Cabrera Crespo, em 1973. O que o projeto ignora é que o clamor popular não é recente, e tampouco aponta para Camata; aponta para Araceli.

Araceli tinha oito anos quando foi raptada, violentada e assassinada em 18 de maio de 1973. Seu corpo foi encontrado dias depois, em Vitória, em circunstâncias que chocaram o país. O crime nunca teve punição definitiva. Em 1991, os acusados foram absolvidos por falta de provas. Em 1993, o caso prescreveu.

Desde 2000, o dia 18 de maio, data de seu desaparecimento, tornou-se o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Araceli virou símbolo de uma luta nacional. Mas não virou nome da principal avenida da cidade onde foi morta.

A proposta Camata é controversa

A escolha de Gerson Camata como alternativa amplia a controvérsia. Ex-governador e senador por três mandatos, Camata tem trajetória política relevante no Espírito Santo. No entanto, também acumulou declarações públicas duramente criticadas por movimentos sociais.

Em 2007, durante debates no Senado sobre o programa Brasil Quilombola, que regulamentava a titulação de terras para comunidades remanescentes de quilombos, direito previsto na Constituição, Camata afirmou que a regularização poderia gerar uma “guerra racial” no país e classificou o direito como “falso”.

À época, lideranças da União dos Negros pela Igualdade (Unegro) e representantes quilombolas reagiram às falas, apontando que o discurso estimulava tensão racial e favorecia interesses de grandes proprietários de terra.

A proposta atual, portanto, cria uma ironia difícil de ignorar: substituir o nome ligado a um crime brutal contra uma criança por outro associado a declarações que deslegitimavam direitos históricos de comunidades negras. Em uma capital que ainda convive com desigualdades raciais profundas, a escolha carrega peso simbólico.

Memória ou conveniência?

A Avenida Dante Michelini foi batizada em 1967, antes do crime de 1973. Tecnicamente, o nome não homenageia nenhum dos acusados do caso Araceli. Ainda assim, o sobrenome Michelini tornou-se, para parte significativa da população, inseparável da memória do crime. O debate, portanto, não é jurídico, é moral e simbólico. Que memória a cidade quer eternizar na sua orla mais conhecida? A de uma elite política servil ao capital? Ou a de uma criança cuja morte transformou o 18 de maio em um marco nacional de proteção à infância?

Dar o nome de Araceli à avenida não reescreve o passado, não corrige a falha judicial, não apaga a dor da família. Mas reconhece publicamente que a cidade não esqueceu. Reconhece que a violência contra crianças não é apenas um dado estatístico, mas uma ferida histórica. E reconhece que o espaço urbano também é lugar de memória e de posicionamento.

Se a Câmara pretende rever o nome da avenida, a pergunta que fica é simples: Por que não Araceli?

A organização do Movimento Olga frente a essa realidade

Há meses, o Movimento Olga tem reivindicado que a história de Araceli ecoa não só como memória, mas também como denúncia e exigência: mais nenhuma mulher ou menina pode ser violada e assassinada pela omissão de um Estado que só atende aos interesses da classe economicamente dominante.

Com isso em mente, o Olga realizou ações diversas de intervenção política na Av. Dante Michelini e dialogou com diversos comerciantes e moradores da região sobre o caso e a impunidade burguesa. Além disso, a escolha da Av. Dante Michelini como local do ato Mulheres Vivas — em memória política ao Caso Araceli — partiu de uma proposta do Movimento Olga e foi consolidada em construção coletiva com outros movimentos feministas do ES. Esse ato foi uma mobilização nacional pelo fim do feminicídio e era evidente que a defesa da vida de mulheres e meninas do ES deveria acontecer na avenida que carrega esse nome manchado de sangue, com ponto de encontro no Viaduto Araceli. Isso foi resposta a uma dor profunda e histórica das mulheres capixabas.

Ainda, foi lançada a Rede Araceli de Enfrentamento à Violência contra Mulheres e Meninas em Novembro de 2025 pensando que é fundamental organizar de forma política, combativa e revolucionária todas as mulheres e meninas contra a violência estrutural e histórica que nos atravessa todos os dias. Assim, a Rede Araceli atua na realização de acolhimento e orientação de mulheres e meninas que não conseguem acessar seus direitos na rede pública, na criação de espaços de formação política, na mobilização das patrulhas do Olga, na organização de cursos de formação e geração de renda para mulheres, na agitação de atividades culturais, com a presença do Olga nas escolas, entre outras formas.

Araceli está presente na luta!


FONTES: A GAZETA ONLINE; VERMELHO.ORG; G1

Quarta greve geral na Argentina enfrenta reforma trabalhista de Milei 

Na quarta greve geral contra o governo fascista de Javier Milei, na Argentina, mostra a disposição da classe trabalhadora, bem como a falência do capitalismo em resolver as crises criadas por esse mesmo sistema.

 Clóvis Maia- Redação  


 INTERNACIONAL- O dia 19 de fevereiro marcou a quarta greve geral na Argentina. Convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) e outros movimentos sociais, milhares de trabalhadores cruzaram os braços em denúncia contra a reforma trabalhista ultradireitista votado na madrugada do último dia 20 desse mês. A greve teve adesão de diversos sindicatos e categorias, parando setores importantes como o transporte público (ônibus e metrôs), diversas fábricas do setor automobilístico (Toyota, Mercedes-Benz, Volkswagen, Stellantis e Ford), grande parte do comércio (mercados, farmácias, lojas) e bancos. Mais de 400 voos foram cancelados, após os trabalhadores da Intercargo (empresa responsável pelos aeroportos argentinos) decidirem também paralisar. Entre os voos cancelados, cerca de 200 eram para o Brasil.

Os manifestantes também ocuparam a frente do congresso argentino, onde ocorreram prisões e repressão por parte da polícia fascista de Milei. Em dois anos de governo, 120 mil postos de trabalhos foram fechados no setor privado, 80 mil nos órgãos públicos e a economia quebrou, em mais um governo direitista no país.

Governo fascista de Javier Milei representa o imperialismo mundial 

Essa é a quarta greve geral contra o governo fascista de Javier Milei, que assumiu a presidência da Argentina em dezembro de 2023 e foi eleito com o mesmo discurso demagógico de Trump e Bolsonaro e outros elementos da extrema direita mundial. Como era de se esperar de um fascista, como definiu Georgi Dimitrov, a máscara não demorou a cair. A primeira greve geral contra Milei foi convocada 45 dias após sua posse, tendo como pauta principal a resistência contra o chamado Decreto de Necessidade e Urgência, uma série de medidas que propunha derrubar mais de 300 leis de uma vez, afetando saúde, educação, moradia e promovendo uma onda de privatizações.

A Argentina é hoje o país que mais deve ao Fundo Monetário Internacional (FMI), um montante de mais de US$ 40 bilhões, e tenta colocar nas costas dos mais pobres a conta. A situação financeira do país é uma mostra da falência do capitalismo, que já quebrou a economia local várias vezes, além de manter um histórico de calotes. A última grande crise foi em 2018, quando o também direitista Maurício Macri, pediu um empréstimo ao FMI de mais de US$ 50 milhões, e mesmo assim quebrou a economia Argentina, que mesmo sendo historicamente muito dolarizada e tendo a ajuda econômica americana, não se sustenta.

Milei, como é esperado dentro do capitalismo, transfere a crise para os mais pobres pagarem. E foi assim que se seguiu, com uma segunda greve geral em maio de 2024 e uma terceira em abril de 2025, todas denunciando o caráter fascista do projeto econômico do presidente, que prometeu passar a “motosserra” no país. Isso ele fez.

Reforma trabalhista Argentina é pior do que a aprovada no Brasil em 2017

A reforma trabalhista de Javier Milei tenta acenar para o imperialismo norte-americano, ao mesmo tempo que livra a burguesia argentina. Entre as medidas que foram apresentadas, com o mesmo argumento de “combater a burocracia trabalhista para criar mais empregos”, estão a ampliação da jornada de trabalho para 12 horas, proibição de greves, redução e fracionamento das férias e até a possibilidade de pagar o salário do trabalhador com vale refeição, no chamado “salário dinâmico”, que abre espaço também para remunerar o serviço por “produtividade e mérito”, ou seja, um absurdo que vai além de ser uma questão polêmica, como classificou os meios de comunicação hegemônicos. Essa reforma argentina é bem pior da que foi aprovada aqui no Brasil em 2017 pelo golpista Michel Temer.

Para piorar, os argentinos também amargam com um parlamento antipovo, que fortalece a política do partido de Milei, o A Liberdade Avança (LLA), sobretudo após eleições legislativas de outubro de 2025, onde a situação obteve um acréscimo de vagas no Senado e na Câmara dos Deputados e se registrou a maior taxa de abstenção nas eleições legislativas desde 1983, uma prova também da necessidade de uma maior organização classista no país vizinho. Ao mesmo tempo, os economistas e especialistas do mercado evitam falar sobre o caos econômico argentino ou passam pano para o que eles classificam como ‘exageros’ de um presidente excêntrico.

Por trás do discurso ultralibertário e anarcocapitalista temos os “slogans de que os capitalistas e sua imprensa se servem para enganar os operários e os camponeses”, como afirmou Lênin em O Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo. 

Solidariedade e internacionalismo 

Enquanto o povo trabalhador argentino parava o país, Javier Milei estava nos EUA, na criminosa reunião do “conselho de paz” de Trump em Washington, onde foi oferecer tropas argentinas para irem à Faixa de Gaza garantir o plano de ocupação do território Palestino. No Brasil, a imprensa reclamou dos voos atrasados e destacou segundos para falar da greve geral, seguindo a orientação de esconder o alcance da luta dos nossos hermanos, bem como mais uma prova de que o capitalismo não consegue resolver suas próprias crises sem destruir a vida de milhões de pessoas.

É importante nos posicionarmos em solidariedade com os argentinos. Vencer o retrocesso do governo Milei é um fortalecimento contra o projeto belicista de Donald Trump, que já invadiu a Venezuela e mantém seus olhos sobre o nosso continente. A força das ruas garantiu a prisão de Bolsonaro e seus comparsas militares, e também fará a diferença na luta contra o fascismo argentino e na construção de uma saída revolucionária para toda a América Latina.

Brasil registra recorde de feminicídios e mulheres vão às ruas

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A mobilização nacional “Mulheres Vivas” levou atos a 20 estados brasileiros para cobrar políticas públicas efetivas e o fim da exploração capitalista.

Monique Zuma | Rio de Janeiro (RJ)


MULHERES – No ano passado, 1.470 mulheres foram vítimas de feminicídio em nosso país. Isso significa que 4 mulheres foram mortas por dia, apenas pelo fato de serem mulheres.

Esses não são apenas números, mas vidas e histórias interrompidas da forma mais brutal, como ocorreu com Tainara Souza, que morreu depois de várias cirurgias e de ter passado semanas internada em estado grave após ser atropelada e arrastada pelo ex-companheiro, em São Paulo.

Também não podemos esquecer de Catarina, que foi violentada e assassinada em uma trilha no caminho para sua aula de natação, em Florianópolis. E o que falar das trabalhadoras Allane e Layse, mortas a tiros dentro do local de trabalho por um “colega”, dentro do Cefet, no Rio de Janeiro? E Jhessilane, assassinada pelo ex com golpe de faca enquanto trabalhava, no Ceará? Esses crimes, que ganharam repercussão nacional, retratam o que esse sistema tem a oferecer para nós mulheres. Ano após ano, a violência contra a mulher segue crescendo como consequência do capitalismo, que se utiliza do machismo para aumentar a exploração sobre nós. Sofremos com salários menores, tripla jornada de trabalho e diversas violências dentro e fora de casa. Isso precisa acabar!

Mulheres em luta

Em resposta a esse cenário, milhares de mulheres foram às ruas no dia 07 de dezembro de 2025 sob o lema “Mulheres Vivas” para protestar contra o feminicídio e a violência. Os atos foram frutos de uma ampla mobilização nacional e aconteceram em pelo menos 20 estados e 90 cidades do país, sendo marcados por intervenções culturais, fortes relatos de sobreviventes e familiares de vítimas e falas políticas.

Mesmo com a convocação emergencial, as mulheres responderam ao chamado e deram o recado nas ruas. As manifestações foram fundamentais para cobrar políticas públicas efetivas no combate à violência. Como disse Vitória Ohara, militante do Movimento de Mulheres Olga Benario na Paraíba, “o Estado, quando se restringe apenas a realizar publicações em redes sociais ao invés de promover políticas públicas, legaliza a violência”.

De fato, é inaceitável que o Governo Federal tenha utilizado apenas 15% do orçamento previsto para ações do Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios de 2024 a 2025. Nos estados, o cenário também não é animador, com baixa previsão orçamentária para a pasta de mulheres e investimento ainda menor. São quase inexistentes as Casas de Passagem (abrigo temporário não sigiloso, em todo o país, apenas 8% das cidades possuem delegacia especializada no atendimento à mulher (DEAM) e as campanhas de prevenção e conscientização são mínimas. 

Construir o socialismo

No ato “Mulheres Vivas” no Rio de Janeiro, Rafaella ressaltou que “toda violência é um braço fundamental de um sistema que opera a partir da nossa miséria, que é o sistema capitalista. Então, não é possível ser mulher e viver plenamente enquanto vivermos neste sistema”.

Por isso, o Movimento de Mulheres Olga Benario faz um chamado a todas as mulheres que estão cansadas de serem exploradas e oprimidas, para que se organizem em um núcleo do movimento e façam parte da luta contra a violência e pela construção do socialismo, única forma de vivermos de forma plena.