UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

sexta-feira, 27 de março de 2026
Início Site Página 8

82 anos de Manoel Lisboa, revolucionário imprescindível

Neste dia 21 de fevereiro de 2026, completam-se 82 anos do nascimento de Manoel Lisboa de Moura, fundador do Partido Comunista Revolucionário (PCR). 

Nascido em 1944, em Maceió, capital de Alagoas, Manoel iniciou sua militância ainda no movimento estudantil secundarista, formando grêmios nas escolas e participando das lutas na cidade. Em 1961, aos 17 anos, ingressou na Juventude Comunista. Em 1962, rompe com o revisionismo do PCB e atua na fundação do PCdoB.

O meu despertar para as questões sociais apareceu quando eu tinha a idade de 17 anos. [….] Paralelamente, tive a curiosidade despertada para o marxismo em virtude do alarde que sempre se fez em torno do socialismo, como sendo um perigo. […] Continuei meus estudos e, aos 19 anos, considerei-me marxista-leninista. Tomei conhecimento das divergências do campo socialista e do aparecimento do revisionismo. Em 1964, fui indiciado por vender livros e revistas em uma pequena livraria. Apresentei-me em janeiro deste ano [1965]; fui libertado após 15 dias de prisão. (“Declaro-me marxista-leninista”, depoimento quando de sua prisão)

Pouco depois, no início de 1966, Manoel Lisboa e Amaro Luiz de Carvalho denunciam também os vícios do partido fundado há poucos anos e encabeçam a fundação do PCR, uma organização cujo objetivo era se diferenciar das demais, sendo realmente consequente na luta combinada pela derrubada da ditadura militar (instalada desde 1º de abril de 1964) e pela deflagração do processo revolucionário socialista no Brasil.

Manoel foi assassinado em 04 de setembro de 1973, em Recife, após suportar heroicamente dias seguidos de torturas nos porões do regime fascista. Portanto, ainda muito jovem, com apenas 29 anos de idade. Teve pouquíssimo tempo de vida e, nos 12 anos em que desenvolveu sua militância comunista, dedicou o máximo de suas energias para a causa da Revolução Socialista.

Abriu mão do conforto familiar, do curso de Medicina na UFAL, de sua cidade natal, dos empregos formais no mercado de trabalho. Passou a viver clandestinamente, correndo os maiores perigos em meio ao cerco dos agentes da repressão, fosse para comandar uma ação de expropriação de armas dentro de um quartel, fosse para dar assistência individual a uma militante operária do Partido, circunstância em que foi sequestrado, torturado e assassinado.

Seus restos mortais, só em 2003, ou seja, 30 anos depois, foram trasladados de São Paulo para Maceió, onde sua mãe, já bastante idosa, e seus camaradas puderam prestar-lhe as homenagens fúnebres.

Mas a mais justa das homenagens que um dirigente revolucionário da dimensão de Manoel Lisboa pode receber é a continuidade de sua obra. E é por isso que, sem cessar, vemos nos muros das cidades brasileiras a mensagem “PCR vive, luta e avança!”.

Viva Manoel Lisboa! Viva o PCR!

Editorial publicado na edição nº 286 do Jornal A Verdade.

A Internacional: o canto da emancipação dos trabalhadores

0

Da Comuna de Paris à palavra de ordem da revolução proletária
Tati Bornato –
São Paulo


CULTURA – Há poesias que atravessam o tempo não apenas como lembrança, mas como força viva da história. A Internacional pertence a essa categoria. Nascida do fogo da luta de classes, na Comuna de Paris de 1871, ela expressa o primeiro grito de esperança da classe trabalhadora.

O autor desta poesia, o francês Eugène Pottier, era um operário, poeta e militante da Comuna de Paris. Filho de uma família pobre começou a trabalhar ainda criança. Aos 13 anos era aprendiz de gravador[1] e desenhista têxtil. Durante a juventude, mergulhou nas ideias socialistas que agitavam Paris no século XIX.

Participou da Revolução de 1848, quando o povo francês derrubou a monarquia e proclamou a Segunda República. Foi nas barricadas dessa revolta que Pottier entendeu, de forma definitiva, que a libertação do povo não viria das promessas dos burgueses, mas da luta consciente dos trabalhadores.

Em 1871, quando o povo de Paris se levantou e instaurou a Comuna de Paris, Pottier estava entre os que transformaram a vontade em prática. Foi eleito delegado do 2º distrito e defendeu medidas que fariam da Comuna o primeiro governo operário da história: o controle popular sobre os mandatos, o fim do exército permanente, a socialização das fábricas, a separação entre Igreja e Estado e a igualdade entre homens e mulheres.

Durante 72 dias, os trabalhadores transformaram Paris na capital do proletariado mundial. Pela primeira vez na história, o povo trabalhador governava para si. Instaurou-se ali a primeira experiência concreta do socialismo científico.

A resposta da burguesia foi a repressão. A Semana Sangrenta assassinou cerca de 30 mil trabalhadores. Pottier foi condenado à morte e obrigado a fugir. No exílio continuou trabalhando como operário e manteve viva sua militância socialista. Foi durante esses anos de exílio, entre o frio das fábricas inglesas e as ruas tumultuadas de Nova York, que Pottier escreveu o poema “L’Internationale”.

Em pequenos quartos alugados, vivendo do próprio trabalho, ele passava as noites escrevendo versos para manter viva a memória dos camaradas mortos. O poema nasceu como uma carta à humanidade futura, um chamado à união dos oprimidos, escrito por um homem que acreditava, contra toda a derrota, que a história ainda estava do lado do povo. Cada linha carrega o eco das barricadas, o cheiro da pólvora e o som das vozes proletárias sufocadas pela repressão.

Ao afirmar que “senhores, patrões, chefes supremos, nada esperamos de nenhum”, Pottier sintetizava a lição mais profunda deixada pela Comuna: a emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores.

Foi desta análise material que fez de A Internacional não apenas o hino de uma época, mas a canção universal da luta pela libertação humana.

Pottier voltou à França em 1880, após a anistia concedida aos sobreviventes da Comuna. Filiou-se ao Partido Operário Francês, ao lado de Jules Guesde e Paul Lafargue, genro de Karl Marx, publicou em 1887 o livro “Chants Révolutionnaires” (músicas revolucionárias), reunindo seus poemas de combate.

Mesmo envelhecido e doente, manteve-se firme no campo socialista, escrevendo até seus últimos dias. Morreu em 6 de novembro de 1887 sendo honrado pelo povo. Seu corpo está no Cemitério do Père-Lachaise, ao lado dos mártires da Comuna. Ali, sob a sombra das árvores e das bandeiras vermelhas, repousa o homem que deu à humanidade uma canção imortal.

Eugène Pottier foi mais do que um poeta, foi um combatente do povo. De sua pena nasceu o hino que uniu gerações inteiras na luta pela emancipação dos trabalhadores. Enquanto houver injustiça, miséria e exploração, sua voz continuará a ecoar nas ruas do mundo, lembrando-nos que:

“Bem unidos façamos, nesta luta final,
Uma terra sem amos, A Internacional!”

Em 1888, um ano após sua morte, o também operário e músico Pierre Degeyter, morador da cidade operária de Lille, no norte da França, deu melodia aos versos da Internacional. A canção foi apresentada pela primeira vez num encontro sindical, entoada por coros de trabalhadores têxteis. Simples, vibrante e profundamente coletiva, sua melodia se espalhou rapidamente pelas fábricas e reuniões operárias, ultrapassando fronteiras e idiomas.

A Internacional: a voz do povo em luta

A Internacional foi adotada como hino oficial do movimento operário em 1889, durante o Congresso da Segunda Internacional, e reafirmada pela Terceira Internacional Comunista em 1919. Traduzida e adaptada em dezenas de idiomas, ela nunca perdeu seu conteúdo revolucionário. No Brasil, o hino chegou com o avanço das ideias socialistas no início do século XX.
Foi cantado nas greves operárias de 1917 e 1919, e, mais tarde, durante a ditadura militar, tornou-se símbolo de resistência. Cantar A Internacional é reafirmar que a luta de classes continua viva.

Os versos de A Internacional condensam um programa político. Cada estrofe é uma bandeira de combate, um manifesto em forma de canção.

“De pé, ó vítimas da fome / De pé, famélicos da terra”
É o chamado à união dos trabalhadores do mundo. O grito que rompe a passividade e convoca os oprimidos à consciência e à ação coletiva.

“Cortai o mal bem pelo fundo / De pé, de pé, não mais senhores”. Afirma a necessidade de destruir as raízes da exploração capitalista. Não basta reformar, é preciso transformar radicalmente as bases da sociedade.

“Senhores, patrões, chefes supremos / Nada esperamos de nenhum”. Denuncia a farsa dos “salvadores” e das instituições burguesas. A libertação virá da ação dos trabalhadores, em acordo com o princípio marxista: “a emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores.”

“O crime do rico a lei o cobre / O Estado esmaga o oprimido”, revela a natureza de classe do Estado e da justiça capitalista. A lei protege o poder econômico e criminaliza a pobreza.

“Os reis da mina e da fornalha / Edificaram a riqueza / Sobre o suor de quem trabalha”
Expõe a verdade econômica que o capitalismo tenta ocultar: toda riqueza nasce do trabalho, e não do capital. É a mais-valia cantada em verso.

“Façamos greve de soldados / Somos irmãos trabalhadores”
Clama pela fraternidade internacional e pelo rompimento com o militarismo burguês. O soldado, irmão de classe, deve recusar o papel de instrumento da repressão e juntar-se ao povo.

“Pertence a Terra aos produtivos / Ó parasita, deixa o mundo”
É a síntese da canção, proclamação de um novo mundo sem exploradores nem explorados. O trabalho é a base da vida, e os parasitas da riqueza devem ceder lugar ao sol dos trabalhadores livres.

Cada estrofe, portanto, traduz em linguagem poética o conteúdo essencial do socialismo científico. A Internacional é ao mesmo tempo história, teoria e futuro, o espelho musical da consciência revolucionária.

A atualidade do hino

Mais de 150 anos depois, A Internacional continua a ecoar nos atos e nas marchas de todo o mundo. Em cada greve e mobilização, o canto de Pottier ressurge como lembrança e como promessa: enquanto houver injustiça, haverá quem lute, de punhos erguidos, a certeza de que “se nada somos neste mundo, sejamos tudo, ó produtores”.

Cantar A Internacional é recordar os mártires da Comuna e os construtores da Revolução de Outubro. É afirmar que o poder pertence ao povo e que enquanto houver exploradores e explorados, esse hino continuará vivo, como o grito universal dos que lutam para transformar o mundo.

[1] Na Paris do início do século XIX, o ofício de gravador era uma das atividades mais simbólicas da transição entre o artesanato e a indústria moderna. O jovem aprendia a entalhar imagens em madeira ou metal para reproduzi-las em livros, panfletos e tecidos — um trabalho que unia precisão manual e senso artístico.

Povo Turiwara luta e resiste em defesa de seus direitos territoriais no Pará

0

Povo Turiwara luta contra falta de serviços públicos e perseguição do agronegócio em Tomé-Açu, no Pará.

Ayry Guará Porã Tupinambá | Tomé-Açu – PA


LUTA POPULAR – O povo Turiwara é um povo indígena que habita a região do Vale do Acará, no nordeste do Pará, no município de Tomé-Açu. Atualmente, as comunidades Turiwara travam uma luta pela garantia de um direito básico em seu território: a construção de uma escola indígena e de um posto de saúde. Ambos os pedidos foram negados pela prefeitura do município, sob a gestão do prefeito Carlos Vila Nova (MDB) e do vice-prefeito Rosielson Ladeira (Podemos).

A prefeitura alegou falta de recursos para a construção desses serviços, afirmando que não estariam previstos no orçamento municipal, mesmo a educação escolar indígena e a saúde diferenciada serem direitos garantidos por legislações federais. Essa negativa não é um fato isolado: há anos o povo Turiwara sofre com a negligência do poder público municipal, que se recusa a dialogar, ignora as demandas da comunidade e atua para desmobilizar suas organizações e reivindicações, como informou Kai’hu Turiwara, liderança de uma das comunidades.

Diante da omissão do Estado, o povo Turiwara se organizou coletivamente e levantou recursos próprios para construir a escola e o posto de saúde. Ainda assim, a prefeitura de Tomé-Açu interveio para impedir as obras, alegando que os equipamentos deveriam atender à população em geral e, portanto, estar localizados fora do território indígena. Uma manobra política que busca negar a autodeterminação do povo Turiwara e violar seu direito ao uso pleno do território.

Agronegócio ataca povos indígenas

O conflito vivido pelo povo Turiwara não pode ser compreendido de forma isolada. O prefeito de Tomé-Açu é empresário do setor do agronegócio do dendê, atividade que há décadas concentra terras no município e opera como um dos principais vetores de acumulação de capital na região. A dendeicultura local envolve grandes empresas, como a Agropalma, a Brasil Bio Fuels (BBF) e a Sapucaia, todas empresas monocultoras ligadas a conflitos agrários na região.

Nesse contexto, os ataques ao povo Turiwara se inserem em um processo mais amplo de avanço do agronegócio sobre territórios indígenas e de comunidades tradicionais. Trata-se de um modelo que promove a expropriação territorial, a destruição ambiental, a contaminação dos rios e do solo e a ruptura dos modos de vida ancestrais, aprofundando a violência estrutural contra os povos da região.

Além disso, há um padrão evidente de repressão estatal. A presença recorrente de policiais fortemente armados no território Turiwara, supostamente a mando de um assessor do governo estadual, as tentativas de vigilância, intimidação e criminalização da luta indígena, bem como o bloqueio e a repressão às manifestações, revelam o uso do aparato policial como instrumento de contenção política a serviço dos interesses do agronegócio.

Saída é a organização e luta popular 

Mesmo diante da repressão promovida pelo Estado, acionou homens armados para intervir no território indígena, o povo Turiwara respondeu com organização e resistência. De acordo com as lideranças comunitárias, foram realizadas denúncias públicas, mobilizações nas redes sociais, atos políticos e o enfrentamento direto às tentativas de invasão. Apesar das ameaças, a comunidade não recuou.

A resistência do povo Turiwara se estrutura por meio de seus institutos, associações e mobilizações comunitárias, articulando a defesa do território, a reivindicação de direitos e a denúncia das violações enfrentadas. Como apontam as lideranças indígenas, a atuação da prefeitura de Tomé-Açu, a intervenção policial no território e o avanço do agronegócio do dendê são elementos centrais na atual negação do direito à educação e à saúde no território Turiwara.

A experiência do povo Turiwara demonstra que a organização popular é uma ferramenta concreta de enfrentamento às dinâmicas de expropriação e violência. Ao levantar seus próprios recursos, iniciar a construção da escola e do posto de saúde, o povo Turiwara reafirma que a luta organizada é capaz de enfrentar os ataques a seus direitos, até mesmo barrar a entrada policial no território por meio das ações coletivas.

“Enquanto o povo dança, a gente limpa”: a situação da limpeza urbana no Recife

0

Durante o Carnaval, um trabalho silencioso e quase nunca reconhecido segue sendo explorado. Os trabalhadores da limpeza urbana garantem a cidade limpa para os quatro dias de folia, mas sofrem com um trabalho insalubre e precarizado.

Redação Pernambuco


SOCIEDADE – O Carnaval é um dos momentos de maior movimento financeiro do país. Em todas as regiões do Brasil, empregos temporários são gerados e setores como hotelaria, turismo, transporte e culinária fazem circular recursos e pessoas durante as prévias e os quatro dias oficiais de festa. Porém, um serviço quase invisível e ao mesmo tempo essencial, segue sendo explorado ano após ano durante a folia: a limpeza urbana. Todo ano, centenas de trabalhadores são explorados em um dos serviços mais pesados de nossa sociedade, sem se quer receberem o reconhecimento por isso.

 “Se o gari não trabalha, o povo não brinca”

No ano de 2025 foram recolhidas 600 toneladas de lixo para um total de 1.200 profissionais trabalhando diariamente. No ano passado a capital pernambucana bateu recorde de foliões no Carnaval, um total de 3,5 milhões de pessoas. Para 2026 a secretaria turismo do Recife anunciou mais de 96% de ocupações no setor hoteleiro local, enquanto o governo do estado estima que esse ano a festa irá gerar em torno de R$ 3,5 bilhões.

Enquanto empresários lucram com as festas, são os trabalhadores da limpeza urbana que mantém a cidade limpa para os foliões. Esses mesmos trabalhadores, junto com os ambulantes que arriscam ganhar um trocado entre blocos e a repressão da polícia, amargam um salário de miséria, péssimas condições de trabalho e uma exploração que só piora em festas como essa.

Abelardo José, que trabalha há 20 anos na varrição no Recife desabafa: “se o gari não varre duvido ter festa nenhuma. O prefeito ganha aplauso e fica tirando foto aí no carnaval, mas é o gari que limpa a festa depois que ela termina. Enquanto o povo dança a gente limpa. E tá aí todo mundo olhando pra capital, mas é a gente que vai pra lá limpar tudo direitinho. Enquanto isso, dá uma olhada lá na favela, vê se é desse jeito. No final das contas sobra pra gente todo o serviço. E é eles quem aparecem nas fotos”.

O lixo e o lucro

 Quando nos deparamos com essa quantidade de lixo que é recolhido durante as festas do Carnaval nas grandes cidades, é de se esperar que não passe pela nossa cabeça números tão expressivos. Mas a questão é que existe quem lucra com a produção diária do lixo produzido pela sociedade, bem como exista também aqueles que são explorados nesse serviço.

No Recife, a Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (EMLURB), responsável pela fiscalização, manutenção e limpeza da capital pernambucana anunciou que esse ano 1.800 profissionais da limpeza urbana iriam atuar diariamente durante as festas de Carnaval. O problema é que esse trabalho de coleta do lixo domiciliar, a varrição das ruas e os mutirões quando os shows terminam já são terceirizados, feitos por empresas que vivem de ganhar altos lucros com o lixo.

Empresas como a Locar, que atua em cidades da região metropolitana, do agreste e até fora de Pernambuco, ganha rios de dinheiro com esse serviço, enquanto o trabalhador da empresa amarga o trabalho duro. Expedido, que é funcionário da Locar no Recife denunciou para nosso jornal a situação de quem trabalha na empresa: “a gente tem até que fazer trazer água de casa para o trabalho. Onde a gente trabalha não tem condições. Já pegamos barata e sujeira no bebedouro da empresa. Quando a gente reclamou, fomos repreendidos e ameaçados de demissão”.

Outro funcionário, que preferiu não se identificar, afirmou que “até o básico, como equipamentos de proteção individual às vezes falta. Pra piorar, o atual sindicato não nos representa. Quando a gente procura o representante do sindicato pra ele pelo menos nos informar sobre alguma coisa, como a negociação salarial com o patrão, ele diz que não sabe. E que a gente tem que esperar. Esperar mais o quê? Eu tô nesse setor aqui da coleta tem mais de dez anos e não vejo melhora nenhuma pro meu lado. E falta união na categoria pra gente se livrar desse sindicato que não faz nada por a gente”.

Desde o ano passado os militantes do Movimento Luta de Classes (MLC) em Pernambuco tem se organizado em apoio aos garis para mudar essa realidade, sobretudo o que diz respeito a questão de representação, já que o atual sindicato que representa a categoria é de direita e ligado aos patrões. As patrulhas sindicais e as brigadas com o jornal A Verdade tem ajudado a colher as denúncias da categoria e as principais pautas de reivindicações.

Lançamento do livro “Raimundos & Apolinários… Etc. e tal” reúne lideranças de movimentos sociais em Natal (RN)

0

Lançamento do livro “Raimundos & Apolinários… Etc. e tal”, escrito por Pedro Laurentino, aconteceu na Ocupação Palestina Livre, do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) em Natal (RN). O momento foi de grande importância política e cultural, com um saldo positivo para as lutas travadas no estado do Rio Grande do Norte.

Giovana Monteiro | Natal (RN)


CULTURA – A Ocupação Palestina Livre, em Natal (RN), recebeu, na noite de 29 de janeiro
de 2026, o lançamento do livro “Raimundos & Apolinários… e etc e tal”, do poeta e militante
Pedro Laurentino. O autor está em viagem pelo Nordeste e já passou pelos estados de
Pernambuco, Paraíba e, agora, Rio Grande do Norte para divulgar sua sétima obra.

Pedro Laurentino construiu uma trajetória marcada pela militância no movimento estudantil
pernambucano. Atuou na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), onde presidiu
o Diretório Central dos Estudantes (DCE) e teve papel relevante na reorganização do
movimento estudantil no estado, contribuindo para a reabertura da União dos Estudantes de
Pernambuco (UEP).

“Raimundos & Apolinários… e etc e tal” reúne textos em prosa e poesia, retratando o
sequestro da infância, que é tomada de assalto pelo mundo do trabalho, sob a escravidão do
sistema capitalista. Além disso, escreve sobre a objetificação das pessoas, brutalizadas pela
perda da capacidade de sonhar. E, por fim, a necessidade da preservação da memória em
nosso país.

Valorização da cultura popular 

O lançamento contou com a presença de lideranças de movimentos sociais, representantes do Comitê de Memória, Verdade, Justiça e Reparação e de Hallison Foguete, que recentemente foi preso injustamente por um crime que não cometeu, na cidade de Natal/RN.
“Eu uso mesmo roubada, porque é essa a palavra. Eu tive minha infância roubada, mas
também minha vida adulta. Saí recentemente da prisão, depois de mais de seis meses
vivenciando a mais cruel violação dos direitos humanos, e aqui, na Ocupação Palestina Livre,
pude recomeçar pelo lado certo”, ressaltou Foguete em sua fala.

“Eu me identifico com o livro porque eu também tive minha infância roubada, pelo abandono
e pela obrigação de trabalhar cedo e criar os filhos dos outros. Mas eu lutei para que meus
filhos tivessem direito à infância, e eu pude proporcionar isso a eles”, afirmou Arinalda,
Coordenadora Nacional do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB).
Durante sua passagem por Natal, o integrante do Diretório Nacional da Unidade Popular
também participou de uma atividade com a juventude do estado. Em suas palavras: “Fiz da
minha juventude um espaço da minha militância política e até hoje faço”. O momento foi de
grande importância política e cultural, com um saldo positivo para as lutas travadas no estado do Rio Grande do Norte. “Fazemos militância nos atos, nas ruas e também na arte, na literatura. Parafraseando Ferreira Gullar, a poesia existe porque a vida não basta. Mas a arte não pode ser abstrata; tem que falar do sofrimento do povo, do amor e da vida”, concluiu Pedro Laurentino em suas considerações finais sobre a atividade cultural.

Banqueiros enriquecem com fraudes e corrupção

0

A intervenção do Banco Central no Banco Master revelou o que pode ser o maior esquema de fraude financeira da história do Brasil, com um rombo estimado em R$ 55 bilhões.

Serley Leal | Fortaleza (CE)


BRASIL – Maracutaias e corrupção não são novidades no sistema financeiro do Brasil. Aliás, elas são tão comuns quanto as altas taxas de juros cobradas dos correntistas que geraram, somente em 2025, R$ 58 bilhões de lucros para os cinco maiores bancos privados que atuam no país.

Os donos dos bancos sempre enriqueceram com o roubo “legalizado” ou com as falcatruas protegidas pelos mais altos escalões da República.

Mas porque os bancos têm tanto poder? Como todas as operações financeiras são controladas pelos bancos, eles concentram enorme poder e influência. Seus donos indicam até o presidente da instituição que os fiscaliza, o Banco Central. Obviamente, com isso, determinam toda política monetária, impõem as regras, controlam as reservas e as taxas de juros praticadas pelo mercado.

A atual organização do sistema financeiro nacional tem sua origem na ditadura militar, que incentivou a fusão dos bancos para viabilizar o chamado “milagre econômico”. Desde então, os principais bancos passaram a concentrar quase 85% dos depósitos de toda a população. É uma história de corrupção, opulência e muito poder.

Na década de 1980, esses magnatas enriqueceram com a hiperinflação e o desvios de verbas públicas para salvar muitos bancos em falência socorridos pelo BC. Em 1990, o Programa de Reestruturação do Sistema Financeiro (Proer), que saneou os bancos estaduais antes de serem privatizados a preço de banana, foi um dos maiores crimes contra o povo (em valores atualizados, os custos para os cofres públicos passaram de R$ 45 bilhões).

Em 2002, o Banco Central teve prejuízo de R$ 17,2 bilhões com o escândalo do banco Marka-Fontecidam com operações irregulares de compra de dólares; em 2005, o banco Santos sofreu uma intervenção do BC, gerando um prejuízo de R$ 2,9 bilhões; em 2010, o Panamericano, de propriedade da família Sílvio Santos, causou um rombo de R$ 4 bi após fraude financeira.

Atualmente, com a criação dos bancos digitais, as máfias e o crime organizado estão se aliando com os operadores dessas instituições para lavar dinheiro e acumular enormes fortunas.

A fraude do Banco Master

O mais recente caso de fraude foi revelado após a intervenção do Banco Central no Banco de Master, de propriedade do banqueiro Daniel Vorcaro.

Entre 2019 e 2024, Vorcaro transformou o Master numa empresa de R$ 4,2 bilhões de patrimônio líquido e com uma carteira de crédito de R$ 40 bilhões. “Milagre” de gestão? Não! Pura e simplesmente fraude.

A operação funcionava assim: ele captava recursos dos correntistas oferecendo uma taxa de juros maior do que os outros bancos. Por exemplo, se a Caixa Econômica oferecia 90% do CDI, o que significa aproximadamente 1% de rendimento ao mês no CDB, o Master oferecia 130%, resultando num ganho maior para quem aplicasse. Com esses valores arrecadados, o banco oferecia empréstimos de alto risco para cobrir as taxas, além de comprar carteiras de créditos de outras instituições com dificuldades para recuperá-los e adquirir ações ou aplicar em projetos com maior risco. Resultado: os negócios programados não resultaram em lucros suficientes para honrar seus compromissos com os correntistas, e Vorcaro passou a oferecer fundos com maiores rendimentos sem apresentar os riscos. É como um sistema de pirâmide financeira: para manter os pagamentos anteriores, você tem que aumentar o número de pessoas que financia. Porém, uma hora a casa cai…

Antes do Banco Central intervir, os investigadores perceberam diversas movimentações irregulares. A maior delas foi uma operação de venda de carteira de crédito ao BRB (Banco Regional de Brasília), pertencente ao Distrito Federal, por R$ 12 bilhões. O problema era que os contratos vinculados eram falsos, resultando num prejuízo para o BRB. A operação tinha sido articulada até com o governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), juntamente com os principais diretores e o presidente da instituição, Paulo Henrique Costa.

Essa maracutaia era uma forma de cobrir o rombo que já existia no banco Master. Ao aprofundar as investigações, a Polícia Federal e o Banco Central perceberam outras dezenas de operações ilícitas cometidas pelos gestores. As estimativas apontam para um prejuízo de R$ 55 bilhões, o maior da história do Brasil.

Prejuízo ao povo

As investigações já revelaram que deputados e senadores, ministros do Supremo Tribunal Federal, governadores, diretores do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro e até do Tribunal de Contas da União tentaram influenciar ou mesmo abafar essas investigações. Obviamente, outros banqueiros têm grande interesse em ficar com a massa falida do Banco Master e pressionam o Banco Central. Por outro lado, os investidores e parceiros de negócios de Daniel Vorcaro insistem em protegê-lo, mas, como o roubo é muito grande, não conseguirão jogar o crime para “debaixo do tapete”.

Por outro lado, os correntistas que têm até R$ 250 mil aplicados serão ressarcidos pelo Fundo Garantidor de Crédito, responsável pela proteção dos poupadores. Quem tiver valores superiores, vai ter que esperar decisão judicial após finalizar todo o processo de liquidação do banco. Esse fundo é administrado pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central e tem uma quota de todas as instituições financeiras, entre elas os bancos públicos. Ou seja, uma parte do prejuízo causado pelo Master será pago pelo povo brasileiro.

A conclusão é uma só: a raiz de todas as fraudes no sistema financeiro brasileiro está na enorme ganância dos banqueiros, na certeza de impunidade, na busca incessante de lucro, no desejo de viver no luxo (Vorcaro gastou R$ 15 milhões na festa de 15 anos de sua filha), enquanto milhões de pessoas vivem miseravelmente. Enquanto esse sistema financeiro privado existir, novos casos como esse continuarão estampando os jornais e o dinheiro do povo brasileiro continuará servindo para enriquecer meia dúzia de bilionários.

Matéria publicada na edição impressa Nº 328 do jornal A Verdade

Ocupação Francisco Bernardo nasce no Centro de Curitiba

No final de janeiro, mais de 50 famílias sem-teto organizadas pelo Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) realizaram a Ocupação Francisco Bernardo, em Curitiba.

Redação PR


BRASIL – No final do mês de janeiro, nasceu a Ocupação Francisco Bernardo, na cidade de Curitiba, organizada pelo Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB). O local abriga mais de 50 famílias sem-teto da capital paranaense que não conseguem custear o valor do aluguel e sofrem com o aumento do custo de vida. O imóvel ocupado estava abandonado há mais de dez anos, sem cumprir função social.

“A gente tamo na fila da Cohab há 16 anos, pagando aluguel cada vez mais caro, e só piora. As taxas aumentam, pra tudo você precisa de um fiador, uma caução, só faltam pedir um rim seu pra poder alugar uma casa. Com o recurso que a gente temos, o negócio é morar na comunidade, onde não tem segurança, não tem luz decente, nem asfalto”, diz Reginaldo Nunes, militante do MLB e morador da ocupação.

A ocupação expressa a incapacidade do poder público de enfrentar a especulação imobiliária na sétima maior capital do país e solucionar o déficit habitacional que atinge milhares de famílias paranaenses: atualmente, mais de 500 mil pessoas estão sem casa para morar, 109 mil só na Região Metropolitana de Curitiba.

Segundo a Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar), a capital possui atualmente 43.261 casas localizadas em favelas e áreas de risco. Os moradores sofrem com a falta de condições mínimas de habitabilidade, como saneamento precário, falta de água, transporte público ruim, além de perigos como deslizamentos e alagamentos.

Para as famílias que dependem do aluguel, o medo de não fechar as contas no fim do mês é uma constante. Nas periferias, muitas famílias se submetem a aluguéis que consomem mais da metade do salário. Hoje, 32,6% dos trabalhadores paranaenses atuam na informalidade, ou seja, recebendo pouco e não têm direitos, segundo dados do Ministério do Trabalho.

“Você não vive, você sobrevive dentro de uma comunidade, pra não morar debaixo da ponte ou do viaduto. Você enfrenta o calor, o pó, a chuva, a lama, de todo jeito o sem-teto se lasca. Enquanto isso, tem muito lugar vazio e tem muita gente desabrigada”, conclui Reginaldo.

Liderança da Guerrilha de Porecatu (ocorrida no final da década de 1940, no norte do Paraná), Francisco Bernardo foi um dos camponeses que, após ser ameaçado de expulsão de suas terras, iniciou um levante armado para defender seus direitos. De origem muito humilde, ajudou a fundar as Ligas Camponesas, que atuaram em diversos enfrentamentos contra a burguesia latifundiária paranaense.

Matéria publicada na edição impressa Nº 328 do jornal A Verdade

EUA são a real ameaça à paz e à soberania na América Latina

As últimas semanas consolidaram uma nova e violenta ofensiva do imperialismo estadunidense contra os povos da América Latina.

Indira Xavier e Heron Barroso | Redação


EDITORIAL – As últimas semanas foram marcadas pelo aumento das agressões do imperialismo estadunidense contra a soberania dos povos em diferentes partes do mundo, especialmente na América Latina.

Depois de meses de ameaças e de cerco econômico e militar, no dia 03 de janeiro, os EUA promoveram um ataque terrorista contra a Venezuela, que assassinou mais de cem pessoas e sequestrou o presidente Nicolás Maduro e a primeira-dama Cilia Flores. Ambos foram levados de navio para uma prisão em Nova York, acusados de comandar uma “conspiração narcoterrorista” para exportar cocaína aos EUA. Porém, como não existem provas para sustentar essa mentira, o próprio Departamento de Justiça dos EUA teve que retirar a acusação. Ou seja: mais uma farsa montada cinicamente pelos imperialistas para justificar a invasão à Venezuela.

De fato, todo mundo sabe qual é o verdadeiro interesse dos EUA: transformar a Venezuela numa colônia e entregar o petróleo do país às petroleiras estadunidenses, como denunciou a última edição do jornal A Verdade.

A causa de todo o mal

Após a agressão militar contra a Venezuela, o ditador Donald Trump e seu secretário de Estado Marco Rubio, que se acham donos do mundo, ameaçaram invadir o México, a Colômbia e Cuba. No caso de Cuba, no dia 29/01, o governo dos EUA impôs tarifas extras a produtos importados de países que vendam ou forneçam petróleo à ilha. Para o Governo Cubano, trata-se de um “brutal ato de agressão” contra o país e seu povo. “A cada dia, há novas evidências de que a única ameaça à paz, à segurança e à estabilidade da região, e a única influência maligna, é a exercida pelo Governo dos Estados Unidos contra as nações e os povos da Nossa América”, disse o ministro das Relações Exteriores cubano, Bruno Rodríguez.

De fato, ao longo da História, os EUA sempre impuseram pela força sua vontade sobre os países da América Latina e do Caribe. Desde que a chamada “Doutrina Monroe” (“A América para os americanos”) foi formulada, em 1823, a região passou a ser tratada como território sob controle exclusivo dos EUA, e qualquer governo que não se ajoelhasse diante de Washington pagaria caro as consequências.

Dessa forma, os EUA patrocinaram e promoveram golpes de Estado, ocupações ou intervenções militares para derrubar governos democráticos e colocar em seu lugar marionetes ou ditaduras fascistas. A lista é grande: Nicarágua (1912 e 1933), México (1913), Guatemala (1954), Paraguai (1954), Brasil (1964), República Dominicana (1965), Bolívia (1964 e 2019), Chile (1973), Uruguai (1973), Argentina (1976), Granada (1983), Panamá (1989), Haiti (2004), Honduras (2009), entre outros.

Em 1961, o então presidente John F. Kennedy determinou que a CIA organizasse e financiasse uma intervenção militar com o objetivo de derrubar o governo revolucionário de Cuba. Foram mobilizados mais de 1.500 mercenários, que desembarcaram em Playa Girón, na Baía dos Porcos. A invasão foi derrotada em menos de 72 horas pela brava resistência do povo cubano, comandado pessoalmente por Fidel Castro e Che Guevara, provando que o imperialismo ianque não é invencível e pode ser derrotado, inclusive no terreno militar.

No Brasil, o golpe militar de 1964 contou, desde o início, com total apoio da Casa Branca. Como revelou o documentário O Dia que Durou 21 Anos, de Camilo Tavares, o plano para derrubar o presidente João Goulart e levar os generais fascistas ao poder contou com ativa participação dos presidentes dos EUA, John F. Kennedy e Lyndon Johnson, da CIA, do embaixador dos EUA, Lincoln Gordon, e do Exército norte-americano. Foi enviada uma força-tarefa com o porta-aviões USS Forrestal, com capacidade para lançar até 90 aviões de caça e reconhecimento, dois navios de mantimentos, um porta-helicópteros e seis contratorpedeiros equipados com mísseis teleguiados e 110 toneladas de armas e munições.

Batizada de Brother Sam, a operação foi o desfecho de anos de conspiração dos Estados Unidos com militares e empresários traidores da Pátria para acabar com a democracia no Brasil e impor uma ditadura. Foram 21 anos de perseguições, prisões, sequestros, torturas, estupros, assassinatos e desaparecimentos contra mais de 50 mil brasileiros, inclusive crianças.

Pois bem, é com essa memória histórica que devemos olhar para a recente invasão da Venezuela e o sequestro do presidente Maduro, tendo em mente que golpes e intervenções estrangeiras não são coisas do passado, e nunca esquecendo as sábias e sempre atuais palavras do comandante Che Guevara: “No imperialismo, não podemos confiar nem um tantinho assim”.

Luta anti-imperialista

Por isso, o ataque terrorista contra a Venezuela não pode ser considerado como um caso isolado. Se hoje os EUA fazem isso com a pátria de Chávez e Bolívar, quem garante que amanhã não será com o Brasil? Afinal de contas, somos um país rico em petróleo, florestas, reservas de água, minerais, terras raras e outras riquezas naturais alvos da cobiça imperialista.

Em resposta aos atos terroristas dos EUA e em defesa da soberania dos povos latino-americanos, manifestações e atos de repúdio têm sido realizados por toda a América Latina e Caribe. Na Venezuela, milhares de pessoas estão nas ruas exigindo a libertação de Maduro e Cilia, bem como a expulsão dos EUA do território venezuelano. Em Cuba, todo o povo está em estado de alerta para a defesa de sua soberania. Na Colômbia, também são constantes as manifestações e forte é o rechaço do povo nas ruas. Embaixadas e Consulados estadunidenses também são alvos de protesto no Equador, Argentina, República Dominicana, Bolívia e outros países. Em todas essas manifestações, uma certeza é unânime: “Não seremos colônia dos EUA!”.

No Brasil, o último dia 28/01 foi marcado por importantes mobilizações, reunindo de norte a sul entidades sindicais, partidos e movimentos sociais em repúdio aos ataques imperialistas. Foram realizados protestos em quase todas as capitais dos estados, como Belém, Fortaleza, Recife, Porto Alegre e Belo Horizonte, entre outras.

No Rio de Janeiro, centenas de manifestantes marcharam com faixas, cartazes, bandeiras e agitando palavras de ordem. “O que Trump fez foi, na verdade, avançar sobre a Venezuela para garantir a retirada da sua matéria-prima mais valiosa, o petróleo. Fez isso como já fez em diversos outros locais, como no Iraque, e agora quer ocupar a Groenlândia e invadir Cuba. Por isso, atos como esse são fundamentais para impedir o avanço do imperialismo, para fazer essa denúncia e também para ampliar a solidariedade de todos os povos do mundo”, afirmou Juliete Pantoja, presidenta estadual da UP.

Já em São Paulo, a militância ocupou a Avenida Paulista, onde Leo Péricles, presidente nacional da Unidade Popular, afirmou: “Quem é o Governo dos EUA para falar de democracia?! Ainda mais esse ditador e abusador de mulheres e crianças que está na Casa Branca! Trump criou uma polícia de fazer inveja à Gestapo nazista, o ICE, que persegue e assassina imigrantes e até cidadãos norte-americanos. Ele precisa ser barrado, e só a classe trabalhadora é capaz de impedir que o imperialismo destrua a humanidade”.

De fato, a época em que as contradições entre as potências imperialistas podiam ser resolvidas pacificamente ficou para trás. A cada dia, é mais violenta a disputa entre as potências imperialistas pela posse e o controle das fontes de matérias-primas fundamentais para manter a economia capitalista. Não se trata de uma questão de vontade de um presidente ou da “química” que possa existir com um ou outro imperialista, mas de uma lei objetiva do desenvolvimento capitalista, como explica Lênin:

“A posse de colônias é a única coisa que dá plenas garantias ao sucesso do monopólio contra todas as contingências da luta com o oponente, mesmo quando este procura se defender com uma lei que implante o monopólio estatal. Quanto maior o desenvolvimento do capitalismo, quanto mais sensível se torna a insuficiência de matérias-primas, quanto mais agudas são a concorrência e a corrida por fontes de matérias-primas em todo o mundo, tanto mais encarniçada é a luta pela aquisição de colônias.” (V. I. Lênin; Imperialismo, fase superior do capitalismo)

Por isso, é fundamental não recuar diante das ameaças e agressões imperialistas, fazer uma ampla campanha de denúncias dos crimes cometidos por essas potências, em especial pelos Estados Unidos, e desenvolver no povo brasileiro uma profunda consciência anti-imperialista. Sem isso, é impossível ganhar a classe operária para fazer uma revolução que ponha fim à dominação estrangeira sobre nosso país e que construa uma sociedade livre e soberana, o socialismo.

Editorial publicado na edição impressa Nº 327 do jornal A Verdade

Operárias são as que mais sofrem com a falta de direitos e assédio nas fábricas

0

Apesar de somarem cinco milhões na indústria, as operárias brasileiras enfrentam uma realidade de assédio e salários 20% menores que os dos homens.

Ana Carolina Sales | Movimento Luta de Classes (MLC)


MULHERES – Nos galpões das fábricas brasileiras, onde se mede a vida em turnos, metas e lucros, são quase cinco milhões de operárias. De acordo com o levantamento feito pelo Ideies, as mulheres representam 25% da mão de obra nas indústrias e se concentram ainda em fábricas têxteis.

Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), as mulheres ganham em média 20% a menos que os homens, mesmo quando desempenham funções iguais. Ainda, são as que mais sofrem pela humilhação, assédio e principalmente a violência (moral, psicológica ou sexual). Segundo a pesquisa da assessoria empresarial KPMG, mais de 81% das mulheres já sofreram algum tipo de assédio no trabalho; 41% relatam violência moral ou psicológica; 26%, assédio sexual.

Em vários ramos da indústria, as mulheres são minoria e, por isso, os casos de assédio são agravados. Ao denunciarem, as operárias se deparam com o descaso das direções das fábricas, como relata esta operária de uma montadora de São Bernardo do Campo (SP), que preferiu não se identificar: “Um operário assediava minha amiga no trabalho e, quando ela fez a denúncia, a fábrica foi lá e mudou ele de setor para um setor com maioria de mulheres só para dizer que fez alguma coisa. As mulheres do setor ficaram incomodadas com a presença dele lá, mas a fábrica não fez nada”. E ela acrescenta: “quando precisamos ir ao banheiro, temos que pedir para o supervisor vir, para não termos que parar a linha. Muitas vezes, chamamos e ele nos ignora”.

Ainda nessa mesma montadora, as operárias de um setor relataram que passaram a ter que trancar a porta do banheiro feminino, pois sofriam assédio e tinham medo de serem violentadas nos banheiros. Também há diversos casos de assédio realizados pelos próprios chefes, o que muitas operárias não denunciam com medo de serem demitidas.

Um caso que deixa claro o nível de exploração a que as operárias estão submetidas foi o da a BRF, uma multinacional de produção, processamento e comercialização de carnes e produtos alimentícios. No ano passado, uma operária venezuelana, grávida de oito meses de gêmeas, foi submetida a parir na portaria da fábrica após cumprir um turno de mais de oito horas de trabalho (iniciado às três da manhã). Ao sentir dores enquanto trabalhava na linha de produção do frigorífico, pediu para sair e procurar atendimento médico, mas ouviu um “não” do seu chefe, pois “atrapalharia o funcionamento da linha de produção”. Horas depois, entrou em trabalho de parto na frente da fábrica. As bebês nasceram ali, no chão, e não sobreviveram.

Incentivadas a não denunciar e a não se organizarem, uma operária metalúrgica de uma fábrica em Rio Grande da Serra (SP) relata: “Quando fui assinar o contrato de admissão, a moça dos Recursos Humanos me aconselhou a não me filiar ao sindicato porque os filiados eram mal vistos pelos outros operários”.

Organizar as operárias

O lucro dessas grandes fábricas vem da exploração da classe operária e, mais ainda, das operárias, que recebem salários menores e têm direitos como licença-maternidade e creche nas empresas, negados. E ainda sem nenhuma atitude real para acabar com o assédio e tornar o ambiente de trabalho digno.

Por isso, organizar as mulheres operárias é fundamental. Devemos nos unir, pressionar nossos sindicatos para que garantam encaminhamentos aos casos de assédio, sem expor as vítimas, realizem a luta por salários iguais e jornadas de trabalho dignas.

Como afirmou a grande revolucionária comunista Clara Zetkin, em 1889: “A questão da emancipação das mulheres não é isolada, mas sim parte da grande questão social. Elas sabem muito bem que essa questão na sociedade atual não pode ser resolvida sem uma transformação básica da sociedade. A questão da emancipação das mulheres é uma filha dos tempos modernos, nascida na era das máquinas”.

Matéria publicada na edição impressa Nº 327 do jornal A Verdade

Elitização e privatização do carnaval geram aumento da violência policial contra foliões

0

Apesar de ser a maior festa popular do mundo, o carnaval é um período de grande aumento da violência policial nas periferias das grandes cidades do Brasil. Além disso, empresários e acionistas usam da “festa do povo” para lucrar milhões com a privatização de espaços públicos.

Redação SP


CULTURA – Todos os anos, durante cinco dias, o povo brasileiro ocupa as ruas para celebrar a cultura popular, afastar a tristeza gerada pelas opressões do sistema e compartilhar a felicidade. Esse é o carnaval. 

Infelizmente, o Brasil tem encarado um aumento da insegurança nesse período. Segundo a Atlas da violência, entre 2012 e 2022, fevereiro foi o terceiro mês mais violento do ano para a classe trabalhadora, em especial nos feriados de carnaval.

Para além do abuso de álcool por parte dos foliões, fator que potencializa a violência, a truculência policial tem papel protagonista nesse cenário. Em 2025, foram diversas cenas que rodaram o país de agressões por parte das polícias militares e indignaram trabalhadores em todo o Brasil.

Agressões a foliões

O carnaval de 2025 foi especialmente violento. Em Brumadinho (MG), após comemorações de carnaval,  indígenas dos povos Pataxó e Pataxó-Hãhãhãe tiveram suas aldeias atacadas com gás de pimenta e agressões por parte da polícia militar do estado governado por Romeu Zema (NOVO).

Além disso, 5 lideranças foram presos após solicitar atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) depois de terem sofrido agressões e passado mal com o gás lacrimogêneo lançado na aldeia.  

Parecido aconteceu em Juiz de Fora onde o bloco Carnaval da Praça foi dispersado após a PM lançar gás lacrimogêneo nos foliões. A artista MC Xuxu, organizadora do bloco, foi agredida e detida. “O incômodo da PM começou quando a gente gritou contra o Bolsonaro. Tinha muita gente no bloco. Muita criança no palco. Levaram a Xuxu e o Gustavo que são organizadores (do bloco). Deram uma coronhada no Gustavo e muita gente passou mal por causa do gás lacrimogêneo” declarou uma foliã que presenciou as agressões. 

Segundo dados do Instituto Fogo Cruzado, a polícia mais letal do país, a PM da Bahia já realizou mais de 100 chacinas entre 2022 e 2025. No carnaval do ano passado, 12 jovens foram assassinados após uma operação militar realizada no carnaval no bairro Fazendo Coutos, periferia de Salvador.

Já neste ano, nas prévias do carnaval de Olinda (PE), os “laranjinhas” como são conhecidos os efetivos recém egressos da Polícia Militar, dispersaram sem motivo aparente as festividades do bloco “Troça Carnavalesca Mista John Travolta”. 

Com uso de spray de pimenta nos foliões, inclusive no maestro de frevo Óseas Leão de 70 anos que ia na frente da orquestra do bloco, a polícia acabou com a festa planejada por meses por parte dos organizadores. “Não vi necessidade daquilo. Um momento que a gente esperou, que era para ser mágico e de alegria acabou se tornando um caos”, relata  Mayara Joanna Gomes da diretora da troça.

Privatização do carnaval

Um dos setores mais atingidos pela repressão policial são os trabalhadores ambulantes que, com o grande índice de desemprego no Brasil, tem no carnaval sua principal fonte de renda do ano. Nas principais capitais do país, para se instalar uma tenda ou barraquinha de vendas é necessário pagar valores absurdos para o poder público que, além de privatizar as festas populares, não garante nenhuma segurança ao trabalhador.

Em 2024, também na Bahia, muitos trabalhadores que não conseguiram se cadastrar para trabalhar no carnaval de Salvador foram reprimidos e expulsos a pancadas pela Polícia Militar do estado. Além de expulsos, muitos foram multados pelas prefeituras locais.

“O prefeito Bruno Reis (União Brasil) fala que todas as licenças já foram vendidas. E o que esse povo está fazendo dormindo aqui na porta há um mês? Tem gente que conseguiu tirar 6 licenças, 10 licenças de uma vez e está vendendo pelo triplo do valor”, relatou Lucilene, trabalhadora ambulante que denuncia a privatização do carnaval.

Além disso, a PM é acionada por realizar a segurança de diversos espaços públicos que, durante o carnaval, são cedidos para camarotes de grandes empresas. Como é o caso do carnaval de São Paulo, que contará com o maior investimento de sua história, com um valor de R$26,7 milhões(R$1,4 milhões a mais que ano passado) por parte da AMBEV, maior produtora de cervejas do mundo.

Além da elitização dos carnavais de rua, quem também sofre são os desfiles que, cada vez mais, tem seus ingressos encarecidos. Um exemplo disso são os “camarotes patrocinados” como é o caso do Camarote Bar Brahma que, com vista para o Sambódromo do Anhembi, pode chegar a custar 2.990 reais por pessoa.

Apesar das privatizações e da violência, carnaval segue sendo maior festa do mundo

Mesmo com o aumento da violência e as privatizações dos blocos populares, o carnaval de 2026 promete ser um dos maiores que já foram celebrados no Brasil. Segundo dados do Ministério do Turismo, são esperados mais 26 milhões de foliões nas ruas de todo o país este ano. O que representa um aumento de 20% em relação ao ano de 2025.

Apesar dos ricos, o carnaval é uma festa popular nascida da cultura da classe trabalhadora que, mesmo com toda a violência, repressão e tentativas da burguesia de privatizar a “festa do povo” segue sendo a maior festa popular do mundo. Como diz o enredo da Vai-Vai em 2026:

“Quem trabalha tem alma e coração/Não é ferro nem máquina de exploração/Faz valer o suor, não leve a mal/ Se duvidar, vai parar geral!”

Dom Helder Câmara: “Carnaval é a alegria do povo”.

0

Homenageado no Galo da Madrugada desse ano, o ‘Dom da Paz’, como era conhecido, defendia o Carnaval como uma festa popular, representante de nossa cultura e resistência e um momento de confraternização e alegria para a classe trabalhadora.  

Clóvis Maia- Redação Pernambuco


CULTURA- O Galo da Madrugada, considerado o maior bloco de Carnaval do mundo, criado em 1978, marca o início oficial do Carnaval pernambucano. Representante maior dessa manifestação cultural, o Galo, que é erguido na Ponte Duarte Coelho, coração do Recife, e simboliza os dias de folia na capital pernambucana.

Esse ano o galo recebe o título de Folião Fraterno e homenageia ao arcebispo emérito de Olinda e Recife, Dom Helder Câmara e Nise da Silveira, médica psiquiatra alagoana que foi pioneira no uso da arte como tratamento de pessoas com problemas mentais.

A estátua do calunga é assinada por Leopoldo Nóbrega, artista plástico e ceramista, responsável pela montagem do Galo desde 2019 e Germana Xavier, produtora cultural, arquiteta e designer, e foi feita esse ano totalmente com material reciclado, como redes de pesca, tampas de garrafas PET, CDs, DVDs, conchas do mar, entre outros.

Na ornamentação, as partes que compõem a estátua de 32 metros de altura e 8 toneladas, foram confeccionadas por meio de oficinas de arte terapia com pessoas em condição de rua, reproduzindo as práticas da homenageada Nise da Silveira, bem como associações de artesãos e bairros populares, reforçando a ligação com o tema: o amor ao próximo, a solidariedade, respeito e cuidado para com nossos irmãos e a empatia, características vividas na prática pelos homenageados e características da fraternidade.

Alegria não é pecado”

Dom Helder Câmara não era só um defensor do Carnaval, mas também um folião autêntico.  Nascido em Fortaleza, justamente em 7 de fevereiro, o fundador da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e defensor dos direitos humanos em plena ditadura militar, abraçou a história e as lutas do povo pernambucano como parte de sua história.

Essa ligação com Pernambuco se iniciou em meados de abril de 1964, em plena tensão social promovida pelas ameaças (concretizadas) de um golpe militar. Dom Helder, que já possuía um trabalho com os mais necessitados, aprofundou e desenvolveu ainda mais sua atuação ao lado da classe trabalhadora, estabelecendo a sua residência, na Igreja das Fronteiras, no Recife, como um local de referência e porto seguro para com os perseguidos, fosse pela fome, pela violência do estado ou pela pobreza.

Comunicador popular e exímio agitador social, usava das suas crônicas, poesias, homilias para defender suas ideias e espalhar uma mensagem de alerta e de esperança.  Foi durante seu programa “Um olhar sobre a cidade”, na Rádio Olinda, em 1 de fevereiro de 1975, que Dom Helder fez uma das mais importantes análises sobre o Carnaval de rua e a relação social do mesmo. Perseguido pela ditadura militar, chamado de “o bispo vermelho” e censurado pelo AI5, que simplesmente proibia qualquer menção a seu nome na imprensa local, o bispo convocou o povo a aproveitar a festa:

“Carnaval é a alegria popular. Uma das raras alegrias que ainda sobram para a minha gente querida. Peca-se muito no carnaval? Não sei o que pesa mais diante de Deus: se excessos, aqui e ali, cometidos por foliões, ou farisaísmo e falta de amor por parte de quem se julga melhor e mais santo por não brincar o carnaval (…) É verdade que na quarta-feira a luta recomeça, mas ao menos se pôs um pouco de sonho na realidade dura da vida!”.

Em outra ocasião, ainda no ano de 1964, por meio de uma circular enviada aos fiéis, o Arcebispo defendia que queria “ver a alma do povo refletida num frevo”. O religioso não aceitava o fato dos cristãos se colocarem contra uma manifestação cultural, achando “um erro criar nas crianças e nos jovens a impressão de que alegria é pecado”. Dom Helder entendia das agruras e dificuldades dos mais pobres e sabia da importância de um momento de interação e alegria, sobretudo naquele momento de tanta repressão e perseguição política, especialmente pelo seu trabalho nas periferias do Rio de Janeiro desenvolvida desde o início dos anos 50, antes de se mudar para o Recife.

“Brinque, meu povo!”

Se o Carnaval foi trazido pelos portugueses, no século XVII, foi no meio do povo que a festa foi ressignificada e adotada pela classe trabalhadora. É também nessa festa que podemos ver as contradições e a luta de classes apresentadas de forma escancaradas.

A todo tempo vemos a tentativa de apropriação da produção cultural, a falta de assistência e apoio aos artistas locais ou a elitização desses espaços, mostrando como nossa elite tenta lucrar com a cultura popular a todo momento.

É nesses dias de festa e de contradições que notamos a dinâmica tecido social brasileiro. O rico no camarote, enquanto o pobre vende sua água e cerveja para colocar a comida na mesa. Os políticos usando do espaço para se promover, enquanto patrocinam também a repressão ao jovem preto, muitas vezes querendo apenas curtir um dos poucos momentos onde se é possível brincar sem gastar uma grana que não se tem.

Ao mesmo tempo em que as elites querem tomar para si essa festa do povo, a cultura popular resiste. Os afoxés e trios elétricos na Bahia, os desfiles das escolas de samba no Rio e São Paulo, o Boi-Bumbá no Norte, os blocos de rua e as marchinhas dão as características desse festejo e continuam, mesmo muitas vezes sem receber se quer apoio do poder público.

Era essa resistência e alegria proporcionada nesses quatro dias de festa que era defendida por Dom Helder. A possibilidade de sonhar com um mundo mais leve, uma sociedade mais justa e melhor, ideais inclusive, assumidamente cristãos. O Carnaval faz parte de nosso jeito de ser, por isso deve ser visto como ele é: um momento de alegria em meio a tantas pressões, violência e injustiças nessa sociedade tão desigual que é o capitalismo. O ‘Dom do Amor’, como ficou conhecido Dom Helder, acertou demais quando afirmou que o carnaval é a alegria do povo. Aproveitemos essa festa, que é nossa. E, se o Carnaval é bom, imagina ele depois da revolução.

 

O bloco homenageia esse ano Dom Helder e Nise da Silveira, com o tema: “Galo Folião Fraterno”. Foto: Divulgação.