UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

domingo, 1 de fevereiro de 2026
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Movimento de Mulheres Olga Benario lança site

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Espaço é mais uma forma de organizar as mulheres brasileiras, além de representar um avanço na atuação do movimento feminista.

Comissão de Comunicação do Movimento de Mulheres Olga Benario


 

MULHERES- No dia 16 de novembro, o Movimento de Mulheres Olga Benario colocou no ar o seu site, uma nova ferramenta para fortalecer a comunicação, a memória e a organização das mulheres na luta por seus direitos no Brasil e no mundo.

A plataforma foi desenvolvida pela companheira Sara Lins, do Distrito Federal, que materializou as ideias construídas pela coordenação nacional do movimento.

O site reúne informações essenciais para quem deseja conhecer o Olga e suas bandeiras. Nele, o público encontra a defesa do feminismo marxista, a relação do movimento com o partido Unidade Popular, a história de Olga Benario, as ocupações organizadas e os estados onde o movimento atua, facilitando que mulheres interessadas encontrem o núcleo mais próximo.

A página também permite adquirir produtos do movimento e acompanhar matérias publicadas na seção “Mulheres”, do Jornal A Verdade.

Para conhecer o site, acesse: Movimento de Mulheres Olga Benario

Greve dos trabalhadores do Hospital Veredas, em Alagoas, completa uma semana

Movimento grevista se fortalece e só deve encerrar após o pagamentos dos salários atrasados.

Ésio Melo| Redação Alagoas


TRABALHADOR UNIDO- As trabalhadoras e os trabalhadores do Hospital Veredas estão em greve em defesa do pagamento de seus salários. A greve iniciou dia 12 de novembro e, desde então, a categoria diariamente tem fechado Avenida Fernandes Lima, principal corredor de transportes de Maceió, em protesto contra a administração do hospital.

O imponente e tradicional Hospital do Açúcar, hoje Hospital Veredas, deve aos seus funcionários e funcionárias, da enfermagem à administração e limpeza, 50% do décimo-terceiro salário de 2024, os meses de abril e maio de 2025 e os meses de agosto, setembro e outubro de 2025, além do complemento do Piso Nacional da Enfermagem.

Graças a greve, nas 48 horas iniciais do movimento, foi pago o mês de agosto. Mas as trabalhadoras e os trabalhadores decidiram só encerrar a greve após a quitação dos meses em atraso.

“Nós trabalhamos aqui em prol da população, daqueles que precisam realmente. Nós estamos aqui, pacificamente, lutando pelo nosso salário. Nós queremos honrar com nossas dívidas, nossos compromissos. Queremos comprar alimentos para nossas casas, deixar nossos filhos com alimentos dentro de casa. Infelizmente estamos impedidos de honrar com nossos compromissos”, afirmou uma trabalhadora do setor administrativo.

O atraso dos pagamentos não é novidade. Nos últimos anos, o Hospital enfrentou diversas greves, mesmo tendo recebido mais de R$ 1 bilhão dos cofres públicos. A administração do Hospital, ligada ao deputado federal e ex-presidente da câmara, Arthur Lira (PP-AL), passou a receber volumosos recursos de emendas e repasses do SUS, a partir de 2017, quando o Ministério da Saúde passou para as mãos do Partido Progressista.

Girlene, técnica de imobilização, trabalha há 8 anos no Veredas e, desde então, diz que é recorrente os atrasos salariais. “Devo à Deus e ao mundo. Desde que vim trabalhar aqui, meu nome está sujo”. Ela participou de todas as últimas greves, inclusive da realizada em agosto de 2025. Desta vez, ela levou suspensão porque faltou ao trabalho.

“Levei suspensão porque não tinha dinheiro para vir trabalhar. Como a pessoa vem trabalhar sem dinheiro! O Hospital está lotado, se pagar nossos salários a gente vai trabalhar”, completou.

O Movimento Luta de Classes e a Unidade Popular participam ativamente das greves desde 2023.”Quando as trabalhadoras e os trabalhadores param é porque se faz necessário. É porque têm o compromisso de trabalhar, mas também têm o direito de receber seus salários. O dinheiro entra no hospital, mas a administração do hospital diz que não tem dinheiro para pagar os salários. O fato é que esses trabalhadores estão sendo roubados. E quem é contra o roubo, faz greve, vem pra rua e não aceita ficar sem salários”, disse Ésio Melo, presidente da UP-AL.

A greve conta com a participação direta do Sindicato da Enfermagem (Sineal), dos Técnicos de Enfermagem (Sateal) e da Radiologia (Sintraeal), que garantem que o movimento grevista só termina com o pagamento integral dos salários.

Indígenas cobram por mais segurança em Alagoas

No dia 09 de novembro o povo Wassu Cocal, do município de Joaquim Gomes, Alagoas, fecharam a BR-101 em protesto contra o atropelamento de dois indígenas que estavam fazendo caminhada. A comunidade questiona a insegurança no local e o abandono por parte das autoridades locais.

Clóvis Maia| Redação


 

LUTA POPULAR- No dia 08 de novembro, dois indígenas do povo Wassu Cocal, no município de Joaquim Gomes, Alagoas, foram atropelados enquanto faziam caminhada. Um dos indígenas atropelados, Charles, que acabou não resistindo aos ferimentos, trabalhava como profissional de saúde e era uma liderança na comunidade, o que causou revolta e indignação e um protesto na manhã do dia seguinte (09/11), fechando a BR-101 para exigir justiça e resposta das autoridades locais.  O motorista que atropelou os dois indígenas estava alcoolizado. Além disso, esse não foi o primeiro atropelamento que ocorreu envolvendo os moradores dos quatro núcleos do povo Wassu.

No dia 09, durante a manifestação na BR-101, cacique Edmilson, falando para o jornal A Verdade afirmou que o que aconteceu aqui não foi um acidente. Foi uma violência, um crime. Aqui é muito perigoso. Perdemos um parente, outro ficou hospitalizado, e nós queremos que seja feita justiça. Já Rubenita, uma das organizadoras da manifestação relatou que é preciso que tenha sinalização, melhorias nessa BR. São vários parentes que utilizam diariamente essa pista. Eu mesma faço minhas caminhadas diariamente e estou com medo. A gente convive aqui com a insegurança. É por isso que iremos continuar defendendo nosso território e lutando por ele.

Luta e resistência

O território Wassu-Cocal teve sua homologação em 2007, porém, até hoje os indígenas enfrentam diversas dificuldades para manter suas tradições, suas terras e seus direitos como povos originários. Uma dessas dificuldades tem sido a iluminação pública e a sinalização na BR-101, que corta seu território. Após o ato do dia 09, que conseguiu da justiça alagoana a promessa de que a investigação será feita mais dois casos ocorreram, dias 10 e 11 de novembro, quando um carro com uma família foi atingido de raspão por uma carreta e uma jovem universitária teve a perna fraturada após ser atropelada por uma caminhonete, onde, novamente, o motorista fugiu sem se quer prestar socorro.

Como se não bastasse a dívida histórica que o país tem com seus povos originários, é revoltante observar que ainda hoje, mesmo com todo um discurso de sustentabilidade, proteção ambiental, respeito e reparação aos povos originários em nosso país, temos que ver esse tipo de abandono. Por isso, o povo Wassu Cocal continua lutando.

Enquanto o Brasil recebe a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (a COP 30) e os indígenas questionam o atual modelo de sociedade, que só deseja lucrar com a pauta ambiental, e seguem sendo exemplo de luta e nos inspirando em busca de uma sociedade realmente igualitária.

 

O povo Wassu Cocal teve seu território homologado em 2007, mas até hoje luta e resiste para manter seus direitos.
Cacique Edmilson: “Nossa luta é por justiça e em defesa de nosso território’.

Descoberto esquema de corrupção na mineração em Minas Gerais

Empresários e as mineradoras coordenam esquema bilionário de fraudes, falsificação de documentos e subornos em licenças ambientais concedidas por pessoas ligadas ao governador Romeu Zema em órgãos do Governo de Minas Gerais em áreas de proteção ambiental, como a Serra do Curral, em Belo Horizonte. Agentes públicos, delegado federal, diretor da Agência Nacional de Mineração, diretor da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), entre outros empresários, estavam facilitando a exploração de minérios e os altos lucros das mineradoras.

Coletivo Cacique Merong (MG)


BRASIL – A Operação Rejeito, deflagrada pela Polícia Federal no dia 17/09, revelou um esquema bilionário de corrupção na mineração em Minas Gerais e atingiu diretamente o alto escalão do governo Romeu Zema (Novo).

De acordo com as investigações, a organização pretendia dominar a Serra do Curral, que é parcialmente tombada e está dentro da área urbana de Belo Horizonte. A apuração detectou que o grupo investigado teria corrompido servidores públicos em diversos órgãos estaduais e federais de fiscalização na área ambiental e de mineração, com a finalidade de obter autorizações e licenças ambientais fraudulentas. Essas autorizações eram utilizadas para usurpar a lei e explorar irregularmente minério de ferro em larga escala, incluindo em locais tombados e próximos a áreas de preservação, com graves consequências ambientais.

Empresários corruptores

Deflagrada em setembro, a Operação já levou à prisão 22 pessoas, entre empresários, lobistas e agentes públicos. A organização criminosa também atuou para neutralizar a ação do Estado, dificultando as investigações e monitorando autoridades. Além disso, utilizou diversos esquemas para lavar o dinheiro obtido com as práticas ilícitas. A investigação revelou um esquema sofisticado, separado por núcleos, que atuavam para liberar licenças ambientais irregulares e movimentavam milhões por meio de empresas de fachada.

Havia núcleo de articulação: responsáveis por aproximar empresários e órgãos públicos para destravar processos; núcleo jurídico: advogados e consultores elaboravam contratos, pareceres e pedidos de defesa; núcleo financeiro: controlava planilhas, contas de laranjas e o pagamento de propinas; núcleo gerencial e ambiental: mantinha contato com órgãos ambientais e assinava termos para facilitar liberações; núcleo de servidores públicos: aceleravam autorizações e desconsideravam pareceres técnicos em troca de vantagens financeiras.

Para disfarçar o esquema, mais de 42 empresas de fachada foram abertas e eram utilizadas para repassar propinas, movimentar recursos e dar aparência de legalidade às operações. A PF identificou várias relações de sobreposição de empresas, como se fossem proprietárias uma das outras, para dificultar o rastreamento da origem do dinheiro. Os valores dos projetos em andamento somavam um potencial econômico superior a R$ 18 bilhões, contando com um lucro já obtido de R$ 1,5 bilhão ao grupo investigado.

Esquema dentro do Governo

Com a responsabilidade de cada núcleo definida os três líderes do esquema, os empresários Alan Cavalcante do Nascimento, Caio Mario Seabra e o ex-deputado João Alberto Paixão Lages (MDB) agiam de forma orquestrada para burlar as leis e conseguir licenças fraudulentas para a mineração. A 3ª Vara Federal Criminal de Belo Horizonte determinou a prisão preventiva dos três.

O presidente do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha), João Paulo Martins, foi exonerado um dia depois da operação. O chefe de gabinete dele, Daniel Silva Queiroga, pediu para deixar o cargo. Segundo a Polícia Federal, Martins tem ligação com Débora Maria Ramos do Nascimento França, superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) entre 2020 e 2023. Ele é servidor de carreira e atuou sob a chefia de Débora. A investigação apontou que Débora França favoreceu diretamente a mineradora Fleurs Global, atuando “para viabilizar o licenciamento ambiental de empreendimento instalado irregularmente em área de sítio arqueológico” na Serra da Grupiara, em Jequitaí, no Norte de Minas.

Mensagens interceptadas pela polícia mostram que a superintendente atendeu solicitações diretas de João Alberto Lages. Em uma das conversas, enviada a Lages por Gilberto Henrique Horta de Carvalho há menção ao pagamento de valores a Débora França como contrapartida pelos atos praticados enquanto superintendente.

Gilberto Henrique Horta de Carvalho, pela Operação, é tido como um dos articuladores do grupo criminoso e foi também candidato ao Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais (Crea-MG) em 2023. Na ocasião recebeu apoio de Jair Bolsonaro e do deputado federal Nikolas Ferreira (PL).

As investigações ainda apontaram que, em 7 de maio de 2021, foi firmado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) por Breno Esteves Lasmar, em nome da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, beneficiando a mineradora Gute Sicht – ligada ao grupo investigado. Breno, diretor-geral do IEF, foi alvo de busca e apreensão e exonerado pelo Governo.

Outro servidor afastado do cargo é Arthur Ferreira Rezende Delfim. Menos de 24 horas antes de ser preso na Operação Rejeito, Arthur Delfim participou de uma audiência pública na Assembleia Legislativa como diretor de regularização ambiental da Feam. As investigações mostraram que ele atuou junto à organização criminosa para viabilizar a concessão da Licença de Operação Corretiva à Fleurs Global, mesmo diante de irregularidades e ausência de manifestação conclusiva dos órgãos competentes.

Também deixou o cargo na Feam Fernando Baliani da Silva, que era diretor de Gestão Regional do órgão. Ele foi alvo de mandados de busca e apreensão. Segundo a PF, Baliani teve participação direta em processos de licenciamento ambiental que beneficiaram empresas ligadas à organização criminosa.

Parlamentares envolvidos

Conversas interceptadas revelam que, em fevereiro de 2024, o lobista Gilberto Henrique Horta de Carvalho, também preso na operação, esteve no gabinete do deputado Bruno Engler (PL) para pedir vista de um projeto que ampliava a área de proteção da Serra do Curral por sugestão do ex-parlamentar.

O “operador financeiro” desse grupo seria Felipe Lombardi Martins, que também atuou como assessor do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). A aproximação entre os dois aconteceu por intermédio de João Alberto Lages. De acordo com a investigação, ele era o “responsável pela triangulação de valores, controle de aportes, saques em espécie e entrega de propinas”. O inquérito identifica como o “homem da mala” da organização.

Segundo a decisão judicial que embasa a operação, Hidelbrando Canabrava Rodrigues Neto (PL), vice-prefeito de Itaúna e secretário de Urbanismo e Meio Ambiente (exonerado), aparece como sócio e operador em negócios suspeitos ligados à exploração irregular de minério. A HCRN Assessoria e Consultoria Ambiental Ltda, constituída em 7/4/2021, é de propriedade de Hidelbrando que, por sua vez, é sócio de Gilberto Horta na empresa Ursa Maior e da GMAIS Ambiental nas empresas BRAVA e Verdecál.

Esse vínculo empresarial levanta a suspeita de que ele teria participado de esquemas para obter licenças ambientais fraudulentas e favorecer grupos mineradores investigados. Hidelbrando desempenhava funções consideradas operacionais, sendo o elo entre empresários e gestores públicos. O documento descreve que ele participou de reuniões estratégicas e que sua empresa foi inserida em contratos com potencial econômico superior a R$ 3 bilhões. Hildebrando teve seu mandado de prisão expedido, mas continua fora do país.

Qual o caminho?

Além desses 22 mandados de prisão e 79 de buscas e apreensões, ainda há também relatos de que integrantes de associações ambientais e de ONGs estavam envolvidas no esquema. Como foi o caso da Associação Ambiental e Cultural Zeladoria do Planeta que tem direito ao voto no Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama). As investigações apontam que a associação, encabeçada pelo agora ex-diretor, Fernando Benício de Oliveira Paula, assim como a sua esposa, Neide Nazaré de Souza, teriam pago R$ 8 mil para a criação de um estudo que resultou na redução da Área de Proteção Ambiental (APA) da Chapada do Lagoão, no Vale do Jequitinhonha. O relatório serviu de base para o projeto de lei 02/2025 de Araçuaí, que reduziu 6 mil hectares (24,4%) a área de 24,18 mil hectares. Uma ação do Ministério Público de Minas (MPMG) conseguiu suspender imediatamente a tramitação do projeto de lei.

E aqui cabe uma pergunta: se até membros de ONGs e associações que são sem fins lucrativos e que teoricamente se preocupam com o meio ambiente conseguem ser corrompidos, qual a solução? Para onde seguir? E a resposta é a mesma da luta de classes: estatizar as mineradoras, retirar do capital internacional o controle de nossas terras e o fim da mineração extrativista exploratória. Enquanto a mineração for lucrativa e pertencer a empresas capitalistas estrangeiras, ela sempre será palco para crimes contra a vida, o meio ambiente e os cofres públicos. Os crimes de Mariana e Brumadinho, assim como a corrupção da Operação Rejeito, são apenas alguns dos exemplos recentes que comprovam a regra.

Matéria publicada na edição nº324 do Jornal A Verdade.

Terceirização na saúde destrói o SUS, enquanto entidades recebem bilhões

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Enquanto a Prefeitura prepara novos editais bilionários para as Organizações Sociais de Saúde (OSS), usuários e trabalhadores denunciam um cenário de sucateamento, metas abusivas e precarização do trabalho.

Guilherme Arruda e Lucas Marcelino | São Paulo (SP)


SAÚDE – Hoje, são muitas as cidades onde os serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) são geridos por entidades privadas, apesar de continuarem públicos e gratuitos. Procurando a placa do posto de saúde ou hospital mais próximo, é possível que, ao lado do símbolo do SUS, você veja o símbolo de uma Organização Social de Saúde (OSS), como são chamadas essas entidades.

Apesar de não cobrarem diretamente por exames e consultas, essas entidades representam uma terceirização dos serviços e estão implementando uma lógica empresarial no sistema público de saúde, sucateando o atendimento à população para reduzir custos e, ao mesmo tempo, cobrando metas irreais dos funcionários.

O Município de São Paulo foi um dos primeiros lugares onde elas foram implantadas. Atualmente, administram a maior parte das Unidades Básicas de Saúde (UBSs), Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e outros equipamentos. Essa forma de entregar bilhões de reais do orçamento público para bolsos privados se tornou um modelo para governos burgueses de todo o país e as OSS estão se espalhando com velocidade.

Em 2025, após quase uma década em que os contratos com as Organizações Sociais de Saúde foram estendidos pela Prefeitura de São Paulo diversas vezes, o poder público iniciará a realização de novos editais de chamamento para a gestão dos serviços. O prefeito fascista Ricardo Nunes (MDB) gostaria de realizar esse processo às escondidas para definir sozinho o que constará nos novos contratos, mas a população já começou a reivindicar sua participação na discussão. A voz do povo paulistano precisa ser ouvida porque as críticas dos usuários e trabalhadores do SUS às OSS são muitas – e só aumentam.

A seguir, o jornal A Verdade apresenta a história das OSS e quatro relatos de usuários e trabalhadores do SUS, que confirmam como a infiltração dessas entidades privadas está desfigurando a saúde pública, piorando o atendimento à população e fragilizando as condições de trabalho de médicos, enfermeiras, agentes comunitárias e muitos outros profissionais.

Trabalhadores explorados e perseguidos

A fragmentação do SUS entre várias OSS, em contraste com a gestão unificada pelo poder público, é um dos fatores que fragilizam a situação dos trabalhadores.

“Esse período de chamamento é bem tenso porque, se outra OSS apresentar um orçamento mais baixo para a Prefeitura, ela assume a região em que a nossa OSS atua. Nesse caso, a gente tem duas opções: mudar de unidade com a OSS antiga ou permanecer, mas com o risco de demissão após um ano. Eu me sinto refém dessa situação porque eles mentem, dizem que o salário não vai mudar, mas, depois de um ano te demitem e contratam alguém que aceite um salário mais baixo”, explica Jamile (nome fictício), terapeuta ocupacional.

O nome fictício se explica pela perseguição exercida pelas OSS: “Todo mundo sente medo de se manifestar. Estavam com uma política de implantar câmeras e microfones nas reuniões de equipe para monitorar o que falamos”.

Ela segue: “As OSS estão bem alinhadas com a política do Ricardo Nunes. A gente sofre muita pressão para bater metas. Se a gente não bate, sofre corte, como se fosse uma empresa qualquer. Mas não somos uma empresa, somos um serviço de saúde. A saúde não deveria gerar lucro”.

Por sua vez, Viviane, atendente técnico-administrativa em uma equipe do Consultório na Rua, relata: “Desde minha contratação por uma OSS, em 2015, vi o trabalho ficando mais engessado. Hoje, a grande exigência é a habilidade de se adaptar a mudanças a toque de caixa. Nós chegamos a trabalhar com oito sistemas de informação diferentes. Além de desnecessário, é um dos meios por onde escoa a verba do SUS, já que esse sistema é criado e gerenciado por empresas particulares”.

A rotatividade de trabalhadores que se demitem, exaustos e com burnout, além das mudanças ligadas à troca de OSS tem efeitos negativos, em especial nos serviços de saúde mental. “O vínculo que criamos com os usuários é muito importante. O tratamento fica prejudicado se a equipe muda da noite pro dia”, complementa Jamile.

Serviços piores

Pressionados pelas metas impostas pelas OSS, os trabalhadores do SUS sentem dificuldade de prestar uma assistência de qualidade à população, apesar de seus esforços. Nesse contexto, o número de erros aumenta devido ao cansaço dos profissionais.

Os cortes de custos que as OSS promovem também pioram as condições em que a população é atendida. Tabata Paola, moradora da Zona Norte de São Paulo, denunciou ao jornal A Verdade uma situação que passou na UPA Jaçanã, gerida por uma OSS chamada SPCD: “Eu estava com uma inflamação na mão e me internaram na UPA, dizendo que, em poucas horas, seria transferida para um hospital. Fiquei três dias deitada numa maca, não fui atendida por um especialista e as refeições vieram estragadas. Fiquei esse tempo todo sem comer e me deram alta sem me tratar nem me transferir. Só consegui ser tratada procurando outro serviço”.

Neoliberais criaram as OS

A criação do SUS foi uma importante conquista das mobilizações populares que derrubaram a ditadura militar na década de 1980 (ver edição nº 322 de A Verdade). Antes, só tinham acesso aos hospitais públicos os trabalhadores formais que contribuíssem com a Previdência. Jogada na informalidade e no desemprego, a maioria da população tinha como única alternativa buscar atendimento nas “Santas Casas”, e uma grande parte morria sem atendimento, rejeitada pelo governo e sem dinheiro para pagar pela saúde privada.

Com uma participação decisiva dos comunistas, a luta do povo conseguiu definir na Constituição Federal de 1988 que a “saúde é um direito de todos e dever do Estado” e que um sistema público, gratuito e universal de saúde seria instituído para que todos tivessem acesso a consultas, exames e cirurgias.

No entanto, na década seguinte, o governo neoliberal antipopular de Fernando Henrique Cardoso autorizou a criação das Organizações Sociais sob o argumento de que o setor privado poderia “gerir melhor” os serviços públicos do que o próprio Estado em áreas como Saúde, Educação e Cultura. A Lei das OS, de 1998, define que elas não são obrigadas a realizar concursos para contratar funcionários – ou seja, não precisam garantir estabilidade e os direitos trabalhistas que os servidores públicos possuem. Além disso, não têm a obrigação de realizar licitações transparentes para adquirir bens e serviços, o que amplia muito a margem para a corrupção.

Por essas razões, já na época, os sindicatos e movimentos populares de saúde alertavam que essa “novidade” era um ataque neoliberal contra os trabalhadores e o povo. Na verdade, os únicos beneficiados seriam os empresários aliados dos governantes, que se tornaram sócios das OS. Apesar de afirmarem que são entes “sem fins lucrativos”, as Organizações Sociais recebem muito dinheiro de contratos com prefeituras e governos estaduais – e várias são ligadas a grandes hospitais privados, como Sírio-Libanês e Einstein. Em cidades como São Paulo, os valores chegam à casa dos bilhões.

SUS 100% estatal

Em setembro, o Tribunal de Contas do Município de São Paulo (TCMSP) emitiu uma alerta à Prefeitura informando que “identificou com frequência fragilidades e riscos reincidentes” nos contratos com OSS, relacionados ao “acompanhamento das execuções contratuais”. Ou seja, apesar de impor metas absurdas a seus contratados, as OSS nem mesmo cumprem com as obrigações que constam em seu contrato de gestão.

O TCMSP também chamou atenção para o fato de que 60% do orçamento da Secretaria Municipal de Saúde é repassado para as OSS. Em 2024, elas receberam R$ 13 bilhões da Prefeitura e, mesmo assim, prestaram um serviço com todos os problemas relatados nos depoimentos de usuários e trabalhadores do SUS. Esse cenário grave deve servir de alerta para a população de todas as cidades onde os governantes querem implementar as OSS nos serviços de saúde locais.

Em São Paulo, os movimentos populares estão se organizando para exigir a participação e o controle social da população na formulação dos editais de chamamento das OSS como uma obrigação mínima do poder público, mas apontam que esse não deve ser o horizonte final.

“Devido a essas observações, a gente já vê a necessidade de reestatizar a saúde. Os trabalhadores precisam ter estabilidade, por isso devem ser concursados. Só com isso, teremos um SUS que cumpre com suas diretrizes de integralidade, equidade e universalidade e presta um atendimento de qualidade à população”, reforçou a trabalhadora Viviane.

Matéria publicada na edição nº324 do Jornal A Verdade.

Desenvolver as lutas em cada território e no dia 25 de Novembro

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Em preparação para o 25 de novembro, o Movimento Olga Benario convoca para a construção de núcleos de luta em fábricas e bairros, visando transformar a indignação em organização política.

Coordenação Nacional do Movimento de Mulheres Olga Benario


MULHERES – De acordo com o IBGE, as mulheres dedicam, em média, 21,5 horas nos afazeres domésticos. As que estão empregadas, além das tais horas limpando, cozinhando, lavando em suas próprias casas, possuem uma jornada de trabalho de cerca de 47 horas semanais.

Mães com filhos pequenos gastam mais 15 horas semanais no cuidado com eles, além das horas dedicadas aos afazeres domésticos e em seus empregos, segundo a pesquisa Mulheres Brasileiras e Gênero nos Espaços Público e Privado da Fundação Perseu Abramo e Sesc.

Como se já não bastasse gigantesca carga de trabalho, quase não restando tempo para descanso, de acordo com o 3º Relatório de Transparência Salarial, do Governo Federal, de abril de 2025, as mulheres recebem 21% a menos que os homens. E seguimos como o 5º país no mundo em feminicídios – diariamente, quatro mulheres são assassinadas por serem mulheres.

Por tudo isso, é necessário construir um movimento revolucionário entre as mulheres trabalhadoras. Com um trabalho que esteja profundamente ligado a suas necessidades mais sentidas. Um amplo movimento de massas que escancare as contradições deste sistema odioso que nos explora e mata, e que apresente uma perspectiva de nova vida para as mulheres do povo.

Ser uma mulher no capitalismo é trabalhar sem descanso, muitas vezes, em péssimas condições, é sofrer assédio em escolas e universidades. Se formos mães, os desafios são ainda maiores. Na universidade ou na fábrica, não há espaço seguro para deixarmos nossas crianças.

Cresce a violência

Vejamos como é grave a situação das mulheres: no Brasil, existem 5.570 municípios. Destes, apenas 568 possuem Delegacias Especializadas no atendimento às mulheres. Pior: apenas 56 funcionam de maneira ininterrupta.

Segundo o Mapa Nacional da Violência de Gênero, levantado pelo Observatório da Mulher Contra a Violência, nos primeiros seis meses deste ano, foram registrados 718 feminicídios no país e cerca de 34 mil estupros, uma média de 187 por dia.

Sofremos violência e não temos onde denunciar! Além de trabalharmos em jornadas extenuantes, somos responsabilizadas sozinhas pelo cuidado de nossas crianças e idosos. Vivemos num país no qual podemos ser mortas por sermos mulheres, e o Estado não oferece condições seguras para que possamos nos proteger daqueles que querem nos matar. Não é raro sabermos pelos jornais que muitas mulheres vítimas de feminicídio tinham medida protetiva contra seus assassinos.

Por tudo isso, o Movimento de Mulheres Olga Benario tem debatido a necessidade de se transformar num movimento para as amplas massas das mulheres trabalhadoras.

25 de novembro é dia de luta

Dia 25 de novembro é o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, e também é conhecido como Dia Latino-Americano e Caribenho pela Não-Violência contra a Mulher. Essa data homenageia as irmãs Mirabal, três mulheres assassinadas na República Dominicana, em 1960, por sua oposição ao ditador Rafael Trujillo.

Para desenvolver um trabalho mais profundo entre as mulheres, e tendo em vista a data do 25 de novembro, como um importante dia para denunciar toda essa exploração e violência, iniciaremos, desde já, uma atuação com foco nos territórios.

A meta é realizarmos manifestações em portas de fábricas, bairros, escolas, universidades. Porém, esse trabalho só dará frutos e terá continuidade se começarmos já e não pararmos após o dia 25. Precisamos realizar panfletagens, visitas em locais que atendem mulheres, como postos de saúde, Centros de Referência em Assistência Social e Delegacias para conhecer a realidade e desenvolver propostas concretas.

A maioria das mulheres se reconhece nas nossas bandeiras de luta e concordam com as denúncias que fazemos. Mas ainda falamos para poucas, realizamos reuniões em lugares distantes ou, muitas vezes, as desmarcamos.

É chegada a hora de desenvolvermos um trabalho territorial, que seja mais próximo das mulheres com quem queremos dialogar. Assim, daremos condições para que as mulheres, essas que tanto trabalham, participem. Pode ser o local de trabalho ou de moradia.

Definido o local, iniciaremos um trabalho diário e planejado, montando um núcleo, realizando panfletagens, organizando lutas concretas. Um trabalho persistente, contínuo, que desenvolva laços. Se estivermos diariamente em um bairro ou na porta de uma fábrica, com o tempo, iremos nos tornar conhecidas, entenderemos os problemas mais sentidos pelas mulheres daquele lugar e conquistaremos a confiança delas para construir a luta em coletivo.

Para que nosso trabalho seja uma referência para as amplas massas de mulheres trabalhadoras, precisamos espalhar os núcleos do Movimento Olga nos quatro cantos do país, sem perder de vista nossos objetivos, mantendo a persistência e a certeza do que estamos fazendo, que as campanhas que desenvolvemos sejam lutas permanentes, com conquistas evidentes para que o trabalho se multiplique e avance, assim aproximando e influenciando milhares e milhões.

Matéria publicada na edição nº324 do Jornal A Verdade.

Ato em Patos (PB) denuncia reforma administrativa e aponta Hugo Motta como responsável por tentar desmonte do serviço público

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Manifestação uniu sindicatos, centrais, partidos de esquerda e militantes para denunciar mais um ataque ao povo trabalhador, dessa vez, a reforma administrativa. 

Jozivan Antero e Abdias Duque | Paraíba


 

TRABALHADOR UNIDO- O povo brasileiro ainda amarga a reforma previdenciária e a trabalhista, que causou danos sociais sem precedentes ao dificultar a aposentadoria e permitir a chamada flexibilização das leis trabalhistas, permitindo uma exploração sem precedentes aos trabalhadores e trabalhadoras desde que entrou em vigor. Em 2017, o congresso aprovou a reforma trabalhista e, em 2019, a reforma previdenciária.

Em 2025, o Congresso Nacional prepara mais um grande ataque, desta vez ao serviço público, propondo uma nova reforma administrativa, tendo como articulador e relator o deputado Pedro Paulo (PSD-RJ), contando com o apoio do deputado federal Hugo Motta (Republicanos – PB).

Para denunciar mais esse ataque aos direitos sociais, a Central Única dos Trabalhadores na Paraíba (CUT PB), a União Geral dos Trabalhadores (UGT), a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil na Paraíba (CTB), além de sindicatos, partidos políticos, vários movimentos e cidadãos conscientes, realizaram um ato público na manhã do dia 25 de outubro, no Município de Patos, cidade natal de Hugo Motta e berço da oligarquia Motta/Wanderley.

 

Mobilização e denuncia

Usando cartazes, faixas, carro de som e muita disposição, caravanas vindas de várias cidades da Paraíba e dos estados de Pernambuco e Rio Grande do Norte, fizeram uma caminhada que teve início na Praça Edivaldo Motta e percorreu ruas centrais até a Praça Cícero Supino, onde houve falas explicando a sociedade sobre a proposta que causa um verdadeiro desmonte no serviço público e entrega para exploração do mercado financeiro e ao interesse de poucos em detrimento da sociedade brasileira.

A Unidade Popular pelo Socialismo (UP) estive presente, com uma grande brigada do Jornal A Verdade e chamando a atenção para a proposta da reforma administrativa que, de forma clara, propõe o fim do serviço público e leva à lógica do mercado onde tudo é lucro.

“A reforma não busca aprimorar o serviço público, mas remodelá-lo segundo uma lógica empresarial, voltada à produtividade e ao corte de gastos. O resultado é um Estado enfraquecido, menos democrático e mais vulnerável às pressões políticas”, alerta a advogada Camila Louise Galdino Cândido.

Entre as principais críticas, especialistas apontam o caráter centralizador e autoritário da Reforma Administrativa. A PEC retira de estados e municípios a autonomia para gerir seus quadros de servidores, transferindo à União o controle sobre políticas de pessoal, incluindo regras de carreira, concursos, remuneração, benefícios, avaliação de desempenho e gestão de cargos comissionados.

A proposta autoriza o Poder Executivo a extinguir cargos públicos por decreto, sem aprovação do Congresso. A medida abre margem para arbitrariedades, perseguições políticas e o esvaziamento de áreas consideradas incômodas a determinados governos.

 

Crise climática escancara o descaso dos governos e as injustiças do capitalismo

Enquanto o mundo enfrenta uma crise climática, a preparação para a COP 30 em Belém revela um abismo entre o discurso oficial e a realidade da classe trabalhadora.

Lana Borges e Vitória Rodrigues | Belém (PA)


MUNDO – O mundo vive uma emergência climática sem precedentes. Diariamente, os meios de comunicação noticiam sobre o aumento do calor extremo, enchentes, secas, tempestades e furacões que se intensificam ano após ano, afetando milhões de pessoas, especialmente os trabalhadores, moradores das periferias e o povo pobre em geral, forçado a viver nas áreas de risco das grandes cidades.

Sem acesso a saneamento básico, arborização, áreas verdes ou qualquer tipo de plano de contingência, essas populações enfrentam o pior das catástrofes climáticas. E, quando ocorre uma “tragédia”, a culpa costuma cair sobre as próprias vítimas, pois “moravam onde não deviam”, diz a grande mídia, ignorando que a especulação imobiliária, o alto custo dos aluguéis e a lógica excludente do capitalismo expulsam milhares de famílias das regiões centrais e as empurram para as áreas de risco.

Diante desse cenário, a Organização das Nações Unidas (ONU) lançou a Agenda 2030, com os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que incluem metas como moradia digna, combate à fome e à miséria, trabalho digno, acesso à saúde e educação e proteção ambiental. Metas que, em tese, deveriam ser prioridade para todos os governos.

Na prática, porém, os compromissos firmados na Agenda 2030 estão longe de serem cumpridos. Enquanto isso, eventos internacionais como a Conferência das Partes (COP), que deveriam debater soluções concretas para a crise climática e impulsionar a tão falada transição energética, transformaram-se em palco para negócios bilionários, acordos de bastidores e campanhas do chamado “marketing verde”.

O espaço da COP é dividido entre Estado (governos e diplomatas), Mercado (grandes empresas) e Sociedade Civil Organizada. Mas quem realmente tomam as decisões são os governos, dirigidos pelos interesses dos capitalistas.

Empresas como Cargill, JBS, ExxonMobil, Vale e Hydro patrocinam a Conferência, ao mesmo passo que exploram os territórios, destroem o meio ambiente e deixam um rastro de poluição, doenças e miséria por onde passam, como fez a Hydro em Barcarena (PA), onde contaminou o solo, os rios e a vida de milhares de pessoas.

Para completar o cenário de contradições, a poucos dias da realização da COP 30 (realizada em Belém do Pará), o Ibama concedeu licença à Petrobras para explorar petróleo na foz do Rio Amazonas, uma das áreas mais sensíveis do ponto de vista ambiental do planeta. A decisão, defendida por toda a cúpula do Governo Federal (incluindo o presidente Lula e ministra do Meio Ambiente Matina Silva), escancara a incoerência de um país que, ao mesmo tempo em que diz defender a Amazônia, abre novas frentes para sua degradação em troca de aumentar os lucros dos grandes monopólios capitalistas (incluindo os que operam por dentro da Petrobras).

As contradições da Capital da COP 30

Desde que Belém foi anunciada como sede da COP 30, uma série de obras de infraestrutura foi iniciada com o objetivo de impressionar os visitantes estrangeiros. No entanto, enquanto cerca de R$ 4,2 bilhões foram destinados à realização do evento – somando recursos do Orçamento Geral da União, BNDES e Itaipu Binacional –, a cidade segue marcada por problemas históricos e estruturais que afetam diretamente a vida do povo trabalhador.

Segundo o Instituto Água e Saneamento, apenas 20% da população tem acesso ao esgotamento sanitário. E, do pouco esgoto que é coletado, menos de 40% recebe tratamento. Nas periferias, milhares de famílias vivem em palafitas à beira dos rios, sem acesso a água encanada, com esgoto correndo a céu aberto, convivendo com o lixo acumulado nas ruas, fruto da lacuna de políticas públicas deixada pelo Estado.

“Muito dinheiro foi destinado para reformar os pontos turísticos da cidade, enquanto na rua da minha casa nunca foi trocado um cano e a água vem tão suja que não dá nem para escovar os dentes”, afirmou Maria de Lourdes, moradora do Guamá e leitora do jornal A Verdade.

Durante o inverno amazônico, a situação se agrava, e casas são frequentemente invadidas pela água da chuva, colocando vidas em risco e destruindo o pouco que essas famílias possuem.

O transporte público é outro retrato do abandono: há décadas, a máfia das empresas de ônibus lucra com a miséria da população. A região metropolitana está repleta de ônibus velhos, sem ar-condicionado, com linhas mal planejadas e uma demora excessiva, sobretudo nas áreas mais afastadas do centro, onde o Estado só aparece para reprimir ou remover, nunca para garantir direitos.

Um projeto para os ricos

Sendo um evento voltado ao debate sobre aquecimento global e justiça climática, o esperado seria um planejamento urbano que considerasse o clima amazônico, o conforto térmico, a preservação das áreas verdes, os rios e os territórios populares de Belém.

Mas, na prática, a oligarquia da família Barbalho, que comanda o Governo do Estado e a Prefeitura da Capital, utiliza a COP como fachada para atender exclusivamente aos interesses do mercado imobiliário e de grandes empresários.

As obras prioritárias do Governo deixam isso claro: a construção do Parque da Cidade (onde será realizado o evento), a reforma das ruas ao redor dessa área e as regiões nobres da cidade, como as avenidas Doca de Souza Franco e Almirante Tamandaré.

A Avenida Doca, que concentra o metro quadrado mais caro de Belém, recebeu uma obra de R$ 310 milhões para a “revitalização” do canal – na verdade, um esgoto a céu aberto. O objetivo não é resolver o problema sanitário da cidade, mas sim valorizar ainda mais a área para a construção de prédios de luxo, que já estão sendo erguidos nos bairros do Reduto e Umarizal.

Para completar o absurdo, o Governo ainda está construindo uma estação de tratamento de esgoto na Vila da Barca, uma das maiores favelas da cidade, mas não para atender os moradores de lá, e sim para receber o esgoto dos ricos que vão morar nos novos empreendimentos da região.

O Jurunas, bairro historicamente operário e periférico, com um dos IDH mais baixos da cidade, vem sofrendo um intenso processo de elitização. Sua localização próxima a áreas nobres, como Batista Campos, atraiu o interesse do capital imobiliário, e projetos como o Portal da Amazônia, apresentados como “revitalizações”, na verdade expulsaram centenas de famílias da região com a promessa de moradias populares serem construídas pelo Programa Minha Casa, Minha Vida, mas não foram entregues até hoje. Enquanto isso, novas reformas e construções de luxo avançam, reforçando a exclusão dos moradores em benefício da elite paraense.

Nas periferias, feirantes são despejados de seus locais de trabalho por conta de obras paradas ou abandonadas, vendedores ambulantes são perseguidos e reprimidos pela Polícia Militar, cada vez mais violenta, e bairros populares, como Tapanã e Pratinha, seguem em total abandono.

A verdade é que a COP 30 pertence ao capital. Os governos fingem se preocupar com o meio ambiente e com a Amazônia para fazer propaganda, mas o povo trabalhador segue sendo o único a pagar a conta.

Povo organizado

Os participantes da COP 30 estão interessados apenas em garantir lucros e ampliar seus negócios. Os países imperialistas se negam a financiar políticas ambientais nos países periféricos; as petroleiras sabotam qualquer transição energética real; o agronegócio continua desmatando e queimando a Amazônia; as mineradoras recorrem ao “marketing verde”; e políticos corruptos recebem propinas para defender os interesses do empresariado. Enquanto isso, o povo sofre com enchentes, ondas de calor, privatização da água, especulação imobiliária, destruição das áreas verdes, alta nos alimentos e queda no poder de compra.

Em resposta a esse cenário de exclusão e farsa política, surge a Cúpula dos Povos, articulação formada por povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, comunidades tradicionais, agricultores, trabalhadores, movimentos populares e juventudes da Amazônia e do mundo, criando um espaço de verdadeira participação popular. Diferente da conferência dos governos e corporações, propõe discutir as causas reais da crise climática (o capitalismo e o modelo de exploração imposto pelos países imperialistas) e apontar caminhos baseados na soberania dos povos, na defesa dos territórios e na construção de um projeto popular para o Brasil e para o mundo.

A crise climática não é apenas ambiental, é política, social e econômica. A solução não virá das elites ou de acordos entre governos corruptos e empresas poluidoras. Mas sim da luta pelo fim do sistema capitalista que nos explora, destrói o planeta e é incompatível com a vida.

Por isso, é urgente lutar pelo socialismo. Ou construímos um novo modelo de sociedade, baseado na justiça social, na igualdade, na soberania dos povos e na recuperação da natureza ou viveremos sob a barbárie imposta pelo capitalismo. A saída real exige a organização dos trabalhadores e o fortalecimento das lutas populares. Só o povo organizado pode salvar o planeta.

Matéria publicada na edição nº324 do Jornal A Verdade.

A COP 30 e a cobiça da Amazônia

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A realização da COP 30 em Belém demonstra um momento decisivo para organizar a resistência contra a destruição ambiental, desmascarando a responsabilidade das  potências capitalistas na crise climática.

Fernando Alves | Redação


BRASIL – Com a realização da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP 30), em Belém do Pará, abre-se um momento importante para organizar a luta em defesa da natureza, da humanidade, contra a destruição do planeta e desmascarar as corporações e governos capitalistas que são os verdadeiros responsáveis pela crise ambiental.

O desenvolvimento acelerado e desordenado da produção capitalista e a busca incessante do lucro pelos grandes monopólios e países imperialistas traz como consequência o aumento da destruição do planeta. Para garantir seus privilégios, dominar a riqueza das nações e controlar regiões estratégicas do mundo, um punhado de capitalistas lança mão de todas as formas de política e artifícios de exploração. Mas a verdade é que os países dominantes não querem assumir nenhum compromisso com a defesa do meio ambiente o do planeta.

Prova disso é a posição do Governo dos Estados Unidos. Logo no início de seu mandato, Donald Trump anunciou a saída do país do Acordo de Paris e retirou a possibilidade de assinatura de qualquer acordo sobre o clima. Agora, segundo publicação da rede de notícias Bloomberg, procuradores gerais de 17 estados dos EUA solicitaram que o governo estadunidense não envie representantes oficiais para o COP 30. Para eles, a participação dos EUA legitimaria “políticas contrárias” à agenda de Trump.

O fracasso do Acordo de Paris

Também faz parte desse problema o fato de que os países imperialistas não cumpriram os compromissos assumidos na última Conferência do Clima, realizada em Paris, em 2015. A emissão de gases poluentes, que destroem a atmosfera e aceleram o aumento das temperaturas, levando ao aquecimento global, ao derretimento das geleiras, o que, por sua vez, provoca a ocorrência de fenômenos como enchentes, maremotos, terremotos, desertificação, altas temperaturas, são consequências das ações dos países ricos e suas empresas sobre a natureza.

O objetivo principal do Acordo de Paris era impedir que o aquecimento global ultrapassasse o limite de 1,5º C, mas a ONU já reconheceu que este objetivo não foi alcançado.

Entre as consequências, está o derretimento das geleiras, em especial do Polo Ártico, que perdeu 7% de sua superfície, e da Antártida, que vem que vem sofrendo os mesmos impactos. Esse é o sinal mais grave, pois esses polos funcionam como um ar-condicionado para o equilíbrio climático, já que levam correntes marítimas geladas e correntes de ar para os trópicos, que são as partes mais aquecidas do planeta. As cadeias de montanhas também vêm sofrendo esses efeitos, como o Himalaia, os Alpes e os Andes, além dos lagos glaciais.

O Acordo de Paris estabeleceu que os países criassem as condições e se adaptassem às bruscas mudanças climáticas, sem ameaçar a produção de alimentos.

A polêmica criação de uma fonte de financiamento por parte dos países mais ricos para ajudar o chamado grupo de países pobres na transição para o desenvolvimento de baixo carbono – Carbono Zero, não foi efetivado. Nesse caso, os países imperialistas assumiram o compromisso, através das Contribuições Nacionalmente Determinadas (CDNs), de dar um aporte de US$ 100 bilhões por ano para medidas de combate às mudanças climáticas.

Essa política é muito perigosa, pois ela pode interferir na soberania dos países, como é o caso do Brasil. Os países financiadores podem sentir-se no “direito” de exigir a criação de uma área de interesse internacional da Amazônia e, por tabela, uma tutela desses países sobre a região. Isso representaria a desnacionalização da Amazônia, a privatização da floresta e o controle dos países ricos sobre a maior parte do território brasileiro e de mais oito países.

Apesar desse perigoso caminho, o governo brasileiro vem estimulando a financiamento internacional da Amazônia, ignorando as consequências futuras dessa medida.

A Amazônia está ameaçada

Por fim, o governo brasileiro anunciou a liberação para pesquisa de petróleo e gás na Foz do Rio Amazonas. Essa decisão coloca em risco uma região que ainda está preservada e abrange o litoral dos Estados do Amapá e do Pará, onde se encontram florestas nativas, a Ilha de Marajó, santuários de aves, tartarugas e uma infinidade espécie animais e de plantas, uma infinidade de ilhas; do Maranhão, que pode comprometer os Lençóis Maranhenses; do Piauí, que possui a Foz do Rio Parnaíba; dos litorais do Ceará e Rio Grande do Norte. Toda essa região e sua biodiversidade podem ficar comprometidas, apenas para satisfazer os interesses da indústria do petróleo, hoje controlada pelas petrolíferas multinacionais.

A Amazônia é estratégica. A região possui 15% de água potável do planeta, sua biodiversidade é incalculável, é abundante em minerais estratégicos e terras raras, detém grandes reservas de gás e petróleo. Porém, vem sofrendo com décadas de ações predatórias do latifúndio, madeireiras, das mineradoras, do tráfico de ouro e pedras preciosas e da intervenção destruidora do Estado burguês e dos capitalistas. Sofre com a invasão de terras indígenas. Também a questão fundiária representa o maior dos problemas, já que a luta pela terra é uma das mais radicais do mundo, com 36% da região registrada como propriedade privada.

Os povos da Amazônia e todos os brasileiros devem lutar em defesa da nossa soberania e da preservação da natureza, contra as ameaças imperialistas e o entreguismo do nosso território.

Matéria publicada na edição nº324 do Jornal A Verdade.

Rayana: mais uma mulher assassinada por ser mulher no ES

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O feminicídio de Rayana Rios, morta a facadas dentro de casa, expõe a violência patriarcal que segue vitimando mulheres no Espírito Santo.

Ana Thompson | Espírito Santo


 

No dia 9 de novembro (domingo), Rayana Bittencourt de Oliveira Rios da Silva, 36, foi assassinada a facadas dentro de sua própria casa e na frente de dois dos seus quatro filhos — a mais velha, 19, e o mais novo, de apenas cinco anos. Esse crime brutal ocorreu no município da Serra (ES) e se soma aos altos índices de feminicídio que colocam o estado entre os mais violentos do país. Luan dos Santos Braz, 29, foi indicado como o assassino por Khauny, a filha mais velha. Após o crime, o suspeito fugiu de carro e seu veículo foi encontrado abandonado na segunda-feira (10) na mesma cidade. Finalmente, na quarta-feira (12), em uma região de mata, o assassino foi encontrado e preso para investigação do caso. Além disso, é importante pontuar que Luan era namorado da vítima e descrito por familiares como extremamente ciumento e controlador.

Esse tipo de violência contra a vida de uma mulher no Espírito Santo não surpreende. Segundo o Mapa da Segurança Pública 2025, o estado registrou crescimento no número de feminicídios, além de apresentar uma média por número de habitantes acima da média nacional de feminicídio. Esse levantamento confirma a cultura misógina que atravessa diariamente as mulheres aqui presentes.

Reafirmando essa tendência, o Painel de Monitoramento da Violência Contra a Mulher, disponibilizado pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do ES, aponta que, somente em 2025, ocorreram 28 casos de feminicídios e 73 tentativas de feminicídio. Isso significa que, só neste ano, 101 mulheres foram atacadas no ES por agressores com intenção de matá-las, apenas por serem mulheres.

Nos dados exclusivos de feminicídio, o painel aponta que aproximadamente 90% das mulheres foram mortas por parceiros ou ex-parceiros, revelando que a ameaça contra suas vidas está fortemente presente em ambiente íntimo, embora o panorama em questão não exponha oficialmente o local dos feminicídios, isto é, não sabemos por essas informações se o crime aconteceu em via pública ou na residência da vítima. Contudo, os dados mostram que 75% das mulheres assassinadas eram negras, revelando o racismo estrutural que coloca as mulheres negras (pretas ou pardas) como as principais vítimas da violência letal no Espírito Santo.

A respeito das tentativas de feminicídio, o mesmo padrão racial está presente: a maior parte das mulheres atingidas são negras. Essa constante mostra que o quesito raça/cor é determinante e precisa ser central ao pensar políticas de prevenção e proteção contra essa violência. Além disso, mais de 60% das tentativas ocorreram na residência da vítima, o que reforça o abuso presente em espaços íntimos, mesmo que no caso das tentativas não tenhamos exposto em dados a relação do agressor com as mulheres. Esse cenário estabelece que mulheres sequer estão seguras em suas casas e no íntimo que deveria ser refúgio.

Sobre isso, é importante pensarmos que, apesar do avanço na pesquisa e divulgação de dados, há lacunas severas nesse painel. As estatísticas não detalham o local dos feminicídios consumados nem a relação das vítimas com os agressores

nas tentativas do crime, o que dificulta a realização de análises completas, como também a formulação adequada de políticas de prevenção mais específicas para a população atingida. Lamentavelmente, essa omissão é parte da realidade de um estado historicamente patriarcal e racista, como é o caso do ES.

Mesmo com essa limitação, os números em conjunto delimitam uma norma concreta: majoritariamente mulheres negras são vítimas de parceiros ou ex-parceiros dentro das próprias casas no ES. Essa circunstância aponta para a necessidade urgente de ampliação de mecanismos de prevenção e políticas de proteção voltadas à violência contra a mulher no estado. Mas o Espírito Santo está muito ocupado debatendo com o STF a (in)constitucionalidade da Lei nº12.479/2025, que garante aos pais e responsáveis o direito de veto à participação de seus filhos e filhas em atividades pedagógicas que abordem temáticas de gênero, identidade de gênero, orientação sexual e diversidade sexual. Lembrando que essa foi uma lei sancionada pela Assembléia Legislativa do Espírito Santo após o governador Renato Casagrande (PSB) não se manifestar a respeito, em outras palavras, um retrocesso educacional aprovado sem oposição por parte do governador. Assim, o estado investe tempo e recursos pensando se determinados retrocessos são constitucionais ou não em vez de avançar com políticas concretas que protejam as mulheres.

Enquanto Movimento de Mulheres Olga Benário do ES, pensamos que a defesa da vida das mulheres trabalhadoras é prioridade e, por isso, estamos construindo a Rede Araceli de Enfrentamento à Violência contra Mulheres e Meninas com o propósito de criar um espaço que, além de acolher e apoiar, fortaleça politicamente essas mulheres ampliando a compreensão das estruturas patriarcais, racistas e capitalistas que nos atravessam e nos querem mortas. Assim, lutamos para erguer uma sociedade socialista, antipatriarcal e antirracista.

Chega de casos de mulheres violentadas e mortas!

 

Greve dos servidores em Campina Grande (PB) denuncia descaso com a saúde

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Apesar do caos na saúde pública em Campina Grande, Paraíba, o governo local prefere atacar os servidores e o sindicato da  categoria, que dando exemplo de luta e combatividade, organizou uma greve histórica na região. 

Redação Paraíba


 

ENTREVISTA- Como foi denunciado pelo Jornal A Verdade em outubro, a saúde da cidade de Campina Grande na Paraíba enfrenta, já a um ano, atrasos de salários dos servidores e contratados, falta de materiais de trabalho, insumos e medicamentos. No último dia 13/11 o Sindicato dos Trabalhadores Públicos Municipais do Agreste da Borborema (SINTAB) deflagrou greve em 16 categorias de trabalhadores da saúde e realizou uma manifestação no centro da cidade pelo pagamento dos salários atrasados. A militância da Unidade Popular esteve presente e entrevistou Franklin Barbosa de Brito, presidente do SINTAB.

O que motivou a decisão da greve, que foi aceita por ampla maioria da assembleia?

 Nós temos aqui em Campina Grande uma crise sem precedentes da saúde: servidores e a população não aguentam mais tanto sofrimento. Os Servidores não têm mais um calendário de pagamento e todos os meses vivem a incerteza em relação a seus salários, se vão receber ou não. Além disso, a população tem muita dificuldade de acesso ao básico. Nas unidades de saúde falta quase tudo, faltam insumos, faltam instrumentos de trabalho, falta material de expediente, falta remédio. A população é testemunha, não preciso convencer ninguém disso, a população sabe disso.

E o pior de tudo é que o prefeito tem ignorado essa situação. Ele sequer explica o que está acontecendo, não justifica nada, ele sumiu e é como se Campina Grande não tivesse prefeito. É como se ele tivesse desistido de governar a cidade, estivesse como Prefeito só pro status, só pra ser chamado de prefeito. Se ele não tem condições de governar a cidade, se chegou numa situação de governabilidade, por ingerência, por incapacidade de gestão então que ele renuncie e o próximo possa sentar com a gente e resolver os problemas da saúde de Campina Grande

Jornal A Verdade – A greve foi deflagrada às 10h, às 11h a justiça declarou ela ilegal a pedido da Prefeitura. A Prefeitura teve a mesma agilidade para resolver os problemas dos trabalhadores?

 A justiça sendo sempre injusta. A justiça não ouviu os trabalhadores para poder tomar uma decisão. Nem terminamos o ato e a justiça tinha declarado ilegalidade. Não deu nem tempo de concluir uma única atividade: a greve começou e antes do fim do primeiro ato a justiça declara ilegalidade. Mas não vamos desistir da luta, a luta dos trabalhadores é permanente e continuaremos convocando. Já temos outra assembleia na segunda e os servidores vão decidir o que querem que a gente faça, qual luta querem que a gente encaminha pra garantir o direito dos trabalhadores.

Vale destacar que, poucos dias antes da greve, os médicos do Hospital Dom Pedro I haviam declarado paralisação motivada pelo não pagamento dos salários. Porém, eles são trabalhadores contratados via CNPJ (pejotizados) e, após serem ameaçados pela Prefeitura, tiveram que encerrar o movimento para não serem demitidos.

A saúde pública de Campina Grande está sendo propositadamente sucateada para justificar o avanço da privatização desse setor na cidade. A Prefeitura da cidade cumpre o papel de defensora dos interesses dos grandes empresários da saúde e se dedica a destruir o sistema de saúde pública da cidade. Só a luta dos trabalhadores pode garantir dignidade para os servidores e para a população!