UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

sexta-feira, 27 de março de 2026
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Trabalhadores de hospital estão há vários meses com salários atrasados

Diante do atraso sistemático dos repasses do SUS, o Movimento Luta de Classes reforça a necessidade de organização da categoria para enfrentar a exploração e garantir o pagamento imediato dos direitos atrasados.

Ésio Melo | Maceió (AL)


TRABALHADOR UNIDO – Os trabalhadores do Hospital Veredas, em Maceió (AL), estão em greve desde o dia 12 de novembro de 2025 em defesa do pagamento de seus salários.

Com a força da greve nas ruas, o Hospital pagou dois meses atrasados, 50% do 13º de 2025 e complementos do Piso Nacional da Enfermagem. No dia 15 de dezembro, após reunião com os sindicatos, o Veredas se comprometeu a colocar a folha em dia até o mês de abril, pagando dois salários e complementos todos os meses. Em contrapartida, após o pagamento da primeira parcela do acordo, o fim da greve deveria ser votado em assembleia.

Entretanto, o Hospital não cumpriu sua parte, e continua devendo aos seus funcionários, da enfermagem à limpeza, os meses de abril, maio, outubro, novembro, dezembro de 2025, 50% do 13º de 2024, além do complemento do piso da enfermagem de outubro e novembro de 2024 e julho, novembro e dezembro de 2025.

Pior, como forma de frear a luta e as mobilizações, aproveitou da época natalina e conseguiu, no dia 26 de dezembro, uma decisão judicial impedindo as manifestações e praticamente encerrando a greve.

“Abster-se de praticar qualquer ato que impeça ou dificulte o livre acesso de funcionários, pacientes, acompanhantes, ambulâncias, veículos de fornecimento de insumos e demais usuários às dependências do Hospital Veredas. Fica terminantemente proibido o bloqueio físico de portões e a realização de piquetes que obstem o trânsito de pessoas e bens essenciais”, determinou o Juiz do Trabalho, Carlos Arthur de Macedo Figueiredo.

A decisão em favor do Hospital caloteiro definiu ainda a multa de R$ 10 mil por dia para cada sindicato em caso de descumprimento de qualquer uma das normas, que incluem também a obrigação de 100% do efetivo nos casos em que a redução para 30% inviabilize o funcionamento do setor.

Mesmo o Hospital estando devendo seis meses de salários a mais de 700 funcionários e não tendo cumprido o acordo, o judiciário alagoano definiu que quem deve ser punido são os trabalhadores.

Sentimento de revolta

Nos corredores do Hospital, é grande o sentimento de indignação e de injustiça contra os patrões, o judiciário e o governo. “Ministério Público, Defensoria, Ministério do Trabalho, ninguém é a favor da gente. Não tem um jornal que publique. Tudo comprado! O que queremos é apenas salário em dia”, disse uma enfermeira revoltada.

Uma técnica de enfermagem, que trabalha há 28 anos no Veredas, confessou: “Não existe pior período do que esse no Hospital. A gente tinha valor quando eu entrei aqui. A gente recebia, não fechava o mês e o dinheiro tava na conta. Hoje é humilhação. Funcionários doentes e psicologicamente abalados. Não tem como ter qualidade de vida se não tem como pagar as contas”.

O atraso dos pagamentos não é novidade no Veredas. Nos últimos anos, o Hospital enfrentou diversas greves e, às vezes, mais de uma vez por ano. Por outro lado, foi o Hospital que proporcionalmente mais recebeu dinheiro público, com cifras superiores a R$ 1 bilhão em menos de dez anos.

Isso se explica porque a administração do hospital era ligada ao ex-presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP). Entretanto, com o caos no hospital, a administração foi afastada pela Justiça Federal, em outubro de 2024.

Em todo o Brasil, trabalhadores têm se levantado contra atrasos salariais, principalmente na área da saúde. Devido à política de contratualização, os repasses do dinheiro do SUS para hospitais têm atrasado e os trabalhadores são sempre os mais prejudicados.

O Movimento Luta de Classes (MLC) apoia este movimento desde o início e está sempre à disposição de organizar lutas, paralisações e greves em defesa de salários e direitos. Mais que isso, organizar a classe trabalhadora para superar esse sistema gerador das desigualdades e das injustiças, o capitalismo.

Matéria publicada na edição impressa Nº 327 do jornal A Verdade

Moradores do Engenho I organizam manifestação exigindo justiça por jovem assassinado pela polícia militar em Parnamirim (RN)

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O jovem Renan Henrique do Nascimento, de 17 anos, foi mais uma vítima da violência policial no Rio Grande do Norte. Família e moradores do bairro onde o crime aconteceu organizaram uma manifestação denunciando o ocorrido.

Redação RN


SOCIEDADE – Na quinta-feira, 22 de janeiro, uma “operação” da Polícia Militar resultou na morte do adolescente Renan Henrique do Nascimento, de 17 anos, morador do Condomínio Engenho I, no bairro de Santa Tereza, em Parnamirim (RN). O jovem foi morto dentro do condomínio, em um dos corredores dos blocos do residencial.

A Polícia Militar afirma que encontrou Renan ferido por disparos de arma de fogo e que realizou o socorro até o Hospital Deoclécio Marques. No entanto, o adolescente não resistiu aos ferimentos e morreu ao dar entrada na unidade de saúde.

No dia seguinte, moradores dos residenciais Engenho I e II realizaram um protesto na avenida em frente ao condomínio, exigindo justiça por Renan e denunciando a violência policial constante na comunidade. Segundo os moradores, a execução do jovem poderia ter atingido qualquer trabalhador do local. A revolta popular foi respondida pelo Estado com o envio de diversas viaturas policiais para reprimir a manifestação, aprofundando ainda mais o clima de medo e violência.

Familiares e amigos afirmam que a ação da Polícia Militar foi covarde e injustificada. De acordo com relatos, Renan não portava arma nem drogas. Ele deixa um filho de 1 ano e 7 meses, uma companheira e uma família destruída pela violência do Estado, que hoje clama por justiça.

Política anti-povo 

Segundo dados divulgados pelo Governo do Estado, o Rio Grande do Norte investiu R$ 268,5 milhões na área da segurança pública. Ainda de acordo com o próprio governo, entre 2019 e janeiro de 2025 foram investidos aproximadamente R$ 68,5 milhões na aquisição e aluguel de viaturas, compra de armamentos e munições, equipamentos e capacitação de profissionais, por meio de convênios, emendas parlamentares e do Fundo Nacional de Segurança Pública. 

Apesar do alto valor investido, segundo o Ministério da justiça e segurança pública (MJSP), o número de homicídios dolosos cresceu 30,03 % em 2025 em relação ao ano anterior

A intensificação da violência policial em Parnamirim não é um fato isolado, mas parte de um projeto político de repressão contra a classe trabalhadora, que tem como alvo principal a juventude pobre e negra das periferias. Sob o discurso mentiroso do “combate ao crime”, o Estado promove execuções, intimidação e terror dentro das comunidades.

Enquanto milhões são destinados ao aparato repressivo, faltam políticas públicas que realmente atendam às necessidades do povo trabalhador, como mais unidades de pronto atendimento (UPAs), investimentos nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), contratação de profissionais da saúde, melhores condições nas escolas públicas e ampliação da rede de creches. Essas medidas, sim, poderiam melhorar de fato a vida da população do Rio Grande do Norte.

Os moradores dos residenciais Engenho I e II vivem abandonados pelo poder público, empurrados para as margens da cidade, sem transporte adequado, sem políticas públicas efetivas e sem acesso a direitos básicos. Todos os dias, trabalhadores saem de casa para garantir o sustento de suas famílias sem a certeza de que seus filhos estarão vivos ao retornarem, enquanto a Polícia Militar invade a comunidade para oprimir e criminalizar.

A luta contra a violência policial está diretamente ligada à luta contra um sistema que mata o povo pobre para garantir os lucros da burguesia. Nesse sentido, é urgente a desmilitarização da polícia, investimentos em políticas públicas e o fim da repressão nas periferias. 

É necessário pôr fim a esse Estado violento e racista. O sistema capitalista mantém uma forte repressão contra os trabalhadores, moradores de bairros pobres e a população negra, desde a escravidão até os dias atuais. Por isso, as lutas populares organizadas pelo povo, à exemplo da manifestação realizada, são necessárias para a derrubada do capitalismo e a construção do socialismo em seu lugar.

Congresso Nacional corta verbas da educação para aumentar “orçamento secreto”

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O Congresso Nacional aprovou, no apagar das luzes de 2025, a Lei Orçamentária Anual para 2026, consolidando um corte de R$ 488 milhões nas universidades federais.

Movimento Correnteza


JUVENTUDE – O Congresso Nacional aprovou, nos últimos dias de 2025, a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026. Mais uma vez, a maioria dos deputados, em especial do Centrão e dos partidos da extrema-direita, votou pela diminuição dos investimentos em educação e outras áreas sociais. Só das universidades federais, foram cortados 488 R$ milhões, ameaçando o pagamento de contas básicas como água e luz, as políticas de assistência aos estudantes de baixa renda – como restaurantes universitários e bolsas – e o funcionamento de laboratórios, bibliotecas e salas de aula.

O objetivo desses parlamentares é turbinar o chamado “orçamento secreto”. A partir do corte de investimentos em áreas sociais, as emendas parlamentares cresceram 1.200% nos últimos dez anos e alcançaram a marca de R$ 61 bilhões para 2026. Essas emendas são alvo de diversas investigações da Polícia Federal e dos órgãos de justiça e fiscalização, que já identificaram inúmeros casos de desvio de dinheiro público.

Além disso, é sabido que essas emendas são utilizadas para a compra de apoio político, quando os deputados só aceitam destinar dinheiro para um estado, município ou instituição mediante o compromisso de apoio nas eleições por parte de prefeitos, governadores e outras autoridades.

Entretanto, os deputados e os grandes meios de comunicação buscam confundir a população. Dizem se tratar de um “ajuste técnico” ou de um “ajuste financeiro, necessário para o balanceamento das contas públicas”. Hipocrisia! Se estivessem realmente preocupados com a economia do país, começariam por botar em pauta a auditoria da Dívida Pública, um esquema criminoso que destina quase metade de todo orçamento do país para especuladores e grandes capitalistas, ou acabariam com seus próprios privilégios e os diversos casos de corrupção envolvendo deputados.

Não esqueçamos que, em setembro de 2025, os deputados do Centrão e da extrema-direita chegaram a aprovar um projeto que, na prática, impedia a investigação e cassação de deputados corruptos (“PEC da Blindagem”). O projeto foi derrubado no Senado após as grandes manifestações populares que tomaram as ruas do Brasil.

O corte de investimentos em áreas sociais, portanto, é uma escolha política. As lideranças da direita e do Centrão comemoram esse ataque como demonstração de força. Para esses setores, universidades públicas, que produzem ciência e tecnologia, devem ser precarizadas. Menos orçamento significa mais dependência de emendas parlamentares e mais controle político sobre as instituições. Os interesses imediatos de políticos que especulam com votos e alianças valem mais para o Congresso do que a vida de milhões de pessoas que dependem da universidade pública para estudar e trabalhar.

Além disso, a diminuição do orçamento da educação impede o crescimento de vagas em universidades públicas e empurra os jovens para as universidades pagas, em que as mensalidades são altíssimas, incompatíveis com o salário e a realidade da maioria dos brasileiros. Essa é outra forma de o Congresso beneficiar grandes empresários, que retribuem o favor em época de eleições.

Educação é um direito

O Brasil está entre as maiores economias do mundo, mas segue entre os países que menos devolve essa riqueza em direitos. Essa política é apoiada por deputados como Nikolas Ferreira (PL-MG) e André Fernandes (PL-CE), que votaram a favor da “PEC da Blindagem”, pelo aumento do “orçamento secreto” e pela diminuição dos investimentos em áreas sociais de interesse da população. A extrema-direita, que se coloca como uma “alternativa” para a juventude, mostra sua verdadeira face e vota sempre contra o povo e a favor dos ricos.

Essa contradição só se resolve enfrentando a política econômica vigente, que privilegia os ricos. A história recente do movimento estudantil e das lutas por educação aponta que esse enfrentamento é possível.

No Governo Bolsonaro, estudantes derrubaram quatro ministros inimigos da educação pública e reverteram cortes bilionários. Em 2024, a greve das universidades federais garantiu mais investimentos e resultou em conquistas importantes dos trabalhadores da educação. Em novembro de 2025, estudantes dos institutos federais realizaram um dia de greve nacional para denunciar a falta de políticas públicas que garantissem o direito à alimentação nessas escolas – e conquistaram o compromisso do Governo com a construção de restaurantes em 270 unidades.

Com um país tão rico e um povo tão trabalhador, é plenamente possível garantir educação de todos os níveis para toda população, com livre acesso à universidade pública, gratuita e de qualidade, desde que a classe trabalhadora esteja no poder.

Matéria publicada na edição impressa Nº 327 do jornal A Verdade

Trabalhadores do audiovisual vão às ruas contra desmonte do cinema nacional

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Trabalhadores do audiovisual brasileiro vão às ruas contra o “PL do Streaming” que, além de precarizar ainda mais a categoria, aumenta ainda mais os lucros das bilionárias empresas de streaming às custas do cinema nacional.

Gustavo de Araujo | Santo André (SP)


Trabalhador Unido – No último 3 de novembro, trabalhadores, estudantes e defensores do audiovisual brasileiro conduziram um ato em frente à Cinemateca Brasileira, em São Paulo, contra o Projeto de Lei nº 8.889/2017, chamado pelo setor de “PL do Streaming”. Manifestações também aconteceram no Rio de Janeiro, Salvador e Porto Alegre, pedindo a rejeição imediata do texto apresentado no projeto.

Na prática, a lei que deveria visar a regulamentação do setor de streaming no Brasil, coloca em pauta mecanismos poderosos para o desmonte da nossa produção cinematográfica e o fortalecimento das big techs do setor (como Netflix, Amazon, Disney e HBO), que já lucram bilhões com o mercado nacional.

Em outubro, uma disputa do STF (Supremo Tribunal Federal) revelou que entre janeiro de 2022 e setembro de 2025, apenas a Netflix enviou cerca de 6 bilhões de dólares da sua filial brasileira à sede nos Estados Unidos. Sem qualquer retorno fiscal ao Brasil. 

Hoje, nossa produção audiovisual independente conta majoritariamente com os recursos da Condecine (Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional), um tributo federal que incide sobre a exploração comercial de obras audiovisuais e, é a fonte primária da receita do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), principal política pública de fomento à indústria.

Praticamente todas as empresas do setor audiovisual e de telecomunicações estão sujeitas a esse imposto, mas, por enquanto, as plataformas de vídeo sob demanda (VOD na sigla em inglês) não tinham qualquer obrigação de pagar a Condecine.

O resultado disso é a exploração desenfreada de um mercado consumidor estratégico, sem qualquer investimento retornando à sociedade que financia seus lucros bilionários — uma oportunidade de ouro para corporações estrangeiras exercerem o seu domínio.

Uma política de entreguismo

O texto-base do PL, apresentado pelo deputado federal Dr. Luizinho (PP), revisado e aprovado pela Câmara dois dias após as manifestações, prevê que as plataformas que oferecem serviços de streaming, como as gigantes Netflix e Prime Video, paguem uma alíquota máxima de 4% do seu faturamento anual à Condecine.

No caso das plataformas de compartilhamento de vídeos em que o conteúdo é produzido pelos próprios usuários, como YouTube e TikTok, o pagamento será de até 2%.

Essa taxa, além de irrisória — visto que em países da Europa a contribuição para o desenvolvimento da indústria local pode chegar a 20% —, ainda possui outro problema: caso as empresas invistam diretamente em produções “nacionais” para fomentar seus próprios catálogos (nesses casos as obras quase sempre se tornam propriedade integral ou majoritária dos streamings), a contribuição pode ser reduzida de 4% para 1,6% do faturamento, correspondendo a um desconto de 60% do valor que deveriam pagar em um primeiro momento.

O problema aqui não se refere somente ao valor da contribuição, que, além de injusto e insuficiente, soma-se ao fato de que o PL do Streaming, da forma como está estruturado, cria um mecanismo de auto investimento das corporações com recursos que deveriam ser públicos.

Assim, entrega de bandeja ao imperialismo dos Estados Unidos o poder de decisão sobre o nosso cinema — isto é, o de escolher quais histórias brasileiras merecem ser contadas ou não, e decidir que tipo de memória deve ser construída no nosso país.

Por fim, o projeto de lei propõe que os streamings deverão reservar pelo menos 10% de seus catálogos para produções brasileiras — outra porcentagem muito pequena, já que na França, por exemplo, essa mesma reserva é de 60% para obras europeias.

Esses levantamentos mostram que pedir a revisão do que está proposto no Projeto de Lei é primordial. Na prática, a contribuição para o Fundo Setorial do Audiovisual será drasticamente reduzida e, com isso, a diversidade e a qualidade das nossas produções independentes serão totalmente comprometidas, como declarou Matheus Peçanha, um dos diretores da API (Associação das Produtoras Independentes do Audiovisual Brasileiro):

“Na prática, é dinheiro público financiando originais das plataformas. O mais grave é que este precedente, vendido como ótimo para o setor pois irá gerar emprego e renda como forma de prestação de serviço, se transforme em um cavalo de Tróia e permita, no futuro, que outros recursos públicos sejam utilizados também por empresas brasileiras não independentes, como canais de TV”

Por que isso é um problema de todos?

Em uma primeira camada, regular os streamings se mostra como uma questão importante principalmente para os trabalhadores do setor audiovisual, que já são uma categoria extremamente precarizada pelas jornadas de trabalho abusivas, demandas físicas exaustivas, falta de investimento na formação de novos profissionais e uma remuneração instável. Contudo, vale ressaltar que essa medida é essencial para proteger o patrimônio cultural brasileiro.

É importante lutar por uma regulação tributária dos streamings para que minimamente se faça justiça em uma realidade em que o próprio acesso à cultura se torna cada vez mais difícil, vide o aumento contínuo no preço das assinaturas das plataformas, dos ingressos de cinema e o fato de que as produções brasileiras sempre enfrentam uma disputa desigual com os filmes estrangeiros por espaço nas salas de cinema.

Por um Brasil soberano na economia e nas telas

O movimento VOD12, frente ampla organizada por produtores independentes, sindicatos e associações do audiovisual brasileiro, vem defendendo que o projeto de regulação do vídeo sob demanda considere: pelo menos 12% sobre o faturamento bruto das empresas para a Condecine; desconto máximo de 30% no pagamento para o caso de investimento direto das plataformas em produções originais; 20% de cota nacional dentro do catálogo dos streamings; e a garantia de investimento regionalizado para toda a cadeia audiovisual.

 Apesar de modestas e distantes do ideal, o texto-base aprovado e indicado para a votação do Senado Federal considera regulamentações muito abaixo dessas. Tudo isso porque o mercado audiovisual é extremamente lucrativo para a burguesia, além de aprofundar a propaganda dos costumes e da moral burguesa. 

A regulação das plataformas de streaming por uma indústria audiovisual brasileira soberana é urgente. Entretanto, só no socialismo poderemos ter uma indústria cinematográfica em função da memória e dos costumes da classe trabalhadora.

Centro industrial de São Paulo: história da resistência operária

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O Centro de São Paulo foi construído pelo trabalho operário, e foi justamente nessa região que se consolidaram algumas das mais importantes lutas da classe trabalhadora brasileira, com conquistas que atravessaram décadas e ainda influenciam a vida de milhões.

Tati Bornato, Gabriel Borges e Victória Magalhães | São Paulo


SÃO PAULO – No fim do século XIX em diante, a cidade de São Paulo se transformou em um grande polo industrial, especialmente ao longo do vale do rio Tamanduateí, articulando bairros como Brás, Mooca, Ipiranga e Cambuci, conectados pelas linhas férreas. A industrialização paulistana não caiu do céu. Ela se expandiu com base em condições materiais muito claras: a localização, as linhas ferroviárias e a existência de grandes terrenos de baixo custo na área “além-Tamanduateí”. Essas condições permitiram a concentração de fábricas de tecidos, alimentos, bebidas e cerâmica e, mais tarde, metalúrgicas e montadoras.

A cidade crescia, a indústria se fortalecia,  mas o que sustentava esse ‘progresso’ era a exploração. Jornadas de trabalho de 12 a 16 horas por dia, salários miseráveis, trabalho infantil e ausência de direitos eram parte da rotina nas fábricas. Foi nesse cenário que surgiram as primeiras organizações operárias: ligas de resistência, associações de socorro mútuo e a imprensa operária, que colocaram no centro da luta reivindicações como redução da jornada, aumento salarial e proteção ao trabalho de mulheres e crianças.

Mooca e Ipiranga: territórios da classe operária em luta

A Mooca se industrializou rapidamente na virada do século, impulsionada pela estação ferroviária inaugurada em 1898, pela urbanização ao redor dos trilhos e pela chegada massiva de imigrantes que, antes explorados no campo, com o processo de exodo rural, passaram a ser explorados nas fábricas.

Grandes galpões de tijolo aparente, chaminés, pátios ferroviários e vilas operárias formam a paisagem industrial. A fábrica dominava não apenas o turno de trabalho, mas também a vida: bairros inteiros foram moldados pelo controle do patrão sobre moradia, consumo e sobrevivência.

Já no Ipiranga, entre os primeiros anos do século XX, a indústria se expandiu com força, a ponto de o bairro ser reconhecido como “bairro da Fábrica”, pela concentração de indústrias ao longo da ferrovia e do Tamanduateí. Os números mostram a dimensão desse processo: por volta de 1907, o Ipiranga já contava com cerca de 18 fábricas, empregando 6.296 operários; em 1913, já eram 49 fábricas e 16.317 trabalhadores.

Não à toa, a Greve Geral de 1917 marcou a história do operariado paulista e explodiu na Mooca. No Cotonifício Rodolfo Crespi, uma grande tecelagem do bairro, 400 mulheres operárias cruzaram os braços contra os baixos salários, a jornada exaustiva e os abusos do chão de fábrica. A mobilização se espalhou com rapidez e chegou ao Ipiranga, com paralisações em fábricas como as de Jafet, envolvendo cerca de 1.600 trabalhadores. 

Em poucos dias, São Paulo sentiu o peso da força operária: a greve se generalizou, grandes indústrias entraram no movimento, como a Companhia Antarctica Paulista, e cerca de 100 mil trabalhadores pararam. O que estava em jogo era o básico: condições dignas de trabalho e o direito de organização. E o resultado veio na prática: conquistas salariais, recuos patronais e, principalmente, o fortalecimento da classe trabalhadora como força coletiva.

Nos anos seguintes, diversas outras greves aconteceram na região até que em 1953, a cidade viveu uma das maiores greves urbanas da história do país: a conhecida Greve dos 300 mil. Foram mais de 300 mil trabalhadores paralisados, muitos deles concentrados justamente no eixo Mooca–Ipiranga–Brás, envolvendo metalúrgicos, têxteis e alimentícios. 

As reivindicações eram diretas e atravessam o tempo: reajuste salarial de 60%, congelamento de preços e reconhecimento de comissões de fábrica. Mesmo com limites e manobras institucionais, a mobilização garantiu resultado: reajuste de cerca de 32% e uma vitória moral que mostrou, mais uma vez, que quem luta conquista e a classe operária organizada é uma força inquebrável.

As greves operárias do Centro foram centrais para derrubar a Ditadura Vargas

Alguns tentam fazer crer que a classe operária ficou paralisada no período da Segunda Guerra Mundial quando Vargas impôs a ditadura do Estado Novo para aumentar ainda mais a exploração. Pesquisas mais recentes, porém, têm confirmado o que a imprensa da época escondia a realidade a mando do governo: os anos finais da guerra e da ditadura foram de greves e atos de rebeldia operária. 

Em 1944, no auge da repressão, sabendo se sua força fundamental, os operários na impossibilidade de fazer greves abertas, organizavam ações de sabotagem do ritmo da produção (as chamadas operações-tartaruga) e de insubordinação dentro das fábricas.

Na fábrica da Goodyear localizada no Belenzinho, a produção chegou a cair 30%. Em 1945, com o fim da guerra, chegou o momento da classe operária cobrar a conta do governo em uma explosão de greves que só recentemente conhecemos em detalhes.

Só entre 14 e 28 de maio de 1945 foram registradas pelo DOPS 341 greves, a imensa maioria no Centro de São Paulo. As greves explodiram sobretudo entre os têxteis (26%) e mecânicos (18%), mas envolveram também os operários dos setores alimentícios, de vidros, papelão, pneumáticos e da ferrovia São Paulo Railway que chegou paralisar totalmente, algo que não aconteceu nem em 1917. Ao todo, quase 400 mil operários estavam de braços cruzados.

E quem eram esses operários? Mais de 80% deles estavam empregados nas grandes fábricas (com mais de 500 trabalhadores), 65,5% moravam nos bairros periféricos recém-formados com a expulsão dos operários do Centro Antigo.

A maioria (63%) eram jovens de 15 a 29 anos que estavam sendo fichados pela primeira vez e recebendo seu batismo de fogo na luta de classes. A proporção de negros entre os grevistas detidos era superior a média de negros operários na fábrica (14,5% x 11%) e a liderança do setor têxtil indica que as mulheres que ocupavam 60% desses postos tiveram protagonismo na greve. 

O governo foi obrigado a negociar com todas as categorias. Os dados mostram que foram essas greves as responsáveis pela real efetivação do salário mínimo e da CLT na classe trabalhadora paulista: Se em 1944, 4 em 10 operários recebiam menos que um salário mínimo, em 1945 a proporção caiu para 2 em 10 e em 1946 para menos de 1 em 10. O setor têxtil que liderou a greve teve êxitos impressionantes: em 1944, 50% recebiam menos que o mínimo, mas em 1946, após nova onda de greves, o índice despencou para 20%.

O Centro de São Paulo segue sendo território operário

Uma mentira repetida nos últimos anos é a de que “a cidade de São Paulo não tem mais indústrias”, ou de que a classe operária desapareceu. História contada por quem tenta botar água fria na luta de classes. A verdade é outra: as fábricas continuam na cidade, e muitas ainda seguem presentes nesse eixo histórico, seja em plena operação, seja reconfiguradas em outros formatos produtivos e logísticos. 

Mesmo onde antigas fábricas foram transformadas em mercados, universidades ou empreendimentos imobiliários, os bairros carregam uma marca que não se apaga: são territórios moldados pelo trabalho operário, e a classe operária segue grande, forte e presente, produzindo tudo o que vemos, circulando nas mesmas ruas e trens que toda a nossa classe, se deslocando e sustentando a vida de São Paulo e do Brasil.

Recontar a história da industrialização no Centro e das lutas operárias na Mooca e no Ipiranga é reafirmar dois princípios simples: nenhuma conquista veio de presente e ainda mais importante, a classe operária quando organizada pode tudo! Tudo o que hoje existe como direito, foi conquistado na luta, nas greves, nos enfrentamentos e na organização.

Com o capitalismo na sua fase final e agonizante, impor precarização, rebaixar salários, flexibilizar direitos e fragmentar a classe trabalhadora, são táticas de desmobilização. 

Portanto, lembrar 1917 e 1953 é lembrar que o povo trabalhador e a classe operária têm força quando se organizam.  Se ontem essa força organizou greves, enfrentou a repressão e conquistou vitórias, hoje ela pode e deve ser retomada para novas vitórias. Porque os operários seguem firmes. E onde existe exploração, existe também a possibilidade concreta de resistência, organização, conquista, e sobretudo, liberdade!

 

Servidores ocupam Prefeitura e arrancam pagamento de salários atrasados em Campina Grande (PB)

Servidores de Campina Grande, Paraíba, ocuparam a prefeitura da cidade exigindo pagamento dos salários atrasados. A gestão de Bruno Cunha Lima, do União Brasil, tem sido recorrente em atrasar os salários de pais e mães de famílias, servidores do município. A mobilização contou com apoio do MLC e da Unidade Popular. 

Clodoaldo Gomes| Redação Paraíba


TRABALHADOR UNIDO- Cerca de 150 servidores municipais da área da saúde de Campina Grande ocuparam hoje, 11 de fevereiro, por volta de 8:30, o Gabinete do Prefeito Bruno Cunha Lima. Os servidores exigiam o pagamento dos salários atrasados, que deveriam ser pagos ainda dentro do mês trabalhado.

Segundo Franklin Ikaz, presidente do Sintab (Sindicato dos Trabalhadores Públicos Municipais do Agreste e Borborema) os atrasos vêm ocorrendo de forma recorrente já há 14 meses. Desta vez, a paciência dos servidores acabou e a categoria decidiu em assembleia radicalizar.

Esta mobilização se insere dentro da resposta dos trabalhadores ao caos administrativo instalado na gestão municipal de Bruno Cunha Lima (União Brasil). Além do atraso dos salários da Saúde, teve o atraso do pagamento do salário dos prestadores de serviço da Educação e da Limpeza Urbana. A própria secretaria de Administração do município teve a energia cortada e depois foi despejada por falta de pagamento do aluguel do imóvel onde estava localizada. Não bastasse, Campina Grande começou o ano enfrentando uma crise ambiental que teve repercussão nacional, com cerca de 10 toneladas de peixes mortos sendo retiradas do Açude Velho, cartão postal da cidade.

O ato contou com o apoio do Movimento Luta de Classes e da Unidade Popular pelo Socialismo (UP). O presidente do Sintab agradeceu o apoio: “Quero agradecer ao Movimento Luta de Classes por estar aqui presente, assim como sempre está presente em todas as lutas dos servidores da rede pública municipal em Campina Grande…”

Marrythiely Rodrigues, presidente municipal da UP e membro da Coordenação Estadual do Movimento Luta de Classes, ressaltou o compromisso do partido e de sua corrente sindical com a luta dos trabalhadores municipais e a necessidade de derrotar a gestão Cunha Lima: “A Unidade Popular já vem denunciando as arbitrariedades do prefeito, estamos toda semana nas ruas fazendo agitações pelo Fora Bruno Cunha Lima. Sabendo de nossa disposição, o Sintab sempre nos convida para suas mobilizações e sempre fazemos o esforço de estar presentes, pois, como partido do povo trabalhador a UP deve estar onde tiver luta.”

Ao fim do ato, que obrigou a Prefeitura a pagar os salários atrasados, a sindicalista parabenizou a categoria: “Assim como a Limpeza Urbana há algumas semanas, os profissionais de saúde foram à luta e saíram vitoriosos. Esse é o caminho. Fora Bruno!!!”

Governo recua na dragagem, mas mantém a privatização dos rios no Pará

Indígenas mantém ocupação em frente ao terminal portuário da Cargill, em Santarém, no oeste do Pará, e ampliam denúncias e reivindicações contra um retrocesso socioambiental que é a dragagem no Rio Tapajós. A manifestação teve início dia 22 de janeiro e segue firme.  

Denily Fonseca |Pará 


MEIO AMBIENTE- A ocupação indígena em frente ao terminal da multinacional Cargill, chega ao 22° dia de resistência. Fruto da mobilização e da pressão de dezenas de povos indígenas do Baixo Tapajós, o governo federal anunciou a suspensão do Pregão Eletrônico nº 90515/2025, que previa a contratação de empresa para executar o Plano Anual de Dragagem de Manutenção Aquaviária (PADMA) na Hidrovia do Rio Tapajós, sob responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).

Sem a ocupação, o pregão teria seguido normalmente. A suspensão do decreto comprova que, diante dos interesses do agronegócio e das grandes empresas, direitos só existem quando são arrancados pela luta organizada dos povos.

Apesar da suspensão da dragagem, o Decreto nº 12.600, que prevê a concessão da Hidrovia do Tapajós à iniciativa privada, segue em vigor. Enquanto esse decreto não for revogado, a ameaça permanece. Por isso, os povos indígenas mantêm a ocupação.

Arco Norte: o corredor do saque que transforma a Amazônia em rota de exportação

O chamado Arco Norte não é um projeto de desenvolvimento para a Amazônia. É um corredor logístico criado para atender exclusivamente aos interesses do agronegócio e das multinacionais exportadoras, encurtando o caminho da soja e do milho produzidos no Centro-Oeste até os portos do Norte e, de lá, ao mercado internacional.

Nesse modelo, rios como o Tapajós deixam de ser territórios vivos e passam a ser tratados como infraestrutura logística. O planejamento do Arco Norte articula portos privados, hidrovias concedidas à iniciativa privada, rodovias e ferrovias para garantir rapidez, baixo custo e segurança ao capital exportador.

Portos como o da Cargill, em Santarém, são peças centrais desse projeto. Eles não existem para fortalecer a economia local, garantir soberania alimentar ou melhorar a vida da população. Existem para escoar commodities, gerar lucro para grandes empresas e aprofundar a dependência econômica do país.

O Arco Norte não existe para desenvolver a Amazônia nem para melhorar a vida de quem vive no território. Ele existe para garantir lucro rápido e barato ao capital. Nesse sentido, a Amazônia entra como rota de passagem fácil.

O que significa não revogar o decreto?

Manter o Decreto nº 12.600 significa aceitar a privatização dos rios amazônicos. Significa entregar o controle de um bem público essencial à vida para empresas privadas que operam segundo critérios de rentabilidade e não de preservação ou respeito aos povos.

Na prática, isso impõe dragagens permanentes, aumento intenso do tráfego de grandes embarcações, restrição do uso tradicional do rio e a imposição de obras sem consulta livre, prévia e informada. O rio deixa de ser território e passa a ser estrada privada do agronegócio.

Por isso, somente a suspensão de um pregão não altera esse projeto. Enquanto o decreto seguir em vigor, novas dragagens e novas concessões continuarão sendo planejadas. O governo apenas adia o conflito, na tentativa de preservar os interesses empresariais e ao mesmo tempo dizer que está ao lado dos povos indígenas e comunidades tradicionais da região.

A morte dos rios e a destruição dos biomas

A dragagem e a transformação do Tapajós em hidrovia provocam impactos profundos e muitas vezes irreversíveis. A retirada de sedimentos altera o curso do rio, compromete a reprodução dos peixes, afeta a qualidade da água e desorganiza o ciclo natural das cheias.

Esses impactos atingem diretamente os biomas amazônicos, a pesca artesanal, as florestas de várzea e a segurança das comunidades que dependem do rio para viver. Um rio submetido à lógica do mercado deixa de ser um sistema vivo e passa a ser uma máquina de transporte. Esse processo representa a morte gradual dos rios amazônicos.

Ataque direto à vida, à cultura e aos costumes dos povos

As multinacionais, representantes do agronegócio, da exportação em massa não podem privatizar um rio, pois ele organiza a vida social, cultural e espiritual de milhares de comunidades e povos indígenas que habitam o baixo Tapajós. A privatização do Tapajós ameaça os modos tradicionais de pesca e navegação, os rituais ligados às águas, a transmissão de saberes entre gerações e a própria existência coletiva dos povos.

Transformar o rio em hidrovia significa empurrar comunidades inteiras para fora de sua história. A cultura é desorganizada, a vida comunitária é fragmentada e o território é reduzido a espaço de passagem de mercadorias.

Cargill: imperialismo, lucro e destruição

A Cargill, é a expressão concreta desse projeto na região do Tapajós. Multinacional imperialista, não tem qualquer compromisso com a vida do povo, com a preservação da natureza ou com o futuro da Amazônia. Seu único compromisso é com o lucro.

Há anos, a empresa se beneficia da exploração das riquezas naturais, do uso de infraestrutura pública e da expansão do agronegócio, aprofundando a dependência econômica e os impactos socioambientais. Onde a Cargill avança, aumentam os conflitos, a destruição ambiental e a violação de direitos.

A ocupação continua

Foi somente com a força da mobilização indígena que a dragagem foi suspensa. Não foi concessão do governo. Foi a imposição da luta. Por isso, os povos indígenas seguem ocupando e resistindo.

Sem a revogação do Decreto nº 12.600, não há solução. Defender o Tapajós é enfrentar o agronegócio, o imperialismo e um governo que, apesar do discurso, segue governando para os empresários.

A luta dos povos indígenas do Tapajós é a luta em defesa da vida, dos rios e da Amazônia. E essa luta só avança com organização, resistência e enfrentamento direto ao saque.

Terceirizados do restaurante universitário da UFRJ lutam contra exploração

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Falta de pagamento e condições de trabalho leva trabalhadores do bandejão da UFRJ a lutarem contra empresa terceirzada Nutryenerge.

Nata Mesquita e Matheus Monteiro | Rio de Janeiro


TRABALHADOR UNIDO – No último dia 28/01, os trabalhadores terceirizados do setor Bandejão Central da UFRJ paralisaram pela falta de pagamento das férias, ticket alimentação, vale transporte, atrasos no FGTS e melhores condições de trabalho. Esta situação ocorre há anos na universidade devido ao malicioso modelo de privatização e terceirização dos serviços de alimentação, limpeza e vigilância, fazendo com que um serviço que antes era feito por parte da UFRJ, com concursos e estabilidade, agora seja feito por empresas duvidosas, que ofertam os menores valores para serem contratadas, e portanto, são as que têm as piores condições de trabalho.

Organizados contra esse absurdo, os trabalhadores da Nutryenerge se organizaram em conjunto com o DCE UFRJ para lutar contra o atraso do pagamento de direitos trabalhistas que estavam sendo realizados pela empresa, que já estava insustentável.

“Tudo isso tem sido muito difícil de enfrentar, trabalhamos com muita dedicação e responsabilidade, mas não recebemos o mínimo necessário para viver com dignidade. Meu desejo é apenas que meus direitos sejam respeitados e que eu possa trabalhar com tranquilidade, segurança e sustento pra minha família”, relata um funcionário da Nutryenerge.

 

A situação desumana da terceirização se dá de maneira mais intensa no serviço público desde a Reforma Trabalhista promovida por Michel Temer e aprofundada por Bolsonaro. Ao aderir a terceirização, teoricamente se reduzem os gastos no serviço público, com menos direitos sendo garantidos pelo Estado aos trabalhadores desses órgãos.

Porém, na realidade, o projeto da terceirização ameaça profundamente o próprio funcionamento dos órgãos públicos, legitimando cortes nos seus orçamentos e facilitando a sua privatização total, dificultando que a nossa população consiga ter acesso à saúde pública, educação pública e moradia popular.

A paralisação dos funcionários começou já no dia 27/01, e junto com o DCE UFRJ e o Movimento Luta de Classes, incentivaram os estudantes a assumirem a distribuição da alimentação, sobre o mote “Se a empresa não paga os trabalhadores, nós não pagaremos a empresa!”. Não é a primeira vez que essa ação ocorre, sendo a primeira em abril de 2025, mostrando que a unidade de trabalhadores e estudantes na luta vale a pena e dá resultado.

Repressão

Em retaliação a ação dos trabalhadores e estudantes, a gerência da empresa escondeu os alimentos para que os estudantes não pudessem almoçar, bem como acionou seguranças privados para intimidar os estudantes e trabalhadores que estavam liderando a greve. Além disso, houve a perseguição de funcionários que estavam mais à frente na paralisação, com tentativas de coagir os funcionários a assinarem advertência.

Ainda assim, os funcionários e estudantes não se intimidaram, a todo o momento conversando com os estudantes sobre a situação que estava acontecendo, aumentando a pressão sobre a empresa. A partir desta pressão, a gerência da Nutryenerge foi obrigada a se deslocar para o Restaurante Universitário dar esclarecimentos aos trabalhadores.

A luta conquista

A partir da reunião conquistada na greve, houve a promessa por parte da empresa de quitar o pagamento das férias e do Vale-Transporte no dia seguinte. Bem como o compromisso de retornar na semana que vem para que possam ser esclarecidas outras questões referentes às condições de trabalho como a interrupção do pagamento de insalubridade, a falta de materiais de limpeza e EPI, a climatização, o pagamento do FGTS e muito mais. 

No dia seguinte, como resultado da pressão dos trabalhadores, do DCE e do Movimento Luta de Classes, o pagamento das férias realmente caiu! Mas a empresa falhou com o pagamento do vale-transporte, e apenas pagou as férias dos trabalhadores que já tinham retornado ao serviço, enquanto os que ainda não tinham retornado continuam na espera. 

Lutar contra a terceirização

A situação desumana da terceirização se dá de maneira mais intensa no serviço público desde a Reforma Trabalhista promovida por Michel Temer, em 2017, e aprofundada por Bolsonaro. A terceirização serve apenas para tirar os direitos garantidos pelo Estado aos trabalhadores dos órgãos públicos. Além disso, a imposição desse regime legitima cortes no orçamento público e facilita a sua privatização total, dificultando que a nossa população consiga ter acesso à saúde pública, educação pública e moradia popular.

A luta dos terceirizados do bandejão da UFRJ demonstra que a luta organizada e consequente dos trabalhadores é capaz de trazer conquistas e direitos. Mas para agir na raiz do problema é preciso lutar contra a privatização e terceirização na nossa sociedade, e em defesa de uma recomposição orçamentária nas Universidades Federais para que se possa voltar a fazer concursos públicos e contratações nesses setores, garantindo estabilidade e dignidade aos trabalhadores. 

CIPOML: Saudação internacional ao XI Congresso do Partido Comunista do Trabalho da República Dominicana

Confira a mensagem de saudação dos partidos da CIPOML ao XI Congresso do Partido Comunista do Trabalho (PCT) da República Dominicana, reunido neste mês.


Ao Comitê Central do Partido Comunista do Trabalho e aos delegados do XI Congresso do Partido Comunista do Trabalho da República Dominicana,

Camaradas,

Expressamos ao Comitê Central, a todos os delegados presentes no XI Congresso do Partido Comunista do Trabalho, bem como a todos os trabalhadores e à comunidade da República Dominicana, a profunda alegria de nossos partidos pelos êxitos alcançados neste que é o evento mais importante do comunismo marxista-leninista dominicano.

As conclusões derivadas da análise e do debate esclarecido sobre a realidade nacional e internacional, a situação dos trabalhadores e do povo dominicano, bem como as perspectivas para nossas lutas, desenvolvidas durante a preparação e realização do Congresso, constituem um passo adiante que reafirma o compromisso com a mudança e a força do Partido Comunista do Trabalho como vanguarda política do processo revolucionário na República Dominicana.

O evento, que se desenrolou em meio a uma complexa conjuntura econômica, política e social, sublinha a profunda crise do sistema capitalista. Vivemos em um mundo turbulento, onde as contradições fundamentais de nosso tempo foram exacerbadas, marcando um acentuado processo de reconfiguração econômica e política da atual ordem internacional. O Congresso dos comunistas dominicanos referenda também o que a CIPOML (Conferência Internacional de Partidos e Organizações Marxistas Leninistas) destaca que “uma das características mais marcantes do atual cenário internacional é o ressurgimento da agressão do imperialismo estadunidense. A presença de Donald Trump na Casa Branca aprofundou as contradições inter-imperialistas, inclusive com seus aliados tradicionais, e seu slogan ‘Make America Great Again’ tornou-se, hoje em dia, um grito de guerra para os monopólios internacionais mais poderosos e os setores mais reacionários da oligarquia imperialista estadunidense, visando recuperar o terreno perdido pelos Estados Unidos no cenário econômico e político global nos últimos anos”.

Como conclusão desta análise, os camaradas dominicanos reafirmaram seu compromisso com o CIPOML e sua tarefa de fortalecer e desenvolver os partidos marxistas-leninistas, desenvolver a unidade de luta dos trabalhadores e dos povos, combater a agressão imperialista e o fascismo e abrir perspectivas para a revolução.

Na República Dominicana, o Congresso rejeitou por unanimidade a decisão do governo Luís Abinader ceder o território nacional para acomodar militares estadunidenses em seus planos de agressão contra a Venezuela, Cuba e outros países do continente. Esse ato inconstitucional, que demonstra a servilidade e o espírito subserviente que caracterizam este governo, revela seu alinhamento com as políticas trumpistas, a direita fascista e o capital financeiro internacional.

Nesse contexto, destacamos a clara decisão de nosso partido irmão de insistir no desenvolvimento de um amplo movimento de massas em favor de um governo alternativo verdadeiramente democrático, que levante as bandeiras da soberania, dos direitos democráticos e do bem-estar geral da população dominicana, oprimida pela aplicação de políticas neoliberais.

Nessa perspectiva, fortalecer o partido e amadurecer a consciência revolucionária para as mudanças que o país exige é um grande desafio e uma decisão crucial para os comunistas dominicanos. Firme e unânime é a convicção dos delegados presentes no Congresso, que apontam que a revolução é uma tarefa possível; é uma tarefa que foi lançada e exige uma solução. Nesta tarefa devemos dedicar todos os esforços necessários, pois o progresso de uma sociedade que ama e exige a liberdade permanece um compromisso fundamental. A revolução é uma tarefa insubstituível, certa e nada fácil, que nos mobiliza diariamente e exige grandes esforços: conectar-nos com as massas, defender os interesses coletivos, organizar, educar e guiar os trabalhadores e as amplas massas populares no caminho da luta contra a exploração e a opressão capitalistas.

Destacando o exposto, enfatizamos que trabalhar pela revolução exige um grande esforço coletivo para fortalecer o Partido Comunista, fortalecer seus quadros e militantes na defesa do marxismo-leninismo e consolidá-lo como uma organização capaz de liderar as amplas massas trabalhadoras na luta contra a burguesia e o imperialismo, bem como na luta pelo poder para os trabalhadores e o povo.

Enfatizamos também o firme compromisso assumido para enfrentar a xenofobia racista, a perseguição aos imigrantes haitianos, bem como as ideias conservadoras e ultraconservadoras que se opõem à defesa dos direitos democráticos, à autodeterminação e ao pleno exercício das liberdades públicas.

Todos esses compromissos também exigem o fortalecimento da Frente Ampla, o trabalho incansável para unir e mobilizar as massas numa perspectiva que favoreça a causa revolucionária e socialista dos nossos povos.

A rejeição da agressão dos Estados Unidos contra a Venezuela, a exigência da libertação imediata do Presidente Nicolás Maduro e de sua esposa Cilia Flores, o fim do bloqueio e o respeito à causa revolucionária e socialista dos nossos povos, a soberania do povo cubano, a defesa de um Haiti livre e soberano, a condenação do genocídio o qual povo palestino é vítima nas mãos de Israel e dos imperialistas estadunidenses e, em geral, o apoio e a solidariedade aos povos do mundo que lutam contra a exploração e pela liberdade são palavras de ordem de nossos camaradas, aos quais nos unimos e a quem saudamos neste congresso.

Saudamos os sucessos de nosso partido irmão na realização deste XI Congresso, que fortalece a luta do povo dominicano e encoraja nossos partidos a continuarem a luta pela liberdade e pelo socialismo.

Viva o XI Congresso do PCT!

Viva o internacionalismo proletário ativo e militante!

Viva o marxismo-leninismo!

Partido Comunista Revolucionário (Brasil) – PCR
Partido Comunista da Colômbia (Marxista-Leninista) – PCC (ML)
Partido Estadunidense do Trabalho – APL
Partido Comunista Marxista-Leninista do Equador  – PCMLE
Partido Comunista do México (Marxista-Leninista) – PCMML

Santo Domingo, fevereiro de 2026

 

 

 

 

Estado mantém mãe e filho presos injustamente por lutar contra despejos em SP

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“Sabia que os companheiros não iriam me abandonar. Meu único medo é quando eu sair daqui não encontrar minha mãe viva.”

Redação SP


Fernando Correa e sua mãe Marina Correa, de 68 anos, moradores da cidade de Mogi das Cruzes (SP), são mais duas vítimas do sistema que encarcera e violenta o povo pobre. Por se defenderem de um despejo violento e sem respaldo jurídico, Fernando e Marina foram presos e acusados injustamente de tentativa de homicídio. Na realidade, apenas agiram em legítima defesa em meio a um conflito familiar gerado pela lógica da propriedade privada.

Fernando é um trabalhador negro e pai solo de três crianças que eram criadas com o auxílio de sua mãe. É também um grande lutador na defesa da moradia digna, não só para sua família, mas para todo o povo pobre trabalhador.

Desde 2015, quando foi despejado por não conseguir pagar o aluguel, Fernando, para não viver na rua, se abrigou com suas crianças e sua mãe em um barraco de dois cômodos sem banheiro, cedido por uma tia, numa favela com esgoto a céu aberto próxima a torres de energia. Nesta comunidade, tornou-se uma liderança por lutar contra os despejos ilegais e, agora, além da humilhação causada pelo cárcere, vê sua mãe idosa correr risco de vida no sistema prisional brasileiro.

A justiça burguesa, que nada vê quando se trata do povo pobre, condenou Fernando e sua mãe a 15 anos de prisão. Não tiveram acesso à ampla defesa e, por isso, a verdade dos fatos não foi esclarecida ao longo do processo. Diferente dos ricos, que podem gastar milhões com seus advogados e ficam anos aguardando em liberdade os intermináveis recursos, Fernando e Marina saíram do primeiro julgamento direto para a cadeia, mesmo com o direito de apelar da decisão.

Mãe e filho estão presos há mais de 5 meses. Ele está numa cela com mais 30 pessoas, a 700 km da cidade dos seus familiares, sem acesso a visitas e ao jumbo, itens básicos de sobrevivência, como roupas, alimentos e produtos de higiene que apenas os familiares cadastrados podem levar aos presos. 

Para ter o mínimo como uma pasta de dente, Fernando assumiu a faxina geral da cela e, assim, consegue alguns itens para sobreviver. Já Marina, em situação similar, é uma mulher trabalhadora de quase 70 anos, com uma série de comorbidades, que corre sérios riscos de não sobreviver à situação desumana dos presídios.

Fernando na campanha de solidariedade do MLB à vitimas da Covid-19 (Foto: Jornal A Verdade)
Fernando na campanha de solidariedade do MLB à vitimas da Covid-19 (Foto: Jornal A Verdade)

Fernando é um lutador popular

Na luta em defesa da moradia digna, Fernando se tornou militante do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas, o MLB. Além de ajudar a população do seu bairro, Fernando participou das brigadas de solidariedade realizadas pelo movimento durante a pandemia de Covid-19, distribuindo cestas básicas para famílias que perderam seus empregos e ficaram em condição de insegurança alimentar.

É uma pessoa solidária, que, mesmo tendo pouco, dedicava seus melhores dias e recursos para ajudar quem precisava. “Quando fizemos uma ocupação no centro de São Paulo, o Fernando veio lá da sua cidade, a 3 horas de distância, com suas três crianças pequenas, arrastando um carrinho de feira cheio de cobertores para doar para as famílias”, relatou uma camarada do MLB sobre a disposição do companheiro. 

No momento que ouviu a sentença, ainda no fórum, pouco antes de ser preso, a última coisa que Fernando fez foi enviar uma mensagem a um dos companheiros do MLB informando o que havia acontecido. Graças ao apoio da equipe de advogados populares que dão suporte jurídico ao movimento, ele recebeu sua primeira visita, em que relatou: “Sabia que os companheiros não iriam me abandonar. Meu único medo é, quando eu sair daqui, não encontrar minha mãe viva”. 

Mesmo diante do pior momento de sua vida, Fernando se mantém firme, confiando na força do coletivo e depositando suas esperanças na camaradagem de seus companheiros – como fez durante toda sua vida – para sair dessa situação.

Fernando e Marina tiveram a liminar de habeas corpus negada e ainda aguardam julgamento do mérito, além do próprio recurso de apelação. Não é justo que um pai trabalhador e uma mulher idosa que trabalhou por toda sua vida estejam presos por tentarem salvar a vida de três crianças enquanto lutavam em defesa da sua moradia. Trata-se de mais duas vítimas de um sistema racista que lucra através do encarceramento em massa do povo preto, pobre e periférico.

Não existe justiça para o pobre no Brasil

O Brasil possui a terceira maior população encarcerada do mundo. São quase 900 mil pessoas privadas de liberdade no país, sendo cerca de 700 mil em celas superlotadas submetidas a todo tipo de violação de direitos básicos: torturas, superlotação, alimentação estragada e escassa, falta de acesso a condições de higiene básicas e falta de atendimento médico são algumas das denúncias mais frequentes dos presos. 

Mas não para por aí: a taxa de mortes violentas nas prisões é quatro vezes maior do que da população em geral e os suicídios três vezes mais frequentes. Só no ano de 2023, mais de 3 mil pessoas morreram dentro dos presídios – mais de 8 pessoas por dia.

Além disso, os dados também mostram que cerca 30% dos presos no Brasil não foram sequer julgados, ou seja, vivem em condição de prisão provisória, abandonados atrás das grades e sem acesso à justiça. Pretos e pardos somam 64% de encarcerados, mesmo sendo 55% da sociedade, o que comprova que a justiça brasileira tem preferência de raça e classe.

Mesmo com a crise do sistema carcerário brasileiro, o golpista Jair Bolsonaro hoje está preso em uma cela maior do que a casa de muitos trabalhadores, mostrando que a justiça não é a mesma para os ricos e os pobres. As más condições dos presídios brasileiros deixam claro que o sistema prisional não busca ressocialização ou reeducação de ninguém, é apenas um depósito de gente, a maioria encarcerada por ser pobre e favelada.

Roseli, militante do Movimento de Mulheres Olga Benario e camarada de Fernando relatou ao jornal A Verdade: “É muito triste o ponto que chegamos: a falta de moradia, a propriedade privada de um barraco, a violência desse sistema, destrói nossas famílias. Essa é a origem da prisão dos nossos companheiros, a propriedade privada, o sistema capitalista”.

Liberdade para Fernando e Marina! Morar não é crime!

O MLB faz um chamado a todos para participarem da campanha pela liberdade imediata de Fernando e Marina, denunciando que a injustiça ocorrida com esses dois trabalhadores é, na realidade, o reflexo de um sistema que encarcera e mata a população em nome do lucro e da manutenção da propriedade privada. Enquanto existirem mais prédios vazios do que pessoas sem casa, milhares de pessoas como Fernando e Marina continuarão a sofrerem as consequências severas de um regime capitalista que coloca o lucro acima da vida. 

Nesse momento, toda contribuição é fundamental. O valor arrecadado pela campanha ajudará a custear o pagamento dos advogados e as longas viagens até o presídio onde está Fernando, além de contribuir para a formação dos jumbos com os itens necessários para uma sobrevivência mais digna na cadeia e para o bem-estar dos filhos de Fernando. Além disso, o MLB realizará denúncias do caso nos bairros e nas portas das fábricas junto da classe operária, com panfletagens e um abaixo-assinado, que fazem parte de uma enorme campanha nacional.

O crime do rico a lei o cobre,

O Estado esmaga o oprimido,

Não há direitos para o pobre,

Ao rico tudo é permitido.”

– Hino da Internacional Comunista

 

Doe para o fundo de apoio à família no Pix: liberdadeparafernandoemaria@gmail.com

Assine o abaixo assinado pela libertação de Fernando e Marina!

 

Justiça por Guilherme: moradores protestam contra a violência policial em Cariacica (ES)

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Moradores de Santana, em Cariacica, realizaram um protesto na última terça-feira para cobrar justiça pelo assassinato de Guilherme, de 22 anos, morto após ser baleado por um policial militar.

Caio Coutinho | Espírito Santo


BRASIL – Em uma reação ao crescente cenário de letalidade policial no estado do Espírito Santo, familiares, amigos e moradores do bairro Santana, em Cariacica, foram às ruas manifestar-se e exigir justiça pelo assassinato do jovem trabalhador Guilherme Magalhães Perim Augusto, de 22 anos. Guilherme foi baleado por um policial militar e, embora tenha sido internado em estado grave, infelizmente não resistiu aos ferimentos e faleceu na última terça-feira (03/02).

Segundo a versão oficial da polícia, o disparo teria sido efetuado em “legítima defesa”, após Guilherme realizar manobras arriscadas e supostamente “jogar sua moto contra o policial após desobedecer a uma ordem de parada”.

Entretanto, o relato das testemunhas que estavam no local apresenta outra perspectiva: o policial estava lanchando no momento em que realizou a abordagem. Guilherme estaria parando o veículo, mas, devido à distância, precisou fazer um desvio em vez de apenas frear bruscamente, sendo baleado logo em seguida. Após o disparo, o policial teria fugido do local sem prestar socorro ou dar início formal à ocorrência.

A manifestação ocorreu no mesmo dia do assassinato e reuniu dezenas de pessoas, com imagens viralizando rapidamente. Durante o ato, manifestantes vestiram camisetas com o rosto de Guilherme, entoaram palavras de ordem, ergueram cartazes e bloquearam vias de uma rodovia da região.

Páginas de notícias alinhadas ao chamado “Populismo Penal Midiático” disseminaram, sem provas, que a ação policial ocorreu porque Guilherme estaria realizando um “grau” (manobra com a moto). É fundamental ressaltar que tal prática não é punível com pena de morte. Na verdade, a pena de morte é proibida pela Constituição de 1988 para crimes comuns. Contudo, a realidade brasileira demonstra que o uso inconsequente da violência brutal, especialmente contra o povo negro, pobre e periférico, tem sido a forma pela qual a polícia militar busca lidar com as questões sociais do país.

Histórico de violência

O caso de Guilherme não é isolado. No ano passado, a mesma cidade foi palco de outro crime que gerou indignação nacional: três policiais militares assassinaram o adolescente Kaylan Ladário dos Santos, de 17 anos, jogando-o do alto de uma ponte.

Esses episódios evidenciam o aumento da letalidade policial não apenas no Espírito Santo, mas em todo o Brasil. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, essa taxa cresceu 190% em uma década, sendo que 83% das vítimas são pessoas negras.

“Hoje em dia, nossos jovens não podem usar um boné de aba porque são vistos como bandidos. Se fazem uma tatuagem, são bandidos! Até quando, gente? Até quando vamos viver isso? Eu sou mãe! Até quando vamos viver essa violência no nosso estado? Vamos fazer justiça, queremos justiça em favor do Guilherme e do jovem que foi jogado da ponte!”, diz um familiar de Guilherme durante a manifestação.

O Jornal A Verdade, a Unidade Popular e a Frente Negra Revolucionária continuarão denunciando firmemente a política de extermínio da nossa juventude trabalhadora.