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domingo, 1 de fevereiro de 2026
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Obra de Jackson do Pandeiro se torna Patrimônio Cultural Imaterial da Paraíba

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Um dos maiores artistas da música brasileira, Jackson do Pandeiro tornou-se patrimônio imaterial da Paraíba, estado natal do artista, um reconhecimento que serve para reafirmar a cultura popular e levantar o debate em torno de como esse sistema trata seus artistas e suas obras.

Redação Paraíba


CULTURA- José Gomes Filho, filho do coco e do batuque, inventou uma forma de tocar o Nordeste que virou clássico da música popular brasileira. Nascido em Alagoa Grande, Paraíba, em 31 de agosto de 1919, filho de Flora Mourão, cantadora de coco e de um oleiro, José Gomes. Teve uma infância muito pobre e nunca frequentou uma escola. Já em Campina Grande trabalhou como engraxate e auxiliar de padeiro para sustentar a família após a morte do pai.

Seu ritmo, sua percussão e sua voz nasceram da periferia, trabalhada nas feiras e nas festas. As músicas de Jackson mostram a cultura do povo, suas tradições, seu cotidiano, além de retratarem seus sentimentos e suas origens. Por isso que valorizar Jackson é também valorizar a raiz afro-brasileira que sustenta o forró, o coco e tantos modos de viver nordestinos.

A verdade é que a arte popular sempre foi uma das formas mais poderosas de resistência do povo trabalhador. Jackson mostrou isso quando cantou “Chiclete com banana”, ironizando a influência americana na música brasileira, e quando exaltou o cotidiano do Nordeste em “Forró em Campina”.

“Eu só boto bebop no meu samba quando Tio Sam tocar um tamborim

Quando ele pegar no pandeiro e no zabumba

Quando ele aprender que o samba não é rumba.”

 

Reconhecimento tardio

A Paraíba deu um passo importante ao reconhecer a obra de Jackson do Pandeiro como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado. O reconhecimento veio próximo ao dia da Consciência Negra, data que marca a morte do herói Zumbi dos Palmares e a luta contra a escravidão e o racismo.

Porém o que o Estado chama hoje de “tesouro cultural” é o mesmo que por décadas foi ignorado, desvalorizado e até ridicularizado pela indústria e pela elite. E agora? Esse reconhecimento simbólico vai virar compromisso real com sua memória e com os artistas que fazem cultura popular?

Um povo que cria, um sistema que apaga

A história da música brasileira tem muitos casos parecidos, mas sem a devida atenção. O cantor e compositor Cassiano é um caso emblemático: Também paraibano, foi um dos maiores nomes da Black Music nacional. Mesmo assim, morreu em 2021 sem o reconhecimento que merecia, esquecido pela mídia e abandonado pela indústria. Cassiano, Jackson, Cartola, Clementina de Jesus, todos sofreram em algum nível com o mesmo sistema que lucra com a cultura negra, mas não devolve o que deve a seus artistas.

No capitalismo, o talento só é valorizado quando dá lucro e não escancara a pobreza e a fome do nosso povo. A arte, nesse modelo, é tratada como produto e não como expressão de vida e identidade. Por isso que nossa crítica precisa ser direta e clara: arte não é luxo, é direito. Enquanto o povo cria, a elite lucra. Enquanto o batuque e o pandeiro ecoam nas ruas, a concentração de renda cala vozes, fecha espaços e destrói sonhos de jovens paraibanos. A liberdade da arte popular depende da libertação do próprio povo trabalhador. Os artistas comprometidos com a cultura popular continuam fazendo sua arte, tendo em Jackson do Pandeiro uma referência de resistência. Tornar sua obra patrimônio imaterial é prova disso. Prova de que não deixaremos a memória dos nossos ser esquecidas.

Viva Jackson do Pandeiro! Viva a cultura popular que resiste!

 

Fraude no Enem escancara falha do vestibular

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A anulação de questões e os sucessivos erros na aplicação do Enem revelam que o filtro do acesso à universidade não é apenas injusto, mas estruturalmente falho.

Jesse Lisboa | Redação


EDUCAÇÃO – O projeto burguês de sucateamento da educação pública e investimento na educação privada trata milhões de jovens, que sonham ingressar no ensino superior, com descaso. A recente anulação de questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025, após um estudante antecipar perguntas em uma transmissão ao vivo, não é um caso isolado, mas a ponta do iceberg de um sistema que exclui os trabalhadores e trata a educação como mercadoria.

Enquanto o Ministério da Educação (MEC) tenta minimizar o escândalo afirmando que “protocolos foram seguidos”, a realidade mostra a falha no processo seletivo. O estudante, que afirmou ter “decorado o padrão” do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) após participar de pré-testes, expôs a lógica mecânica e repetitiva de uma prova que não avalia conhecimento, mas sim a capacidade de adestramento para um teste.

Um histórico de incompetência e exclusão

Não é a primeira vez que os estudantes brasileiros são prejudicados por falhas graves na aplicação do Enem. Relembrar o histórico do exame é ver um filme de terror repetido, onde quem paga o ingresso é a juventude pobre.

Em 2009, o exame foi cancelado após o vazamento da prova, furtada de dentro da gráfica, gerando um prejuízo milionário aos cofres públicos e um desgaste emocional para os estudantes. No ano seguinte, em 2010, erros de impressão em cadernos amarelos e a inversão de cabeçalhos no gabarito forçaram a suspensão da prova pela Justiça Federal.

A lista de absurdos continua:

  • 2011: Questões do Enem vazaram em um simulado de um colégio particular de Fortaleza dias antes da prova oficial, privilegiando alunos que já tinham acesso a um ensino de elite.
  • 2014: O roubo de um caminhão dos Correios no Rio de Janeiro levou cartões de resposta embora, obrigando estudantes de Pernambuco a refazerem o exame pela terceira vez.
  • 2019: Sob o governo Bolsonaro, fotos da prova vazaram durante a aplicação, circulando em grupos de WhatsApp enquanto os estudantes ainda estavam em sala. O ministro da época minimizou o caso, culpando aplicadores individuais e ignorando a falha sistêmica de segurança.

O vestibular é uma barreira

A recente fraude de 2025, somada ao golpe dos sites falsos de inscrição que lesou 35 mil estudantes em 2024, prova que o Enem é um terreno fértil para oportunistas e para o lucro. O modelo de vestibular no Brasil serve para filtrar quem entra e quem fica de fora, garantindo que as vagas nas universidades públicas continuem sendo ocupadas majoritariamente por quem pode pagar cursinhos caros e escolas privadas.

Para o estudante da escola pública, que muitas vezes precisa trabalhar para ajudar no sustento da casa, o Enem é um obstáculo quase insuperável. Estes estudantes sofrem com a falta de infraestrutura, de professores, de recursos pedagógicos e de políticas públicas que garantam uma educação de qualidade.

Pelo fim do vestibular

A solução não é apenas “melhorar a segurança” da prova, mas questionar a própria existência dela. A educação é um direito universal, não um prêmio para quem sobrevive a uma maratona de falhas e ansiedade. É preciso lutar pelo fim do vestibular e pelo livre acesso à universidade pública, gratuita e de qualidade para todos. Enquanto o ensino for tratado como privilégio e o acesso for mediado por provas falhas e excludentes, a juventude trabalhadora continuará pagando a conta.

Rompendo o silêncio: pesquisadores concluem a 2ª etapa de escavações no DOI-CODI/SP

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Grupos da UFMG, Unicamp e Unifesp realizaram escavações que tem por objetivo restaurar os espaços e romper o silêncio sobre o passado do prédio onde há 50 anos foi assassinado e forjado o suícidio do jornalista Vladimir Herzog

Wildally Souza | São Paulo​


Entre os dias 27 de outubro e 8 de novembro de 2025, equipes de Arqueologia da UFMG, Arqueologia Pública da Unicamp e Arqueologia Forense da Unifesp e Arquitetura e Patrimônio que fazem parte do Grupo de Trabalho do DOI-CODI, retomaram as escavações no antigo DOI-CODI de São Paulo, localizado na Rua Tutóia, 921,Vila Mariana, atual sede da 36ª Delegacia de Polícia Civil.​

A segunda parte da ação que busca vestígios dos anos da ditadura militar faz parte das investigações iniciadas em agosto de 2023, com o objetivo de compreender a materialidade e as transformações do espaço que funcionou como um dos principais e o mais notório centro de repressão da ditadura militar brasileira, entre 1969 e 1983. ​

O que significam as escavações no DOI-CODI/SP

O Destacamento de Operações de Informação — Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI) foi o principal órgão da ditadura militar encarregado de reprimir opositores do regime. Estima-se que cerca de 7.000 pessoas tenham sido presas e interrogadas – frequentemente sob tortura — no prédio que, apesar de poucas, foi desfigurado e sofreu transformações de suas estruturas após o fim da ditadura. ​

Os prédios do antigo DOI-CODI/SP são considerados como marcos físicos, que documentam o período em que vigorou a ditadura. As escavações e as pesquisas no local possibilitam materializar vestigios da repressão, tortura e desaparecimentos forçados.

As escavações também permitem que os relatos orais dos que passaram pelos centro de torturas se transformem em provas físicas que rompam o silêncio de histórias abafadas ou silenciadas por inteiro, fortaleçam a necessidade da preservação da memória para que tais atrocidades não se repitam, além de contrapor as narrativas oficiais do Estado brasileiro sobre esses crimes contra o povo.

Deborah Neves, pesquisadora de pós-doutorado e coordenadora do Grupo de Trabalho Memorial DOI-CODI, explica a importância do trabalho arqueológico nos centros de repressão: “Todo esse processo detalhado que temos feito e que materializa a história, contribui para que outros lugares que também estão sendo reivindicados para serem transformados em centros de memória, tenham uma ideia de qual o percurso mais interessante a se seguir”, afirma. ​

A equipe de escavações contou com pesquisadores da UFMG, UNICAMP e UNFESP. Foto: Wildally Souza/JAVSP

A pesquisadora ainda explica ao jornal A Verdade  o porquê do levantamento arqueológico e físico do local ser importante para a luta por Memória, Verdade, Justiça e Reparação. “Pra gente entender o que esse prédio tinha para nos contar, era importante que a gente fizesse essa pesquisa arqueológica, justamente para tratar ele como um espaço de cena de crime efetivamente. Então, por isso o trabalho da arqueologia foi muito importante para revelar esses aspectos de espaço criminal. Isso contribui efetivamente para que a reparação dos crimes venham junto com a luta por memória e verdade”, explica a pesquisadora. ​

Já a mestranda em Arqueologia Pública pela Unicamp, Beatriz Mazim, explicou como foi realizado o processo de abertura das sondagens arqueológicas — intervenções em profundidade no solo que permitem a avaliação da história, natureza e da estratigrafia de um determinado local.

“Aqui em 2023 foram abertas cinco sondagens de 1×1 m. Essas sondagens são para verificar o potencial arqueológico do lugar. E aqui, verificaram que tinha um potencial arqueológico bom. E nessa etapa, foi decidido abrir uma única sondagem em formato de trincheira de três metros quadrados e aberta na área externa, que é uma sondagem um pouco mais comprida. Assim, as escavações vão acontecendo aos poucos, procurando detalhadamente os vestígios daquele período. E a expectativa é sempre de chegar no nível zero, uma espécie de um solo virgem da época, o que será determinante para reconstruir a história, colocar pingos no ‘i’s e determinar em diversos aspectos o que de fato aconteceu aqui, juntando com as histórias orais e os relatos diversos que contemplam esse local”, explica Mazim. ​

O que foi encontrado no local?

Na primeira etapa das escavações, ocorridas em 2023, entre os indícios preliminares de tortura encontrados no local, estão escritos nas paredes feitos pelos prisioneiros, artefatos que indicam o processo de sequestro e fichamento dos prisioneiros e resíduos de um material que indicava a presença de sangue. ​

Já na segunda etapa, nas escavações, coordenadas pelo Professor Andrés Zarankin (UFMG), foram encontrados diversos vestígios arqueológicos, tais como materiais construtivos associados às mudanças físicas na arquitetura do prédio ao longo do tempo e objetos que podem estar relacionados ao funcionamento cotidiano do complexo: louças, vidro, metais, etiquetas de produtos, etc. ​

Estes materiais são oriundos da trincheira na entrada do edifício onde ocorriam grande parte dos interrogatórios e torturas e onde foi capturada a foto que simula o suicídio de Vladimir Herzog — até o momento única imagem interna do edifício durante o funcionamento do DOI-CODI. O artefato que mais chamou a atenção da equipe é uma prótese dentária, que será analisada em laboratório para identificar, por exemplo, o material de que foi feita, a técnica de produção empregada e, a partir
desses elementos, a época na qual foi utilizada.

Prótese dentária encontrada durante as escavações. Foto: Wildally Souza/JAVSP

A equipe de Arqueologia Forense, coordenada pela professora Cláudia Plens (Unifesp) em colaboração com a Dra. Maryah Haertel (UFSC), ampliou as análises no segundo andar do edifício, com o objetivo de identificar possíveis vestígios orgânicos humanos, como a presença de sangue, por meio da aplicação de técnicas forenses que incluem o uso de luminol — reagente químico que, em contato com o ferro da hemoglobina, emite uma luz azulada — e de luzes forenses.​

Nesta etapa, ainda foi iniciado um importante trabalho de levantamento arquitetônico coordenado pelo arquiteto Alessandro Sbampato (Rebrapesc) em colaboração com Deborah Neves (Unifesp). A partir dele, tem sido possível analisar materiais construtivos recuperados nas escavações de 2023 em confronto com plantas originais localizadas em 2021 e identificar técnicas construtivas.

Sobretudo, tem sido possível identificar causas, mecanismos e efeitos de anos de desuso e má conservação do edifício 2-A, desde alterações nos materiais provocadas por infiltrações de água até a presença de agentes biológicos de degradação, como cupins e pombos.​

O Grupo de Trabalho Memorial DOI-CODI destaca que dessa etapa resultará tanto um diagnóstico conclusivo com previsão de custo para realizar os reparos necessários quanto “diretrizes detalhadas de intervenção neste importante e singular patrimônio cultural edificado do Estado de São Paulo, com relevância nacional”​.

Trabalho de memória com as crianças e documentário “Arqueologia da tortura”

Sob a coordenação da professora Aline Carvalho (Unicamp) e da Dra. Fernanda Lima (UFMG), a equipe de Arqueologia Pública ainda promoveu visitas mediadas ao espaço. O local também recebeu diversos ex-presos políticos que passaram pelo DOI-CODI e filhos (as) de sobreviventes. Além disso, o grupo desenvolveu oficinas educativas para professores e estudantes, com foco na história da repressão no
Brasil e a luta por direitos humanos. ​

Para Deborah essa é a parte mais bonita do trabalho. “É poder mudar a história do futuro. Como eles são muito jovens, não têm medo de fazer perguntas e não têm medo de errar. Então, eles trazem questionamentos pra gente que às vezes a gente nunca nem tinha pensado. E eu acho que trazê-los para essa visita também permite que eles tenham contato com a realidade que às vezes é muito distante. Às vezes, eles têm contato só por meio de livros ou de séries e parece que é uma coisa que
nunca existiu. Então, trazê-los aqui permite que eles conheçam de perto a história do Brasil passada a limpo “, explica. ​

O professor Andrés Zarankin também acredita que o projeto terá um papel pedagógico relevante sobre a sociedade. “Considero que haverá uma contribuição importante para a conscientização sobre o que significa realmente um governo de exceção, no qual as pessoas são tratadas como inimigas apenas por pensarem diferente”, conclui.​

Durante toda semana, os trabalhos puderam ser contemplados pelos alunos de escolas públicas e instituições de ensino, que assistiram relatos dos presos políticos ainda vivos, tiveram contato com os materiais encontrados durante as escavações de 2023 e puderam perguntar e comentar sobre o que aprenderam sobre o prédio, a repressão contra o povo e a luta por memória, verdade e justiça no Brasil e no mundo. A criançada curiosa e envolta em conhecer essa parte dolorosa da história do Brasil declararam que no futuro tal coisa não acontecerá mais, porque “agora sabemos da verdadeira história e não vamos repeti-la”.​

O projeto ainda contempla um documentário dirigido e roteirizado por Carla Gallo e com produção da Ouro de Tolo Filmes. Intitulado “Arqueologia da tortura”, a produção audivisual tem o obejtivo de documentar todo o processo de luta para que o local se transforme em um Memorial, além de acessiblizar as informações sobre o que aconteceu no prédio para além do que está nos livros e depoimentos, mas considerando também o que está no solo, nas paredes e nos objetos que passamos por cima diariamente e não temos noção do poder arqueologico. ​

Para Carla esse documentário é uma missão de cobrar uma dívida do passado. “O documentário é um veículo de informação, é um veículo de emoção, e a gente vê a reação das pessoas quando assistem. E é uma reação de emoção e de tomada de consciência sobre a importância do que está sendo feito aqui. É também fazer cumprir efetivamente esse processo de verdade e justiça. A gente tem, no filme, o
acompanhamento da primeira etapa, com o encontro dos ex-presos políticos, a análise da arquitetura, a história do prédio, e a arqueologia forense também, que busca vestígios de sangue E foi muito emocionante, porque a gente viu as coisas acontecendo. A persistência,a esperança deles e as vitórias que eles vão tendo nesse processo, que é muito lento, muito burocrático e muito difícil, também está
documentada por completo”, declara a diretora. ​

Indígena Guarani Kaiowá é morto por pistoleiros no Mato Grosso do Sul

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Segundo o Conselho Indigenista Missionário, testemunhas relataram que os agressores tentaram remover o corpo da vítima do local.

Verônica Serpa 


BRASIL – Um homem indígena da etnia Guarani e Kaiowá foi assassinado na madrugada do último domingo (16) durante um ataque de pistoleiros em área de retomada da Terra Indígena (TI) Iguatemipeguá, na cidade de Iguatemi, no Mato Grosso do Sul.

Em nota à imprensa, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) informou que homens fortemente armados invadiram o território e assassinaram Vicente Fernandes Vilhalva Kaiowá e Guarani, de 36 anos, com um tiro na cabeça. Segundo relatos, os atiradores tentaram recolher o corpo da vítima, mas foram impedidos pelos indígenas.

O ataque começou por volta das quatro horas da manhã e durou cerca de duas horas. O comunicado da organização destaca que um cerco foi realizado contra a aldeia e uma ponte foi destruída para impedir o acesso ao local, o que dificultou a chegada da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP)

Outras quatro pessoas foram atingidas por disparos, entre elas dois adolescentes e uma mulher. Um adolescente foi alvejado com arma de fogo e os demais foram atingidos com balas de borracha. O Cimi recorda que esse tipo de armamento não letal é restrito ao uso das forças de segurança.

“Compondo a agromilícia, tratores derrubaram os barracos da retomada e abriram buracos para enterrar os pertences dos Kaiowá e Guarani, como panelas, roupas, mantimentos, lonas e objetos ligados à espiritualidade e cultura do povo. Alguns barracos e utensílios foram incendiados”, diz trecho do comunicado.

Desde outubro, a etnia iniciou a retomada que ocupa uma área de 100 hectares da Fazenda Cachoeira sobreposta à TI e fronteiriça à aldeia Pyelito Kue. O local abriga mais de 200 pessoas em apenas um dos 761 hectares da fazenda. Neste intervalo, a comunidade já sofreu quatro ataques. 

Em 2007, o Ministério Público Federal (MPF) e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) assinaram um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que definia o prazo de três anos para a publicação dos estudos do conjunto de TIs Guarani e Kaiowá no estado. O relatório, que só foi publicado em 2013, delimitou o território com 41,5 mil hectares.

A Funai, também em nota, manifestou pesar pela morte de Vicente Fernandes e reforçou a necessidade de uma ação rigorosa para investigar o caso. A autarquia solicitou ações conjuntas para combater os grupos de pistoleiros que atuam na região.

“É inaceitável que indígenas continuem perdendo suas vidas por defender seus territórios. A morte de mais um indígena Guarani Kaiowá acontece ao mesmo tempo em que o mundo discute e visualiza a importância dos povos indígenas para a mitigação climática debatida na COP30, infelizmente evidenciando que não existe trégua na perseguição aos corpos dos defensores do clima”.

Reproduzido na íntegra de Alma Preta

Rios, Pontes e Overdrives: O Pensamento de Josué de Castro Introduzido no Movimento Manguebeat

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O movimento Manguebeat foi muito além da  música. Inspirado nos estudos e contribuições de Josué de Castro, a cena musical brasileira foi inundada de uma arte politizada, contestadora e muito atual. 

Alberes Simão| Petrolina (PE)


CULTURA- No cruzamento emblemático entre os rios do Capibaribe, as pontes do Recife e os cabos elétricos das guitarras, nasceu nos anos 1990 o Manguebeat, movimento que uniu som, meio ambiente, política e identidade. Mas por trás dos tambores e dos overdrives, pulsava também um pensamento profundamente socialista e humanista — o pensamento de Josué de Castro, médico, geógrafo e militante comunista que revelou ao mundo o mapa da fome e denunciou a miséria como produto da exploração capitalista.

“Uma antena enfiada na lama, sintonizada com o mundo.” Assim Chico Science definiu o Manguebeat. E essa imagem — lama e antena — poderia muito bem sintetizar o método de Josué de Castro: compreender o local sem perder de vista o global; entender o Recife, sua fome e sua cultura, como um microcosmo dentro de uma estrutura internacional de dominação.

O Manguebeat surgiu num contexto de crise urbana e cultural, quando o Recife dos anos 1990 sofria com desemprego, exclusão e o avanço da lógica neoliberal. Os jovens artistas, vindos das periferias, dos mocambos e das zonas alagadas, reagiram com música e crítica social. A batida eletrônica misturada ao maracatu era também uma denúncia da desigualdade e uma afirmação da vida popular — outra prática estética e política que dialogava diretamente com a obra de Josué de Castro.

O pensamento de Josué de Castro e sua contribuição social

Em Geografia da Fome (1946) e Homens e Caranguejos (1967), Josué mostrou como a fome não é um fenômeno natural, mas resultado histórico da concentração da terra, da renda e do poder. Essa análise estrutural inspirou gerações de intelectuais e militantes, e encontrou eco no Manguebeat, que via na cultura popular o terreno da resistência. O som do mangue não era apenas mistura: era método. Um modo de recompor o tecido social rasgado pela lógica da exclusão.

A ponte entre Josué e o Mangue está justamente na ideia de que a cultura é também campo de luta de classes. Ambos partiram da lama — um, para denunciar a fome; outro, para transformá-la em ritmo. Ambos acreditavam que a transformação social começa pela consciência: “O primeiro passo para matar a fome é entender a fome”, dizia Josué; “A lama é o nosso chão fértil”, dizia Chico.

O movimento Manguebeat, ao introduzir o pensamento de Josué de Castro em sua pulsação estética, reconectou o Marxismo com a cultura popular — não pela teoria abstrata, mas pela vivência concreta das ruas, dos manguezais, da cidade partida. A crítica ao colonialismo cultural e à dependência econômica, tão presentes em Josué, tornaram-se beats, rimas e metáforas urbanas.

O escritor e militante do Partido Comunista Revolucionário Luiz Falcão, em sua obra As Maravilhas do Capitalismo, desmonta com ironia e contundência o discurso ideológico da burguesia. Ele escreve:

“O capitalismo é o único sistema capaz de transformar a miséria em espetáculo e o sofrimento humano em mercadoria.”

 

A frase sintetiza com precisão o caráter desumano do capital. Tudo o que toca, da cultura à natureza, do corpo ao afeto, é convertido em valor de troca. A pobreza, em vez de ser combatida, é transformada em produto midiático, e a solidariedade, em campanha publicitária.

Hoje, diante do avanço do capitalismo cultural e da banalização das expressões populares, revisitar esse encontro é um ato político. Rios, pontes e overdrives não são apenas paisagens recifenses: são metáforas de resistência. O rio que corta a cidade é o mesmo que alimenta o povo; a ponte é o elo entre o saber popular e a ciência crítica; o overdrive é a distorção necessária para que a voz do oprimido seja ouvida.

“Josué de Castro plantou a semente. O Manguebeat fez essa semente pulsar no corpo da cidade”.

Ao conectar ciência e arte, fome e som, luta e estética, o Manguebeat fez ecoar, em batidas eletrificadas, a velha lição marxista de Josué de Castro: enquanto houver fome, haverá luta; enquanto houver povo, haverá cultura.

 

Petrolina: uma cidade rica que vive da exploração de seu povo!

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Há muitos anos a elite local tem vendido a imagem de “California do Sertão” para Petrolina, mas, apesar de ser a 5ª cidade mais rica de Pernambuco e a terceira mais populosa, a realidade para o povo trabalhador é bem diferente da propaganda, e não é nada fácil. 

Alberes Simão| Petrolina


LUTA POPULAR- Petrolina é frequentemente chamada de “Califórnia do Sertão”, um suposto símbolo de modernização, prosperidade e progresso no coração do Nordeste. Mas basta sair dos cartões-postais e caminhar pelos bairros operários, pelas vilas e pelas periferias da cidade para enxergar o outro lado da moeda: o povo pobre e trabalhador que constrói essa riqueza com o suor do seu rosto e recebe, em troca, apenas migalhas.

O agronegócio exportador, alardeado como motor do desenvolvimento regional, ergueu um verdadeiro império às margens do São Francisco: Uvas, mangas e outras frutas finas viajam para a Europa e os Estados Unidos, rendendo lucros milionários para os grandes empresários e latifundiários. Mas enquanto os caminhões e aviões saem carregados de riqueza, o trabalhador rural segue vivendo em barracos, recebendo salários miseráveis e enfrentando condições degradantes de trabalho.

Nas fazendas irrigadas, os relatos são conhecidos: jornadas exaustivas, assédio, falta de direitos, terceirização, e até trabalho análogo à escravidão. É o preço da “Califórnia do Sertão”: um oásis para os patrões, um deserto para o povo. Falta de moradia, transporte precário, violência policial e abandono do poder público. O mesmo Estado que garante energia, estradas e crédito barato para o agronegócio, nega o básico para quem realmente faz a cidade funcionar. Não tem como não lembrar dos versos da canção “A Novidade”, de Gilberto Gil e Herbert Vianna.

Quem mantém essa riqueza toda?

Os bairros periféricos, erguidos pela força das mãos trabalhadoras, continuam sem saneamento, escolas decentes e postos de saúde adequados. A juventude pobre, sem oportunidades, é tratada como inimiga e não como futuro. Esse mês de outubro foi marcado pela falta d’água na cidade. Alguns bairros passaram mais de 15 dias sem água nas torneiras. Mas, pergunta se faltou água para garantir a exportação das uvas para a Europa, Oriente Médio e EUA? Achando pouco, a governadora segue com seu plano de privatizar a COMPESA. O povo pobre não é socorrido. Para os ricos, tudo.

O discurso da elite local, política, empresarial e midiática tenta vender a imagem de uma cidade moderna, empreendedora e “inserida no mercado global”. Mas o que realmente está globalizado é o modelo de exploração capitalista, que transforma a terra, a água e a força de trabalho em mercadorias para enriquecer uns poucos e condenar a maioria à pobreza.

Por trás da fachada de progresso, a desigualdade cresce, e o povo trabalhador segue sem participar dos frutos da riqueza que produz. Petrolina é a “Califórnia do Sertão” apenas para os grandes exportadores e seus aliados. Para o povo, continua sendo um território de resistência e luta. Pois é apenas o que resta para a classe trabalhadora sertaneja. Por isso que tem crescido ao longo dessa ano de 2025 a referência na Unidade Popular e dos movimentos que compõem nosso partido na cidade. Cada vez mais surgem pessoas querendo se organizar para mudar sua realidade.

A Petrolina que queremos não é a do lucro estrangeiro, mas a da terra repartida, da água pública, do trabalho digno e do poder popular. Somente assim o sertão deixará de ser a “Califórnia dos ricos” para se tornar o território livre e socialista do povo trabalhador!

 

Viva a luta do povo de Petrolina!

Viva a bravura sertaneja!

Abaixo o agronegócio explorador!

Terra, moradia e poder para o povo!

 

 

Minha homenagem ao MLB

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Graças ao exemplo do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas, o MLB, nós podemos ver que é possível construir realmente um novo mundo. Essa é a minha homenagem ao MLB e a todas as famílias que compõem essa verdadeira trincheira de luta.

Alberes Simão | Petrolina


CARTA – Em meio à crescente crise econômica e social que castiga o povo trabalhador, o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) tem se consolidado como uma das principais expressões da organização popular nas periferias urbanas do Brasil. Nascido das entranhas do povo pobre e explorado, o MLB mostra, na prática, que só a luta organizada pode arrancar conquistas e enfrentar o poder dos ricos e dos governos que os servem.

Desde sua fundação, o movimento tem demonstrado uma combatividade incansável na defesa do direito à moradia digna, à terra urbana e à cidade para quem nela vive e trabalha. Em cada ocupação, em cada assembleia e em cada ato de rua, o MLB reafirma sua posição de independência de classe, recusando-se a se curvar diante dos interesses da burguesia ou das falsas promessas eleitorais.

Nas ocupações urbanas que florescem em dezenas de cidades, o MLB transforma o abandono e a miséria impostos pelo capitalismo em espaços de resistência e solidariedade. Onde antes havia terrenos ociosos e prédios abandonados, hoje brotam comunidades cheias de vida, esperança e consciência política. Ali, o povo aprende, na prática, o verdadeiro sentido da organização popular e do poder coletivo.

Mais do que lutar por moradia, o MLB constrói poder popular. Em suas fileiras, homens e mulheres do povo tomam nas mãos o destino de suas vidas, discutem política, decidem coletivamente, enfrentam despejos e repressões, e seguem firmes na luta por uma nova sociedade, livre da exploração do homem pelo homem.

Num país em que o desemprego, a fome e o despejo são armas de controle social, o MLB se ergue como símbolo de resistência e de esperança. Sua força está na unidade e na combatividade do povo pobre, que não aceita mais viver de migalhas.

Enquanto os ricos concentram terras e lucros, o povo organizado mostra que a cidade pertence a quem nela trabalha e luta. O MLB é a expressão viva dessa verdade e segue marchando ao lado de outros movimentos populares e forças revolucionárias, construindo no presente os alicerces de um futuro socialista.

Um momento inesquecível para nossa luta

O 7 de setembro desse ano vai ficar para sempre em minha memória, e deveria estar na mente de todos lutadores, especialmente aqueles que tiveram a honra de construí-lo. Foi uma poderosa e verdadeira jornada de lutas, o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) realizou, neste mês, a ocupação de mais de 15 prédios e terrenos abandonados em diversas cidades do país. Os imóveis, sem função social há anos, foram transformados em espaços de moradia, dignidade e resistência popular, reafirmando a máxima de que “onde não há justiça, o povo organiza e constrói o poder popular.”

As ações, realizadas de forma coordenada, mobilizaram milhares de famílias trabalhadoras, que sofrem com o aumento do aluguel, o desemprego e a falta de políticas habitacionais. De norte a sul, as ocupações se tornaram símbolo da luta pelo direito constitucional à moradia e denúncia viva do abandono do Estado e da especulação imobiliária que domina as grandes cidades brasileiras.

“Enquanto milhares dormem nas ruas, há prédios inteiros vazios nas mãos de especuladores. O povo não aceita mais ser invisível. O que o capitalismo nega, o povo conquista com organização e coragem”, afirmou um coordenador nacional do MLB.

Os empreendimentos ocupados, muitos pertencentes a bancos, grandes construtoras e ao próprio poder público, estavam anos sem cumprir sua função social, servindo apenas ao lucro e à especulação. Com as ocupações, o MLB devolve sentido social ao espaço urbano, transformando o abandono em vida coletiva, e o concreto frio em esperança.

“O 7 de setembro do povo não é o dos generais nem dos empresários. É o 7 de setembro das mães que lutam por creche, dos jovens sem oportunidade, dos trabalhadores sem teto e sem terra”, declarou uma das lideranças do movimento.”

O MLB transformou o dia, historicamente usado pela elite para reafirmar seus privilégios, em um ato de resistência popular. Em várias cidades, o movimento articulou ações conjuntas com sindicatos, movimentos de juventude, coletivos culturais e frentes de esquerda.

As falas dos manifestantes lembraram que não há independência com fome, nem liberdade com desigualdade. A pauta central foi a defesa de políticas públicas para as favelas, moradia digna, transporte acessível, educação pública e direito à cidade.

Em Recife, Belo Horizonte, Salvador e Fortaleza, os atos ganharam caráter de festa e luta: artistas locais se apresentaram, crianças leram poesias, e militantes lembraram o legado dos que tombaram na luta por um Brasil verdadeiramente popular.

“O Brasil que queremos não é o das armas, mas o do pão, do livro e da dignidade”, afirmou um dos participantes, em meio aos aplausos.

O Movimento de Bairros, Vilas e Favelas, fundado em meio às lutas contra a carestia e o desemprego, reafirma sua posição como expressão viva da classe trabalhadora urbana, organizada nos territórios mais esquecidos pelo Estado.

Neste 7 de setembro, o povo mostrou que a verdadeira independência ainda está por vir, e que será conquistada nas ruas, nas comunidades e nas lutas coletivas.

“O povo unido e organizado é invencível!”

Essa é a bandeira que tremula em cada ocupação, em cada protesto, em cada gesto solidário do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas.

E enquanto houver injustiça, o MLB seguirá em pé, combativo e consciente, lutando por um Brasil verdadeiramente do povo.

Indígenas ocupam espaço da COP30 e denunciam bilionários

Indígenas ocupam espaço da COP30 para denunciar exploração da natureza pelo capitalismo e também exigir diálogo por parte dos governos.

Ronni Souza e Belle Leite | Redação PA


BRASIL – Pela primeira vez na Conferência das Partes (COP30), manifestantes conseguem adentrar a Zona Azul, área restrita aos grandes empresários capitalistas e a alta cúpula dos governos, denunciando  uma Conferência que segrega povos, comunidades e organizações populares. A ação aconteceu nesta terça (11/11), durante a Marcha pela Saúde e Clima, construída por movimentos sociais e organizações ligadas à saúde, além de povos indígenas.

A Conferência das Partes é um evento essencialmente excludente, que fecha os olhos às demandas do povo e negocia os recursos naturais conforme o interesse da grande burguesia. Durante a COP, líderes mundiais e grandes empresários se reúnem para planejar as ações relacionadas às mudanças climáticas. Pelo menos é isso que se diz deste evento. Na verdade, o encontro dos signatários da Convenção Sobre Mudança do Clima é realizado para negociar o meio ambiente e os recursos naturais ao bel prazer do grande capital. 

Nesse sentido, a ação dos indígenas reverbera a indignação popular diante de um evento que, em Belém do Pará, cidade sede, só trouxe melhorias para as áreas nobres e privilegiou os interesses da especulação imobiliária. Enquanto isso, a cidade possui uma das maiores favelas de palafitas do mundo, a Vila da Barca, com mais de 7 mil pessoas morando em cima da Baía do Guajará, mas sem acesso a saneamento básico e água de qualidade.

No mundo todo, povos e comunidades tradicionais são alijados do debate político e social sobre as mudanças climáticas, mesmo que sejam diretamente afetados pelas ações desastrosas das mineradoras e do agronegócio. É preciso ouvir quem trabalha verdadeiramente para a salvação do planeta e da vida, quem vive da terra e sabe cuidar dela, para que assim possamos dar respostas reais aos problemas que enfrentamos.

Já na manhã desta quarta-feira (12/11), a Zona Azul amanheceu tomada por um grande contingente de forças de segurança, incluindo a Força Nacional. Essa movimentação demonstra o medo que a revolta popular causa nesses poderosos, que se preocupam somente com seus interesses em obter lucro e não debatem de forma consequente a pauta ambiental. Expulsar povos e organizações populares que vivem no centro do debate climático escancara as contradições da COP 30 e seus interesses escusos.

Diante da emergência climática, povos e organizações do mundo inteiro têm o direito de levantar bem alto a bandeira de luta pela construção de uma nova sociedade, na qual sejamos os protagonistas e conquistemos o poder popular,

Seminário Resistência Popular na Amazônia

No mesmo dia da Ocupação, a Unidade Popular realizou o seminário “Resistência Popular na Amazônia”, que teve como objetivo principal debater sobre o meio ambiente e denunciar as contradições do capitalismo verde e “sustentável”, em mais um espaço paralelo à COP. O evento reuniu um grande público e contou com a presença de representações de movimentos sociais e populares, além de diversas pessoas que estavam interessadas em conhecer a perspectiva da luta popular organizada em tempos de crise econômica e emergência climática.

Foram organizadas duas mesas de debate: uma sobre Capitalismo e Emergência Climática e outra sobre a importância das Mídias Populares para as lutas na Amazônia. Em cada mesa houve momentos de exposição, perguntas e intervenções do plenário, garantindo um verdadeiro ambiente de democracia popular.

Leonardo Péricles, presidente nacional da UP, ao fim de sua intervenção na primeira mesa fala sobre a necessidade dos povos e da classe trabalhadora organizada para um enfrentamento radical e revolucionário aos grandes governos e monopólios capitalistas. “Paz entre nós e guerra aos senhores. Os revolucionários e revolucionárias de verdade amam o povo e a classe trabalhadora e odeiam a exploração! Tem ódio do imperialismo! Ódio das classes dominantes!”.

A mesa ‘A importância da mídia popular para as lutas na Amazônia’ contou com a participação de Bebel (Coletivo Soberana), Adriano Wilkson (Jornalista Investigativo independente) e Bruna Freire (JAV). A mesa destacou o papel da mídia e da comunicação popular para um enfrentamento e um contraponto direto às mídias tradicionais e suas tentativas de enganar o povo. Bruna Freire fez uma exposição sobre o caráter, o papel e o poder de agitação e propaganda e organização do jornal A verdade e de sua imprensa popular e revolucionária.

Estamos vendo em Belém do Pará muito mais do que as farsas dos governos e das grandes corporações capitalistas, aqui estamos podendo constatar a indignação crescente dos povos e da classe trabalhadora, indignação que está sendo expressada em poder popular e organizativo.

A COP30 acirra as contradições entre o modo de produção capitalista e os povos do mundo inteiro. A mensagem é clara, esse sistema não tem mais nada a oferecer para a sociedade e para a história, a saída para os problemas sociais e para a crise climática e ecológica que estamos enfrentando está no povo organizado e na construção de uma sociedade radicalmente diferente desta. A sociedade socialista.

Sindicato luta contra a ameaça de fechamento de escola pública em Uberaba

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Na direção do Sindicato dos Educadores do Município de Uberaba(SINDEMU), MLC luta pela permanência da Escola Municipal de Uberaba, que está ameaçada de fechamento após SESC reivindicar parte do seu prédio.

Thaís Villa e Mel Oliveira | Minas Gerais


 

A Escola Municipal Uberaba possui 80 anos de história e é referência na educação pública e pioneira na inclusão de pessoas com deficiências e neurodivergentes. Em entrevista à mídia local da cidade, a prefeita Elisa Araújo (PSD) disse que o SESC estaria reivindicando parte do prédio onde funcionam cerca de 25 turmas. A fala gerou revolta e apreensão entre famílias, os alunos e professoras(es), dada a ameaça de não continuidade da escola já no ano de 2026!

Toda a comunidade se esforçou para tentar uma reunião com a prefeita a fim de saber a veracidade do fato, quando seria essa devolução do prédio ao SESC e, principalmente, como ficarão suas vidas no próximo ano. Desde então, a comunidade escolar vem tentando, sem sucesso, obter respostas da prefeita. A Secretaria Municipal de Educação (SEMED) afirmou não ter sido oficialmente comunicada sobre o possível despejo, ainda que tenha sinalizado a intenção de realizar um chamamento público para aluguel de outro prédio na região, uma solução improvisada que ignora o impacto sobre alunos e trabalhadores da educação.

Para as crianças neurodivergentes a situação é ainda mais estressante.

“Meu filho por ser autista demora a se adaptar a novos locais, novas pessoas e aqui na Escola já está plenamente adaptado. Uma mudança dessas, afetaria muito ele.”, relatou uma mãe de aluno.

Diante do descaso da Prefeitura, o SINDEMU (Sindicato dos Educadores do Município de Uberaba), em conjunto com o Movimento Luta de Classes (MLC) e a comunidade escolar, tem sido a principal força de resistência. No dia 18 de setembro, organizaram um ato em frente à escola para denunciar a ameaça de fechamento. A mobilização resultou na conquista de uma Audiência Pública, realizada em 22 de outubro na Câmara Municipal, e no lançamento de um abaixo-assinado que já soma mais de 1.500 assinaturas.

As principais reivindicações da comunidade são:

  1. A permanência do prédio público enquanto Escola Municipal Uberaba;
  2. Que o prédio cedido pelo SESC não seja devolvido em 2025 ou 2026;
  3. Que se construam as salas necessárias no prédio que pertence à prefeitura e/ou um Anexo da Escola na Praça Estevão Pucci (ou outro local próximo);
  4. Que até a construção do Anexo e/ou novas salas a Escola Municipal Uberaba siga funcionando na sede e no prédio do SESC;
  5. Que todas(os) as(os) professoras(es) tenham a garantia de seguir lecionando na Escola em 2026 e aos alunos a garantia de permanecerem matriculados;
  6. Que a Prefeita Elisa se reúna com a comunidade para dialogar sobre o futuro da Escola.

A prefeita Elisa Araújo, que já participou de um Fórum Conservador promovido por vereadores da Câmara, onde foram feitas declarações criminosas contra a população LGBTQIAP+, optou por se ausentar da Audiência Pública sobre o futuro de uma das mais antigas escolas do município, mostrando mais uma vez o desprezo de seu governo pela educação e pelas demandas populares.

A luta em defesa da Escola Municipal de Uberaba revela o papel decisivo do sindicato classista na defesa dos direitos da população e na resistência a medidas que prejudicam a nossa comunidade. Antes da atual gestão, o SINDEMU estava há oito anos sob o controle de um setor imobilista ligado ao PCdoB, que bloqueava as mobilizações da categoria e chegou a aplicar um golpe em 2021, impedindo a inscrição de chapa por parte do MLC. Desde setembro, com uma nova direção comprometida com as lutas populares, o sindicato já conquistou 80 novas filiações e tem sido protagonista nas batalhas em defesa da educação pública e dos direitos trabalhistas.

A experiência de Uberaba mostra que apenas a mobilização popular organizada é capaz de enfrentar o autoritarismo e a negligência do poder público. O exemplo do SINDEMU e do MLC demonstra o caminho que a classe trabalhadora deve seguir: retomar os sindicatos das mãos de grupos oportunistas e transformá-los novamente em instrumentos de luta e resistência. Só com organização e combatividade será possível garantir que escolas como a Municipal Uberaba permaneçam a serviço do povo, e não dos interesses da elite conservadora

 

ZEMA: Inimigo do povo

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O governo Zema em Minas Gerais aprofunda a entrega do patrimônio público, ataca os trabalhadores e aplica um projeto autoritário e antipovo. A luta popular cresce contra as privatizações e o PROPAG.

Rafael Fumero e Fernando Lopes | Minas Gerais


 

Entre os dois mandatos do fascista Romeu Zema (NOVO) à frente de Minas Gerais, a dívida com a União cresceu mais de 50%, mas esse dinheiro não foi direcionado para a benesse do povo mineiro, assim como os mais de R$30 bilhões do acordo após o crime ambiental da Vale. Pelo contrário, serviu às construtoras do Rodoanel (R$3 bi), às concessionárias privadas do metrô (R$440 mi), repasse para as prefeituras, investimento para o setor privado e estado mínimo para os serviços populares. O escandaloso aumento de 300% no próprio salário e as repetidas tentativas de criar “polêmicas” com falas absurdas, são apenas parte do projeto autoritário e anti-povo colocado na prática nos mandatos do Partido Novo.

“PROFRAUDE”

Desde junho deste ano, o povo mineiro tem visto aumentar os ataques do “governador” Zema (NOVO) contra a própria população. A adesão do governo de Minas ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (PROPAG) colocou em processo de falsa “federalização” não apenas diversos imóveis, como as principais empresas do estado, COPASA, CEMIG, CODEMIG e CODEMGE, além das duas universidades estaduais, UEMG e UNIMONTES.

Trata-se de uma falsa “federalização” pois, como vimos no último período, o PROPAG nada mais é que um pretexto para entregar tais empresas para a iniciativa privada, na justificativa de pagar uma dívida ilegítima do estado com a União. Tanto é assim que a PEC 24/2023 voltou a tramitar na ALMG, e no último dia 5 de novembro foi aprovada em 2º turno, após um GOLPE dado pelo presidente da Assembleia, base do governo Zema, Tadeu Leite (MDB). Também conhecida como “PEC do cala a boca”, o projeto revoga da constituição do estado a necessidade de referendo popular para a privatização da COPASA. Cada vez fica mais claro que o projeto neoliberal do desgovernador é entregar aos seus colegas empresários todo o patrimônio do povo trabalhador de Minas.

Ainda sobre o PROPAG, não podemos esquecer que a dívida dos Estados com a União é uma dívida ilegítima, na qual a União assume um papel de agiota. No caso de Minas Gerais, como mostram os relatórios da ACD, o valor pago nos últimos anos é 3 vezes o valor inicial. Isso sem contar que a dívida aumentou mais de 50% durante o desgoverno Zema, e que este mesmo “governador” abriu mão de mais de 120 bilhões da Lei Kandir, para fazer média com seu chefe, o ex-presidente e condenado Bolsonaro.

O PROPAG é uma farsa que atende aos interesses da lógica da dívida pública, uma dívida que sequer foi auditada, e que funciona simplesmente para transferir o patrimônio do povo para as mãos dos grandes banqueiros e empresários, e por isso deveria ser chamado de “PROFRAUDE”.

Operação Rejeito

Os ataques de Zema não param por aí. No dia 17 de setembro a PF deflagrou a chamada Operação Rejeito, com o objetivo de investigar e desmantelar uma organização criminosa envolvida em crimes ambientais. O conglomerado de mais de 40 empresas atuava na extração de minério em Minas Gerais. Os relatórios da PF apontaram que documentos eram alterados e vários servidores recebiam propina para acelerar e facilitar a aprovação das licenças ambientais e autorizações de mineração.

Na lista de investigados e presos pela PF apareceram nomes de aliados do alto escalão do governo do estado, como o ex-presidente da Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM), Rodrigo Franco, nomeado pelo próprio Zema. Além do governador, os investigados também possuem relações com o deputado Nikolas Ferreira (PL) e o candidato à prefeitura de Belo Horizonte, Bruno Engler (PL), todos aliados diretos de Zema e de seu chefe, Bolsonaro. As investigações apontam que o lucro da operação ilegal tenha passado a casa dos 1,5 bilhões, com potencial de chegar a 18 bilhões.

A Operação Rejeito apenas revelou aquilo que UP vem denunciando há tempos, a relação promíscua que o desgoverno Zema tem com as mineradoras. Às empresas privadas facilidades de licitações e ampliação dos lucros, para o povo miséria, destruição do meio ambiente e piora na qualidade de vida. Prova disso é a impunidade da Vale em relação aos crimes contra a população de Mariana e Brumadinho, uma vez que o valor bilionário da multa segue sendo utilizado como artifício de negociação política: não restitui os atingidos, nem investe na segurança das mais de 30 barragens com risco de rompimento.

Por isso, nossa luta deve ser também pela reestatização das mineradoras que atuam em solo nacional, juntamente da reformulação das gestões para que os conselhos de trabalhadores sejam soberanos e o lucro não seja mais importante que a vida e a preservação do meio ambiente.

Fascismo

Não podemos nos esquecer que, quando anunciada a inelegibilidade do fascista Jair Bolsonaro, Zema compartilhou frase dita por Mussolini em suas redes. Além do discurso, todas as ações dos últimos mandatos demonstram a tentativa de esconder a brutalidade de seu projeto, imóveis como o antigo DOPS, agora Memorial dos Direitos Humanos ocupado, a Casa de Referência Tina Martins, ocupação do Movimento de Mulheres Olga Benário, constam na lista do PROPAG. Zema segue a cartilha reacionária de seu chefe, ataca a vida das mulheres e tenta esconder qualquer vestígio da Ditadura Civil-Militar Fascista. Em entrevista recente, deixou claro que “a ditadura é uma questão de interpretação, e que haveriam interpretações distintas sobre o que aconteceu em 1964”.

A militarização do braço armado do Estado recebeu 60% mais investimento desde 2019, drones, armas, viaturas e equipamentos para assassinar os pretos, pobres e periféricos. Os salários da Polícia Militar foram reajustados em 13% em 2020 (além de dois outros reajustes em 2023 e 2024), mas não há recursos para pagar o piso na educação estadual, saúde e demais serviços públicos. É evidente a estratégia do reacionário de sapatênis para 2026.

Candidatura à Presidência

Como se não bastasse, no dia 16 de agosto, Zema anunciou sua pré-candidatura à Presidência da República. É nosso dever lembrar que sua herança dos oito anos de mandato no Governo de Minas Gerais foi entregue aos grandes empresários, como todos os patrimônios mineiros que Zema atacou: a Serra do Curral, principais estatais, gestão privada em escolas públicas, tentativa de militarização da educação. O projeto neoliberal e fascista que prega Estado Mínimo, se aproveitou de cada brecha que encontrou para beneficiar a sua classe burguesa e atacar os trabalhadores.

O caminho é claro camaradas, organizar o povo para uma greve geral contra as privatizações, contra a mineração criminosa e contra o governo fascista de Zema. Somente através da luta organizada dos trabalhadores é que conseguiremos frear o avanço do fascismo, e construir o socialismo. Só com esse novo sistema o povo vai poder verdadeiramente usufruir daquilo que é seu por direito. E como nos diz Lênin, a greve é “escola em que os operários aprendem a desfechar a guerra contra seus inimigos, pela emancipação de todo o povo e de todos os trabalhadores do jugo dos funcionários e do jugo do capital” (Sobre as Greves, 1899).

Já mostramos que é possível vencer esse governo e seus financiadores. Através de muita luta nas ruas conseguimos tirar da lista do PROPAG a UEMG, a UNIMONTES e o Memorial dos Direitos Humanos. Se Zema quer o povo calado, vamos às ruas dar o recado em alto e bom som: “ZEMA É INIMIGO DO POVO E DOS TRABALHADORES. NÃO VAMOS ACEITAR CALADOS!”

 

Trabalhadoras da enfermagem da Unifesp deflagram greve

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Trabalhadoras da enfermagem do Hospital São Paulo decidira entrar em greve a partir do dia 10 de novembro, denunciando demissões em massa, sobrecarga, condições insalubres e omissão da SPDM e da Unifesp

Anni Lei, Laura Maria* | São Paulo (SP)


TRABALHADOR UNIDO — Depois de meses de denúncias e tentativas de negociação frustradas, os trabalhadores e trabalhadoras da enfermagem da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e do Hospital São Paulo (HSP) deflagraram greve a partir do dia 10 de novembro de 2025. A decisão foi tomada por unanimidade em assembleia, diante da deterioração das condições de trabalho, da falta de pessoal e da omissão da administração diante dos problemas graves enfrentados pelos profissionais.

Nos últimos meses, a SPDM (Sociedade Paulista para o Desenvolvimento da Medicina), organização  social de saúde também responsável pela gestão do hospital, não cumpriu o acordo firmado na última greve local, que previa a reposição do quadro de funcionários. O resultado tem sido sobrecarga extrema, jornadas extenuantes e risco crescente à segurança de trabalhadores e pacientes.

“A falta de reposição adequada da equipe tem gerado condições de trabalho inseguras e insalubres”, denuncia o sindicato dos trabalhadores da Unifesp em carta aberta publicada no dia 27 de outubro. “Nosso compromisso sempre foi com o cuidado e o bem-estar dos pacientes, mas a situação chegou a um ponto insustentável”.

Além da redução drástica do número de profissionais, os trabalhadores também denunciam infestação de pragas, relatam o aparecimento de escorpiões, baratas e ratos, comprometendo a higiene do ambiente hospitalar. A ausência de uma fiscalização efetiva do Coren/SP, que tem se mostrado omisso diante das irregularidades, agrava ainda mais a crise.

Hospital público sob ataque

O Hospital São Paulo, referência nacional em média e alta complexidade, sofre há anos com a privatização disfarçada imposta pela parceria entre a Unifesp e a SPDM. Sob o discurso da “gestão eficiente”, essa política tem servido apenas para transformar um hospital público em um campo de exploração, onde o lucro e o corte de custos valem mais do que a vida.

Joana**, uma enfermeira do hospital desabafa: “Não descansamos desde a pandemia e, de lá pra cá, só piorou. Não tenho nem palavras pra descrever como piorou”.

Por trás desse processo está o modelo das chamadas Organizações Sociais de Saúde (OSS), entidades privadas que recebem dinheiro público para administrar hospitais e unidades do SUS. Na prática, elas funcionam como empresas que lucram com a gestão pública, contratando profissionais sem concurso, impondo jornadas desumanas e promovendo demissões em massa.

Apresentadas como solução “moderna” e “eficiente”, as OSS são, na verdade, instrumentos de privatização e precarização, que desviam recursos do SUS e enfraquecem o controle social sobre a saúde (veja edição 324 do Jornal a Verdade). Com isso, o Estado se retira de sua responsabilidade constitucional e entrega o destino dos hospitais a grupos privados, comprometendo a qualidade do atendimento e a dignidade dos trabalhadores.

Desde 2022, mais de trezentos trabalhadores foram demitidos em poucos meses, e os que permaneceram enfrentam assédio, sobrecarga e desvalorização. O piso da enfermagem, conquistado com muita luta, segue sendo descumprido. Muitos profissionais chegam a emendar plantões de 12 horas sem intervalo adequado, o que compromete não apenas sua saúde, mas também a qualidade da assistência prestada.

As reivindicações desta greve são claras: a contratação imediata de novos profissionais, o cumprimento dos acordos prévios, condições dignas e seguras de trabalho e o respeito à saúde.

As trabalhadoras e trabalhadores podem ir além

As greves são instrumento de formação e luta para a organização das categorias, pois ensinam que,  unidos, os explorados podem ter nas mãos as decisões sobre seus direitos.

Contudo, ainda que as lutas reivindicatórias imediatas sejam importantes, é preciso ter em mente que isto é insuficiente e que, apesar das tentativas de desmobilização através de ameaças de represálias, a classe trabalhadora deve ir à luta rumo à transformação das relações de produção e trabalho a fim de construir uma nova sociedade.

*Enfermeiras do Núcleo Olga Unifesp/Saúde

**Nome fictício