UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

sexta-feira, 27 de março de 2026
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Plenária da UP debate sobre Burnout e saúde do trabalhador na Paraíba

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“A síndrome de burnout é caracterizada por esgotamento, uma exaustão emocional, que está ligada ao estresse no trabalho”, destaca mestre em psicologia durante palestra-debate em Patos.

Jozivan Antero | Redação PB


SAÚDE- Em 2024, o Brasil teve quase meio milhão de pessoas afastadas dos seus trabalhos por questões ligadas à saúde mental. O número é um dos maiores dos últimos 10 anos e um aumento de 400% desde a pandemia da COVID-19. Entre as causas estão a ansiedade, depressão, estresse e a ligação com a síndrome de burnout.

O sistema capitalista chegou a um grau de exploração do trabalhador sem precedentes na história. As novas tecnologias nas indústrias, as exigências no comércio e serviço não trouxeram melhoria na qualidade de vida do trabalhador, mas cobram dele cada vez mais eficiência e, com o medo do desemprego, o trabalhador tem se sujeitado à exploração que leva ao adoecimento físico e mental.

Para aprofundar essa discussão, a Unidade Popular pelo Socialismo (UP), em parceria com o Sindicato dos Bancários de Patos e Região, promoveu a palestra-debate “Burnout: por que os trabalhadores estão cada vez mais cansados e doentes?”, que teve como facilitador o psicólogo clínico Brunno Marcondes, que é professor universitário desde 2007 e mestre em filosofia pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), com experiência na saúde mental e atenção psicossocial.

Brunno Marcondes expôs que “o conceito de Burnout surgiu nos Estados Unidos em meados dos anos 1970, para dar explicação ao processo de deterioração nos cuidados e atenção profissional nos trabalhadores de organizações. Ao longo dos anos, essa síndrome tem se estabelecido como uma resposta ao estresse laboral crônico, integrado por atitudes e sentimentos negativos”, citando a médica Francinara Pereira Lopes e Pêgo, que aprofundou o tema em um trabalho disponibilizado na internet para interessados. A questão das jornadas de trabalho, a escala 6 x 1, os baixos salários e uma série de fatores enfrentados pelos trabalhadores foram levados em conta durante a explanação do professor.

Após a exposição, os presentes puderam dar suas opiniões, tirar dúvidas e socializar os seus pensamentos sobre o tema. Com vários pontos de vista apresentados e a busca para contribuir com o debate, o encontro também proporcionou que trabalhadores de vários setores, público e privado, falassem francamente sobre o burnout e o momento em que vivemos.

Durante entrevista concedida por Brunno Marcondes, o professor disse que a síndrome de burnout é caracterizada por um esgotamento, uma exaustão emocional que está ligada ao estresse no trabalho, um estresse laboral. São vários fatores que podem levar ao adoecimento e que tiveram um aumento de casos nos últimos anos e é considerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma questão de saúde pública, sendo algo que preocupa.

Cuba resiste após 64 anos de bloqueio dos EUA

Dia 3 de fevereiro completam 64 anos do terrível bloqueio econômico promovido pelos EUA contra a ilha de Cuba. Em um momento onde mais uma vez o imperialismo levanta-se contra o país socialista, é preciso denunciar essa política genocida e tão cruel. 

Natanael Sarmento – Redação Pernambuco


INTERNACIONAL- A revolução cubana e a constituição do poder popular socialista, caminho escolhido pelo povo cubano depois da derrubada do governo títere dos Estados Unidos da América do ditador corrupto Fulgêncio Batista, pôs fim à exploração e privilégios dos grandes capitalistas, fazendeiros e demais serviçais do imperialismo e colocou em marcha as conquistas morais da revolução na Ilha, com o poder popular e a liderança de Fidel Castro e do Partido Comunista.

Os EUA realizaram dezenas de atentados terroristas, atos de sabotagens patrocinados pela CIA, tentativas de invasão e mais de 600 atentados contra Fidel, na vã tentativa de desestabilizar o governo e colocar um fantoche no poder para restaurar o sistema de exploração anterior à Revolução, de Cuba controlada por mafiosos, traficantes, donos de cassinos e de bordéis, privilégio e paraíso tropical de poucos nababos e zona de exploração e Inferno para a maioria do povo cubano.

Bloqueio econômico

O criminoso cerco econômico tem por objetivo asfixiar e impedir o desenvolvimento material e cultural da ilha caribenha que nega a abrir mão da sua autodeterminação e soberania como fazem outros países da América Latina e vivem sob o jugo de Washington.

A vedação unilateral dos EUA com seu poder imperial impede o livre comércio e impõe isolamento forçado com profundos efeitos na produção material de Cuba, impedida de se desenvolver livremente como qualquer nação tem direito, de acordo com as leis do Direito Internacional Público.

Dificulta a aquisição de insumos e equipamentos para a produção industrial, de energia, desenvolvimento tecnológico e cultural de Cuba. A Ilha é excluída do acesso a empréstimos e livre comércio, da aquisição de tecnologias, do acesso a softwares, plataformas da internet e outros serviços da produção cultural moderna. Criminoso isolamento tecnológico imposto pelo império neonazista do Norte. Até mesmo as viagens turísticas na Ilha estão na mira dos fascistas estadunidenses que restringem o turismo de americanos com proibições de navios de cruzeiros.

Genocidas globais

O governo da maior organização terrorista internacional – Os Estados Unidos da América – devastaram o Vietnã, a Síria, a Líbia, Afeganistão, manipula o Estado sionista de Israel no genocídio de Gaza, assalta o petróleo da Venezuela e sequestra o seu presidente e aperta o cerco contra Cuba diante da cumplicidade dos governos capitalistas do Ocidente aliados da OTAN e de protestos com armas de papel de China e Rússia que a tudo assistem, sem efetiva ação para fazer cessar a ação criminosa dos estadunidenses que se julgam “donos do mundo”.

Crimes de lesa-humanidade foram denunciados durante a pandemia de COVID 19, considerado crime de genocídio por diversas autoridades sanitárias mundiais, com a mantença do bloqueio que impedia Cuba de obter oxigênio e insumos, ventiladores pulmonares, máscaras, vacinas, agulhas, materiais hospitalares necessários para seguir os protocolos de combate ao vírus que matou 15 milhões de pessoas em todo mundo.

Bravura e exemplo revolucionário

Somente a bravura revolucionária do povo cubano, inspiração e motivo de orgulho para todos os combatentes da liberdade do mundo, pode explicar a capacidade de resistência e a superação, no limite da sobrevivência humana, desse povo heroico. Cuba não é pobre. O cerco imperialista quer asfixiar e torná-la sem energias, sem alimentos, sem abastecimento, insuportável, ingovernável, para os golpistas mafiosos a serviço do império fazerem o banquete das hienas.

Apesar do crime continuado do Bloqueio, Cuba segue fiel aos princípios dos revolucionários para encontrar soluções inovadoras. Deu mais um direto certeiro na cara do Imperialismo e tornou-se o primeiro país da América Latina a produzir a sua própria vacina (Abdala e Soberana 2), a imunizar 90% da população, numa mobilização de guerra sanitária do Plano de Prevenção contra a COVID 19, com criação de laboratórios biomoleculares, apesar da queda de 10% do PIB resultante das novas e mais asfixiantes sanções estadunidense do governo fascista de Donald Trump.

Cuba zelou pela vida e salvou o seu povo. 2092 cubanos foram contaminados, 1.827 recuperados. A Ilha registra o menor indicador de mortes, foram 83 casos naquele pobre rico país com PIB de US$ 107 bilhões em 2020 (Banco Mundial). No Rico pobre Brasil de PIB de 2,3 trilhões de dólares, o Brasil que não zelou como devia pela vida do seu povo, contabilizamos excessivos números de mais de 700 mil mortes causadas pela Covid-19.

Não é coincidência, os EUA imperialista somados com Brasil são campeões mortos da pandemia (27%) do total de óbitos de todo mundo. É preciso desenhar a superioridade do sistema voltado para a humanidade, o socialismo, sobre a máquina do lucro capitalista destruidora do humanismo?

É preciso denunciar o imperialismo

A mentira e o descaramento chegam ao paroxismo: Os EUA exportam guerras e mortes pelos nos cinco Continentes e são chamados pela imprensa capitalista de exemplo de democracia. Cuba exporta solidariedade humanitária e está na lista dos países terroristas. Eis a “justificativa” do bloqueio criminoso. Cuba é exemplo para o mundo de solidariedade internacionalista.

Não obstante todas as dificuldades e obstáculos enfrentados com bravura, encontra força moral para ajudar outras nações ainda em piores condições como fez com a criação das Brigadas médicas (Henry Reeve) e enviou “guerrilheiros sanitários” armados de vacinas e seringas para dezenas de países durante a Pandemia. Por todas as razões, saudamos os revolucionários e seus continuadores da obra de Fidel, Che, Camilo, Raul e cada um dos cubanos que luta e resiste. Manifestamos todo nosso repúdio aos terroristas estadunidenses e seu crime continuado de bloqueio econômico contra Cuba.

Viva Cuba que, apesar do cerco imperial, é o mais livre território das Américas!

Que seu povo pode dizer de cabeça erguida: 150 milhões de crianças e adolescentes dormem nas ruas ao redor do mundo, nenhuma delas vive em Cuba.

Privatização da SABESP aumenta tarifa e agrava crise hídrica em São Paulo

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A privatização da Companhia de Saneamento Basico de São Paulo (SABESP) foi propagandeada pela burguesia como a grande solução para a crise hídrica em São Paulo. Além demelhorar a situação da falta de águam na casa dos trabalhadores, melhoraria o serviço e baratearia a tarifa. Após dois anos da privatização o que o povo trabalhador vê é um aprofundamento da crise que ja existia.

Pedro Souza Martins – Santo André (SP)


Luta Popular – No final de 2023, trabalhadores e trabalhadoras de São Paulo, reivindicando seu direito à água e saneamento de qualidade, uniram-se na luta contra a privatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) através de atos e de um plebiscito que comprovava a insatisfação do povo com a política entreguista e privatista do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

A privatização desse recurso vital para a humanidade foi feita de forma armada para beneficiar os ricaços desse país. Com ações avaliadas em aproximadamente R$84,00 e sendo vendidas por apenas R$67,00, a estatal foi desvalorizada com o intuito de entregá-la a troco de banana.

Diversas manifestações foram feitas, tendo maior destaque a Batalha da Alesp, na qual durante a votação deste Cavalo de Tróia, o povo foi duramente reprimido com a polícia militar fascista atendendo aos interesses do Tarcísio, prendendo 4 lutadores sociais, Vivian Mendes, presidenta estadual da UP, Ricardo Senese, metroviário e dirigente sindical. Além dos casos de Lucas e Hendryl, professor da rede estadual de SP e estudante da UNIFESP que passaram mais de uma semana presos por lutarem contra a privatização.

Privatização aprofunda crise hídrica

Venderam nossa água sob o pretexto de resolver os “baixos lucros” da estatal e melhorar o acesso ao saneamento básico. Contudo, ao colocar o capital como objetivo central vemos uma clara contradição: como será feito melhorias no serviço sem aumentar o valor do “produto”?

Após a empresa Equatorial assumir o comando, ficou evidente o verdadeiro plano de Tarcísio. Dados do IAS indicam que a Sabesp elevou a retirada do Sistema Metropolitano, passando de 59 m³/s (2016) para 72 m³/s (2025), um aumento de 10% em dois anos. Esse aumento tem ligação direta com as parcerias feitas com empresas de energia elétrica e serve unicamente para aumentar o lucro. Apesar disso, culpam a população pela pior crise hídrica desde 2016.

O sistema integrado metropolitano (que une 7 mananciais: Cantareira, Alto Tietê, Cotia, Guarapiranga, Rio Claro, Rio Grande e São Lourenço), atingiu apenas 27% de sua capacidade, mas o que não dizem é que 70% da água vai para o agronegócio, 20% para a indústria e apenas 10% para o consumo humano.

Em janeiro de 2026 foi alcançado o nível crítico do abastecimento, o que na prática significa a redução da pressão d’água nas torneiras, afetando principalmente as regiões mais afastadas e de maior elevação, como os morros. Muitas famílias ficam até 10 horas sem uma gota d’água e se o nível permanecer abaixo de 20%, comunidades inteiras podem ficar sem água por até 14 horas.

Trabalhadores pagam mais por menos qualidade

No primeiro trimestre após a privatização, aproximadamente 1.000 funcionários perderam seus empregos, e hoje o quadro de funcionários conta com uma redução de mais de 3.000 trabalhadores. Especialistas apontam que esses índices de demissão afetam diretamente o funcionamento da Sabesp, dificultando o controle sanitário da rede de distribuição, por falta de qualificação e experiência.

Apesar da grande propaganda de que em mãos privadas haveria redução da tarifa e qualificaria o serviço prestado no próprio contrato de venda da Sabesp está estabelecido que em eventuais prejuízos decorrentes da escassez de água, os valores podem ser compensados nos processos de revisão tarifária periódica ou por meio de revisões extraordinárias. Ou seja, o povo de São Paulo está pagando mais e recebendo um serviço muito pior , pela má gestão da empresa privada.

Em Janeiro de 2026, já houve um reajuste de acordo com a inflação. Ora, o salário mínimo continua tendo aumentos muito abaixo do ideal, mas, mesmo assim, os trabalhadores pagam mais por aquilo que lhes é mais essencial.

Por isso, a luta em defesa da SABESP ainda não acabou. Com a privatização, bilionários lucram com a falta de água nas periferias, o que afeta principalmente as mulheres que são a maioria das chefes de lar hoje e prejudica a vida de milhões de trabalhadores que, além de não ter acesso ao serviço, pagam muito mais caro pelo recurso mais essencial para a existência dos seres vivos: a água.

Ato em Teresina (PI) denuncia impunidade da violência de gênero e exige justiça por Janaína Bezerra

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Ato em Teresina (PI) denuncia o descompromisso institucional e estatal com a defesa da vida das mulheres e pede justiça por Janaína Bezerra, estudante da UFPI assassinada dentro do campus.

Redação (PI)


MULHERES – No dia 28 de janeiro, movimentos sociais e populares realizaram um ato em memória de Janaína Bezerra Silva, poetisa e estudante de jornalismo da Universidade Federal do Piauí (UFPI), brutalmente assassinada dentro do campus de Teresina. Além da família de Janaína, participaram do ato o Movimento de Mulheres Olga Benario, Movimento Correnteza, Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), União da Juventude Rebelião (UJR) e Unidade Popular (UP). Entre as principais denúncias, foi reafirmada a exigência de reconhecimento judicial do crime como feminicídio.

Segundo a coordenadora estadual do Movimento de Mulheres Olga Benario, Giovana Matos, Janaína foi vítima de feminicídio, e as provas da investigação policial são contundentes: a jovem foi violentada sexualmente mesmo após a morte. “E mesmo com as provas óbvias de que foi um crime calculado, cometido a sangue frio, o júri popular decidiu que a violência que o Thiago cometeu contra ela foi um descuido”, critica Giovana durante o ato.

Caso comove população, mas impunidade persiste

O crime aconteceu em janeiro de 2023, durante uma calourada na UFPI. Janaína foi atacada por Thiago Mayson Barbosa, mestrando de matemática que, de acordo com relatos, já tinha um longo histórico de assédios dentro do campus da universidade. A morte da estudante gerou forte comoção, mobilizando tanto a comunidade acadêmica quanto a sociedade, que se solidarizou com a família.

Mesmo assim, a cobertura da mídia burguesa tentou deslocar o foco da responsabilidade institucional, enfatizando que se tratava de uma festa irregular, não autorizada pela universidade, e atribuindo aos estudantes a culpa pela falta de segurança.

Cerca de oito meses após o crime, Thiago foi condenado a apenas 18 anos de prisão, por homicídio culposo, dentre outros crimes. Embora o julgamento tenha sido posteriormente anulado por falhas processuais, o resultado deixou um recado preocupante: a decisão judicial ignorou as marcas de violência de gênero presentes no caso e não considerou o papel da negligência institucional na morte de Janaína.

Desmonte de políticas públicas agrava cenário de violência

Durante o ato do dia 28, também houve denúncias sobre o enfraquecimento das políticas públicas de enfrentamento à violência de gênero. A coordenadora estadual do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas, Dara Neto, destacou a contradição entre os altos gastos públicos e a ausência de investimentos na proteção das mulheres:

“Nós não podemos nos contentar que bilhões sejam destinados ao pagamento da Dívida Pública, enquanto, no nosso estado, mais de 90% dos municípios não têm uma Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher. Não há projetos para ampliar casas-abrigo, nem para fortalecer a rede de delegacias ou valorizar as profissionais que atuam nessa linha de frente”, afirmou Dara.

Uma avaliação realizada em outubro de 2025 pela diretoria de Fiscalização das Políticas Públicas do Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI) reforçando essas críticas. O relatório apontou falhas graves nas políticas de enfrentamento à violência de gênero entre os anos de 2023 e 2025, como ausência de planejamento orçamentário, infraestrutura precária em delegacias e centros de acolhimento, problemas na gestão da Patrulha Maria da Penha e o desmonte da Central de Flagrantes de Gênero. 

“Apesar do governo do estado ‘ficar feliz’ que as vítimas de feminicídio não são aquelas protegidas pelas medidas protetivas, a grande maioria das mulheres sequer vão atrás desse direito, porque sabem que ele ainda não é acessível para todas”, destacou Dara.

Ao final do ato, os movimentos sociais reafirmaram o compromisso com a construção de uma grande jornada de lutas pelo fim da violência de gênero, erguendo a bandeira do socialismo e mantendo viva a memória de Janaína Silva.

Professores no DF conquistam nomeação para cargos efetivos

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A nomeação de cerca de 3 mil docentes no Distrito Federal é fruto da luta organizada de professoras e professores que enfrentaram anos de contratos precários e reafirmam que a conquista é apenas o primeiro passo na defesa da educação pública.

Vítor Ventura e André Rosa | Brasília (DF)


TRABALHADOR UNIDO – Cerca de 3.000 professores e professoras do Distrito Federal que foram recém-nomeados passaram pela Escola de Formação Continuada dos Profissionais da Educação (Eape) nesta segunda-feira (2). Os trabalhadores enfim puderam escolher onde irão ministrar aulas como efetivos servidores públicos.

O Jornal A Verdade e os docentes do Movimento Luta de Classes (MLC) do DF estiveram presentes na ocasião para ressaltar a importância da mobilização da classe e para reforçar que essa conquista é resultado da pressão da categoria organizada.

A escolha das escolas é um passo importante para esses novos professores efetivos do DF, mas não significa que a luta para por aí. O professor de história e militante Guilherme Amorim contou sobre a realidade de grande parte dos docentes do país, que vivem por anos sob a incerteza do contrato temporário tendo que conciliar o trabalho em condições precárias e os estudos para conseguir um cargo efetivo.

“Eu fui professor temporário por 14 anos. Ou seja, desde quando eu estava na faculdade, comecei a dar aula, eu tive essa experiência em Minas Gerais pela rede estadual, depois eu passei por várias prefeituras também nesse regime de contratação temporária. Eu queria destacar que é um negócio muito precário, um negócio muito ruim, porque você não tem segurança financeira, não tem a segurança do seu trabalho. A qualquer momento você pode perder o seu emprego. É uma situação muito precária. Aqui no DF, eu fui professor temporário por 4 anos”, relatou Guilherme.

Mesmo com a conquista, o professor sabe da importância de continuar a luta para conseguir ainda mais avanços para a categoria. “Não quer dizer que agora eu tomei posse, agora que nós tomamos posse, que vamos ficar numa situação confortável. Pelo contrário. Primeiro que 2026 começou com uma conjuntura muito difícil. No aspecto internacional, o imperialismo norte-americano mais uma vez demonstrando as suas garras, influenciando a política do mundo inteiro, inclusive aqui a nossa. Segundo que nós estamos visualizando a nível nacional a crise do Banco Master, que para nós aqui do DF tem relação direta com o BRB, que tem relação com o nosso fundo de previdência”, destacou Guilherme.

Ele ainda ressaltou: “a escola é um ambiente de luta. Salas superlotadas, infraestrutura, ventilação. Nós temos que lembrar que a categoria dos nossos companheiros de educação é uma categoria extremamente precarizada, muito vulnerável, que a gente não pode esquecer”, completou.

Mobilização de professores no DF cresce a cada dia

Quem também conviveu anos no regime temporário foi a professora de artes Juliana Seixas. Depois de 13 anos nesse tipo de contrato, agora efetivada, ela relatou que segue firme na batalha para que a categoria conquiste mais avanços no DF. “Tem muita coisa para lutar ainda. A gente não conseguiu nem colocar em prática as metas de 2014, tanto para para os professores quanto para melhoria da educação. Todas as metas que a gente traçou de 2014 para cá, com a pandemia teve uma precarização maior dentro de sala de aula, na estrutura das escolas, então é muita luta. É luta para a vida toda”, declarou Juliana.

Já Bruna Carla, professora de Educação Física também nomeada, relembrou que no Brasil a educação não é pensada por educadores, e que isso acaba por prejudicar tanto os trabalhadores quanto os próprios alunos. “É um desafio porque parece que as ordens superiores não vêm da realidade que é a sala de aula, e a gente tem que se virar para atender”, contou Bruna.

Bruna aposta na continuidade da luta da categoria: “A nossa categoria, eu acho que é uma das mais prejudicadas. Se a gente for comparar o nosso salário com o dos servidores públicos, é bem abaixo. A nossa profissão é muito difícil. Por exemplo, tem muitas escolas aqui no Plano Piloto que não têm quadra coberta. Tem muitas coisas para a gente enfrentar ainda. A educação pública, ela nunca foi valorizada do jeito certo”, apontou a professora.

Um levantamento nacional realizado pelo Observatório Nacional da Violência contra Educadoras/es (ONVE), vinculado à Universidade Federal Fluminense (UFF) e nascido de parceria com o Ministério da Educação (MEC), apresentou um panorama preocupante sobre uma forma de violência sofrida por profissionais da educação em razão do seu ofício.

Um estudo quantitativo da perseguição a educadoras/es no Brasil analisa dados produzidos junto a 3.012 educadores de todo o país, da educação básica e superior, no âmbito da educação pública e privada.

MLC continua a luta

A luta continua porque quem lucra com o projeto da educação pública sucateada sabe que a classe trabalhadora organizada conquista melhorias. Tanto é assim, que no Brasil pelo menos 90% dos docentes de cada uma das regiões do país já sofreram, presenciaram ou souberam de casos de censura a colegas do seu entorno. O objetivo é claro: intimidar professoras e professores. O dado é do Observatório Nacional da Violência contra Educadoras/es (ONVE) divulgado no ano passado.

O estudo também mostra que existem picos das situações de censura em anos eleitorais, especialmente em 2018 e 2022. Para esse ano, quanto mais professores mobilizados e organizados, mais difícil será para aqueles que lucram com a educação precarizada.

Como bem disseram o professor e as professoras, apesar da conquista, ainda há muito o que se fazer para que a categoria seja de fato valorizada no Brasil. Sob o sistema capitalista, os direitos conquistados podem ser facilmente arrancados pela classe dominante que realmente detém o poder político.

O Movimento Luta de Classes vai continuar a tarefa de organizar e mobilizar não só os professores, mas as mais variadas categorias de profissionais para que a realidade da classe trabalhadora seja de fato transformada.

Contra o racismo religioso no Brasil

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Dia 21 de janeiro é Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, data que precisa ser lembrada e discutida, especialmente por vivermos uma onda de violência e perseguição aos cultos e religiões de matriz africana. 

André Luiz- Petrolina (PE)


SOCIEDADE- Nosso país tem enfrentando cada vez mais a letalidade, violência e perseguição ao povo preto das periferias. Por isso o dia 21 de janeiro é uma data importante em nosso país, Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, data que homenageia Mãe Gilda de Ogum, Ialorixá do Ilê Axé Abassá de Ogum, em Salvador (BA), que em 1999 sofreu um infarte após uma onda de perseguição e ataques ao Candomblé, tendo sua imagem como foco das difamações por parte de fundamentalistas religiosos. Mas é importante entender o que significam discriminação, preconceito, racismo e raça para compreender a importância de substituir o termo intolerância religiosa por racismo religioso e como isso está presente em nosso dia a dia.

Raça, preconceito racial e racismo

O conceito de raça surgiu inicialmente na classificação de plantas e animais, sendo posteriormente elevado para categorizar os seres humanos. Esse fenômeno, oriundo do século XVI, forneceu substância teórica para a definição e aprovação de hierarquias raciais. O projeto expansionista mercantilista e o ‘descobrimento’ do Novo Mundo, aliados ao pertencimento a uma comunidade política ou religiosa, consolidaram o modelo de “homem universal”, baseado, evidentemente, no europeu.

A padronização cultural deveria seguir o tradicionalismo ocidental; caso contrário, seria taxada como primitiva e necessitaria de “domesticação”. Em resumo, o europeu era considerado o modelo de sociedade e sapiência, legitimando sua missão de levar conhecimento aos chamados povos do Novo Mundo.

Por isso, quando falamos em Racismo Estrutural, estamos nos referindo a uma prática homogênea, mantida e pensada, resquício do passado escravagista brasileiro e que atua de forma intrínseca em todas as instituições, sejam públicas ou privadas. Ou seja, nosso país foi fundado sobre o sangue do indígena e do negro sequestrado dos países africanos. E isso desperta o ódio justamente da classe que enriqueceu e se mantém no poder lucrando com esses crimes, até hoje não resolvidos.

A discriminação consiste em atribuir tratamento diferenciado a membros de grupos racialmente identificados, tendo como requisito fundamental o poder, ou seja, a possibilidade efetiva do uso da força, sem o qual não é possível atribuir vantagens ou desvantagens por conta da raça. Já o preconceito refere-se a um juízo baseado em estereótipos acerca de indivíduos pertencentes a determinado grupo racializado, podendo ou não resultar em práticas discriminatórias. O racismo, por sua vez, é um método de discriminação que tem a raça como fundamento e que se manifesta por práticas conscientes ou inconscientes, culminando em desvantagens ou privilégios para indivíduos, a depender do grupo racial ao qual pertençam. Essas três visões são reforçadas de modo sistemático há tanto tempo que é até naturalizado.

As origens do racismo religioso no Brasil

Antes de mais nada, é preciso reconsiderar o termo discriminação como racismo religioso. Historicamente, os registros de ocorrência policiais e notícias sensacionalistas de jornais sempre usavam os termos do racismo científico, prática aceita pela elite brasileira, para tratar da perseguição aos terreiros, as religiões dos negros brasileiros, suas manifestações culturais e sua presença. No início do século XX, com os processos de remanejamento dos ex-escravizados, a religião dos negros foi ressignificada. A umbanda surgiu como forma de suprir as necessidades da classe média carioca. A discrepância central estava no sacrifício presente no candomblé, considerado bárbaro e visto como obstáculo ao projeto higienista civilizador.

Um exemplo dessa perseguição é de 1951, quando a revista O Cruzeiro publicou uma reportagem intitulada As noivas dos deuses sanguinários. A partir de então, a perseguição às casas de candomblé passou a ser retratada como ato heroico, intensificando ainda mais essa visão racista e preconceituosa. Em Pernambuco, no chamado Estado Novo (1937-1945) o interventor do estado, Agamenon Magalhães, foi responsável por perseguir e proibir os cultos afro e todas as atividades dos terreiros.

Ou seja, quando se fala em racismo religioso, não se trata apenas da perseguição ao indivíduo, mas da negação da própria existência dos afro-brasileiros e da coletividade da humanidade dos adeptos dos cultos de matrizes africanas. Sendo que muitos desses terreiros foram fundamentais para guardar nossa cultura e abrigar inclusive militantes perseguidos pelo regime, o mesmo aconteceu durante a ditadura de 1964-1985, permanece em nossos dias e é instrumento usado e mantido pelo capitalismo para nos dizimar, dividir e exterminar. Enfrentar o racismo e organizar o nosso povo contra o racismo é fundamental e estratégico para transformar nosso país.

Avança a militarização da Guarda Municipal em Recife (PE)

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Sob a desculpa de mais “segurança”, João Campos (PSB) transforma a Guarda Municipal de Recife em uma nova força auxiliar de repressão contra trabalhadores informais e a população negra.

Jesse Lisboa | Redação


BRASIL – Enquanto o Recife apresenta índices alarmantes de desigualdade social, déficit habitacional e desemprego, a prioridade da Prefeitura sob a gestão de João Campos (PSB) parece clara: investir na repressão dos trabalhadores. Desde janeiro de 2026, a Guarda Municipal do Recife (GCMR) iniciou o treinamento para o uso de armamento letal.

Ao invés de investir em políticas sociais que ataquem a raiz da violência, João Campos opta por reproduzir a lógica da Polícia Militar, agora em âmbito municipal.

Proteção da propriedade privada

A transformação da GCMR em uma força letal não é um mero detalhe administrativo, é uma escolha política. Historicamente, a Guarda Municipal no Recife tem servido como linha de frente na política de higienismo social nos centros comerciais e pontos turísticos. São constantes as denúncias de perseguição, confisco de mercadorias e agressões contra camelôs e trabalhadores informais que lutam para levar o pão para casa.

A GCMR corre o risco de se consolidar como uma “polícia oficial” da prefeitura, cuja função principal não é proteger o cidadão, mas sim proteger a propriedade privada e garantir que a miséria não seja visível nas áreas nobres da cidade. Ao colocar armas de fogo na cintura desses agentes, a prefeitura dá carta branca para que a abordagem truculenta, que já era rotina, fique cada vez mais agressiva.

O Brasil já possui uma das polícias que mais matam no mundo, com a juventude negra sendo o alvo preferencial. Criar mais uma força policial, com a mesma ideologia de confronto e guerra ao “inimigo interno”, só servirá para aumentar o extermínio do povo pobre. O ano de 2021 foi marcado pelo assassinato de 101 pessoas negras em decorrência de ações da polícia em Pernambuco. Tendo os jovens como alvo principal, essa violência não se restringe apenas à capital, mas boa parte das cidades no interior do Estado também sofrem com essa realidade.

A contradição é gritante: o Centro de Operações do Recife (COP) recebe investimentos milionários em vigilância e tecnologia de reconhecimento facial, enquanto as encostas dos morros continuam esperando por obras estruturadoras de saneamento e contenção que evitem novas tragédias climáticas.

Os recursos destinados à compra de pistolas, munição e treinamento de tiro saem do mesmo cofre que nega verbas para a educação, para a saúde básica e para os programas sociais. É urgente que os movimentos sociais e toda a classe trabalhadora se organizem contra essa medida. Não aceitaremos que o Recife se torne palco de mais violência estatal.

Pelo fim da militarização da polícia! 

Trabalhadores do Recife enfrentam desvalorização e exigem reajuste salarial

Em ato na frente da Prefeitura do Recife, educadores, enfermeiros e servidores públicos denunciam irregularidades nos espaços de trabalho e exigem reajuste salarial.

Redação PE


TRABALHADOR UNIDO – Durante assembleia nesta quarta-feira (5), realizada em frente à Prefeitura do Recife, professores da rede municipal se reuniram para exigir o pagamento integral do piso nacional do magistério e denunciar as graves condições de trabalho nas escolas públicas. O ato, organizado pelo Sindicato Municipal dos Profissionais de Ensino da Rede Oficial do Recife (SIMPERE), expôs a indignação da categoria diante do descaso da Prefeitura e dos constantes ataques à educação, o descumprimento da lei e a precarização das escolas.

Há mais de 12 anos, servidoras e servidores do Recife acumulam perdas salariais, sem qualquer reajuste que recomponha sequer a inflação. Essa política de arrocho ataca direitos, desvaloriza o trabalho e penaliza quem mantém os serviços públicos funcionando.

Faixa cobrando valorização dos profissionais da educação. Foto: Jesse Lisboa (JAV/PE)
PREFEITURA DO RECIFE. Faixa cobrando valorização dos profissionais da educação. Foto: Jesse Lisboa (JAV/PE)

Professores relatam salas superlotadas, falta de merenda, ausência de ventilação adequada e a precariedade das estruturas escolares. “Temos várias demandas e problemas que enfrentamos cotidianamente, como escolas sendo transformadas de regular para integral, de qualquer forma, sem consultar o interesse das comunidades ao redor, além dos problemas estruturais.”, afirmou Adolfo Pragana, trabalhador de uma escola municipal, durante a assembleia.

O prefeito do Recife, João Campos (PSB), tenta empurrar o problema com discursos administrativos, enquanto gasta milhões em propaganda e concessões ao setor privado. O sucateamento dos serviços públicos e a desvalorização dos profissionais servem como justificativa para avançar com a agenda de privatizações, a exemplo do que já ocorre com creches e parques municipais. Além disso, desde 2023 existe a proposta de privatização dos postos de saúde, embora engavetada, pode retornar à pauta a qualquer momento.

Enquanto falta verba para a reforma das escolas e para o reajuste dos professores, a Prefeitura prioriza a concessão de parques e mercados públicos. A recente entrega da gestão de parques urbanos e a ameaça de privatização de áreas históricas, como a Rua do Bom Jesus, evidenciam uma administração voltada para o lucro de empresários, em detrimento do bem-estar da classe trabalhadora que vive e constrói o Recife.

Falta de diálogo e problemas estruturais antigos

“O ato de hoje ocorre devido a necessidade de nós, servidores, tensionarmos a gestão para a abertura das mesas de negociações. Como é que se inicia mais um ano e os gestores se negam a dialogar com as categorias, especialmente depois daquela vergonhosa proposta de 1% de aumento no ano passado e toda pressão da greve?” desabafou um enfermeiro para o nosso jornal. A mobilização que ficou conhecida como ‘A Revolta do 1 Real’ ganhou repercussão nacional após uma proposta de reajuste de 1% no salário e R$ 1,00 de aumento no tíquete alimentação ser rechaçado pelas várias categorias, tendo o Sindicato dos Enfermeiros de Pernambuco (SEEPE) e o Movimento Luta de Classes (MLC) na linha de frente denunciando os muitos gastos em propaganda pela prefeitura andando lado a lado com a truculência e a falta de diálogo com os trabalhadores.

Reconhecimento facial é arma de perseguição contra jovens negros

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“Reconhecimento” facial virou arma de perseguição policial e judicial de jovens negros em todo país. Centenas foram presos injustamente nos últimos anos por causa da utilização da ferramenta.

Victor Mus | Rio de Janeiro


BRASIL – Luan de Oliveira Theodoro tem 28 anos e trabalha na loja de acessórios de celular da família em Madureira. No dia 26 de Setembro, após receber uma intimação via aplicativo de mensagens, ele foi voluntariamente à delegacia – mas sem a advogada. Luan só teria sua liberdade restaurada no último dia 27 de Novembro.

Desde sua chegada à delegacia, Luan teve seus direitos violados. Foi interrogado sem a presença da advogada, apenas com perguntas incriminatórias. Teve seu celular devassado e apreendido sem ordem legal. Foi colocado entre dois policiais brancos e reconhecido de capacete por uma vítima que alegou ter olhado o tempo todo para o chão. Luan então ficou preso 4 dias sendo alimentado apenas pela família.

Ele então foi transferido para o presídio de Benfica depois da audiência de custódia que deveria, por lei, ter acontecido nas primeiras 24 horas da prisão. O juiz, na audiência, afirmou em alto e bom som para a advogada que “não ouviria o que ela teria a dizer”, mesmo que ela tenha falado por 12 minutos. Nos autos, havia vídeo do Luan trabalhando na hora do crime. Testemunhas que depois do trabalho ele teria ido a um bar com o patrão – incluindo o próprio chefe.

Nada disso livrou Luan de ser, inclusive, transferido pra Japeri e ter seu processo colocado em nível 4 de sigilo – o que dificulta o acesso à defesa. Foram 2 meses, e muita campanha em rede social para que ele ao menos respondesse em liberdade, sendo réu primário, com trabalho e residência fixa.

Este é só um das centena de casos que ocorrem todos os anos no país. Luan está livre hoje, mas vários outros jovens, homens e mulheres, estão sendo sequestrados pelas polícias militar e civil de diversos Estados, com ajuda da (in)Justiça brasileira. 

Jovens negros presos injustamente

O STJ já pacificou a questão: reconhecimento por foto não pode ser a única prova pra embasar prisões. Mesmo assim, na noite do ultimo dia 26 de Novembro, em Porto Alegre, os Jovens pretos Fábio e Ezequiel, trabalhadores do mercado musical da cidade, foram presos no aniversário de Fabio, em um bar, após uma família branca acusá-los, sem nenhuma prova, de roubar uma moto. Mesmo com dezenas de testemunhas afirmando que ambos estavam ali há horas, eles foram levados para um presídio e soltos apenas no dia 27, após mobilização nas redes sociais e na frente do centro de detenção.

Em um levantamento da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, uma análise de dados de 2012 a 2020 apontou cerca de 90 prisões ilegais por reconhecimento facial, onde 81% dos presos eram negros. Em 2023, 70% das absolvições de réus no STJ exatamente por esse tipo de acusação vinham de reconhecimentos por fotos feitas erradas.

Mas ao olharmos para nosso judiciário pelo perfil racial e sociodemográfico vemos a reedição da estrutura colonial. Segundo o próprio CNJ, em relatório de 2024, apenas 14% da classe se considera preta ou parda – sendo 13% a quantidade de pessoas pretas e pardas nas Justiças Estaduais, exatamente as maiores responsáveis por essas prisões.

Segundo levantamento de 2018, dos que entraram para o judiciário após 2011, cerca de 13% vem de famílias de magistrados, contra 30% das décadas anteriores. Já com relação à massa carcerária, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, pretos e pardos não 68%. E segundo levantamento do Observatório Nacional dos Direitos humanos, com dados dos próprios sistemas prisionais e judiciário de todo o Brasil, 75% das pessoas presas provisoriamente são pretas. Em outras palavras, o que vemos é a lógica colonial ainda posta em prática: uma maioria de pessoas brancas e ricas sequestrando e encarcerando homens negros por qualquer coisa, com a ajuda das forças militares.

Esse cenário demonstra uma omissão criminosa dos Ministérios e Defensorias Públicas, e também do CNJ – o Conselho Nacional de Justiça: são mais de 200 mil pessoas encarceradas que não foram sequer julgadas, e não vemos esses órgãos se esforçando e valendo seus gigantescos orçamentos para levar, de fato, justiça a quem é mais pobre. Vemos uma omissão criminosa dos legisladores desse país, que falam tanto em seguir as leis, mas não se preocupam em elaborar proteções legais para que pretos e pobres não sejam encarcerados injustamente.

Se organizar e lutar contra a perseguição policial

Assim, a conclusão era uma só enquanto nossos ancestrais eram escravizados, assim como é hoje, enquanto nossa juventude é criminalizada e assassinada pelas forças do Estado Burguês: Nossa organização. Só juntos, em torno de um projeto de sociedade aonde a vida importa mais que o dinheiro, em torno de uma sociedade sem classes, é que as pessoas pretas do mundo inteiro vão conseguir garantir sua liberdade. 

A Frente Negra Revolucionária encontra-se de portas abertas para todo preto e preta que quiser se organizar para lutar por essa sociedade. Seremos seu escudo e sua espada.

 

MLB realiza ocupação vitoriosa de empresa de saneamento privatizada no Pará

90 famílias organizadas no Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas ocupam empresa de saneamento e conquistam abastecimento de água para ocupações em Belém.

Beatriz Eleres | Belém do Pará


LUTA POPULAR – Mais de 90 famílias organizadas no Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), crianças e jovens, na manhã de hoje (04/02) realizaram uma ocupação de um polo das Águas do Pará no centro de Belém.

O ato reivindicou a melhoria dos serviços de saneamento básico e distribuição de água, principalmente para os bairros periféricos como Guamá, Jurunas, Maracangalha, Pratinha, Bengui e para a Ocupação Welfesom Alves e a Ocupação de Mulheres Rayana Alves, onde os moradores não têm abastecimento diário de água e quando finalmente chega às torneiras, recebem uma boa quantidade de barro e bactérias.

“Lá em casa, no Maracangalha  moram minha mãe de 80 anos e meu pai com Alzheimer que precisa de água várias vezes ao dia para suas necessidades fisiológicas e a água, quando vem é com um cheiro horrível. Mas, a conta não deixa de chegar todo mês” relata Maria do Socorro, moradora do bairro da Maracangalha, que descreve alguns dos desafios para conseguir realizar suas tarefas cotidianas e cuidar de sua família idosa.

Vitória das famílias

Ao final da tarde do mesmo dia, as famílias conquistaram a vitória de 2 caixas d’água, uma para cada Ocupação apoiada pelo movimento, além de abastecimento periódico doado pela empresa Águas do Pará. O que querem os lutadores sociais do MLB é que seus direitos básicos não estejam à venda e beber água, tomar banho, cozinhar e lavar roupas todo dia não sejam realidades distantes.

“É importante que façamos a luta para reivindicar o direito à água, porque se esperarmos a comoção dos governadores, prefeitos e empresas, não vamos conquistar nada. Quando ocupamos, é uma afronta ao sistema vigente que concentra riquezas, como a própria água. O povo briga pelo seu direito básico, como na Ocupação Welfesom Alves, onde moramos há 4 meses e não temos água para lavar roupa e precisamos de ajuda de vizinhos, parentes e apoiadores” afirma Jon da Rima, integrante da coordenação estadual do MLB.

Privatização deixou água mais cara no PA

Há 2 anos, o processo de privatização dos serviços de saneamento básico e distribuição de água no estado do Pará foi efetivado. Àquela época, os movimentos sociais denunciaram as consequências futuras de entregar as estatais para o setor privado, como consta na matéria de Welfesom Alves para o Jornal A Verdade n° 284 que define esse serviço público transformado em “mercadoria a ser vendida e entregue aos ricos”.

Hoje, a situação agravou-se: contas cada mês mais caras, dias seguidos de parada no abastecimento de água nos bairros mais populosos da capital paraense, demissões em massa, baixa nos salários, além de um tratamento de limpeza insuficiente que resulta em água contaminadas chegando nas casas dos 99 municípios nos quais a empresa atua.

Portanto, a garantia do direito universal de acesso à água potável segura e saneamento deve ser uma preocupação fundamental de quem luta por uma realidade digna. Uma sociedade em que água, comida e casa não sejam mais letra morta em discursos bonitos mas sim, uma realidade concreta para todos os trabalhadores, mulheres, crianças e idosos.

Nos primeiros 18 dias do ano, Sorocaba (SP) já registrou três feminicídios

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A cidade de Sorocaba (SP) registrou três feminicídios apenas nos primeiros 18 dias do ano, reflexo do abandono das políticas de combate à violência contra a mulher e da violência estrutural do sistema capitalista

Movimento Olga Benario (SP)


MULHERES – Já no primeiro mês do ano, o machismo estrutural ficou escancarado no município de Sorocaba (SP): apenas nos primeiros dias de 2026, a cidade alcançou o número de três feminicídios, mesma quantidade de casos registrados em todo o ano passado. O caso mais recente, ocorrido no dia 18, se tratou de um duplo feminicídio: Tamara (30 anos) e Giovanna (32 anos) foram assassinadas a facadas por Antônio Batista de Lima, ex-companheiro de Tamara. A primeira vítima do ano foi uma mulher de 53 anos, também morta a facadas, tendo como principal suspeito seu companheiro de 50 anos.

Infelizmente, a realidade de Sorocaba segue os cenários estadual e nacional. Entre janeiro e novembro do ano passado, foram registrados 233 feminicídios no estado de São Paulo, dentre eles, 128 no interior. No Brasil, quatro mulheres são assassinadas por dia, reflexo de uma sociedade patriarcal, machista e violenta.

Outro sinal de alerta é a quantidade de medidas protetivas despachadas que, segundo dados da Delegacia da Mulher de Sorocaba, entre janeiro e julho do ano anterior, ultrapassaram a média de cinco medidas por dia. São cinco mulheres vivendo violência doméstica que conseguem romper inúmeras barreiras por precisar de proteção estatal. Se esse dado já é grave, é preciso lembrar das tantas outras que, por inúmeros motivos, sequer conseguem acessar esse direito.

Para além do feminicídio e das agressões físicas, a violação dos corpos femininos também se expressa de forma brutal por meio do estupro. No ano passado, Sorocaba registrou 234 casos de estupro, sendo, destes, 174 de estupro de vulnerável, crimes que atingem majoritariamente mulheres, crianças e pessoas com deficiência ou doenças que limitam sua capacidade de resposta. Isso significa que, em média, mais de uma pessoa de população minoritária foi estuprada por dia na cidade, revelando uma violência que permanece naturalizada.

A falsa política de proteção às mulheres

Esses números são inaceitáveis para uma cidade que dispõe de uma Secretaria da Mulher, que gastou, desde sua fundação, escandalosos mais de R$ 2,1 milhões apenas com o pagamento de salários de suas 11 funcionárias. Ainda assim, a secretaria não teve sequer a humanidade de vir a público se posicionar diante dos feminicídios. A última notícia oficial, cinco dias após o duplo feminicídio, restringiu-se à divulgação de inscrições para o chamado “Mercado Solidário”.

Diferentemente de muitas cidades, de fato, Sorocaba até dispõe de uma Delegacia da Mulher, mas esta é localizada no bairro do Campolim, região elitizada e distante dos bairros periféricos, onde se concentram os maiores índices de violência doméstica. O deslocamento é longo e caro, e muitas mulheres, especialmente em situação de dependência financeira, não têm condições de arcar com o custo da passagem ou sequer dispõem de saúde física e emocional para percorrer longos trajetos após sofrer violência.

O município também possui o Centro de Referência da Mulher (CEREM), equipamento da política de proteção social especial, mas este possui uma equipe técnica mínima para atender uma cidade com mais de 750 mil habitantes. O atendimento depende de agendamento, com espera que pode chegar até a um mês. É nesse espaço, inclusive, que ocorre a instalação do aplicativo “Protege Mulher”, antigo Botão do Pânico, fundamental para acionar a polícia diante da ameaça do agressor.

Para completar o cenário de abandono, as vagas em casas abrigo também são insuficientes. Sorocaba conta com apenas duas parcerias, que somam cerca de 30 vagas, quase sempre ocupadas. No ano passado, uma mulher, acompanhada do filho, passou a noite na prefeitura como forma de protesto após denunciar o marido por ameaça e não encontrar nenhuma vaga disponível para acolhimento. O episódio escancara a falência da política de proteção: mesmo após romper o silêncio e buscar ajuda, muitas mulheres seguem sem ter para onde ir.

O ciclo da violência e a prisão cotidiana

Vivemos em uma sociedade que tem como base a propriedade privada dos meios de produção, por isso as políticas públicas de atendimento às mulheres são ineficazes. Além disso, é preciso lembrar que romper com a violência, por si só, já é extremamente difícil, justamente porque a violência contra as mulheres não se refere a casos e comportamentos isolados, mas todo um sistema que coloca as mulheres na posição de subjugadas.

Com o aprofundamento do sistema capitalista, as mulheres são ensinadas desde cedo a tolerar violências, das microagressões às formas mais brutais. Somos empurradas a permanecer em relações profundamente insatisfatórias — e muitas vezes violentas — em nome da instituição do casamento e da ideia de que a separação “prejudica os filhos”. Nesse sentido, a violência torna-se um ciclo na vida de muitas delas.

O ciclo da violência começa com pequenas agressões no cotidiano: controle, ciúmes, humilhações, ameaças e isolamento. Depois, a violência aparece de forma mais direta — física, sexual ou psicológica. Após a agressão, vêm as promessas e os pedidos de desculpa, quando o agressor afirma que vai mudar e a mulher, por inúmeras razões, acaba cedendo. Em seguida, surge a chamada “fase da lua de mel”, quando o agressor demonstra afeto, torna-se prestativo e cria a falsa expectativa de que a violência foi um episódio isolado. Esse ciclo se repete, se intensifica e se torna cada vez mais difícil de romper.

Essa permanência no ambiente violento também é sustentada pela dependência econômica: seguimos relegadas ao trabalho doméstico e aos cuidados com a casa e as crianças, sem qualquer remuneração. Mesmo quando acessamos o mercado de trabalho, o capitalismo aliado ao machismo nos impõe salários menores, jornadas duplas e maiores barreiras à progressão profissional. Para as mulheres negras, essa realidade é ainda mais brutal, evidenciando o caráter racista e classista dessa estrutura de opressão.

Organização popular contra a omissão do Estado

Diante desse cenário de guerra contra nós, surge a pergunta: o que podemos fazer? Após a exposição do caso de um estuprador reincidente nas redes sociais, mulheres sorocabanas passaram a se organizar para listar e denunciar agressores conhecidos que seguem impunes. A raiva é legítima e a tentativa de autoproteção entre mulheres é necessária. No entanto, experiências anteriores mostram que iniciativas virtuais desse tipo tendem a se esgotar: passado o momento de maior repercussão, as denúncias são esquecidas e os agressores continuam circulando e violentando. Diante disso, é preciso perguntar: essa é a nossa alternativa final? O Movimento de Mulheres Olga Benario mostra que não.

Se a origem do problema não é individual, mas sim social e econômica, exige uma resposta organizadas coletivamente. Um exemplo disso foi a luta pela revitalização do Parque Ouro Fino, quando uma de nossas companheiras foi violentada sexualmente no local, transformamos a dor em luta: realizamos panfletagens, brigadas, atos, aulas de defesa pessoal, um abaixo-assinado com mais de 600 assinaturas, entregamos ofícios, fizemos falas na Câmara Municipal e cobramos diretamente as secretarias. Essa conquista foi fruto de muita luta popular e não de nenhuma benesse.

É importante lembrar que essas conquistas — assim como tantas outras advindas das lutas travadas pelas mulheres organizadas no Movimento Olga Benario — não são um fim em si mesmas, mas parte de um caminho mais amplo: o caminho da revolução. Nós, mulheres trabalhadoras, compreendemos que o machismo não é um resquício cultural isolado, mas uma estrutura material, profundamente vinculada ao surgimento da propriedade privada e à consolidação da sociedade de classes. A opressão das mulheres se organiza a partir da propriedade privada, criada para garantir a herança, controlar a sexualidade feminina e privatizar o trabalho doméstico e o cuidado, transformando-os em responsabilidade individual das mulheres.

Por isso, conquistas pontuais — como melhorias em serviços, equipamentos públicos ou revitalizações conquistadas pela luta — são fundamentais e salvam vidas, mas têm limites claros dentro do capitalismo. Enquanto a reprodução da vida seguir subordinada ao lucro, enquanto o trabalho doméstico permanecer invisível e não remunerado, e enquanto a violência contra as mulheres for tratada como problema privado e não como expressão de uma ordem social, a opressão se reorganiza e se aprofunda. A luta por direitos é parte necessária da resistência cotidiana, mas a superação definitiva do machismo só será possível com a superação do sistema que o produz: o capitalismo.

Então, fazemos um chamado às mulheres trabalhadoras, mães, estudantes, jovens e idosas de Sorocaba: não enfrentem essa violência sozinhas! A organização coletiva é o que transforma medo em força e indignação em luta concreta. O Movimento de Mulheres Olga Benario está de portas abertas para acolher, organizar e lutar ao lado de todas aquelas que não aceitam mais a violência como destino. É na construção coletiva, na presença nos bairros, nas ruas, nos equipamentos públicos e nos espaços de decisão que fortalecemos nossa capacidade de defesa e de transformação da realidade. Só organizadas conseguiremos enfrentar o machismo, a violência e a omissão do Estado — e construir um futuro onde nossas vidas não sejam descartáveis!