UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

domingo, 12 de abril de 2026
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“Somos todos Eliana Silva”

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20 dias. Esse foi o tempo de duração de uma das mais organizadas ocupações que Belo Horizonte já tinha visto. A ocupação Eliana Silva, formada na região do Barreiro desde o dia 21 de abril, contava com 350 famílias, que lá estavam organizadas pelo Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) e ocuparam um terreno que estava abandonado há mais de 40 anos. Nesses dias em que durou a ocupação, muitos avanços foram alcançados pelos seus moradores, que tinham no mínimo três refeições ao dia (as crianças chegavam a ter até quatro refeições), todas as decisões principais referentes à organização da comunidade eram decididas em assembleias realizadas todos os dias; era proibido o uso de drogas e até mesmo uma creche foi organizada, atendendo dezenas de crianças. Todo esse exemplo de organização e disciplina incomodou os poderosos da cidade, em especial, o prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda e o governador do Estado de Minas Gerais, Antônio Anastasia. Cedendo à pressão desses “governantes”, a juíza da 6ª Vara da Fazenda Municipal, Dra. Luzia Divina, concedeu a reintegração de posse a favor da prefeitura de BH, sem o Município tivesse sequer comprovado a propriedade ou a posse do terreno.

Mas essa foi apenas uma das enormes arbitrariedades cometidas contra as famílias trabalha-doras. Apesar do gigantesco déficit habitacional, que segundo o IBGE afeta 120 mil famílias, nenhuma delas é beneficiária do programa “Minha Casa, Minha Vida”.

Segundo dados da própria prefeitura, em 2008, se inscreveram em Belo Horizonte para o Programa “Minha Casa Minha Vida” 198 mil famílias, o que equivale a cerca de um milhão de pessoas, um terço da população da capital mineira. Considerando que a Prefeitura constrói apenas mil casas por ano, serão necessários duzentos anos para zerar o déficit habitacional atual; somamos a isso os mais de 70 mil imóveis ociosos na cidade, que continuam dessa forma porque a prefeitura não se utiliza das leis vigentes para enfrentar a especulação imobiliária e dar destina-ção social aos imóveis. Mesmo com tamanha omissão, a prefeitura e o governo do Estado, prepararam a reintegração de modo a pegar as famílias de surpresa e dificultar a resistência.

Caveirão para os pobres

Rasgando a própria Constituição, foi realizada no dia 10 de abril, uma reunião clandestina entre a juíza, a Polícia Militar, a prefeitura, o governo do Estado e o Ministério Público. Na manhã do dia 11 de maio, sem nenhuma notificação prévia de um oficial de justiça às famílias, um aparato militar de fazer inveja à ditadura militar, composto por mais de 450 homens fortemente armados com escopetas, spray de pimenta, cassetetes, escudos, e demais armas de diversos calibres, cães, cavalaria, helicóptero e até um “Caveirão” (tanque de guerra da PM), foram utilizados para reprimir as famílias da ocupação. Agressões e demais violências tanto do ponto de vista físico como do ponto de vista psicológico foram cometidas contra crianças, mulheres grávidas e idosos, houve espancamento, mães foram impedidas por até 39 horas de poder amamentar seus filhos e diversos pertences pessoais das famílias foram roubados pela polícia e pelos fiscais da prefeitura. Todo esse aparato militar foi usado para destruir as barracas de lona em que as famílias moravam e atemorizar o povo que ousa levantar a cabeça e lutar. Apesar da resistência das famílias, que enfrentaram como podiam esse crime contra o povo trabalhador, toda a infraestrutura da ocupação foi destruída. Mesmo com toda essa truculência, a PM não conseguiu retirar as famílias do terreno que ali ainda permaneceram até o outro dia às 16h, quando em assembleia, decidiram sair por vontade própria de cabeça erguida e com a certeza que a luta deve continuar. Importante destacarmos que enquanto acontecia a desocupação, milhares de pessoas das comunidades de Camilo Torres, Irmã Dorothy, das Vilas Santa Rita, Corumbiara e da Vila Pinho tentaram furar o bloqueio para se solidarizarem com as famílias da ocupação Eliana Silva e foram também reprimidas, com cassetetes, spray de pimenta e cavalaria.

Fascismo e perseguição

No dia 13 de maio, o rapper paulistano Emicida, foi preso após um show em um festival de Hip Hop realizado na região do Barreiro, sob a alegação de “desacato à autoridade”. No início da música “Dedo na ferida”, dedicada às vítimas do atentado fascista do governo tucano de São Paulo contra as famílias do Pinheirinho, Emicida afirmou “Somos todos Eliana Silva”, e convocou o público a levantar o dedo do meio contra a polícia que desocupa as famílias mais humildes e contra os políticos que não respeitam a população.

Outro caso preocupante foi o relativo às perseguições sofridas pelo Frei Carmelita Gilvander Moreira, assessor da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e grande aliado da ocupação. No dia 15 de maio, os freis Adailson e João Paulo (que moram na mesma casa) ao chegarem, se depararam com um automóvel Fiat Uno, branco, estacionado no portão da casa, com as quatro portas abertas e com quatro homens de pé fora do automóvel, um com um cacete grande na mão, em atitude ameaçadora, num horário que Frei Gilvander deveria ter chegado. Já estava escuro na hora e chovia uma chuva fina. No dia 16, uma das advogadas do movimento enquanto voltava para casa foi perseguida por uma moto por quatro bairros. Essas denúncias já foram apresentadas à Polícia Civil, à Comissão dos Direitos Humanos da ALEMG (Assembleia Legislativa), ao Ministério Público, à Defensoria Pública e à Imprensa. No dia 21, nova agressão a Frei Gilvander; dessa vez, seu site foi atacado e os vídeos que denunciam os despejos e injustiças contra as ocupações no Estado de Minas Gerais foram retirados do ar.

A luta continua

Dois dias após o despejo, mais de duzentas famílias acamparam na porta da prefeitura de BH e lá permaneceram durante dois dias. A reação do prefeito foi a já esperada: não houve nenhum diálogo que resultasse em solução do problema. Mas novamente houve uma enorme repercussão em toda a imprensa da cidade. Na quarta-feira, dia 16 de maio, as famílias desocuparam a entrada da prefeitura e saíram em passeata até a Assembleia Legislativa onde lotaram o plenário para a realização de uma audiência pública sobre a ocupação.

O Fórum Permanente de Solidariedade às ocupações em Belo Horizonte vem fazendo reuniões periódicas e as entidades e demais participantes vêm desenvolvendo diversas atividades de solidariedade. Além do rapper Emicida, outros artistas também têm prestado solidariedade à ocupação, como são os casos da banda Graviola e Lixo Polifônico, do grupo 4 Instrumental, dos rappers do Duelo de MC’s, dentre outros. Nos sábados, 19 e 26, foram realizadas plenárias com as famílias para decidir sobre a continuidade da luta. Destaque para a plenária do dia 26 que contou com a presença de várias entidades e até do vice-prefeito de Belo Horizonte, Roberto Carvalho, que disse ser contrário à política que Márcio Lacerda vem implementando e ao despejo das famílias de Eliana Silva. O vice-prefeito se comprometeu na plenária a ir até a presidente Dilma durante a próxima semana buscar solução e assegurou que retornará posteriormente às famílias para apresentar o resultado da conversa. Além disso, todos esses dias, centenas de pessoas espontaneamente vêm se mobilizando no sentido de ajudar as famílias com doações de roupas, cobertores, colchões, alimentos, apoio político, etc, reforçando ainda mais a vontade de vencer das famílias.

Para mais informações acesse: http://www.ocupacaoelianasilva.blogspot.com.br/.

Leonardo Pericles
Membro da coordenação Nacional do MLB

Estudantes de Varginha saem às ruas

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No dia 10 de maio, os estudantes do Campus de Varginha da Universidade Federal de Alfenas (Unifal-MG), organizados pelo Diretório Acadêmico Florestan Fernandes (DAFF) e pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) realizaram uma passeata até a prefeitura reivindicando o direito ao meio-passe universitário. “Há vários anos os estudantes de várias partes do Brasil têm conquistado este direito, e aqui em Varginha não pode ser diferente”, disse Renan Peres, coordenador-geral do DCE.

Desde o ano passado, os estudantes da Unifal-MG estão tentando manter diálogo com a prefeitura no sentido de garantir a aprovação do benefício, visto que os altos valores das passagens ainda se refletem bastante na evasão universitária. Foram feitas assembleias, reuniões com o prefeito e uma audiência pública na Câmara Municipal.

Como o prefeito se mostra resistente, os estudantes ocuparam a Prefeitura e uma comissão foi recebida. Com isso, foi marcada uma nova reunião para o início de junho com os representantes dos estudantes, da prefeitura e da empresa de transporte da cidade para garantir as condições da efetivação do meio-passe.

Os estudantes vão continuar mobilizados até a garantia definitiva da conquista do meio-passe em Varginha.

Rossi Henrique Chaves, vice-presidente do DAFF e militante da UJR

O Pronatec: avanço ou retrocesso?

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Dentro das escolas técnicas públicas se formam os principais quadros para a produção industrial, química e agrícola do nosso país; porém, a Confederação Nacional das Industriais (CNI) encaminhou junto do governo federal uma lei que legaliza o roubo do dinheiro público, a privatização descarada do ensino técnico. O Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego –PRONATEC- foi criado entre os setores mais reacionários da sociedade, que não defendem a educação pública e nem a soberania nacional. Após sua formatação, foi enviado ao Congresso Nacional e tramitou em regime de urgência, fazendo com que existisse pouco debate sobre seu funcionamento. O PRONATEC se coloca como um ataque gravíssimo a educação pública, com envio direto de dinheiro público para o setor privado e não somente via isenção de impostos, como acontece no PROUNI. Através do BNDES, o governo pretende oferecer financiamento ao Sistema S (SENAI, SESC, SESI, SENAC) que é dirigido pela própria CNI e sinaliza jorrar mais de R$ 24 bilhões até 2014 na iniciativa privada.

Segundo alguns pedagogos, o primeiro jeito que se tem para privatizar a educação é pondo-a em leilão. O segundo é pôr o PRONATEC em prática. Ao observar a lei Nº 12.5132/2011 (lei do PRONATEC) podemos constatar que são dispensáveis auditorias fiscais para a realização de convênios entre o governo e a iniciativa privada, permitindo assim que dinheiro público seja repassado à iniciativa privada sem que haja um controle efetivo, com exigências e contrapartidas previamente estabelecidas. O programa se assemelha muito com o acordo MEC-USAID, feito entre Brasil e EUA durante o período da ditadura militar, que previa o sucateamento da educação pública para o fortalecimento da iniciativa privada.

Muitos representantes do governo perguntam aos contrários do PRONATEC: ‘Qual é o problema da iniciativa privada na educação?’ O problema não está nela participando apenas da educação. Quando se trata de educação, saúde, transporte, reforma agrária, o interesse do setor privado fica ainda mais distante dos interesses do povo, já que na estrutura pública é possível disputar a concepção dessa mesma educação, saúde, transporte, reforma agrária; enquanto na estrutura privada, apesar de ela ter que obedecer a lei geral, a lógica de funcionamento é de favorecer os interesses da classe dominante e garantir seu lucro.

Sem dúvida que essas medidas de sucateamento não vão acabar com 30 milhões de brasileiros analfabetos funcionais e nem garantir um ensino técnico público e acessível; para isso é necessária uma grande mobilização em defesa da educação! É preciso que se erga a bandeira da garantia da educação pública e de qualidade, propiciando o avanço da ciência e tecnologia; universalização da educação pública; formação de profissionais capacitados; garantia do piso salarial para os técnicos; garantia da politecnia dentro de todas as unidades de ensino; o fim da mercantilização da educação, fim do pagamento da dívida pública e o investimento dos 10% do PIB para a educação pública. Só assim, os setores sociais terão prioridade e a educação será para todo o povo brasileiro e para classe trabalhadora.

Raphael Almeida
Estudante do IFRJ e diretor da FENET

Curso de Teoria Marxista na UFPE é um sucesso

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Nos dias 22, 23 e 24 de maio foi realizada mais uma edição do Curso de Teoria Marxista da UFPE. O evento lotou o auditório do Centro de Ciências Sociais Aplicadas da universidade, mesmo num período de greve, o que demonstra não só a atualidade do marxismo como também o interesse crescente da juventude pelo tema.

O curso foi dividido em três módulos – filosofia, economia e socialismo científico – e a cada dia novas inquietações surgiam nas intervenções dos estudantes. Não por acaso. O momento político que vive o mundo hoje, de aprofundamento das contradições do capitalismo, impõe à sociedade, e especialmente à juventude, a responsabilidade de responder a perguntas como “De onde vem a miséria?”, “Qual a raiz da divisão entre ricos e pobres?” e “Por que, em meio à opulência, reinam a fome e o analfabetismo?”.

No primeiro dia, Edval Nunes Cajá, dirigente do PCR,  tratou de fazer um apanhado histórico, desde a primeira forma de organização humana, o comunismo primitivo, até os dias atuais.

No módulo de Economia, o palestrante Rafael Freire tratou de um tema famoso até para os pouco iniciados na literatura marxista: a luta de classes. Em filosofia, foi possível aprender, a partir da explicação do historiador José Nivaldo Júnior, que a realidade está sempre em movimento e que esse movimento é impulsionado pela contradição entre o velho e o novo, que estão em conflito permanente em tudo o que existe na natureza e na sociedade.

Deste modo, oferecendo três belos dias de puro materialismo histórico e dialético, o Centro Cultural Manoel Lisboa, a UJR e o Movimento Correnteza prestaram um grande serviço à comunidade acadêmica e à construção de uma sociedade mais justa e fraterna que, antes mesmo de Karl Marx nascer, já figurava nas ideias dos espíritos mais preocupados com a supressão da desigualdade, com o nome de socialismo.

Thaynnara Queiroz, estudante de Pedagogia da UFPE

Pesquisa retrata universitário brasileiro

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A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) publicou o relatório Perfil socioeconômico e cultural dos estudantes de graduação das universidades federais brasileiras, encomendado ao Fórum Nacional de Pró-reitores de Assuntos Comunitários e Estudantis (Fonaprace) com o objetivo de mapear a vida social, econômica e cultural dos estudantes de graduação presencial das universidades federais brasileiras. A coleta dos dados ocorreu de 11 de outubro a 17 de dezembro de 2010.

Edward Brasil, presidente da Andifes na gestão 2010/2011, explica que “a pesquisa tem por fim conhecer o nosso alunado e buscar indicadores para formular políticas de equidade, acesso e assistência estudantil, essenciais no contexto da dissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, e assim redobrar esforços para garantir a permanência de todos os estudantes, viabilizando a conclusão de seus cursos agindo preventivamente nas situações de retenção e evasão”.

Nossas universidades federais são compostas por 75% de estudantes jovens na faixa etária de até 24 anos e 8,7% são negros; 43,7% pertencem às classes C, D e E, e este percentual cresce na região Norte (69%) e Nordeste (52%). Já os estudantes da classe A perfazem 15%, com maior concentração na região Centro-Oeste (22%). Em contrapartida, a região Norte tem apenas 6,3% de estudantes da classe A, dado que derruba o mito de que nas universidades federais só há ricos e reforça a necessidade de as instituições garantirem uma política de assistência estudantil que garanta aos estudantes das classes C, D e E poder se manter na universidade.

Os estudantes são, em sua maioria, mulheres (53,5%), e a Região Norte tem a maior percentagem (58,2%). Há um elevado percentual de estudantes com filhos que utilizam as creches universitárias (43,4%). Ao mesmo tempo, dos trancamentos de matrícula por licença-maternidade as mães oriundas das classes C, D e E são a grande maioria, com 68%, ou seja, muitas elas abandonam o período por não terem onde deixar seus filhos, o que demonstra a importância de universalizar o acesso à creche.

Outro mito, aquele segundo o qual a grande maioria dos estudantes vão de carro para a aula, também não é verdade: são apenas 21,62%. Em contrapartida, cresceu para 18% o número de estudantes que se deslocam a pé, de bicicleta ou de carona, e, ainda assim, a maior parte, 56,5% utiliza transporte coletivo.

 O relatório mostra como é deficiente o investimento em programas de assistência estudantil, numa realidade em que metade dos estudantes são das classes C, D e E, e apenas 15% utilizam os restaurantes universitários; 2,5% estão em residências universitárias (com destaque para a Região Norte, com apenas 0,63%); e não chega a 11% índice dos estudantes atendidos pelos programas de bolsa permanência. O resultado é que 15% dos trancamentos de matrícula são por motivos financeiros.

Uma questão que merece destaque é a situação de saúde física e mental. Um terço dos estudantes não pratica nenhuma atividade física e quase metade (47,7%) relata ter vivenciado crise emocional nos últimos 12 meses. Os motivos levantados são diversos: por relações amorosas e conjugais (41%), assédio moral (25%) e  a interferência por dificuldades financeiras foi manifestada por 52%, por carga excessiva de trabalho (37%) e – alarmante – é que, por violência física ou sexual, foram relatados 24% dos casos.

Essas dificuldades afetam o desempenho acadêmico em proporções diferentes: ansiedade (70%), insônia (44%), sensação de desamparo/desespero/desesperança (36%), sensação desatenção/desorientação/confusão mental (31%), depressão (22%),medo/pânico (14%) e problemas alimentares (12%).

Os prejuízos decorrentes de problemas emocionais foram: falta de motivação para estudar ou dificuldade de concentração (61%), baixo desempenho acadêmico (48%), reprovações (31%), trancamentos de disciplinas (16%), mudança de curso (6%), risco de ser jubilado (6%) e trancamento geral (5%).

O relatório demonstra um retrato de uma universidade brasileira com muitos desafios, pois só tem 15% dos seus jovens no ensino superior, e, destes, 85% estão nas instituições de ensino particular. A pequena parcela que conseguiu ingressar nas universidades públicas passa por um grande desafio de se manter nelas, pois ainda é insuficiente a política de assistência estudantil oferecida.

A pesquisa reforça a necessidade de fortalecermos a organização dos estudantes e da sociedade para que possamos reverter este quadro. Neste sentido, o Seminário Nacional de Universidade Brasileira, realizado anualmente pela União da Juventude Rebelião e DCEs, cumprem um importante papel de fomentar o debate sobre nossa universidade.

Alexandre Ferreira, Coordenação Nacional da UJR

“A unidade na luta é a base para a nossa vitória”

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Foi com essa certeza estampada no rosto de cada um dos funcionários da Companhia de Água e Esgoto de Brasília (Caesb), coordenados pelo Sindágua, o sindicato dos trabalhadores,  que eles entraram em greve, no dia 2 de maio, com total adesão da categoria.  Esse sentimento demonstra a insatisfação dos milhares de funcionários da empresa com o descaso que a Caesb é tratada desde o governo Arruda (DEM) e que atinge uma situação ainda mais crítica no governo Agnelo Queiroz (PT).

“A privatização da Caesb está cada vez mais avançada. Dos 5.100 funcionários da empresa, 2.700 são terceirizados, o que representa 52% do quadro. Demonstrando o uso eleitoreiro da empresa, 10% dos 2.400 funcionários públicos são comissionados que recebem entre R$ 14.000 e R$ 20.000, um salário várias vezes maior que o dos funcionários concursados que desempenham a mesma função, declarou a A Verdade Pedro Cerqueira, o Catitu, diretor de relações sindicais do Sindágua.

Os governos de Arruda e Agnelo trataram e tratam a Caesb com desprezo, e, passados mais de 20 dias da greve, o GDF nem sequer se posicionou diante das reivindicações da categoria. Essa tem sido uma constante em Brasília, haja vista que a greve dos professores durou 51 dias, por conta da intransigência em não negociar, por parte do governo.

Quem mais sofre com tudo isso é a população pobre de Brasília. Mesmo sendo a capital federal, os moradores das cidades-satélites e do entorno padecem com a falta de serviços públicos de qualidade, e têm crescido as tentativas de privatização por parte do GDF, aumentando as dificuldades para a população.

Brasília, que tem vivido um dos maiores crescimentos demográficos do país, precisa de mais atenção por parte do poder público para garantir efetivamente melhores condições de vida. Os trabalhadores vêm respondendo à altura, e sucessivas greves vêm acontecendo e recebendo apoio da população. Neste momento é a Caesb, mas o que está em jogo é a luta e a vida dos trabalhadores.

Ancelmo Sales, Brasília

As consequências da privatização no telemarketing

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O setor de telecomunicação no Brasil, até meados de 1998, pertencia 100% ao Estado, quando estava protegido da ganância das grandes monopólios imperialistas. Nesse período os trabalhadores eram bem remunerados, tinham vários direitos garantidos, direitos que foram conquistados após muitas greves, manifestações e assembleias organizadas pelos sindicatos.

O Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações de Minas Gerais (Sinttel-MG) era detentor de grandes conquistas na época da estatal Telemig. Sua força era tal que suas conquistas abrangeram empresas de outros setores dos serviços públicos, como a Cemig e a Copasa. Após a implementação do projeto neoliberal no Brasil, que visava entregar as empresas estatais ao capital privado, e que se iniciou com o presidente Fernando Collor de Mello e se concretizou nos governos de Itamar Franco e de Fernando Henrique Cardoso, esse quadro mudou. Várias estatais foram entregues ao capital estrangeiro e, em 29 de julho de 1998, foi a vez de privatizar a telecomunicação brasileira.

Embora houvesse uma grande propaganda enganosa sobre as supostas vantagens da privatização nesse setor, a realidade foi bem diferente. Esse processo ocasiona até hoje grandes perdas para os trabalhadores que fazem parte do setor de telemarketing. Inicialmente, essas empresas se tornaram propriedade de pequenos grupos de pessoas que tinham por objetivo único aumentar a exploração dos trabalhadores, pela contratação de mão de obra barata, buscando conseguir o lucro máximo. Hoje, o setor é dominado por grandes monopólios, entre eles, graças às privatizações das telecomunicações em vários países, se destaca a empresa daquele que é considerado o homem mais rico do mundo, o mexicano Carlos Slim, dono da Embratel e também da Claro.

A realidade dos trabalhadores em telemarketing é fruto da política de terceirização nos serviços de telecomunicações. Atualmente a categoria é tão desvalorizada que nem mesmo na CLT é reconhecida. Há uma intensa precarização do trabalho no setor, proporcionando várias doenças, assédio moral, metas abusivas e alta rotatividade. Todos esses problemas citados são apenas estratégias aplicadas para obter um enfraquecimento dos sindicatos em nível nacional, e, assim, o empresário atinge o seu único objetivo, os lucros excessivos.

O Movimento Luta de Classes (MLC), criado pelos próprios trabalhadores, entende que essa situação insustentável não pode mais continuar. Nós trabalhadores devemos nos unir para transformar essa realidade, conquistar nossos direitos e lutar para construir um estado socialista, em que a vida do ser humano seja prioridade – e não o capital.

Ana Carolina Maia, trabalhadora de telemarketing em BH

Greve mostra força dos trabalhadores em transportes

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Reposição salarial, vale-alimentação, plano de carreira, luta contra a precarização, terceirização e por 2% do PIB destinados ao transporte público: esses são alguns dos motivos que levaram os trabalhadores das linhas 11 e 12 e do metrô de São Paulo a cruzar os braços a partir da zero hora do dia 23 de maio.

Não são poucas as reivindicações que, segundo o diretor do sindicato dos metroviários, Alex Fernandes, chegaram a 103 itens, dos quais os principais não foram atendidos durante o período de negociação da campanha salarial, que durou quase 90 dias e desembocou na greve.

Enquanto 100% dos trabalhadores da CPTM e do metrô debatiam nos sindicatos e organizavam piquetes nos pátios de estacionamento dos trens, nas ruas a população protestava contra o descaso com o transporte sobre trilhos.

No entorno das estações de trem Guaianases e metrô Corinthians-Itaquera, os usuários foram às ruas e, em Itaquera – em frente ao futuro estádio que está consumindo um bilhão de reais para a Copa –, muitos sentaram na rua e fecharam completamente as duas faixas da Radial Leste, a via mais importante de acesso da Zona Leste ao centro da cidade de São Paulo. Como sempre, a polícia agiu com violência e afastou os manifestantes com balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo, deixando vários feridos.

Mentiras contra os trabalhadores

Na luta contra a organização dos trabalhadores, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, usou mais uma vez da sua tradicional arrogância e truculência para atacar a greve dos trabalhadores e tentar desvirtuar o verdadeiro problema do transporte público na cidade e no Estado. Em uma entrevista na maior rede de televisão do Brasil, o governador alegou que nas linhas privatizadas não havia greve e que essa era uma greve política visando às eleições. Tudo isso fazendo parte do plano de precarização dos transportes sobre trilhos que tentará chegar ao processo de privatização.

Segundo os dirigentes dos sindicatos das duas categorias, isso é um desespero do governo e da empresa, que vêm sendo derrotados na luta contra os trabalhadores. Segundo Edson Gutierrez “eles têm o compromisso deles, que é com as empreiteiras que estão aí dentro, e eu creio que com as empreiteiras que bancam as campanhas deles. Se ele não quer discutir com o trabalhador ferroviário, não quer discutir a qualidade de vida com o trabalhador ferroviário, não quer discutir melhoria do transporte com o trabalhador ferroviário, ele está pouco se lixando com a população de São Paulo”.

Alex Fernandes reforça o coro dos trabalhadores: “Na verdade, a linha privatizada, que é a linha 4-Amarela, é uma linha que está superlotada porque não tem extensão, não tem expansão. É uma linha que não tem operador de trem; inclusive se o acidente que ocorreu na linha 3, no dia 16, ocorresse na linha 4, teria uma fatalidade na cidade de São Paulo. Então essas coisas sobre a privatização, isso que ele tenta jogar sobre a opinião pública contra os trabalhadores, isso aí não cola mais.”

Fim da greve

No dia 23, em assembleia realizada no sindicato dos metroviários, a categoria decidiu aceitar a proposta do governo, que foi abaixo daquela determinada pela juíza do Tribunal. Essa proposta ainda não abarcou as principais lutas da campanha salarial, mas, com o discurso de um passo de cada vez, a direção do sindicato conseguiu convencer os metroviários a voltar ao trabalho.

Enquanto os metroviários voltavam a seus postos, os ferroviários da Zona Leste decidiam o futuro da sua greve nos fundos do sindicato, ao lado da Estação Brás, em  um terreno escuro e sem estrutura. A assembleia ocorria sobre pressão, já que as negociações estavam se encerrando e eles estavam agora “sozinhos” na luta, pois os metroviários começavam a voltar para o trabalho.

Uma reposição salarial percentualmente superior à dos metroviários – 6,38% e 6,09%, respectivamente – e o fato de considerarem uma vitória a mobilização e os efeitos da greve para um sindicato ainda novo, foram suficientes para levar a maioria dos trabalhadores a decidir pelo fim da greve. Mas ainda mantiveram o estado de greve e a ameaça de parar novamente nas próximas semanas, caso não seja atendida uma antiga reivindicação pelo “PCL” (plano de cargos e carreiras).

A luta não para

Ao final, os metroviários conseguiram um reajuste de 6,09%, sendo 4,15% de reajuste e 1,94% de aumento real; além de reajuste no vale-refeição de 21,05%, passando para R$ 23 por dia, e aumento no vale-alimentação de 45,33%, passando para R$ 218, mais o adicional de risco de vida de 10% para 15% para agentes de estação e seguranças. Ainda não haverá desconto do dia parado.

Já os ferroviários obtiveram um reajuste de 6,38%, com promessa de pagamento da PR de, no mínimo, em março de 2013, e aumento no vale-refeição para R$ 20. Eles terão as horas descontadas e deverão voltar ao trabalho imediatamente, em razão do caos que foi instalado na Estação da Luz, de onde partem os trens do Expresso Leste.

Embora a greve tenha durado um só dia, foi considerada vitoriosa pela direção dos sindicatos, já que a última paralisação do metrô havia ocorrido em 2007, com uma derrota da categoria e, no ano passado, a greve dos ferroviários não obteve grandes conquistas.

Mas o que fica claro para todos os trabalhadores é a necessidade de eles se organizarem e lutarem, principalmente neste momento em que, com a Copa do Mundo, os governos quererem proibir as manifestações trabalhistas para não “sujar” a imagem do País.

Lucas Marcelino, São Paulo

Conteste e lute vence as eleições do IFBA

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Com 70,6% do total de votos, a chapa Conteste e Lute (UJR e independentes) venceu as eleições do Grêmio Estudantil do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA), que ocorreram nos dias 2 e 3 de maio na Praça Vermelha do Campus Salvador.

A eleição foi uma das mais participativas dos últimos anos: teve 1.158 votantes, apenas 12 votos nulos e brancos, e a Chapa 2 – Unitas (PSTU/POR) – cerca de 300 votos. A eleição foi marcada com muitos debates sobre o rumo do movimento estudantil e da educação profissional e tecnológica. Todo o processo foi de muita discussão em cada sala de aula e nos corredores.

O grêmio do IFBA, que estava desacreditado pelo conjunto dos estudantes, agora terá uma gestão com o compromisso de reconstruir a história de luta do IFBA e lutar de forma intransigente pelos direitos da juventude e dos estudantes. Para Gabriela Bacelar, estudante de química e diretora do atual Grêmio Estudantil, “nosso grêmio agora tem voz e ação; vamos lutar pela construção do restaurante para todos, a preço popular, melhorias das salas de aulas, por concurso público para professores e por educação tecnológica que atenda às reais necessidades de nosso povo”. A Federação dos Estudantes das Escolas Técnicas (Fenet) esteve presente em todo o processo eleitoral e parabenizou os novos diretores desse importante grêmio.

Israel Fernandes
Diretor da Fenet e militante da UJR

Gestantes usuárias de crack já é pandemia

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No dia 22 de maio, uma jovem de 18 anos sofreu um aborto nas ruas próximas a um dos principais pontos turísticos de Fortaleza, o Centro Dragão do Mar. Moradora de rua e usuária de crack, ela não sabia o tempo da gestação, pois nunca tinha realizado um exame ou consulta pré-natal. O aborto aconteceu por volta do meio-dia, em uma calçada. A moça havia passado mais de 24 horas sem se alimentar e tinha dores na barriga havia alguns dias. No momento do aborto, agachada no chão, expulsou o feto sem mesmo se dar conta de que estava abortando. Foi levada ao Hospital Geral César Cals por uma viatura do Batalhão de Policiamento Turístico (BPTur) para os procedimentos necessários.

Esse exemplo demonstra a dura realidade de várias jovens de Fortaleza. Grávidas precocemente, viciadas, morando nas ruas, sem perspectiva de vida e, consequentemente, de criar e cuidar dos seus filhos. Quando não abortam, dão à luz crianças já contaminadas pelo vício e com vários outros problemas de saúde (neurológicos, motores, pulmonares e cardíacos). De acordo com o psiquiatra Antônio Mourão, o feto de uma grávida que usa crack costuma ser diminuto, e o “estado anestésico” provocado pelo uso da droga se prolonga. “Quando ela para de usar, fica querendo o tempo inteiro ter essa sensação”. (O Povo, 23/05/12). As sequelas do uso do crack passam da mãe para o feto através da absorção da pele e do líquido amniótico que está contaminado.

Os perigos, na gestação, do uso de drogas (principalmente do crack) muitas vezes são irreversíveis, pois a droga anula qualquer noção de afeto e cuidado.  A obstetra Zenilda Bruno, da Maternidade Escola Assis Chateaubriand, alerta para o perigo de a mãe, quando usuária de crack, não conseguir cuidar de afazeres como a higiene e a alimentação, e, quando grávida, o pré-natal costuma ser ausente.

De acordo com especialistas, o número de gestantes usuárias de crack pode ser considerado uma pandemia. O consumo da droga deixou de ser um caso de polícia e se tornou um problema de saúde pública. O índice de meninas entre 8 e 10 anos grávidas tem aumentado devido ao uso de drogas como o crack. Outro problema é a prostituição infantil: o fato de adolescentes e crianças venderem o corpo para manter o vício se tornou muito comum.

Na verdade, a sociedade capitalista, além de jogar as jovens para o vício e acabar com os seus sonhos e com o seu futuro, é a responsável por crianças já nascerem sem vida, ou, em outras palavras, viciadas.

Paula Virgínia Colares, Fortaleza

Docentes têm um dos salários mais baixos do país

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O ministro da Educação, Aloísio Mercadante, criticou as greves dos professores em todo o País. Segundo ele, não há motivo para essas paralisações, já que o atraso na incorporação das gratificações e na reestruturação do plano de carreira é “político” e não “legal”. Disse ele: “Não vejo o porquê de uma greve neste momento, neste cenário em que o governo demonstra todo interesse em cumprir o acordo, e há tempo para negociar”.

Talvez o ministro não tenha tempo para acessar os meios de comunicação, pois nas redes sociais circula uma tabela, baseada em valores divulgados em editais públicos entre 2008 e 2012, comparando o salário de professores graduados com mestrado e doutorado com o salário de outros profissionais graduados.

De acordo com a tabela, os professores têm toda razão para fazer greves e paralisações. Um professor com doutorado – que leva seis anos para se formar – recebe um salário médio de R$ 4.300, enquanto um policial rodoviário recebe em média R$ 5.782,11, um procurador federal chega a ganhar R$ 14.549,53 e um advogado da União tem um salário até 338,38% maior que o de um professor.

Isso nos mostra que quem não tem motivos para discutir com os professores é o governo federal, já que não demonstra nenhum comprometimento com os profissionais da educação, não incentiva o acesso à universidade e não garante a qualidade do ensino. Com isso, estudantes-trabalhadores são obrigados a recorrer às universidades pagas, que oferecem um ensino ainda mais precário.

Tudo porque o Estado não se importa com as condições de vida da população e com a qualidade dos serviços públicos. Com essa prioridade do governo, resta aos trabalhadores arcar com as contas da crise ou lutar contra os imperialistas que começam a virar as garras dos lucros também para a educação. Assim, sobram para os trabalhadores os cortes nos salários, as reduções dos direitos e a culpa pela precarização do ensino que visa a sua privatização.

A única saída para nós, trabalhadores, seja qual for nossa categoria, é lutar não só por melhorias ou reformas salariais e sociais, mas pelo fim do capitalismo que sobrevive colocando os trabalhadores uns contra os outros e promovendo o massacre e a morte de milhões de nossos companheiros. A única saída é lutar pelo socialismo e por uma pátria onde sobressaia a justiça e o direito a uma vida digna, com nossos direitos respeitados.

Isabela Melo da Silva
Estudante de serviço social na Unicastelo e militante da UJR