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A População LGBT e o Suporte Social

“Então como que uma pessoa LGBT pode ter uma rede de suporte social se ela foi expulsa de casa? foi desqualificada no ambiente escolar? é excluída das rodas de amigos simplesmente por não ser heterossexual ou cis?”

Vitor Daolio 
Unidade Popular Pelo Socialismo


Foto: Reprodução

CAMPINAS – A população e o movimento LGBT  têm conseguido, através de muita luta e enfrentamentos, avançar as suas pautas na sociedade, tal como ser mais aceitos em espaços públicos, demonstrar de forma mais explícita as suas afetividades em diversos ambientes, melhores condições de trabalho e de escolarização. Tais avanços trazem uma sensação de que esta população está melhor aceita e mais respeitada, porém basta um olhar mais atento que logo percebemos que não passa de avanços pequenos, apesar de importantes.

O Brasil ainda sustenta o título de um dos países mais homofóbicos do mundo, com recordes de assassinatos de pessoas LGBTs e por ainda ter nas suas instituições muitas expressões de homofobia, sendo elas explícitas ou sutis. No livro “Homofobia” de 2001 de Borillo, aponta como se dão as expressões de homofobia nos diversos espaços da sociedade, tal como desde uma cobrança por ser “discretos” até serem expulsos de casa pela família, sofrerem isolamentos e segregação nas escolas, poucas chances de conseguir um emprego formal, representações caricatas e depreciadas pela mídia. É comum que alguns LGBTs inclusive comecem a lutar contra os seus desejos na tentativa de evitar tais vivências de homofobia e acabam por sentir ódio de si, interiorizando a violência vivida. Essa homofobia internalizada pode acarretar sérias consequências como tentativas de suicídio.

Essas diversas formas de violências e exclusões expostos acima fragilizam a percepção de apoio que essa pessoa LGBT pode ter ou buscar ter na sociedade, ou seja, não conseguem construir ou acessar de forma saudável a sua rede de suporte social. Suporte Social são laços sociais, construídos por uma pessoa, que lhe ofereçam ajuda instrumental (oferecendo roupas, dinheiro, moradia e outras atividades cotidianas), ajuda informacional (oferecendo conselhos, orientações que ajudem o indivíduo a enfrentar as diversas situações da vida) e ajuda emocional (oferecendo empatia, carinho, cuidado e um vínculo de confiança). Portanto, pode-se dizer que a pessoa tem uma boa percepção de sua rede de suporte social quando ela consegue pensar em pessoas que o ajudem em um momento de dificuldade e que lhe ajudam de diversas formas, como por exemplo: quando precisar de um local para dormir, saber com quais amigos falar para encontrar um lugar para passar a noite, quando precisar de conselhos saber que pode conversar com determinado professor da escola, quando precisar desabafar saber com quais amigos pode contar para chorar e jogar conversa fora.       

Então como que uma pessoa LGBT pode ter uma rede de suporte social se ela foi expulsa de casa? foi desqualificada no ambiente escolar? é excluída das rodas de amigos simplesmente por não ser heterossexual ou cis? Todas essas exclusões passam uma sensação de isolamento e de rejeição para esses indivíduos, o que aumentam as chances dessas pessoas desenvolverem depressão e outros tipos de adoecimentos: tanto mentais quanto físicos. 

Dessa forma podemos concluir que há uma correlação entre o suporte social que a pessoa percebe na sua vida com a possibilidade de desenvolver ou superar a depressão. Ou seja, quanto mais o indivíduo percebe que tem pessoas dispostas a ajudá-lo ao seu redor, menor são as chances dela desenvolver depressão e quando uma pessoa tem depressão é importante que ela perceba que tem com quem dividir as suas angústias e sofrimentos, dessa forma ela conseguirá engajar-se no tratamento da doença e obter melhoras.  

Em uma pesquisa de Trabalho de Conclusão de Curso, feita em 2018, dentro de um Centro de Referência LGBT (CRLGBT) no interior do estado de São Paulo, por Daolio, buscava mostrar que as pessoas LGBTs tinham alto grau de sintomas depressivos ao mesmo tempo que tinham pouca percepção de sua rede de suporte social acabou por demonstrar que a correlação esperada entre eles existem, porém apresentaram mais percepção social do que sintomas depressivos, provavelmente por que as pessoas que participaram da entrevista já estavam sendo assistidas pelo CRLGBT. 

Entretanto tal pesquisa trouxe um resultado inusitado: as mulheres que participaram da pesquisa, sendo elas trans ou cisgêneros, tem menos percepção de suporte social em relação aos grupos de pessoas que se declararam homens, sendo eles também cis ou transgêneros, e pessoas que declararam não se identificarem com nenhum gênero. Essa diferença, segundo o autor, pode estar relacionado às questões de opressão de gênero, ou seja, as mulheres sofrem mais formas de opressão por parte da sociedade, independente da sua determinação biológica ou anatômica.

Dessa forma, deve-se pensar sobre soluções que ajudem as pessoas LGBTs a terem seus espaços de acolhimento na sociedade. O papel do Estado é propiciar locais que promovam a cidadania e direitos dessa população. A questão das opressões das mulheres deve ser também prioritário dentro das pautas da luta das pessoas LGBTs. A melhora das condições de vida da população LGBT não se resolve somente  através de uma maior visibilidade da causa nas mídias e propagandas das empresas capitalistas; a solução deve ser coletiva, pois as violências e exclusões vividas diariamente pela população LGBT são estruturais e parte da lógica do capitalismo de que é necessário a existência de um grupo de pessoas a serem oprimidas a fim de garantir os lucros da classe dominante.

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