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segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Marcos Valério invade rua e é beneficiado pela prefeitura de BH

Marcos Valério invade rua e é beneficiado pela prefeitura de BHÉ com dois pesos e duas medidas que a prefeitura de Belo Horizonte resolve os problemas da cidade. Quando se trata de ocupação de famílias pobres em luta pela moradia popular, a ação da prefeitura é de reprimir violentamente, não dialogar nem solucionar os problemas da população pobre. Porém, quando uma área pública é tomada por empresas ou famílias milionárias, a política é a de fazer vista grossa, ignorar e, inclusive, garantir que as áreas invadidas sejam devidamente doadas ou vendidas a preço de banana.

Esse é o caso do “mensaleiro” Marcos Valério, que se tornou figura conhecida publicamente nos noticiários da imprensa do País e do mundo por seu envolvimento em escândalos de corrupção. Valério foi um dos principais operadores, articuladores e beneficiados no caso do Mensalão, ocorrido durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, e, também, do Mensalão Tucano, em Minas Gerais, no governo de Eduardo Azeredo.

Não satisfeito com o que ajudou a roubar e a ganhar com tanta corrupção, Marcos Valério resolveu, também, tomar posse de um patrimônio que não lhe pertence na cidade de Belo Horizonte: invadiu e cercou 100 metros da Rua Golda Meir, no trecho entre a Avenida Antônio Francisco Lisboa e a Rua Alberto Deodato, no Bairro Bandeirantes, na valorizada região da Pampulha. Com propriedades adquiridas pelo comprovado enriquecimento ilícito, Valério possui nesse local um terreno que abriga o Centro de Preparação Equestre da Lagoa e uma Flora, ambos de sua propriedade. Esses terrenos eram separados pela Rua Golda Meir. No local da via pública, Valério mandou construir um muro, fechando o local e impedindo a circulação de carros e pedestres.

No dia 19 de março de 2010, Valério recebeu notificação do setor de regulação urbana da Regional Pampulha, órgão ligado à prefeitura, exigindo a desobstrução do logradouro público e a demolição da estrutura metálica e da alvenaria construídos no local.

A situação é mais grave ainda quando se verifica que nenhuma medida da prefeitura foi realizada para retomar o terreno público. Muito diferente do que ocorreu na ação de desocupação de 350 famílias da Ocupação Eliana Silva, no Barreiro, quando mais de 400 policiais militares, helicópteros, caveirão, cavalaria, batalhão de choque com armas de grosso calibre, numa autêntica operação de guerra, foram utilizados contra famílias pobres e sem moradia em BH. Ao contrário disso, após a notificação, simplesmente a prefeitura silenciou. E o pior, o referido trecho na Rua Golda Meir, que constava nos mapas oficiais da cidade e da prefeitura até a revisão e promulgação da Lei de Uso e Ocupação do Solo, desapareceu sem qualquer explicação. Nos documentos oficiais não consta nenhuma medida administrativa ou projeto de lei de alienação ou desafetação da área.

O caso veio à tona a partir de denúncia de um cidadão, que anteriormente procurou o jornal Estado de Minas, que ocultou os fatos. Mas o mesmo cidadão, juntamente com representantes do Movimento Fora Lacerda, resolveu protocolar uma representação junto à Promotoria do Patrimônio Público, do Ministério Público de Minas Gerais, para apuração dos fatos e punição dos responsáveis da administração municipal e do invasor por apropriação indevida do bem público.

Tem sido prática constante a política de alienação indevida do patrimônio púbico em Belo Horizonte promovido de forma deliberada pelo prefeito Márcio Lacerda. Além desse escândalo envolvendo Marcos Valério, outros casos vêm ocorrendo na cidade. É o caso da Rua B, na região Oeste da cidade, invadida ilegalmente pela Universidade Newton Paiva para uso como estacionamento. Também causa indignação o projeto para vender a Rua das Musas, no Bairro Santa Lúcia, região Sul, para construção de um hotel de cinco estrelas. Ao todo, são 120 terrenos sendo entregues a empresas privadas, através do PL 1.698-11, áreas que serão alienadas e privatizadas pela prefeitura sem nenhum benefício ao cidadão belo-horizontino. Um crime contra o patrimônio, a memória e a história de uma cidade que se julgava uma das mais bem-planejadas e estruturadas do País, mas que a cada dia mergulha no caos urbano e na falta de planejamento.

É por isso que Marcos Valério é tão beneficiado pelos políticos burgueses e reacionários de Minas Gerais. Como temos acompanhado nos noticiários, Valério está sendo julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), tendo sido condenado por corrupção ativa, peculato (desvio de recursos públicos) e lavagem de dinheiro. Um criminoso que, após tantos escândalos e roubos do patrimônio do povo brasileiro, continua sendo prestigiado pelo governo de Minas Gerais e pela prefeitura de BH, tratado como cidadão. Enquanto isso, os trabalhadores são reprimidos violentamente e desrespeitados em seus direitos básicos.

Fernando Alves, Redação MG

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