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sábado, 26 de novembro de 2022

Gás Xisto: o lucro não tem limite

Gás Xisto - o lucro não tem limiteParece que a Agência Nacional de Petróleo (ANP), principal trincheira de Governo dedicada ao entreguismo e ao ataque aos recursos naturais, não se deu por satisfeita com a venda do Campo de Libra, a maior reserva de petróleo até hoje descoberta no Brasil.

No dia 28 de novembro, realizou a 12ª rodada de privatização de poços de petróleo e gás, mas com uma novidade cruel: além do petróleo, a ANP vai vender o direito de exploração do gás xisto em regiões do interior do Paraná. A exploração do gás xisto deverá trazer graves consequências para a agricultura familiar e para o meio ambiente, beneficiando unicamente as empresas especializadas em vender os componentes químicos necessários para a exploração.

O gás xisto (shalegas, em inglês) é extraído do solo em um procedimento conhecido como fraturamento hidráulico (fracking, em inglês), que consiste em bombear na rocha uma quantidade absurda de água (algo em torno de 45 milhões de litros por poço) à qual se adicionam mais de 600 elementos químicos, nove deles comprovadamente cancerígenos.

Este tipo de exploração, conhecido há mais de 40 anos, é proibido em grande parte do mundo e foi permitido pelos Estados Unidos a partir de 2005 por ato do presidente George W. Bush mediante leis que dispensaram empresas de licença ambiental. O objetivo dos EUA é tornar-se independente dos países produtores de petróleo, principalmente os do Oriente Médio, levando em conta que, mesmo depois das invasões do Iraque e do Afeganistão e do bombardeio da Líbia, a resistência popular não cessou e a exploração de petróleo não consegue se elevar como os norte-americanos planejaram.

O fraturamento hidráulico contamina o solo em escala alarmante, considerando que um poço tem uma vida útil de, no máximo, um ano e que vários poços precisam ser perfurados em uma mesma região para que o empreendimento seja viável economicamente. A realização desse procedimento no Estado do Paraná é ainda mais grave, pois pode gerar a contaminação do Aquífero Guarani, maior reserva subterrânea de água doce do mundo, além de afetar uma das regiões de maior produtividade agrícola do Brasil.

A exploração de gás xisto não se justifica em nosso país sob nenhum argumento, a não ser para privilegiar os capitalistas interessados em criar alternativas econômicas para saírem da atual crise, ainda que o preço a pagar seja o futuro do meio ambiente e da fertilidade do solo.

Redação São Paulo

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