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domingo, 25 de setembro de 2022

Com grande abstenção, eleição na Europa faz crescer partidos de esquerda e vê perigo da extrema-direita

cipoml20años01_p-172x250Aconteceram no último dia 25 de maio as eleições para o parlamento europeu, instituição criada nos acordos de formação da União Europeia que reúne 28 estados-membros. As eleições ao parlamento da união serviram como um termômetro para avaliação dos diferentes governos nacionais e para o nível de crescimento dos partidos.

Mais uma vez, a abstenção atingiu um alto nível de 57% da população apta a votar. Esse é um dado que comprava uma crise de representatividade da União Europeia e dos estados nacionais frente à atual situação de crise econômica.

Os votos continuaram polarizados entre os partidos da direita tradicional (Partido Popular/Social-Cristão) e os partidos Socialdemocratas e socialistas. No entanto, foi sensível o crescimento da extrema-direita (xenófoba e neonazista) em vários países. Por outro lado, partidos de esquerda conquistaram uma maior votação, superando números que há muito tempo não conquistavam.

A falta de perspectiva política e a desconfiança do povo perante os partidos socialdemocratas – que foram eleitos com promessas de transformação mas aplicam políticas capitalistas e neoliberais – são fatores que explicam o crescimento da extrema-direita em vários países. Além disso, partidos como o Frente Nacional da França conseguiram dominar as propostas de repúdio à União Europeia, sequestrando as bandeiras de soberania nacional que, na verdade, pertencem à esquerda.

Na França, a Frente Nacional, de extrema-direita, se tornou a força política mais votada com 25% dos votos. Seu presidente, Jean Marie Le Pen, declarou recentemente que o vírus Ebola pode ser uma grande solução para questão da imigração na França, por causar a morte da população africana. O Partido Socialista, que está no governo, obteve 14% dos votos. A coalizão conhecida como Frente de Esquerda (reúne o Partido Comunista dos Operários da França, o Partido Comunista Francês e o Partido de Esquerda) obteve 6,5% dos votos.

Na Alemanha, a coalizão governista dos Democratas-cristãos (CDU) obteve a maioria com 35% dos votos, os socialdemocratas ficaram em segundo. O Partido de esquerda Die Linke obteve 7,4%. Pela primeira vez, o partido Neonazista NPD logrou eleger um deputado ao parlamento europeu e obteve 1% dos votos.

Na Espanha, o Partido Popular no governo obteve 26% dos votos, seguido pelos socialdemocratas do PSOE. As várias coalizões de esquerda em nível nacional ou de representação das nacionalidades não-castelhanas obtiveram, juntas, 22% dos votos.

Portugal enfrentou a maior abstenção. Mais de 65% dos aptos a votar não foram às urnas. A minoria que compareceu deu 31% dos votos ao Partido Socialista no governo. A coalizão CDU (Partido Comunista de Portugal e Verdes) obteve 12,6% e o Bloco de Esquerda ficou com 4,26%. O Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses – PCTP alcançou 2% dos votos.

A Áustria é outro país onde o crescimento da extrema-direita é preocupante. O governista Partido Popular (OVP, direita) ficou em primeiro com 27,3% dos votos seguido dos socialdemocratas. Mas a extrema-direita do Partido Liberal (FPO) alcançou 20%.

A Grécia é um país onde a análise dos resultados é interessante. A coalizão de esquerda Syriza alcançou pela primeira vez o posto de primeira força política com 26% dos votos, seguida pelo direitista Nova Democracia. Uma organização de negação da política formada por artistas chamada O Rio (To Potami), obteve 6,6%. Os comunistas do KKE alcançaram 6% mas os neonazistas do partido Aurora Dourada chegaram a 8%. Os socialdemocratas do PASOK, que por anos estiveram no governo, não passaram de 9,3%.

Na Itália, a extrema-direita sofreu uma derrota com a Liga Norte de Berlusconi não passando dos 6%. O Partido Democrata ficou em primeiro com 41% dos votos, seguido de outro movimento de negação da política, formado por um humorista, chamado Movimento 5 estrelas que alcançou 21%. Já no Reino Unido, a abstenção também era altíssima, beirando os 70%. A boa notícia é o crescimento da esquerda norte irlandesa do Sinn Fein.

Reunidos no dia 1º de maio deste ano, os partidos marxistas-leninitas e organizações revolucionárias aprovaram resolução sobre a conjuntura europeia a qual reproduzimos um trecho aqui:

(texto completo em espanhol: www.pceml.info ).

“O protesto cresce por todas as partes da Europa. As forças progressistas, revolucionárias, as forças imperialistas, os partidos e organizações marxista-leninistas, têm o dever de pôr-se à cabeça destes protestos que atinge todos os setores populares e, em primeiro lugar, a classe operária. Isso significa combater sem cessar a política de austeridade e os governos da EU que a impõe. Apoiar as reivindicações e as lutas dos trabalhadores e dos povos contra o caráter antidemocrático da EU, contra a natureza imperialista de sua política e contra a negação dos direitos dos povos a decidir seu futuro.

As forças reacionárias, a extrema-direita, grupos e partidos abertamente fascistas, querem manipular as manifestações e leva-las pelo perigoso caminho do nacionalismo, da divisão, da xenofobia. Para eles, o inimigo não é o sistema capitalista, mas outros povos, os “estrangeiros”. Essas forças querem aproveitar as eleições europeias para reforçar-se, para eleger seus deputados e beneficiar-se dos meios financeiros da EU para estender seu próprio trabalho.

Os partidos e organizações marxista-leninistas que subscrevem esta declaração participaremos das eleições fazendo a propaganda de nossa opinião acercada UE. Somos da opinião de que estas eleições estão concebidas a imagem e semelhança da construção europeia: são uma caricatura de democracia.

Nos países onde há forças que se apresentam nas eleições com posições de luta contra a UE, contra a austeridade, a reação da direita, a guerra e chamaremos a votar nessas listas. Naqueles países em estas listas não existam, nos quais a polarização está entre as forças que apoiam a EU e as que criticam alguns aspectos sem pôr em dúvida seus fundamentos e objetivos e, ainda, semeiam ilusões sobre a possibilidade de reformar a EU, não apoiaremos nenhuma dessas listas e levaremos a cabo uma política ativa a favor da abstenção.

Nos países em que as forças progressistas lutam pela saída de seu país da União Europeia e contam com o apoio popular, onde participam em frentes amplas e apresentam listas sobre essas bases, chamaremos a votar por essas listas. Faremos propaganda dessas listas em todos os países, defendendo o direito dos povos de decidirem seu próprio futuro. Denunciaremos a chantagem, qualquer tentativa de ocultar sua luta ou manipular sua natureza.

Nosso programa na atual conjuntura europeia, consiste em:

Não à política de austeridade da UE; Não à criminalização do protesto social; Abaixo à UE da austeridade e da reação; Não à política belicista da EU; Não ao tratado transatlântico; Não ao projeto dos Estados Unidos da Europa;  Não à Europa imperialista; Pelo direito dos povos de se retirar da EU; Defender a solidariedade entre os trabalhadores e os povos”.

Reunião dos Partidos e Organizações Marxista-leninistas da Europa. Alemanha, 01 de Maio de 2014.

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