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Militante do PCR é anistiado em Minas Gerais

Brás da CruzEm audiência da Comissão Nacional de Anistia e Comissão Nacional da Verdade, realizada em Belo Horizonte, na Faculdade Dom Helder Câmara, no dia 12 de maio, um militante comunista histórico foi finalmente anistiado, tendo recebido o perdão do Estado brasileiro por todos os crimes praticados contra ele pela Ditadura Militar fascista.

Braz Teixeira da Cruz nasceu em fevereiro de 1939, filho de uma família pobre na capital mineira. Aos 12 anos, perdeu seus pais; não tendo mais ninguém, acabou morando na rua.

O menino chamava atenção por sua inteligência. Debatia sobre vários temas e era muito interessado com as coisas que acontecia no país. Foi quando um homem que o encontrou na rua o incentivou a estudar, matriculando-o em uma escola no centro de Belo Horizonte. Nesta época, já na década de 1950, Braz inicia sua militância política. Sua primeira luta foi pelo passe-livre nos bondes de capital mineira. Fez atos na escola em apoio à Revolução Cubana, e, em meio a esta efervescência política, ingressou na Polop – Organização Revolucionária Marxista Política Operária, e depois no PCB.

Sua primeira prisão se deu quando panfletava na porta da fábrica Mannesman, onde trabalhava. Meses depois, foi solto e ingressou na luta armada, atuando na região industrial entre Belo Horizonte e Contagem. Neste momento, estava sendo formada a Corrente Revolucionária, organização que mantinha contato direto com a Ação Libertadora Nacional (ALN), de Carlos Marighella. Foram várias as ações revolucionárias de expropriações, comícios relâmpagos e panfletagens nas fábricas da região, além da atuação na grande greve de 1968, em Contagem, um episódio muito importante para a luta dos trabalhadores que viviam oprimidos debaixo das baionetas da Ditadura Militar.

Sendo Braz um militante muito procurado na região industrial, decidiu-se que ele deveria ajudar a organização captando finanças de um modo diferente da expropriação. Junto com sua esposa, seus quatro filhos pequenos e outro militante da Corrente, Braz abriu uma pequena indústria de produção de temperos artesanais, a “PC Condimentos” e foi morar na cidade de Divinópolis, interior do Estado de Minas Gerais, onde produzia e comercializava os produtos, repassando o dinheiro para a organização. Foi nessa cidade que aconteceu a sua segunda, e mais violenta prisão, quando homens em carros com placas de São Paulo e documentos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), foram até sua casa interessados na produção da “PC Condimentos”. Na verdade, eram policiais que utilizaram esse disfarce para sequestrá-lo e iniciar um processo de intensa tortura física e psicológica. O absurdo dessa violência chegou ao ponto de os militares espancarem sua esposa, que estava grávida, com inúmeras pancadas na barriga, o que a levou a perder o bebê.

Depois de sofrer várias torturas, Braz foi solto ainda no início dos anos de 1970. Vivia sobre as tormentosas lembranças do tempo de prisão, sofria constantes desmaios, sendo internado centenas de vezes em hospitais psiquiátricos. Mais tarde, casou-se novamente e teve mais quatro filhos. Conseguiu emprego só no final da década de 1970, como porteiro de um colégio particular. O companheiro conheceu o Partido Comunista Revolucionário em 2010, ingressando na organização, na qual milita até hoje, fazendo palestras, participando de debates e levando a defesa da luta revolucionária pelo socialismo como saída para a humanidade.

“Quem resgatou minha memória foram os militantes do PCR, com o apoio do doutor Élcio Pacheco. Só aí, entramos com o processo junto à União para que eu fosse anistiado. Pela primeira vez, me senti mais confiante com essa comissão, por tudo que vi acontecendo naquela audiência. Até me deu vontade de chorar quando disseram: “Senhor Braz Teixeira da Cruz, em nome do Estado brasileiro, a comissão aqui presente, pede perdão ao senhor e o consideramos anistiado pela sua luta de resistência ao golpe militar de 1964”. Me senti mais forte para continuar minha luta pela vitória do socialismo, resgatei minha cidadania e dignidade.”

Renato Campos, Belo Horizonte – MG

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