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Sobre a desmobilização da classe operária e suas consequências

“E transformar o medo e apatia em revolta é crucial para que a correlação de forças mude, se torne mais forte para o lado daqueles que lutam por um mundo mais justo. Por isso, é crucial que vejamos que os brotos do fascismo já se enraízam, se fortalecem rapidamente no Brasil e no mundo e é mais do que necessário que o combatamos com protestos, paralisações, ocupações, greves estudantis e de trabalhadores dentre outras formas de mobilização popular que aprendemos ao longo de nossa história.”

Nana Sanches


Foto: Jornal A Verdade

BRASIL – Nas primeiras décadas do século XX, os partidos da esquerda do mundo estavam divididos. A crise econômica do capitalismo de 1929, que varreu o Ocidente, levou ao poder diversos governos fascistas que preparam, a seu tempo, um cenário que levaria à 2ª Guerra Mundial. No período pré-guerra, organizações políticas divergiam ao analisar a conjuntura. Muitos diziam que não haveria guerra e que o fascismo não estava avançando no mundo. Não era o caso dos comunistas.

Já no 6º Congresso da Internacional, realizado em 1928 em Moscou (ou seja, antes da crise de 1929 ser oficial nos livros sobre a história da humanidade), os comunistas concluíram que havia o perigo do fascismo ser a opção da burguesia para “quitar suas contas”. Em documento, o Congresso pontuou que “Em quase todas as partes existem tendências fascistas e germes de um movimento fascista em forma mais ou menos desenvolvida”. Já no informe de Georgi Dimitrov no 7º Congresso da Internacional, realizado também em Moscou em 1935, temos a denúncia da ofensiva fascista da burguesia já em curso em diversos países, buscando frear o aprofundamento e a ampliação da crise do sistema capitalista. Disse Dimitrov: “os círculos imperialistas tentam descarregar todo o peso da crise sobre as costas dos trabalhadores. Tratam de resolver o problema dos mercados mediante a escravização dos povos, mediante o aumento da pressão colonial e de uma nova partilha do mundo pela via da guerra.”

Após a crise de 2008, os Partidos comunistas marxista-leninistas têm feito um alerta sobre o fascismo ser sempre uma arma que a burguesia pode utilizar para fazer com que o sistema econômico capitalista volte a “funcionar”, custe a vida de quem custar.

O sistema capitalista está em crise. Isso ninguém mais questiona no campo da esquerda. Até o Fórum (de Magnatas) de Davos, na Suíça, reconheceu que quanto maior for a desigualdade entre ricos e pobres no mundo, há mais chances de guerras civis ocorrerem.  Trocando em miúdos, os magnatas de Davos se preocupam sim com o aumento da pobreza no mundo. Isso não é bom para os negócios e a partir daí passam a adotar políticas e medidas. Dentre as políticas adotadas estão o incentivo da acumulação de capital através das guerras e da indústria armamentista. Iraque, Afeganistão, vários países do Oriente Médio e da África são exemplos destas políticas.

Outro exemplo de política adotada na atualidade e que são de cunho fascista é observada na América do Norte na repressão de imigrantes sem documentos, presos no país do mercado carcerário (Estados Unidos da América). Nas fronteiras entre México e Estados Unidos, além de prisões em massa, pais e filhos são separados, resultando na construção de verdadeiros campos de concentração para imigrantes. Para que isso fosse possível, leis, a opinião pública e os valores da sociedade americana foram impulsionados para ver os imigrantes como elementos perigosos. Isso se chama xenofobia, um discurso que vem acompanhado de conceitos como superioridade racial, de corte fascista.

Dimitrov têm sido um maravilhoso arcabouço para entendermos o que vem ocorrendo no mundo. Dimitrov define o fascismo como a forma mais terrorista da ditadura burguesa, que se desenvolve em momentos de crise econômica. Podemos dizer que é a união entre o capital financeiro, das multinacionais, com o poder mais reacionário. Hoje, o poder reacionário está no poder no Brasil, na Turquia, em Israel, nos EUA. Do outro lado, temos governos influenciados pela social democracia, que se entregam de corpo e alma para o capital financeiro.  No Brasil, os governos influenciados pela política socialdemocrata tem esbravejado que não há fascismo no mundo, nem no Brasil. Alguns dizem que Bolsonaro é fascista, mas ainda não estamos no fascismo, afinal, ainda conseguimos nos reunir e falar mal dele, baixinho, mas podemos falar.

Os marxista-leninistas do Brasil tem feito outra leitura da conjuntura. Ainda quando Bolsonaro era praticamente inexpressivo, já denunciávamos suas práticas fascistas. Em seu gabinete, Bolsonaro ostentava cartazes chamando os familiares de desaparecidos políticos de cachorros, por buscarem enterrar seus entes queridos, despedir-se, ao menos. Quando ele passou a ser um nome para a presidência, muitos diziam que “um louco” como ele não chegaria ao poder. Ainda no primeiro turno da campanha presidencial, alguém de inteligência e caráter duvidoso passou a delegar que não se falasse a palavra “Bolsonaro”.

Ele chegou, e tem implementado uma política fascista que resulta direta e indiretamente na morte de brasileiros e de brasileiras (vide reforma da previdência, corte do Bolsa Família, entrega da base de Alcântara, cortes na saúde, educação etc etc).

Nos perguntamos “O que será necessário acontecer para que todos os partidos de esquerda e progressistas se assustem, no mínimo, com o que tem ocorrido em nosso País?”. Talvez esse sentimento de medo já exista e seja ele que justifique as políticas de desmobilização que estão sendo implementadas em diversas categorias e que resultam em doutos discursos sobre a não-existência do fascismo em nosso país.  Mas esse sentimento de medo já demonstra que o que ocorre em nosso país está muito longe de ser algo cômodo, habitual. E transformar o medo e apatia em revolta é crucial para que a correlação de forças mude, se torne mais forte para o lado daqueles que lutam por um mundo mais justo. Por isso, é crucial que vejamos que os brotos do fascismo já se enraízam, se fortalecem rapidamente no Brasil e no mundo e é mais do que necessário que o combatamos com protestos, paralisações, ocupações, greves estudantis e de trabalhadores dentre outras formas de mobilização popular que aprendemos ao longo de nossa história. Vencemos o período de escravatura. Vencemos a ditadura. Podemos vencer o fascismo. Mas para isso, é necessário coragem para combater de frente a burguesia e todos seus métodos de dominação.  

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