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quinta-feira, 7 de julho de 2022

Três meses sem Lucas: família ameaçada e policiais seguem soltos

Ato no Fórum de Justiça em  Santo André marca os 3 meses do sequestro e assassinato de Lucas, garoto de 14 anos que morava a periferia do ABC paulista. 

Redação São Paulo
Jornal A Verdade


Foto: Jornal A Verdade

SANTO ANDRÉ – Em novembro de 2019, Lucas Eduardo, de 14 anos, saiu de casa pra comprar refrigerante, na Favela do Amor, periferia de Santo André, no ABC Paulista, e foi sequestrado por policiais militares. Em seguida foi torturado e assassinado. Seu corpo só foi identificado 15 dias depois, encontrado nas águas do Parque Natural Municipal do Pedroso, a alguns quilômetros de onde havia desaparecido. Na manhã dessa quinta-feira, 13, familiares, moradores do bairro e militantes de vários movimentos sociais fizeram um ato em frente o Fórum Criminal da cidade para exigir justiça pelo assassinato do garoto. 

Logo nas primeiras horas da manhã, enquanto a Rede de Proteção e Resistência esticava uma faixa com os dizeres “Contra o Genocídio”, alguns trabalhadores que passavam pelo local se aproximaram perguntando o que significava a palavra “genocídio” e “quem foi assassinado dessa vez?”. Isso deixou claro que o povo não aceita mais a situação que o povo negro e pobre do país está submetido. Antes de retornarem para seus postos de serviço, os trabalhadores deixaram seu apoio e solidariedade aos familiares. Isabel dos Santos, tia de Lucas foi a primeira a falar, denunciando o medo que a família tem convivido após sofrer ameaças de represálias pelas denuncias que tem feito contra os assassinos do seu sobrinho, e também lembrou a todos presentes as condições que Maria Marques dos Santos está enfrentando. Maria é mãe de Lucas e foi presa enquanto estava prestando depoimento na delegacia após o desaparecimento de seu filho. A acusação que pesa contra a mãe de Lucas é de tráfico de drogas, mesmo após ter sido absolvida em primeira instância, a Promotoria recorreu e o Tribunal condenou Maria.

Foto: Jornal A Verdade


A Unidade Popular também esteve presente prestando sua solidariedade. O militante Jorge Ferreira denunciou a estrutura de poder comandada pela burguesia do país para perpetuar a exploração de toda a classe trabalhadora, inclusive através do encarceramento em massa e genocídio do povo negro. “É necessário refletirmos à quem serve essa estrutura comanda por senhores ricos, que condenam Marias e Lucas no Brasil inteiro. Precisamos construir uma sociedade que os juízes e juízas tenham compromisso com o povo e não com uma minoria de pessoas milionárias. Precisamos sair daqui com a força de tantas Marias que lutam por justiça para seus filhos assassinados e com a tarefa de mobilizar nosso povo para destruir esse sistema”, concluiu Jorge.

Foto: Jornal A Verdade

O caso segue até hoje em sigilo decretado pela Justiça, impossibilitando que os próprios familiares tenham qualquer informação sobre as investigações. Os policiais acusados seguem trabalhando administrativamente na instituição.

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