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Contra o anticomunismo e pelo direito à memória e à mídia popular

PRAVDA – O jornal revolucionário é, segundo Lênin, o mais importante instrumento de divulgação da luta pelo socialismo. (Foto: Reprodução/Pravda)

Rafael Serafini

SANTOS – Com a ascensão da extrema-direita e seus setores ultra-reacionários no Brasil e no mundo, é cada vez mais comum se deparar com discursos que visam demonizar a esquerda e deturpar os reais significados e conceitos do socialismo/comunismo ou qualquer vertente anticapitalista. Marx e Engels já diziam ainda mesmo no Manifesto do Partido Comunista: 

“Qual partido de oposição não foi qualificado de comunista por seus adversários no poder? Qual partido de oposição, por sua vez, não lançou de volta a acusação de comunista, tanto a outros opositores mais progressistas quanto a seus adversários reacionários?”
– Karl Marx e Friedrich Engels: O Manifesto do Partido Comunista.

Nenhuma tendência política foi tão difamada e caluniada quanto o movimento comunista. Ou seja, desde que existe movimento operário socialista e comunista, existe, portanto, a ideologia do anticomunismo.

Se o comunismo é tão “falho” como diz a propaganda liberal burguesa e as propagandas fascistas da extrema-direita, por que então se investir tanto em campanhas anticomunistas? A resposta é simples, a classe dominante conhece a poderosa força política do comunismo e seu potencial de ruptura econômica na sociedade, por isso, batalham ferozmente a fim de jamais perder seus privilégios e domínios capitalistas sobre as massas exploradas. É papel da burguesia e seus setores cortar qualquer pensamento revolucionário.

Nesse combate contra a “ameaça comunista” vale de tudo, principalmente acusar os comunistas daquilo que os capitalistas, liberais e fascistas fazem e são. Quem nunca ouviu falar das terríveis histórias sobre supostas milhões de mortes na União Soviética em campos de trabalho forçado dos “gulags”, de milhões que morreram de fome no denominado “Holodomor” ou de milhões de oposicionistas que foram executados na época de Stalin? No capitalismo globalizado, isso é propagado inúmeras vezes em jornais, revistas, livros, rádio, televisão, filmes e etc. Nos últimos 50 anos, os supostos “números” míticos de vítimas do socialismo só aumentaram.

Mário Sousa, membro do Partido Comunista da Suécia e autor do artigo “Mentiras relativas à história da União Soviética” questiona:

“Mas, na realidade, de onde vêm essas histórias e essas cifras? Quem está por trás de tudo isso? Uma outra pergunta: o que há de verdade nessas histórias? E que informações se encontram nos arquivos da União Soviética, anteriormente secretos, mas abertos à pesquisa histórica por Gorbachov em 1989? Os autores dos mitos sempre disseram que todas as suas histórias dos milhões que morreram na União Soviética de Stálin seriam confirmadas no dia em que os arquivos fossem abertos. E foi isso que aconteceu? Elas foram confirmadas de fato?”
– Mário Sousa: Mentiras Relativas à História da União Soviética.

STÁLIN – Continuando o trabalho de Lênin, Stálin fortaleceu a criação diversos jornais na URSS que impulsionavam o desenvolvimento social e econômico do país. (Foto: Reprodução/Pravda)

Para desmascarar quais são os tipos de investidores que estão por trás de tais campanhas, podemos dar como exemplo a história de William Hearst. William Randolph Hearst foi um multimilionário estadunidense que buscou ajudar os nazistas na guerra ideológica contra a União Soviética. Hearst era proprietário de um jornal norte-americano e ficou conhecido como pai da “imprensa marrom”, ou por melhor dizer, imprensa sensacionalista. No início de sua carreira, Hearst começou como editor de jornal em 1885, quando seu pai, George Hearst, o colocou na direção do San Francisco Daily Examiner.

Isto foi apenas o início do império jornalístico de Hearst. Após a morte de seu pai, ele vendeu todas as ações da indústria de mineração que herdou de sua família e começou a investir seu capital no mundo jornalístico. A primeira compra de Hearst foi a do New York Morning Journal, um jornal tradicional que em suas mãos se transformou em um jornal sensacionalista, comprando reportagens a qualquer preço e quando não havia nenhuma atrocidade para relatar, ordenava seus repórteres e fotógrafos para que “fabricassem” matérias. Isto é o que caracterizava a “imprensa marrom”, mentiras e atrocidades “fabricadas” e espalhadas como verdade. Era também feito na época um esquema de enviar detentos e presos dos EUA a viagens para a URSS a fim de trazer notícias forjadas como forma de perdão por parte do governo americano como mostra Ludo Martens em “Stálin: Um Novo Olhar”.

Tais mentiras o tornaram milionário e uma personalidade icônica no mundo do jornalismo. Em 1935 foi considerado um dos homens mais ricos do mundo. Ao passar dos anos, Hearst dominava diversos meios de comunicação e redes midiáticas.

Mário Sousa afirma que na década de 1940, Hearst possuía 25 jornais diários, 24 semanários, 12 estações de rádio, 2 serviços de notícias internacionais uma empresa que fornecia notícias para filmes, a companhia cinematográfica “Cosmopolitan”, e muitas outras empresas, incluindo estações de televisão. Suas notícias eram espalhadas para cerca de 40 milhões de leitores, quase um terço da população adulta dos EUA lia todos os dias os jornais de Hearst. Além disso, outros milhões de pessoas em todo mundo recebiam as notícias da imprensa de Hearst através de outras meios de comunicação que compartilhavam tais informações. Esses fatos demonstram o quão influente o império de Hearst se tornou sobre a política norte-americana, e consequentemente, sobre a política mundial durante anos em relação a questões que incluíam a oposição à entrada dos EUA na Segunda Guerra Mundial, ao lado da União Soviética, e o apoio à caça às bruxas anticomunista e macarthista da década de 1950.

Politicamente, Hearst se posicionava de forma ultraconservadora, nacionalista e evidentemente anticomunista. Sua política era a política da extrema-direita, tendo inclusive ligações com o nazifascismo. Em 1934 viajou para Alemanha onde foi recebido carinhosamente por Hitler, e após essa visita, seus jornais tornaram-se ainda mais reacionários, sempre demonstrando artigos contra o socialismo, contra URSS e principalmente contra Stálin. Vale ressaltar que Hearst tentou usar seu poder midiático para promover propagandas nazistas abertamente, publicando artigos escritos por Goering, braço direito de Hitler, mas os protestos de leitores o forçaram a parar de publicar tais artigos e removê-los de circulação.

NAZISTA – Hearst posa com oficiais nazistas em sua visita à Alemanha em 1934 junto com seu secretário nazista, à direita, Alfred Rosemberg. Um mês após sua volta da Alemanha, começou sua campanha política sobre o “Holodomor”. (Foto: Reprodução/Douglas Tottle)

A partir desse pequeno relato, é possível perceber o caráter oportunista de tais campanhas. Domenico Losurdo, grande filósofo marxista italiano diz que “Há uma luta de classes pela história e pela memória”. Não é à toa que o papel da classe dominante é descaracterizar, difamar, humilhar e a todo custo apagar as histórias das conquistas da classe trabalhadora ao longo dos anos. Dessa forma, percebe-se que a história enquanto uma ciência também possui lados, a história burguesa e a história proletária. Como exemplo, tais falácias e calúnias inventadas para deturpar o período stalinista tem como origem fontes nazistas e fascistas e financiamento extensivo dos setores mais conservadores da sociedade ocidental. Portanto, é necessário que se impeça o avanço do revisionismo histórico por parte das camadas mais reacionárias da sociedade na tentativa de apagar a história dos trabalhadores e a história de luta do nosso povo. Nesse sentido é de fundamental importância a defesa e reivindicação das experiências socialistas marxistas-leninistas e da construção de uma mídia popular, como o Jornal A Verdade. Isto é, uma alternativa e que aponte para o povo os seus verdadeiros heróis e seu verdadeiro passado, para que enfim, o povo tenha nesse resgate a sua identificação e que, por consequência, potencialize a sua intervenção na sociedade em busca de uma sociedade sem classes.

É importante jamais esquecer que todas as experiências socialistas erradicaram o analfabetismo, universalizaram o sistema de saúde, investiram fortemente em educação, eliminaram o desemprego, instituíram acesso gratuito à moradia para toda população, estabeleceram programas para eliminação da pobreza, foram pioneiros em direitos humanos e trabalhistas, além das inúmeras outras conquistas. Todos os países que incentivaram a autodeterminação dos povos na luta anti-imperialista mostraram de perto, num período de pouco mais de 100 anos, o que o capitalismo jamais conseguiu resolver em 300 anos de ilusório desenvolvimento.

Em momentos de crise do capital, é tempo de exaltar as vitórias do socialismo e apontar as contradições do capitalismo.

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