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sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

Fábrica de Calçados Democrata demite 1,8 mil trabalhadores

Redação do Ceará

No início do mês de abril, os capitalistas da empresa de calçados Democrata, uma das principais empresas da região, demitiu cerca de 1,8 mil funcionários no Ceará. Além disso, suspendeu as atividades, sem previsão de retorno. A decisão foi tomada em meio à crise causada pela pandemia do coronavírus.

A fábrica decidiu paralisar as atividades no Ceará e cobrar o custo da crise nos ombros dos trabalhadores com essa demissão. Na cidade de Santa Quitéria foram demitidos 1.146 funcionários, de um total de 1.178 da fábrica.  Somente grávidas, integrantes da Cipa e sindicalistas, que possuem estabilidade, foram poupados. As outras 700 demissões, de acordo com o Sindicato dos Sapateiros do Ceará, aconteceram em outra fábrica na cidade de Camocim interior do estado.

Casos como esse estão ocorrendo em todo país são fruto de um sistema capitalista que prioriza os lucros dos patrões em detrimento da vida dos trabalhadores. Isso se agrava mais diante do descaso do presidente da república, o fascista Jair Bolsonaro trata a classe trabalhadora. Diante da gravidade e das dificuldades na saúde e na economia, as empresas recebem autorização do próprio governo de Bolsonaro para fazer demissões em massa e assim, aprofundar a crise que o trabalhador enfrenta no Brasil há anos.

Permitir demissões em massa, no meio de uma crise humanitária, é desumano. O governo federal prioriza os banqueiros para combater os efeitos negativos da pandemia de coronavírus sobre o sistema financeiro, onde o Banco Central liberou a quantia de R$ 1,216 trilhão para os bancos brasileiros, ou seja, isso equivale a 16,7% do Produto Interno Bruto (PIB), para empresas saírem dessa crise.

Porém isso não ocorreu. Os principais alvos dos capitalistas serão para aqueles que produzem, os trabalhadores. Volta-se a defender e aplicar redução de salários da iniciativa privada e pública, redução de direitos, demissões com parcelamentos anuais dos direitos daqueles que fazem a cadeia produtiva e de consumo girar na sociedade. Com a crise sanitária e econômica que assola o país, o poder econômico dos Estados e do governo federal são para atender aos interesses dos bancos e dos empresários. A partir de dados do IBGE, em janeiro deste ano, o Brasil já tinha quase 12 milhões de desempregados, e em março, o mesmo instituto apontava que 38 milhões de brasileiros viviam do mercado informal, ou seja sem qualquer garantia mínima de renda/salário, e esses devem aumentar com quarentena.

As consequências dessas medidas serão catastróficas em todos os setores da sociedade. O desemprego terá dimensões nunca vista até esse momento. No Estados Unidos, o atual epicentro da doença, são 5,2 milhões de trabalhadores pediram ao governo o auxílio desemprego. No Brasil, em fevereiro, 404 mil trabalhadores pediram o seguro-desemprego. As demissões na fábrica Democrata no Ceará é o caminho que todos os capitalistas utilizaram para não perder seus privilégios e colocar nas ruas milhões de pais e mães de família na sarjeta.

Quem afirma que a crise veio para todos está mentindo, o custo da crise mais uma vez é empurrado para os trabalhadores e as trabalhadoras. Bancos e empresas, tratadas pela imprensa como “setor produtivo”, em nada colaboram para beneficiar a saúde e a manutenção dos empregos. Ao contrário, aceleram votações no congresso para retirar direitos e aprofundam a cada dia a miséria, falta de saneamento básicos nos bairros populares e desamparo para milhões de pessoas.

Com fome e sem renda, a classe trabalhadora se vê obrigada a romper o isolamento social, na tentativa de buscar o pão de cada dia, para ela e sua família, e nessa situação, se arrisca a contrair o vírus que oficialmente já matou 170 mil pessoas do mundo e no Brasil três mil pessoas forma mortas e 46 mil infectadas até a data de hoje, a grande maioria são moradores de comunidades populares, favelas e periferias brasileiras.

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