UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

terça-feira, 29 de novembro de 2022

França: trabalhadores da saúde sem proteção contra coronavírus

Foto: Reuters
EPIDEMIA. População pobre é atendida em hospital de campanha nos arredores de Paris (Foto: Reuters)

Extraído de La Forge, Órgão Central do Partido Comunista dos Operários da França, abril de 2020. Tradução de Felipe Annunziata


Médicos franceses estão sendo obrigados a combater a epidemia do coronavírus sem equipamentos de proteção. Muitos permaneceram por longas semanas sem máscaras. Por outro lado, os pacientes, principalmente os mais velhos, atenderam ao pedido das autoridades sanitárias e ficaram em casa. Muitos profissionais de saúde continuaram mantendo contato telefônico com eles, mas a telemedicina não é acessível a todos.

Além disso, há a realidade dos “desertos médicos” [regiões da França sem atendimento primário de saúde. N.T.], denunciados há anos por profissionais de saúde e grupos de usuários. Eles atingem, em particular, áreas rurais, mas também bairros populares nas grandes cidades, onde é muito difícil ter um médico. Essas são as áreas que mais precisam de agentes da linha de frente, principalmente porque o acesso aos serviços de emergência é impossível.

Nos lares de idosos, os médicos e, principalmente, os enfermeiros, auxiliares de enfermagem e todas as categorias que trabalham nesses estabelecimentos, carecem, semanas, de equipamentos de proteção individual. As autoridades políticas e de saúde, que batem ponto diariamente na mídia, dão, dia após dia, os números de pessoas infectadas, de mortes, sem dar, entretanto, os dados nos lares de idosos [na França, assim como na Espanha, se suspeita que grande parte dos mortos são por conta da falta de equipamentos e condições de proteção adequadas nos asilos públicos e privados. N.T.].

A implantação de grandes recursos para evacuar pacientes de hospitais nas regiões mais afetadas pelo coronavírus para outros hospitais é amplamente divulgada. O governo quer mostrar que está fazendo tudo – “custe o que custar” – para salvar vidas. Não é discutível se os hospitais devem ser aliviados. É óbvio que a equipe de enfermagem que se dedica incansavelmente a essa tarefa deve ser aliviada. Sem essas centenas de jovens estagiários, enfermeiros, médicos de emergência, a catástrofe seria considerável.

É também por isso que ocorre essa onda de solidariedade entre a população, que se expressa em particular pelos aplausos nas janelas todas as noites. Mas isso não deve impedir-nos de pensar em outros meios, como, por exemplo, o uso de leitos hospitalares fechados, que estavam assim por conta dos cortes de gastos defendidos pelo governo e implementados, principalmente, por agências regionais de saúde. Essas são perguntas que não podem mais ser evitadas.

Outros Artigos

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Matérias recentes