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sábado, 2 de julho de 2022

João Coelho é pré-candidato a prefeito de São Bernardo pela UP

II Congresso da UP – São Paulo. Foto: Jorge Ferreira

Queops Damasceno

Redação São Paulo

João Coelho é Coordenador Estadual do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas – MLB. Nascido e criado em São Bernardo do Campo, é de uma família de operários metalúrgicos, ingressou com 16 anos numa empresa metalúrgica da região. Hoje tem 24 anos e estuda Engenharia na Universidade Federal do ABC.

Iniciou sua militância no Movimento Estudantil, foi diretor do Diretório Central dos Estudantes da UFABC e diretor da União Estadual dos Estudantes de São Paulo. Hoje, no MLB, constrói a luta das famílias pobres, em defesa da moradia digna, em um dos estados com maior déficit habitacional do país.

João foi indicado como pré-candidato a Prefeito de São Bernardo, para avaliação no Diretório Nacional da Unidade Popular Pelo Socialismo – UP e foi entrevistado pelo jornal A VERDADE.

A VERDADE: Como está atualmente o processo de construção da UP?

JOÃO COELHO: São Bernardo pode ser considerada uma das cidades do estado de São Paulo que foi berço do nascimento da UP, pois o trabalho dos movimentos que formaram nosso partido está consolidado há muitos anos na cidade e impulsionou muito nossa campanha de legalização.

Hoje a UP tem se enraizado nos bairros mais pobres da cidade, organizando jovens, trabalhadores e trabalhadoras para lutar por seus direitos e pela garantia de uma vida digna, construindo nesses bairros importantes experiências de poder popular. É um trabalho muito importante porque tem se desenvolvido principalmente nas favelas e conjuntos habitacionais da nossa cidade, organizando núcleos onde nosso povo percebe que é possível ser poder e enfrentar as injustiças do sistema capitalista.

Principalmente após a legalização, em dezembro do último ano, nosso partido tem se tornado uma grande referência de luta popular na cidade e as filiações e mobilizações têm crescido bastante.

Em quais lutas a UP está mais diretamente envolvida nesse momento?

Em São Bernardo a UP tem uma ligação muito forte com as lutas relativas à situação habitacional. O número de despejos no município cresceu muito nos últimos anos, ao passo que diminuíram as obras para construção de moradias populares e os investimentos em obras de infraestrutura para garantir acesso à água, tratamento de esgoto e de lixo. Isso tem precarizado ainda mais as condições de vida na periferia da cidade e os núcleos da UP têm desenvolvido importantes mobilizações para barrar despejos, garantir o acesso à moradia e melhorar as condições sanitárias e de infraestrutura dos bairros.

Além disso participamos de importantes mobilizações como as paralisações e greves contra as demissões nas empresas da região, em especial no Telemarketing, a luta contra a reforma da previdência municipal, contra os sucessivos aumentos das tarifas do transporte e contra a precarização das escolas do município.

UP organizou trabalhadores da ATENTO para lutarem pelo direito à quarentena e por melhores condições de trabalho. Foto: Adriano Tomé

O que a UP defende para São Bernardo?

Nossa cidade é formada a partir da instalação de grandes empresas metalúrgicas e, portanto, é uma cidade com concentração de operários industriais. Com a desindustrialização do país e da cidade, os trabalhadores estão ficando sem emprego e os salários são cada dia menores. Aliado a isso temos o histórico de Prefeituras que não investem o necessário para garantir o acesso da população à serviços básicos de responsabilidade do município como saúde, educação básica e transporte, mesmo sendo a nossa cidade uma recordista em arrecadação de impostos.

Precisamos de uma cidade que funcione para atender os interesses da maioria da população, ou seja, dos operários, dos trabalhadores pobres, dos moradores das favelas; para isso é necessário combater os interesses do capital, da especulação imobiliária, dos monopólios do transporte, dos corruptos e corruptores. E isso só pode ser feito através da organização e participação popular nas decisões mais importantes da cidade, construindo de fato uma cidade governada pelo povo. Esse é nosso objetivo, colocar os trabalhadores no centro das decisões para garantir a melhoria dos serviços públicos e a garantia de acesso aos direitos fundamentais.

Como a UP chegou ao seu nome como pré-candidato?

O mais importante nas candidaturas da UP é, sem dúvida, garantir a representação do nosso programa e do objetivo fundamental de nosso partido: organizar o povo pobre para construir o socialismo em nosso país. Eu nunca havia imaginado ser candidato a um cargo político até que a UP me mostrou que esse espaço precisa ser ocupado por trabalhadores e trabalhadoras, jovens, que lutam pela melhoria da vida de nosso povo e que não estão à venda para os ricos e poderosos do país.

A transformação social de que nosso país precisa é uma obra coletiva. Acredito que nesses anos de militância, de construção dos movimentos sociais e das lutas populares e de trabalho pela legalização da UP consegui desenvolver a capacidade de expressar essa política coletiva, de transmitir nossas opiniões e de defender, em qualquer situação, a luta que construímos. Acredito que por isso tenha recebido a honra de representar essa construção e de levar as opiniões de nosso partido para milhares de pessoas nessas eleições.

Por fim, o que mais você gostaria de falar para os nossos leitores?

As eleições são um espaço difícil, que não foi feito para que os pobres tenham chance de vencer. De fato, enfrentaremos os milhões dos banqueiros e de outros grandes milionários, que financiam seus candidatos nas eleições com o único interesse de garantir que os lucros de suas empresas sejam defendidos a todo custo pelos governantes.

Porém, apesar de todas as dificuldades que enfrenta, a classe trabalhadora e os pobres são a maioria desse país, são quem o construiu e quem o mantém de pé. Portanto, nada pode parar a vontade e a luta do nosso povo e, com o nascimento da UP, torna-se possível transformar de fato nosso país, conquistar nossa liberdade e construir o socialismo. O trabalho e o apoio de cada leitor do Jornal A Verdade serão essenciais nesse processo e contamos com todos vocês em mais essa trincheira de luta do nosso povo.

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