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UP lança Merong Pataxó Hã Hã Hãe Kamakã como pré-candidato a vereador em Porto Alegre

Merong Pataxó Hã Hã Hãe Kamakã, pré-candidato a vereador em Porto Alegre em frente ao prédio onde foi a Ocupação Lanceiros Negros, organizada pelo MLB. Local onde morou por mais de um ano. Foto: Carla Castro

Diretório Municipal da Unidade Popular – Porto Alegre/RS*

A representatividade é uma das marcas da Unidade Popular pelo Socialismo (UP). Visando justamente representar todos que constroem o partido atualmente no Brasil, mais especificamente em Porto Alegre, a sigla lança a pré-candidatura do companheiro indígena Merong Pataxó Hã Hã Hãe Kamakã, 33 anos, ex-morador da Ocupação Lanceiros Negros, à Câmara de Vereadores da capital.  O jornal A Verdade conversou com o pré-candidato que reforça que assim como é o nome do nosso jornal (A Verdade), precisamos trabalhar com a verdade para o nosso povo.

Nascido em Contagem, Minas Gerais, ainda criança foi morar na Bahia, onde ficava entre a aldeia e a cidade. Conta que suas lembranças da infância remetem à mescla entre o contato com a natureza e com o contexto urbano da cidade. “Quando criança, a vida era mais difícil porque não se vendia o artesanato para subsistência e também não tínhamos programas de apoio dos governos, o que pesava para uma família de seis irmãos”.

A vinda para o Rio Grande do Sul foi após o casamento, há 10 anos, quando foi morar em Erebango, uma área em conflito de terra e onde as condições de comercializar seu trabalho para buscar o sustento da família se tornou difícil. Esses foram os principais motivos para vir à capital em 2015. Foi nessa época que morou na Ocupação Lanceiros Negros, organizada pelo Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB).

06/07/2016 – PORTO ALEGRE, RS – Audiencia da Ocupação Lanceiros Negros, na Camara Municipal de Vereadores. Foto: Guilherme Santos

Vinha para Porto Alegre trabalhar durante uma semana e voltava para casa, mas no retorno se deparava com a dificuldade em manter os filhos pela falta de dinheiro. Viu em Porto Alegre, a oportunidade de buscar o sustento familiar. “O artesanato é a forma de sustento da minha família até hoje”. Seus parentes moram na aldeia Guarani, Mato Preto. “No interior, a gente acaba sendo invisível. Sofremos muito preconceito. Na capital é diferente, tem uma população mista e receptiva.”

Questionado sobre quanto à luta junto ao seu povo, conta que participava, junto com a tia, de uma feira hippie em Belo Horizonte. Lembra que em 2008, ao lado dos pataxós de coroa vermelha, retomou o espaço que a prefeitura havia expulsado os indígenas. Ele considera esse o fato que marca a sua primeira luta. “Mesmo com a minha saída da cidade, os parentes deram continuidade ao trabalho. Inclusive, ainda hoje existe um local somente para indígenas, fruto da nossa vitória naquela época”.

No Brasil, além do estado de nascimento e o Rio Grande do Sul, onde mora, Merong já passou pela Bahia e Santa Catarina, além de ter ido à Suécia e à Alemanha divulgar a causa indígena. Conforme ele, a sua pré-candidatura será pautada na abertura de espaços e na busca pelo respeito aos povos indígenas, visto que na época da Lanceiros Negros, a situação não era tão difícil quanto a situação atual. “Atualmente, tenho que pagar aluguel, o que não me deixa ir com tanta frequência em casa. É muito importante ter um espaço no centro da cidade como tínhamos. Além do mais, a união das pessoas foi fundamental para manter a nossa organização. O que eu sei, o que eu sou, devo muito por ter morado na Lanceiros”. Complementa dizendo: “O indígena carrega uma carga histórica de sofrimento. Precisamos mostrar que não somos privilegiados. Somos parte do povo que sobreviveu a grandes massacres. Como pré-candidato não quero fazer a política suja que todos vem fazendo. Vi a Unidade Popular ser construída. Eram jovens, trabalhadores, homens e mulheres que se esforçaram ao máximo, firmes e fortes. O partido vem crescendo com o suor de muitas pessoas que querem ver esse país diferente”.

*Texto por Carla Castro
Jornalista e militante da Unidade Popular

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