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A luta dos estudantes no RN contra a exclusão do ensino

Foto: reprodução

Por Ezequias Rosendo

NATAL – Durante todo o mês de junho, a União dos Estudantes Secundaristas Potiguares (UESP) iniciou uma campanha contra a adesão das aulas remotas pelas escolas do Rio Grande do Norte. O movimento foi iniciado após uma reunião ampliada no fim de maio que contou com a participação de diversas escolas de diferentes áreas da grande Natal.

A Secretaria Estadual de Educação e Cultura do Rio Grande do Norte (SEEC/RN) orientou as escolas estaduais de Natal a adotarem o método de aulas remotas, sem a garantia de ferramentas necessárias para os estudantes. O governo ainda desconsidera o fato de que muitos não possuem o espaço adequado para os estudos, ou até mesmo acesso a smartphones, computadores e uma internet de qualidade.

“Não tenho internet em casa, e não fiz as atividades por esse motivo e acho injusto ser reprovada por isso”. Relatou uma aluna da Escola Estadual Dom José Adelino Dantas.

Como ‘‘resposta’’ a falta de acessibilidade de muitos alunos, algumas escolas decidiram abrir as portas para que os estudantes ou responsáveis tenham a possibilidade de receber o material didático impresso. Porém, dessa forma o instituto têm exposto os discentes e funcionários ao Covid-19; contradizendo o Decreto 29.742, de 4 de junho de 2020, que endurece o isolamento social em todo o estado.

Além disso, também há o fato de que não foi garantido nenhuma assistência alimentar aos alunos, os quais devem ter por direito o acesso à merenda escolar e não receberam nenhum vale-alimentação ou cesta básica. Como os alunos poderão estudar sem sequer conseguir se alimentar?

Não apenas estudantes, mas os professores também têm tido dificuldades na aplicação das aulas remotas, visto que, o método foi implantado sem nenhum planejamento por parte da Secretaria de Educação do Estado. Tampouco houve um diálogo com as entidades estudantis, grêmios e o corpo discente como um todo; como relatou um professor de uma das escolas da rede estadual localizada na zona norte de Natal: “A SEEC no documento encaminhado aos professores e as gestões escolares pediu que não fosse dado nenhum conteúdo novo. Esse é um problema, pois a maioria dos professores não tiveram sequer aulas em todas as turmas ficando na maioria delas só na apresentação da disciplina. Quanto às atividades, o retorno demora muito e muitas das atividades são copiadas e coladas. Resumindo: o governo pede que devemos continuar as aulas e devemos registrar tudo no SIGEDUC, senão poderemos correr o risco de não receber. Porque a greve terminou e teoricamente as aulas voltaram mesmo que remotamente, e apesar de não achar que isso resolva ficamos sem alternativa de dizer um não para a escola. Eu não votei pela adesão às aulas remotas, mas a maioria votou e eu tive que acompanhar.”

É injusto que os profissionais de educação sejam penalizados por culpa da irresponsabilidade e falta de organização da secretaria de educação.

Em um país onde cerca de 6,5 milhões de estudantes não têm acesso à internet, de acordo com a pesquisadora Thaís Barcellos, da consultoria IDados. É de extrema importância que uma medida como essa seja impedida de ter continuidade, pois isso vai impactar diretamente no aumento da desigualdade social brasileira. Por isso a UESP organizou um abaixo-assinado pelo fim da das aulas remotas. O povo pobre não pode continuar sendo vítima de injustiças vindas do estado.

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