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Não existe boa burguesia!

Thammy Miranda – Homem Trans

Por Magno Francisco da Silva
ALAGOAS – Durante a semana uma determinada empresa de perfume lançou uma campanha para os dias dos pais com Thammy Miranda, filho de Gretchen. Thammy é um homem trans, que havia trabalhado como ator, modelo e dançarino, fez cirurgia de mudança de sexo, casou-se e estabeleceu família. A propaganda provocou houve uma reação moralista de fundo conservador, obviamente homofóbico, defendendo a suposta família tradicional e uma certa interpretação do cristianismo. Por outro lado, também surgiram muitos defensores de Thammy e da empresa de perfume, valorizando a ação de Thammy por ter adotado crianças num país com muitos pequenos e pequenas sem lar e exaltando a “quebra de paradigmas” promovida pela empresa.
Poderíamos fazer uma longa digressão sobre a relação entre família nuclear, propriedade privada dos meios de produção e capitalismo, sobre a família como um ambiente produtor de neuroses, mas também sobre como a data  do dia dos pais e outras servem apenas para estimular o consumo e esconder o caos das relações afetivas provocadas por um modo de produção em crise que atinge todas as dimensões da vida social. Mas, de maneira breve, vamos nos concentrar em observar outras dimensões dessa situação.
Não é novidade o lançamento de campanhas publicitárias de determinadas empresas abordando temas polêmicos relacionados a moral e a sexualidade. A burguesia estabelece inúmeros mecanismos para pautar e controlar a subjetividade social apresentando polêmicas que geram muita visibilidade para suas marcas e muito dinheiro para seus cofres. Como ensinava Marx, a burguesia consegue transformar tudo em mercadoria, inclusive os problemas sociais que ela mesmo gera através do capitalismo.
Evidentemente o modo como essas polêmicas são lançadas deixam pouco espaço para questionar o capitalismo. Porém, é preciso não ter dúvidas: Não existe burguesia boa. Toda empresa capitalista vive da radical exploração da classe trabalhadora. A existência de crianças abandonadas, mas também de todos os males sociais, é resultado do capitalismo, que para existir desenvolve uma brutal concentração de renda. A cada crise econômica, o abismo entre pobres e ricos se torna maior. Apenas 6 bilionários, Bill Gates, Warren Buffett, Jeff Bezos, Amancio Ortega, Mark Zuckerberg e Carlos Slim Helu possuem a mesma riqueza que metade da população mundial.
Por isso a burguesia necessita de um conjunto de ferramentas ideológicas que servem para manter os explorados em concorrência, facilitando a dominação econômica e política. Machismo, racismo e homofobia são instrumentos ideológicos da burguesia. É verdade que a burguesia não os criou, mas se apoderou completamente deles, assim como de determinadas interpretações religiosas. Não existe possibilidade de superação disso sem eliminar a exploração do trabalho e a propriedade privada dos meios de produção. Ou seja, é preciso destruir o capitalismo e realizar uma revolução.
Dito isso, a nossa luta deve ser por uma sociedade socialista, onde as crianças sejam filhos e filhas de todos e todas. Onde a responsabilidade sobre a vida dos pequenos e pequenas não seja apenas do núcleo familiar, mas de toda a sociedade. Onde os problemas sociais não sirvam para alavancar os lucros da burguesia. Essa é a única forma de não ter crianças abandonadas, sem escola ou morando nas ruas. Está na hora de ultrapassarmos os limites do liberalismo, pois isso significa uma prisão que facilita a reprodução do capitalismo e pavimenta o fascismo, ferramenta política que a burguesia tem adotado para salvar o capitalismo, esse moribundo e assassino sistema econômico.
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