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sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

Ânima demite professores e precariza o ensino

MANIFESTAÇÃO – Ato em Belo Horizonte contra precarização do ensino. (Foto: Reprodução)
Luiz Ramos

BELO HORIZONTE (MG) – Diversas instituições de ensino do Grupo Ânima anunciaram no mês de junho uma mudança na matriz curricular que entrará em vigor já no segundo semestre de 2020 e valerá para todos os estudantes até o sexto período. Tal alteração representa acelerar o sucateamento e o avanço do processo de mercantilização da educação. O modelo foi importado da Europa sem nenhuma participação democrática de professores e alunos na elaboração dessa nova matriz.

Inicialmente, a mudança se apresenta como uma substituição da lógica disciplinar – os conteúdos serão dados através de Unidades Curriculares (UCs) – por uma dinâmica que coloca os sujeitos no centro de sua formação. Por isso, à primeira vista, o novo projeto pedagógico parece ótimo, mas quando vamos na essência da mudança, vemos que não é bem assim.

Isso porque todos os cursos tiveram as cargas horárias reduzidas ao mínimo exigido pelo MEC e, somado a isso, tem-se diversos componentes nebulosos na nova matriz, que na prática vem para esvaziar os conteúdos das cargas horárias, como por exemplo, as UCs chamadas “Vida e Carreira”, “Digital Personalizável”, “Atividades Complementares” e “Busca Ativa/Estudos Individuais”, sem contar as UCs gerais que o aluno pode escolher e que não têm necessariamente relação com seu curso, como “Mindfulness”, por exemplo. Isso tudo sendo computado dentro da carga horária mínima.

Vale ressaltar também que 10% da carga horária dos cursos tem que ser destinada, segundo determinação do MEC, à extensão. Porém, a quase totalidade dos Centros Universitários do Ânima não têm espaços institucionais para pensar esse importante pilar universitário e, a exemplo do que aconteceu nos últimos anos, pouquíssimos estudantes farão projetos realmente voltados à troca entre a academia e a sociedade ou até mesmo farão algum projeto de extensão independentemente do seu viés.

Então, pode-se deduzir que esse projeto político-pedagógico reduzirá drasticamente a carga horária de cada curso, representando um esvaziamento do conhecimento dentro das graduações, além de substituir a lógica coletiva de construção do aprendizado pela lógica individualista. Além de acabar com as disciplinas que possibilitam a formação crítica, entregando trabalhadores cada vez mais alienados para o chamado mercado.

Tal projeto também será extremamente prejudicial para os professores. Uma vez que as Unidades Curriculares condensarem grandes quantidades de conteúdo por área do conhecimento, as salas de aula aumentarão e muitos professores serão demitidos. Um exemplo disso: na UNA BH – umas das IEs do Ânima – serão por volta de 150 profissionais desempregados. E os que permanecerem terão que trabalhar muito mais, porque as UCs serão ministradas por duas pessoas que terão que elaborar a dinâmica, os conteúdos e as avaliações conjuntamente, além de coordenar projetos de extensão.

Mais uma vez a financeirização da educação mostra a que veio: garantir lucros cada vez maiores às empresas mantenedoras das instituições de ensino superior privadas, seja superexplorando professores, seja precarizando o ensino.

Também seguimos na luta pela redução das mensalidades enquanto durarem os efeitos da COVID-19 e estivermos com aulas presenciais, visto que, embora os tubarões do ensino insistam com as aulas remotas, sabemos o quanto a qualidade do ensino está comprometida e essas instituições continuam lucrando alto.

Por tudo isso, os estudantes do Centro Universitário UMA, organizados através do DCE Sérgio Miranda e do Movimento Correnteza, realizaram protesto contra a mudança e as demissões no último dia 19 de julho e pela redução das mensalidades em frente às principais unidades da UNA, em Belo Horizonte. O ato, que devido à pandemia aconteceu de maneira reduzida, foi só a primeira manifestação de muitas que virão.

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