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Depressão associada ao aumento do fascismo

DEPRESSÃO – O Avanço do fascismo tem afetado a saúde mental da população brasileira. (Foto: Reprodução)

Amanda Melo

RECIFE (PE) – O psicanalista socialista Wilhelm Reich em seu livro, “A Psicologia de Massas do Fascismo” afirma que um indivíduo submisso é um sujeito que sempre se adapta ao seu contexto e, nesse aspecto, a família é um Estado em miniatura.

Sabendo disso, podemos entender então porque conservadores insistem na questão da família e, por vezes, testemunhamos como defendem essa estrutura por instinto e ressentimento. Isto acontece pois compreendem que, de fato, é essa estrutura que rege a sociedade burguesa, mesmo que indiretamente.

A família é base do Estado, mas de qual Estado? A resposta está no Estado burguês, e é nela que se reproduz a estrutura opressora e a submissão do mais fraco ao mais forte. Para Reich, a partir da família e da repressão sexual se é possível um resultado de pessoas com uma mentalidade reacionária.

Ressentimento

Nesse mesmo livro, o psicanalista afirma que a inibição sexual altera de tal modo a estrutura do homem que ele passa a agir, sentir e pensar contra os seus próprios interesses. Assim, não é coincidência que o eleitorado do Bolsonaro é evangélico e conservador, onde a Damares, como Ministra, teve uma alta popularidade devido às suas demonstrações contra as causas sexuais.

A obra “A Psicologia de Massas do Fascismo” de Reich foi escrito na década de 1930, quando o fascismo estava ascendendo na Alemanha, o autor traz vários exemplos em panfletos e cartazes nazistas mostrando como eles trabalhavam a sua campanha em cima de pautas morais. É interessante ressaltar que os nazistas eram contra o aborto, e a favor do ato sexual apenas após o casamento. Com isso exposto, é extremamente prático notar a relação umbilical entre a extrema direita de Bolsonaro com Nazismo de Hitler.

Ainda no livro, o autor nos reafirma que quanto mais desamparado o indivíduo das massas, mais acentuada é a sua necessidade infantil de proteção, disfarçada sob a forma de um sentimento proativo em relação a um líder político reacionário, e, com essa identificação, o sujeito sente-se defensor da herança nacional.

Essa relação exemplifica o motivo de fascistas no Brasil hoje apoiarem a figura do fascista cegamente, mesmo que a política dele vá contra sua própria existência. Reich deixa claro que isso acontece por uma miséria material e sexual, que se torna um ressentimento que se escamoteia através da exaltação de um líder político que manifeste essa miséria ressentida, seja ela através de uma raça dominante ou na figura de se tornar dominador (leia-se opressor).

Em épocas de crise, o poder ditatorial reforça sempre a propaganda a favor da moralidade, da consolidação do casamento e da família. Isso se deve aos interesses da classe dominante, que tem como objetivo manter a imobilidade das classes mais vacilantes politicamente, como a pequena-burguesia. Reich diz que “o medo que acompanha as massas humanas não permitiu que Karl Marx fosse ouvido”.

O fascismo é, na sua essência, uma expressão política da ditadura mais descarada, aberta, violenta, terrorista dos monopólios capitalistas e da burguesia, como define Georgi Dimitrov em seu discurso “Unidade Operária Contra o Fascismo”. Ele se disfarça sob uma máscara modernizadora, porém seu conteúdo é conservador, sendo antiliberal, anti socialista, anti-operário e, principalmente, antidemocrático.

Na luta contra o fascismo, a pequena-burguesia progressista é sempre a primeira derrotada e, junto a ela, as camadas sociais que acreditam no seu próprio mito de um Estado acima dos interesses de classe. A única força social capaz de enfrentar o fascismo é a revolução proletária, por isso são os trabalhadores os alvos duplos do fascismo, seja no sentido da falsa cooptação, forçada e hipócrita, seja na repressão brutal e direta.

Quando a luta de classes se acirra e qualquer medida de conciliação é impossível, a burguesia se inquieta, os segmentos pequeno-burgueses entram em pânico e os fascistas vendem seu remédio amargo para a doença que ajudaram a criar.

Um reflexo atual dessa análise nos lembra o descontentamento do Presidente fascista em relação ao auxílio emergencial na pandemia do novo Covid-19, outro episódio é Bolsonaro vetar Projetos de Lei de ajuda aos trabalhadores pobres, que foram e estão sendo brutalmente prejudicadas pelo alto desemprego agravado pelo governo atual.

TESES SOBRE FASCISMO – Willhelm Reich analisou o caráter de massa do fascismo e validou questões atuais sobre o fascismo. (Foto: Reprodução/Arquivo)

Resistência

Em 9 de maio de 1945, foi executado o carpinteiro Georg Elser, o antifascista executou o primeiro atentado contra Hitler em uma cervejaria de Munique, mas que para o azar de seu plano, o líder nazista saiu mais cedo do local e a bomba que o Georg armou acabou matando 8 pessoas. Elser, apesar de não politizado, detestava o nazismo e tudo o que ele representava incluindo outras figuras do governo nazista da época como Hermann Göring, Joseph Goebbels e Heinrich Himmler.

O que motivou o jovem Elser a tentar matar sozinho Hitler foi também as deteriorações da classe trabalhadora, restrições à liberdade pessoal do povo, de crença e educação. As tentativas de assassinato contra Hitler em suma eram planejadas por pessoas afetadas mentalmente por suas leis ditatoriais absurdas e mortes em massa de pessoas inocentes. Como foi o caso também de Maurice Bavaud, e a resistência desesperada do casal Otto e Elise Hampel.

No Brasil, durante o período de pandemia do novo coronavírus foi gerado um ciclo vicioso de sentimento de culpa e de incapacidade e sensação de esmagamento causado pelas ações agressivas atuais do Estado.

Com os discursos de teor genocida do governo vigente e vetações de projetos de lei recentes (como o de preferência ao auxílio emergencial as mães pobres), fizeram com que o número de depressão quase dobrasse e os de ansiedade e estresse aumentassem em 80%. A taxa de suicídio dos brasileiros, de acordo com a OMS é de 11 mil a 12 mil por ano.

Com o isolamento, a taxa para o ano de 2020 tem de a se agravar sequencialmente tendo em vista que no primeiro semestre de 2019, 57 pessoas se mataram e 111 tentaram suicídio e nesse ano houve 70 mortes e 94 tentativas.

A ambição de um futuro consumista impulsionado pelo capitalismo faz que jovens e adolescentes se sintam deslocados do seio da família e do social. Num contexto de calamidade, emergência e desastre, os movimentos sociais têm importância fundamental para seu desenvolvimento quando abarcado. A consciência política quando incentivada, oferece perspectivas e desvendamentos de questões que antes consumia a situação emocional desses jovens determinado por fatores como: falta de estrutura familiar, orientação sexual e dificuldade de acessibilidade a questões sociais.

Além da ajuda psicológica, temos no Brasil, o Centro de Valorização da Vida, que ajuda pessoas com esses pensamentos suicidas. O centro pode ser encontrado no telefone 188 ou no site, onde ocorre um atendimento das 8h às 22h, sempre via internet, em formato de aplicativo de web e que funciona por meio de questionários e chats através do serviço “tawk.to”, que garante também a supervisão dos voluntários em tempo real e oferece suporte para vários idiomas.

Todo o povo antifascista deve estar interessada em unir e organizar suas forças, encontrar caminhos, formas e métodos que assegurará sua formação considerando o estudo das fontes originais do Marxismo-Leninismo, pois sem teoria revolucionária, não pode haver mudanças por meio da prática revolucionária.

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