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Governo e patrões deixam mais de 40 milhões sem emprego

FORÇA IMPARÁVEL – Greve dos Correios mostrou a força dos trabalhadores. (Foto: Reprodução/FENTECT)

Um homem se humilha
Se castram seu sonho
Seu sonho é sua vida
E vida é trabalho
Gonzaguinha: Um Homem Também Chora.

Luiz Falcão
Diretor de Redação do Jornal A Verdade e Membro do Comitê Central do Partido Comunista Revolucionário (PCR).

RECIFE (PE) – Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que 40,9 milhões de pessoas querem trabalhar, mas não conseguem emprego. São homens, mulheres, jovens que precisam se alimentar, vestir, pagar luz, água, mas, mesmo colocando seus músculos, sua energia, sua inteligência e capacidade à venda no mercado, ouve que “não há vagas”. Os patrões, os banqueiros ficaram mais ricos durante a pandemia, mas negam emprego àqueles que só podem viver se tiverem um trabalho e receberem um salário.

Uma das categorias que mais sofreu demissões foi a das trabalhadoras domésticas, 40% apenas neste ano. Eliana Silva, mora em Belém, tem 42 anos, dois filhos e está desempregada. Falando ao Jornal A Verdade, relatou sua situação: “Tenho procurado emprego, de todas as formas, diarista, serviços gerais, empregada doméstica e cozinheira sem sucesso. Tenho vivido de ajuda de cestas básicas, auxílio emergencial e da solidariedade dos vizinhos. Saio quase todos os dias atrás de emprego e bicos mais tá muito difícil.”

Os que estão trabalhando sofrem com os baixos salários e péssimas condições de trabalho. De fato, a maior parte dos trabalhadores não tem carteira assinada, trabalha de 10 a 12 horas por dia, não têm direitos e é tratada como coisa. Estes trabalhadores vivem numa pauperização tão grande que fazem apenas uma refeição por dia. Sem emprego, muitos trabalhadores tentam sobreviver como ambulantes. É o caso de Lúcia, camelô em São Matheus, São Paulo: “Eu pago aluguel, pago água, pago luz. E essa pandemia afetou muito as vendas, não só para mim como para todos, entendeu? Ficou difícil de ganhar o pão de cada dia. A gente não está se negando a trabalhar e até de pagar por um ponto. As pessoas não estão trabalhando na rua porque querem. Não conseguem emprego. Então têm que ir para a rua ganhar o pão de cada dia. Tem pais que estão com os filhos passando necessidade. Eu não tenho nada, não tenho muito, mas o pouco que tenho ainda dou para quem tem menos do que eu. Eu fico muito chateada com essas coisas. É triste, né?!”.

Essa é a realidade em nosso país. Não há emprego para 41 milhões de brasileiros e brasileiras adultos e com experiência.

Mas o presidente tem a cara de pau de afirmar que “O menor hoje pode fazer tudo, menos trabalhar. [Pode] inclusive cheirar um paralelepípedo de crack, sem problema nenhum” (Poder, 26/08/2020). Não senhor, presidente, o menor não deve trabalhar, o trabalho infantil é uma vergonha para qualquer país. O menor deve estudar, mas o pai do menor e a mãe do menor querem trabalhar, mas seu governo não deixa, seu governo destruiu milhões de postos de trabalho. Em 2019, antes da pandemia, o Brasil terminou o ano com 11,6 milhões de pessoas, segundo o IBGE. Então, tenha coragem e assuma que é responsável pela maior tragédia da história do Brasil. Renda Brasil sem emprego é conversa fiada!

Governo Reduz Auxilio Emergencial

Em março, o Congresso Nacional aprovou um auxílio emergencial de R$600,00 (seiscentos reais) para os trabalhadores informais de baixa renda e impossibilitados de trabalhar na pandemia. Entretanto, no momento em que ocorrerá um grande aumento do desemprego (estudo da IDados projeta que, no final de setembro, 15 milhões de pessoas perderão o emprego no Brasil), o Governo reduz o auxílio emergencial à metade, R$300,00 (trezentos reais). Ora, se é difícil a situação do povo brasileiro com o auxilio emergencial de R$600,00, como será com um valor ainda menor e com o custo de vida subindo?

Com efeito, pesquisa do instituto Data Favela revelou que 95% das compras das famílias foram com alimentos e que 56% dos moradores de favelas brasileiras que receberam o auxílio compartilharam o recurso com familiares e amigos que precisavam de ajuda. Como estes 65 milhões de brasileiros vão sobreviver sem emprego e com esse corte no auxílio emergencial?  Como ficarão suas famílias? Vão ter dinheiro para comprar um botijão de gás, comprar carne, feijão, leite e pão? Isso é certo? Isso é coisa que um governo honesto faça com o povo? E esse dinheiro que o Governo vai economizar cortando das famílias dos desempregados, ele vai usar para que? Para financiar seus amigos empresários, como o Hang, que aumentou sua fortuna no último ano em R$ 14 bilhões.  Vai tirar do pobre para engordar os bolsos dos donos dos bancos, dos investidores, os donos do capital e financiar os grandes capitalistas da agricultura, o chamado agronegócio, para exportar suco de laranja, carne, frango e soja para EUA e China, enquanto nosso povo passa fome.

Todos já ouvimos partidos e políticos da burguesia afirmarem que se eliminassem os direitos trabalhistas, realizassem uma reforma da Previdência e os salários diminuíssem, o desemprego acabaria. Pois bem, foram feitas a reforma trabalhista e a reforma da Previdência, houve redução do valor real do salário mínimo (reajuste abaixo da inflação), mas o desemprego cresceu.

Agora, mais uma vez, o Governo e os partidos que defendem os ricos patrões dizem que é preciso criar um novo imposto, retirar mais direitos do trabalhador, acabar com o abono salarial, o seguro-desemprego, demitir servidores públicos e privatizar os Correios, a Caixa Econômica, o Banco do Brasil e a Petrobras. Prometem que com essas privatizações, isto é, entregando este patrimônio brasileiro aos bancos e fundos de investimentos nacionais e estrangeiros, o Brasil vai voltar a crescer e a economia vai gerar empregos. Há anos vivem repetindo essas mentiras com o objetivo de enganar os trabalhadores e o povo brasileiro. São falsos e mentirosos.

A verdade é que, enquanto uma minoria de pessoas se enriquecer e se apropriar das riquezas do país, for dona das fábricas, das empresas, das lojas, enquanto nosso país tiver um governo de generais fascistas que tudo faz pelos patrões e considera os trabalhadores descartáveis, haverá desemprego, fome e miséria. Com efeito, quanto maior o número de desempregados, menor é o salário do operário e o lucro do capitalista cresce.

Como revelou Karl Marx, o desemprego é uma lei no sistema capitalista: se em um polo aumenta a riqueza da classe capitalista, os ricos compram iates, aviões e esbanjam fortunas, no outro, a classe dos explorados, os trabalhadores, sofrem com salários baixos, o desemprego e a miséria. Vejamos: durante a pandemia da Covid-19, o patrimônio de 42 bilionários brasileiros aumentou R$176 bilhões, mas, ao mesmo tempo, milhões de pessoas ficaram desempregadas, 52 milhões foram jogados na pobreza e o número de moradores de rua teve um crescimento de 140%. (Oxfam.org.br).

Negar um emprego ao trabalhador que quer trabalhar, além de humilhante, é jogá-lo na miséria, é despojá-lo de qualquer condição de viver dignamente, pois, neste sistema, até para beber água tem que se pagar. Se uma criança precisa tomar leite, comer um prato de arroz e feijão, seu pai ou sua mãe têm que ter dinheiro para comprar. Caso chegue num supermercado e queira levar uma lata de leite ou pão para seu filho comer, se não tiver dinheiro será chamado de ladrão e preso. Mas isso só ocorre com os pobres. Os ricos roubam o trabalhador e o país e não vão para a cadeia. A família de Bolsonaro é dona de dezenas de imóveis, a primeira-dama recebeu em sua conta 85 mil de Fabrício Queiroz, mas sequer vão a uma delegacia. O filho do presidente recebeu milhões na sua conta e na sua loja de chocolates, comprou vários imóveis, mas segue impune.

Por isso mesmo, é cada vez maior a vontade de lutar e o sentimento de união dos oprimidos e dos explorados; não só em nosso país, como em todo o mundo, tomam consciência de que nenhum governo dos patrões irá ajudá-lo. Pelo contrário, quando pode manda a milícia, a polícia ou o Exército assassinar aqueles que defendem os que lutam contra esse regime. As duas greves dos entregadores de aplicativos e a greve nacional dos trabalhadores dos Correios, bem como as revoltas no Chile, na Bolívia e no Equador, provam que a salvação dos explorados e oprimidos é a união e a luta contra as injustiças e que  o “Hoje é semente do amanhã/(…), avancemos, “Nós podemos mais” (Gonzaguinha).

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