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Marxismo e a Ciência: Programa de Formação na Quarentena

MAIS ALTO QUE OS PÁSSAROS – Cartaz soviético proclamava que a “Revolução de Outubro trouxe uma nova era para a humanidade” através da ciência. (Foto: Reprodução/Arquivo)

Redação Piauí e Lucas Marcelino
Jornal A Verdade

A programação da formação de quarentena do Jornal A Verdade debate nesta semana o “Marxismo e a Ciência”. Este é um tema fundamental e pouco explorado em comparação ao estudo da filosofia, sociologia e política marxistas.

Para entender a importância das ciências da natureza para Karl Marx e Friedrich Engels, podemos recorrer ao “Prólogo do Livro “Dialética Da Natureza”, escrito cerca de 50 anos depois da publicação do livro pelo importante biólogo John Burdon Sanderson Haldane:

“O marxismo tem, com a ciência, uma dupla conexão. Em primeiro lugar, os marxistas a estudam como parte de outras atividades humanas e procuram mostrar como as atividades científicas de qualquer sociedade dependem de suas variáveis necessidades e, assim sendo, em um sentido mais amplo, de seus métodos de produção; e, finalmente, como a ciência transforma esses métodos de produção e, dessa forma, tende a modificar a sociedade no seu conjunto.”

Neste trecho fica claro que as ciências da natureza têm uma relação dialética essencial e formam uma base para o estudo das questões econômicas pelo marxismo. Ao fornecer as condições materiais para a produção elas limitam os métodos de produção, mas conforme o ser humano busca suprir suas necessidades acaba desenvolvendo a ciência para realizar alterações na natureza que geram novas possibilidades de produção.

No “Prefácio” do mesmo livro podemos ver como Engels estava sempre atento às novidades das ciências da natureza, arriscado a cair em erros quando as ideias não se comprovavam. Mas sempre acompanhando o que de mais moderno surgia como as teorias e práticas da química, da eletricidade, da evolução das espécies, entre outras.

A influência das ciências nas questões sociais e econômicas como a produção e a exploração do ser humano é apresentada no texto “Capital e Tecnologia”. Nele, Marx demonstra como a natureza pode ser utilizada como agente do trabalho social para aumentar a produção e com isso diminuir o valor da força de trabalho. No capitalismo, a ciência passa a ser explorada para a extração de mais-valia e enriquecimento dos capitalistas.

KARL MARX E FRIEDRICH ENGELS – Além de dominar a filosofia, Marx e Engels eram atentos pensadores em tudo que envolvia novidade cientifica e tecnológica. (Foto: Reprodução/Arquivo)

A ciência da natureza é praticada há muito tempo pela humanidade, tendo sido documentada pelo menos desde os gregos sob o nome de física – ou filosofia da natureza. Mas povos anteriores já praticavam a ciência nas observações astronômicas, na navegação, na agricultura, na construção de cidades, entre outros exemplos.

Se a matemática foi uma das ciências primordiais para o desenvolvimento humano, assim como a linguagem, as ciências da natureza foram essenciais para a acelerar esse desenvolvimento. Mas em um contexto marxista elas cumprem também outros papéis: toda a filosofia marxista (materialismo) é baseada no conhecimento que temos da natureza. É dela que são extraídos exemplos da dialética. Tanto que retomamos o tema do último programa de formação estudando o texto “Dialética”, segundo capítulo do livro “Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico” de Engels.

Mas de onde vem a ciência? Como suas afirmações podem ser comprovadas? Vladimir Lênin afirma no texto “O Critério da Prática na Teoria do Conhecimento” última parte do segundo capítulo de seu livro “Materialismo e Empiriocriticismo” que a prática é o critério. Ou seja, não está nas ideias, mas sim na realidade objetiva da natureza, a confirmação. Isso está de acordo com o marxismo, já que Marx e Engels adotaram o método dialético por ser ele o que domina na natureza. Tudo está em movimento, nada está parado e as leis da dialética são comprovadas na natureza e, portanto, são aplicadas para as ciências humanas, história, etc.

Um livro fundamental para entendermos a dialética e a concepção da natureza pelo marxismo é o Anti-Dühring. No sétimo capítulo, “O Mundo Orgânico”, Engels demonstra seu grande conhecimento das mais recentes descobertas e teorias científicas da época. Ele rebate a tentativa de Dühring de restabelecer o idealismo na ciência e na concepção da realidade. Engels combate conclusões estreitas e equivocadas de uma nova leva de filósofos que tenta introduzir ideias malthusianas e religiosas para desacreditar a ciência e ainda demonstra como as leis da dialética se comprovam quando tentamos classificar os extremos, como em organismos que estão no limite entre seres vivos e não vivos ou entre animais e plantas.

Apresentamos o último capítulo do livro “Ciência e Existência” do filósofo brasileiro Álvaro Vieira Pinto. Intitulado “A Ciência como Processo Histórico de Domínio do Homem pela Natureza”, relaciona história, cultura, sociologia e o desenvolvimento do ser humano e da sua consciência de forma dialética baseada no estudo e alteração da natureza. Acaba por concluir que “o conhecimento científico é produzido pela consciência crítica da realidade e pela compreensão dialética da necessidade de criação de uma sociedade que permita ao homem atingir a plenitude de sua humanização”. Ou seja, a ciência serve para que o homem possa desenvolver condições de alcançar níveis elevados de humanização.

LYSENKO E EINSTEIN – A imprensa burguesa fazer uma ampla disputa de consciência do povo com esses dois cientistas. Tentam estigmatizar Lysenko, enquanto tentam negar o caráter socialista de Einstein. (Foto: Reprodução/Arquivo)

Vale destacar que a União Soviética também foi palco de um amplo desenvolvimento cientifico e tecnológico, como se expressava Maxim Gorky, o socialismo foi palco do “segundo renascimento”. Assim, a burguesia desenvolveu uma ampla rede de propaganda contra também os cientistas e pensadores soviéticos com intuito de atacar o socialismo. O principal alvo hoje é o biólogo Trofim Lysenko, que como todo cientista exemplar, suas ideias estão em constante provação e testes práticos. Com intuito de fazer um debate sério sobre os “erros” e “acertos” de Lysenko, disponibilizamos o artigo de Niels Johansen “Trofim Lysenko: Gênio ou Charlatão?”.

Por fim, encaminhamos dois textos bastante interessantes. No primeiro, Engels defende a teoria de Darwin e ataca o que hoje é chamado de “darwinismo social” em sua “Carta a Pietr Lavrov”. No segundo, Einstein apresenta sua defesa de uma economia socialista planejada como a melhor forma de organização e de garantia de vida para toda a humanidade em “Por que o Socialismo?”

Desde já convidamos nossos leitores para participar do próximo “Marxismo em Debate”, na próxima segunda (07) às 19h, no canal do Jornal A Verdade no Youtube.

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