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Fechamento da Ford: corte de direitos não gera empregos

DESAMPARADOS – Enquanto capitalistas saem do Brasil com lucros intactos, trabalhadores sofrem com mais desemprego e miséria. (Foto: Reprodução/Sindicato dos Metalúrgicos)

“Quando a burguesia avalia que há possibilidades maiores de lucro em outros países, mudam-se sem qualquer compromisso com os trabalhadores, deixando milhares de desempregados e famílias desassistidas.”
João Coelho

SÃO BERNARDO DO CAMPO (SP) – A Ford anunciou nessa segunda-feira (11) o encerramento de suas atividades produtivas no Brasil, com o fechamento imediato de duas fábricas (Bahia e São Paulo) e o fechamento da terceira empresa no final do ano (Troller, no Ceará).

Segundo o Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari (BA), o fechamento irá desempregar cerca de doze mil funcionários no país, entre trabalhadores diretos e indiretos.

O fechamento ocorre pouco mais de um ano após o fechamento da planta de São Bernardo do Campo (SP), que também desempregou milhares de trabalhadores.

A justificativa da Ford para o fechamento é a grave crise enfrentada no mundo. Segundo ela, é necessário que a empresa se reestruture mundialmente para continuar sendo sustentável. Mais especificamente, a empresa se queixa do alto “Custo Brasil” e da ociosidade do mercado brasileiro.

Outras empresas nos últimos anos têm tomado medidas parecidas, como a Mercedes-Benz, que encerrou a fabricação de carros no país a poucos meses.

O chamado “Custo Brasil” é, na definição da Confederação Nacional da Industria (CNI), “uma expressão usada para se referir a um conjunto de dificuldades estruturais, burocráticas, trabalhistas e econômicas que atrapalham o crescimento do país, influenciam negativamente o ambiente de negócios, encarecem os preços dos produtos nacionais e custos de logística, comprometem investimentos e contribuem para uma excessiva carga tributária”. Em outras palavras, trata-se da elevação de custos para as empresas causadas pela dinâmica legal, estrutural e social do país.

Em um primeiro momento, pode parecer justo que empresas como a Ford reclamem do “alto custo” e queiram produzir em outros países à custos mais baixos. Porém, vejamos de perto as propostas da CNI para a redução do “Custo Brasil” após a pandemia:

1. Prolongar a vigência dos créditos emergenciais (crédito oferecido pelo Tesouro Nacional à grande indústria a juros mais baixos que os do mercado financeiro privado, não se aplica aos pequenos e médios empresários nacionais);

2. Avançar imediatamente a “modernização das relações de trabalho” (impulsionar a terceirização irrestrita, o trabalho intermitente, a redução do salário, o aumento da carga horária de trabalho e a flexibilização do vínculo empregatício);

3. Parcelamento dos tributos atrasados e de outros débitos das grandes empresas com a União, expandir a oferta de crédito à juros baixo para as empresas através de estímulos do Banco Central.

Além disso a CNI incentiva ainda a Reforma Administrativa, o Novo Marco Regulatório do Saneamento e a Nova Lei do Licenciamento Ambiental.

Nos últimos anos, diversas medidas de ataque aos trabalhadores e entrega dos recursos do país ao Mercado Financeiro (diretamente ligado às indústrias) foram tomadas, como o congelamento dos gastos públicos, a Reforma da Previdência e também a Reforma Trabalhista, a aprovação da terceirização irrestrita e do trabalho intermitente, além da continuidade do pagamento da dívida pública e de uma austeridade cada dia maior por parte do Governo Federal.

Ou seja, o grande capital, que nos últimos anos tem abocanhado ainda mais a riqueza do Brasil, diz que para não fechar fábricas no Brasil precisa ficar com parcelas ainda maiores do que é produzido pelos trabalhadores. Os últimos, então, estariam sujeitos à: desemprego ou baixos salários, jornadas exaustivas e sem direitos garantidos.

A própria Ford, que hoje reclama do “Custo Brasil”, recebeu, desde 1999, R$20 bilhões em incentivos fiscais, segundo a Receita Federal. E mais: no último ano foi a quinta empresa que mais vendeu veículos no Brasil, com mais de 140 mil automóveis e 7,14% do mercado.

O fato é que as grandes empresas, em especial as multinacionais estrangeiras, vêm no Brasil uma oportunidade de produzir pagando baixo salários e lucrando muito, inclusive com o grande mercado interno do país. Quando avaliam que há possibilidades maiores de lucro em outros países, mudam-se sem qualquer compromisso com os trabalhadores, deixando milhares de desempregados e famílias desassistidas.

Segundo o Movimento Luta de Classes (MLC), “essa situação só pode mudar através da luta organizada da classe trabalhadora. Nossa economia não pode mais estra nas mãos das grandes empresas do capital estrangeiro que estão aqui apenas para sugar nossas riquezas. É fundamental lutar por salários dignos e por direitos trabalhistas e sociais, mas também é preciso entender que enquanto o grande capital dominar a economia, essa será uma luta desfavorável aos trabalhadores e sem um fim. A mentira que vem sendo contada há anos no Brasil, que menos direitos geram mais empregos, precisa ser duramente combatida. A verdade é que o que gera mais e melhores empregos é a direção da economia para atender as necessidades dos trabalhadores e não o desejo de lucro dos capitalistas, é o socialismo, que só pode ser conquistado através da luta de classes.”

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