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Golpistas são presos na Bolívia

NA CADEIA. Jeanine Añez é detida por participar de golpe na Bolívia (Foto: AFP)

Entre os presos estão a ex-presidente golpista Jeanine Añez, o Almirante Flavio Arce San Martín e os ex-ministros Álvaro Coimbra (Justiça) e Álvaro Guzmán (Energia). Maioria da população recebeu com entusiasmo a notícia das prisões, que servem de exemplo de como devem ser tratados os golpistas na América Latina. 

Por Felipe Annunziata | Redação Rio


INTERNACIONAL – O Ministério Público da Bolívia emitiu ordem de prisão contra os principais envolvidos no golpe de Estado que retirou o então presidente Evo Morales da presidência, em 2019. Entre os acusados por terrorismo, sedição, traição e por ordenar o assassinato de dezenas de apoiadores de Morales está a ex-presidente autodeclarada Jeanine Añez.  

Além dela, o Almirante Flavio Arce San Martín, ex-membro do comando das Forças Armadas, e os ex-ministros Álvaro Coimbra (Justiça) e Álvaro Guzmán (Energia) também foram detidos. 

Ainda existem ordens de prisão não cumpridas contra outros ex-ministros golpistas e militares, entre eles Arturo Murillo, acusado de comandar o aparato de repressão contra partidários do MAS (Movimento ao Socialismo, partido de Evo), e Williams Kalliman, ex-comandante das Forças Armadas, que exigiu a renúncia de Morales e endossou o golpe. 

Segundo a imprensa boliviana, a prisão de Añez e dos outros golpistas foi recebida com entusiasmo pela maioria da população boliviana. Em El Alto, cidade próxima à capital La Paz, as pessoas diziam que as prisões eram uma “notícia muito boa”. Em novembro de 2019, logo após o golpe, milhares de trabalhadores saíram às ruas para enfrentar os golpistas, o que levou ao massacre de dezenas de pessoas promovido pelas forças armadas e a polícia nacional na região.

Entre os crimes cometidos pelos golpistas estão denúncias de corrupção envolvendo a compra de respiradores para o tratamento da Covid-19. Em meados do ano passado, o então ministro da Saúde e vários outros altos funcionários do governo foram acusados de superfaturar a compra dos aparelhos fundamentais para o tratamento em UTI dos pacientes com coronavírus.

Militares presos por ações golpistas

Além do Almirante Flavio Arce e do ex-comandante das Forças Armadas Williams Kalliman, autoridades bolivianas procuram também o general Yuri Calderón, ex-comandante da Polícia Nacional, que organizou diversas manifestações armadas pró-golpe antes da renúncia de Evo Morales.

Essa atitude da justiça boliviana marca um ponto de virada na América Latina na relação com elementos militares golpistas. A punição aos golpistas é uma reivindicação de todo o movimento social boliviano. Havia um temor de que não houvesse justiça contra aqueles que cometeram as diversas atrocidades contra o povo boliviano. Foram massacres, prisões ilegais, perseguições e linchamentos públicos que atingiram diversos militantes e até prefeitos e parlamentares que se opuseram ao golpe.

Um dos casos que causaram mais repercussão foi o da então prefeita da cidade de Vinto, no departamento (estado) de Cochabamba, Arce Guzman. A política, que hoje é senadora pelo MAS, teve sua cabeça raspada, tinta vermelha jogada em todo o corpo e passou por um espancamento em praça pública.

Arce Guzman foi linchada em praça pública pelos golpistas em 2019 (Foto: AFP)

Golpista é encontrada debaixo da cama

A polícia procurou por horas a ex-presidenta golpista na cidade de Trinidad, no departamento de Beni. Ao chegar à residência de Añez, os agentes não a encontraram e acreditaram que ela havia fugido para o Brasil, conforme informações da imprensa boliviana.

Após um longo período de buscas, Añez foi encontrada dentro de uma cama box em casa, como uma barata, antes que conseguisse de fato fugir do país, como outros envolvidos no golpe.

Igual a uma barata, Añez se escondeu debaixo da cama para não ser presa (Foto: Kawsachun News/Twitter)

Apesar disso, a justiça boliviana negou a prisão de outras lideranças de extrema direita da Bolívia, ainda que a denúncia e o processo contra elas continuem. Entre essas lideranças se encontra o líder fascista Luis Fernando Camacho, recém-eleito governador do departamento de Santa Cruz de la Sierra, que também foi derrotado nas eleições presidenciais.

Camacho é conhecido por suas ligações com grupos paramilitares que se caracterizaram por perseguir militantes de esquerda e pessoas que se opuseram ao golpe.

Lição para toda a América Latina

O que acontece hoje na Bolívia deve servir de exemplo a toda a região. Não se pode conciliar com grupos golpistas, dentro e fora das Forças Armadas. O caminho para impedir novos golpes deve ser o enfrentamento e a responsabilização desses grupos. 

Todos os países que viveram recentemente situações semelhantes com o que houve na Bolívia em 2019 (como Paraguai, Honduras, Haiti e Brasil) se encontram atualmente sob forte convulsão social, com a maioria da população pedindo a saída dos seus governos. 

No caso do Brasil, fica a lição sobre o que é necessário fazer com os militares golpistas que vêm interferindo e manipulando a política nacional desde o golpe de 2016, inspirados pelos 21 anos de ditadura, que perseguiu, prendeu, torturou e assassinou milhares de pessoas entre 1964 e 1985.

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