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EUA planejam intervenção militar na Venezuela

SOBERANIA. Destino da Venezuela deve ser decidido pela maioria do povo (Foto: Gayones)

Para o PCMLV, avanços os planos do imperialismo de intervir militarmente na Venezuela. “É preciso aprofundar a campanha nacional e internacional de respaldo ao povo venezuelano, preparando as condições para pôr em prática uma ação revolucionária com todas as formas de luta possíveis”, defende o partido em nota.

Partido Comunista Marxista-Leninista da Venezuela (PCMLV)
Caracas


INTERNACIONAL – Desde meados de março, a situação política na Venezuela indica um novo desenvolvimento nos caminhos da violência, situação que pode tomar formas generalizadas e internacionais. 

Primeiramente, a burguesia pró-imperialista apostou nas chamadas guarimbas, que se revelaram uma tentativa frustrada da direita para tentar derrubar o governo por meio de violentos levantes em áreas sob o controle da oposição.

Depois, tentaram uma intervenção via Colômbia e Brasil com a chamada “ajuda humanitária”, onde também foram repelidos, para posteriormente promoverem o desembarque de mercenários com a chamada operação “Gideon”. Agora, parece que recorrerão a uma força externa em uma área altamente sensível da fronteira com a Colômbia. 

Como podem ver, as tentativas de retomar o controle do aparelho de Estado com o uso de armas sempre estiveram presentes, mas parece que agora se abre uma situação em que seguirão a rota da agressão imperialista direta, tomando como desculpa os acontecimentos da fronteira.

Planos intervencionistas

Quando algumas das gangues armadas que fazem a vida nos bairros da cidade de Caracas se dirigem à sede da Guarda Nacional e tentam assaltá-la para apreender armas, como fizeram há poucos dias, não estamos falando de ações criminosas normais. Da mesma forma, na parte alta do estado de Apure, na fronteira com a Colômbia, grupos armados pretendem defender uma área, colocando minas antipessoal, explodindo as sedes de órgãos do Estado venezuelano e levando a grandes confrontos com as Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB), contradizendo os métodos tradicionais da guerra de guerrilha, o que também levanta sérias questões.

Para desvendar esta delicada situação, consideramos necessário fazer um esforço para aplicar as bases do método marxista-leninista, tentando assim elucidar os elementos centrais da mesma. Faremos isso respondendo a algumas perguntas básicas:

Do ponto de vista de classe, a que classe pertencem os agressores ou que interesses de classe eles defendem? É claro que não são burgueses, nem membros da oligarquia, mas também não é visível que sua ação visa a defesa dos camponeses da região, dos comuneros pobres ou dos trabalhadores agrícolas. Conforme expresso em alguns áudios, o confronto ocorre devido à entrada do exército venezuelano em áreas que uma força militar considera como território sob seu controle, espaço onde há cobrança de vacinas, impostos sobre o contrabando e ligações com a indústria de drogas ilegais para exportação, principalmente o narcotráfico. Mas, além de qualquer especulação, ninguém diz que lutam pela defesa dos interesses dos explorados da região.

Qual é a sua ideologia? Em nenhum documento relacionado ao confronto, até agora conhecido, fala-se disso. No máximo algum vídeo de uma frente das FARC-EP de outra região diz que sua primeira tarefa deveria ser lutar a favor dos interesses do povo colombiano, que tem muitos problemas e exige seu esforço antes de ir para outro país.

A quem atacam? Por ser uma força localizada na linha fronteiriça entre a Colômbia (Arauquita) e a Venezuela (La Victoria), geram um enfrentamento na Venezuela, mesmo sendo uma força colombiana. Então, por que não atacam o exército ou as forças policiais colombianas e as bases militares dos Estados Unidos, mas sim o exército da Venezuela?

Que tática eles aplicam? Não parece lógico gerar um confronto no que se supõe ser sua retaguarda, a qual poderia ser segura, já que se trata de um país vizinho e, por uma lógica elementar, o exército colombiano terá dificuldade de entrar. Por que, em vez de fugir do combate, recuar e se mudar para outras áreas, eles se envolvem em uma luta por territórios? Aparentemente, eles aplicam elementos de guerra de posições bastante típicos de grandes exércitos, algo que não corresponde à sua realidade.

Esses elementos parecem indicar que estamos diante de uma força que tem a função de defender um território como base estável e centro de operações, no que, segundo a lógica guerrilheira, deveria ser sua retaguarda. Acaso essa força não está planejando construir uma retaguarda ali, apesar de sua retaguarda estar do outro lado da fronteira? Ou seu objetivo é uma cabeça de ponte lá? Seja qual for a sua intenção, está servindo para gerar uma provocação que justificará a intervenção direta de forças estrangeiras.

Milhares de soldados dos EUA estão posicionados no território colombiano (Foto: AP)

Risco real de guerra

Poderíamos fazer muitas conjecturas, mas a verdade é que o início de uma intervenção armada ganha força com o reconhecimento por parte das instituições estadunidenses de que o bloqueio e as sanções contra a Venezuela, apesar de afetar diretamente as maiorias populares, não deram o esperado resultado da destituição do presidente Maduro. Ao contrário, tais medidas unificaram o povo nos mecanismos de resistência e luta e deixaram claro que Guaidó precisa de ajuda direta dos EUA porque “não pode sozinho”. Tudo isso explicaria as ações atuais e levaria a supor que estamos à beira de outra intervenção violenta, que pode ocorrer com a confluência de ações bélicas e não-bélicas já em execução, as quais poderiam passar para o seguinte curso de ação:

1. Iniciação de ações provocativas que gerem uma resposta da FANB com consequências sociais, econômicas, políticas, midiáticas, nacionais e internacionais, que obrigatoriamente produz um confronto armado.

2. Deslocamento de civis para território colombiano, que, somados aos já existentes ali, serão utilizados para justificar a “intervenção humanitária” ora do governo reacionário da Colômbia, da OEA, do grupo de Lima e diretamente dos Estados Unidos e União Europeia.

3. Consolidação do controle territorial de uma das forças em luta e a necessária retirada da outra, levando a uma rápida “normalidade”, ou continuação do desenvolvimento de confrontos e aumento do alerta com mobilização militar nos países vizinhos para completar o cerco à Venezuela.

4. Denúncia pelo governo reacionário e narcotraficante de Iván Duque (Colômbia) de ameaças à segurança e integridade por ações reais ou fictícias, provocadas ou acidentais justificadas, que possam atentar contra seus cidadãos ou território mobilizando diretamente o “auxílio” da OTAN.

5. Construção de um cenário montado (falso positivo), em território colombiano ou em outro país vizinho, de uma suposta agressão relacionada ao ponto anterior.

6. Início de confrontos armados entre militares dos dois países.

7. Construção de um marco legal para a agressão armada.

8. Solicitação de aprovação pela ONU de uma força “humanitária” internacional para posicioná-la na área ou intervir diretamente em território venezuelano.

Povo da Venezuela resiste e luta contra a agressão imperialista (Foto: Gayones)

Os povos devem impedir uma guerra contra a Venezuela

Perante esta situação de grande perigo e complexidade, apelamos aos revolucionários do mundo, aos democratas e anti-imperialistas para que respaldem os esforços do povo da Venezuela que resiste e luta contra a agressão imperialista. É preciso chamar os povos a rejeitarem qualquer guerra fratricida e a apontarem os canhões contra o imperialismo e a burguesia, sempre em defesa dos interesses dos explorados e oprimidos de ambos os países.

O momento é muito delicado e perigoso. Por isso, é preciso aprofundar a campanha nacional e internacional de respaldo ao povo da Venezuela, preparando as condições para pôr em prática uma ação revolucionária com todas as formas de luta possíveis, construindo pontes à solidariedade internacional contra o inimigo comum que não é outro senão o imperialismo.

Os povos da Colômbia e da Venezuela estão unidos na história. Assim como para o resto da região, o inimigo é o mesmo: o imperialismo, que sempre nos dividiu e subjugou. A forma de derrotá-lo é trabalhar em conjunto para consolidar alternativas que permitam ao movimento popular, revolucionário, democrático e anti-imperialista construir um caminho comum de libertação nacional e social.

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