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Opinião: A burguesia fede

 

Erick Padovan

Nas palavras de Cazuza (1989), “A burguesia fede – fede ,fede, fede”. Como cantou este grande artista, nem em meio a uma pandemia catastrófica, a classe burguesa deixa de lado seu caráter. Os mesmos que elegeram o projeto neofascista assassino, agora acompanham sua execução, se divertindo em festas luxuosas, frente a 320.000 mortes, enquanto falta de leitos de UTI,  aplicação de vacinas segue lentamente e metade da população passa fome no país.


SÃO PAULO – As imagens de festas acontecendo deliberadamente, sem uso de máscaras e distanciamento social, correm rapidamente pelas redes sociais. Destacam-se no meio destas os recorrentes casos do bar Café de La Musique em Florianópolis (SC), que servem para visualizar como a classe mais rica do Brasil pouco se importa com a situação do povo pobre, mas sim com o quanto vão lucrar e se divertir às custas de um genocídio em andamento. 

Essa mesma classe rica, e especialmente os donos das maiores empresas nacionais, bancaram o golpe de 2016 contra a ex-presidenta Dilma Rousseff; a eleição de Jair Bolsonaro e seu notório projeto de eliminação da população trabalhadora brasileira; e seguem apoiando o governo neofascista e genocida; ao mesmo tempo que se regozijam em festas luxuosas, no momento de maior contágio da pandemia.

O cantor e compositor Cazuza, um dos autores da música Burguesia, canta nela: “A burguesia não repara na dor/ Da vendedora de chicletes/ A burguesia só olha pra si”. Olhando para a obra do cantor e comparando com a atual conjuntura brasileira, fica nítido o caráter da burguesia. O projeto que a sustenta como a detentora do poder sobre o povo será escolhido independentemente de seus efeitos colaterais, até mesmo um projeto genocida como o de Bolsonaro. Isso se encaixa perfeitamente no sistema político econômico capitalista, em que sempre os mais ricos estiveram no poder, sempre fizeram de tudo para continuar – guerras, genocídios, massacres, golpes.

A falsa democracia capitalista, a democracia burguesa, faz de tudo para que o povo não chegue ao poder, até mesmo um golpe militar, como em 1964, e como hoje o governo Bolsonaro e seus capangas ameaçam o país. Os responsáveis por tudo isso são os defensores do capital, a direita, que insiste na mentira da meritocracia, do livre mercado, do enxugamento do Estado e do capitalismo.

Tudo isso mostra a necessidade de superação do sistema capitalista. Por cada um que se indigna, cada um que sofre, cada um que luta e vê que no final está sendo roubado. Como disse Cazuza em sua música: “As pessoas vão ver que estão sendo roubadas/ Vai haver uma revolução/ Ao contrário da de 64”.

 

Print do vídeo que mostra festa sendo realizada no Café de La Musique durante pico de contaminação da Covid-19 no Brasil. Imagem: Reprodução.

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