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Metroviários de São Paulo marcam greve contra privatizações e por direitos

LUTA POR DIREITOS – Trabalhadores metroviários lutam por direitos e contra a privatização. (Foto: Reprodução/Sindicato dos Metroviários de São Paulo)

Com greve marcada para quarta-feira (19), metroviários enfrentam interesses de João Dória e do Grupo CCR.
Ricardo Senene
Diretor do Sindicato dos Metroviários de São Paulo e militante do Movimento Luta de Classes

SÃO PAULO (SP) – Aliado dos banqueiros, cartéis e consórcios como o Grupo CCR, o governador de São Paulo, João Dória (PSDB), tem aprofundado o processo de destruição de empresas públicas através das privatizações e terceirizações aprovando as famigeradas concessões em “Parcerias Público Privadas”, as PPPs. Pouco a pouco, a CCR vai assumindo as linhas de transporte sobre trilhos da região da grande São Paulo e das 13 linhas em funcionamento o consórcio já opera 4.

A venda de serviços públicos está se tornando a marca do governo que fechou diversas empresas estaduais como a Emplasa e Codaspe e sob o regime de concessão vendeu a Linha 8 e 9 da CPTM. Trata-se de uma perda de patrimônio público de valor inestimável a preços ridículos e que geram altos lucros.

Segundo a revista Forbes, mesmo em Pandemia e restrição de circulação, a CCR anunciou lucro recorde. No período de janeiro a março de 2021, lucrou o total de R$ 688,9 milhões, apoiada em receitas extraordinárias oriundas de um aditivo do Governo do Estado. O estado de São Paulo irá repassar cerca de R$ 1 bilhão para a CCR.

A sede de lucros não para por aí. Considerando todo o sistema metroferroviário, as linhas públicas e privadas produziram viagens para 46 milhões de passageiros em abril. O governador prepara a venda de mais ramais, sejam os em operação ou em construção. A CCR, o capital Chinês e outras empresas europeias são candidatos os consórcios.

Entretanto, frente aos seus planos, o governo tem enfrentado a dura resistência da categoria metroviária, que persiste com mobilizações e greves. Além de lutar contra a privatização do serviço público, os metroviários brigam para manter seu direitos e salários acima do mínimo definido por CLT. Exigem melhores condições de trabalho, reposição da inflação, gestão democrática e um freio na venda de serviços metroviários para empresas terceirizadas, garantindo condições adequadas aos trabalhadores, algo que as empresas privadas querem pagar.

Governo Dória quer reduzir os salários e impedir os trabalhadores de se organizarem

Reduzir os direitos e salários é uma meta anunciada pela direção do Metrô de São Paulo. Para isso, rompe o acordo coletivo, paga salários diferentes para empregados da mesma função, deixou de pagar a Participação dos Resultados (PR 2019), arrocha o salário e não quer era justar a inflação, cortou adicionais de Risco de vida e periculosidade, além das demissões imotivadas de centenas de funcionários.

Se não bastasse, o governo quer acabar com a concessão do terreno que sedia o sindicato dos metroviários para vender o terreno, ao que tudo indica, para construtoras. Trata-se de uma ação antissindical que visa intimidar o sindicato em meio as negociações do acordo coletivo. De maneira firme, a categoria rejeitou trocar a sede por direitos e vai lutar para manter este verdadeiro templo da luta da classe operária em São Paulo.

Como este jornal tem divulgado, a Pandemia aprofundou a luta de classes, aumentou a concentração da riqueza nas mãos de um punhado de pessoas e aumentou a pobreza e a fome para a imensa maioria do povo. Assim é a luta de classes entre metroviários e os interesses dos monopólios capitalistas e se representante João Dória.

O fato é que um dos lados ficará com menos, ou os trabalhadores irão aceitar a redução de seus salários e direitos ou os lucros da CCR serão reduzidos. Em nome da dignidade de trabalhadores e trabalhadoras que combateram corajosamente a pandemia e mantiveram o Metrô funcionando, sem apoio da direção da empresa, o mínimo é reajustar os salários frente a inflação crescente, repor os direitos tirados e abrir novos concursos visando aliviar o sufoco de funcionários sobrecarregados e adoecidos.

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