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Mulheres protestam contra despejo da Casa de Referência para Mulher Helenira Preta

PELA VIDA DAS MULHERES – Mais de 100 pessoas realizam um ato em defesa da Casa Helenira Preta em Mauá (Foto: Marcos Alonso / Casa Marighella

Coordenação da Casa de Referência para Mulher Helenira Preta

SÃO PAULO – Na última terça-feira (18), mulheres organizaram ato com cerca de 100 pessoas em defesa da Casa Referência para Mulher Helenira Preta em Mauá. A casa funciona num prédio que estava abandonado há mais de 10 anos e que em 2017 ganhou função social através da ocupação do Movimento de Mulheres Olga Benario. Atualmente, corre risco de despejo por seu terreno ter sido arrematado em um leilão milionário no mês passado. A luta é pela manutenção do trabalho que já é realizado voluntariamente há quase 4 anos. (Saiba como contribuir acessando casa helenira preta)

A primeira ocupação, em 2017, conquistou a criação da Secretaria de Políticas Públicas para Mulheres de Mauá, até então inexistente. No último período, mais de 600 mulheres em situação de violência foram atendidas por dezenas de profissionais voluntárias, incluindo psicólogas, assistentes sociais, advogadas, doulas, professoras de diversas áreas, etc. O centro de referência é, ainda, um espaço cultural e de capacitação para geração de trabalho e renda.

O ato das mulheres partiu do local onde hoje funciona a casa, na Vila Bocaina, e caminhou até o primeiro espaço ocupado pelo movimento de mulheres, ao lado dos correios, no centro. A manifestação contou com grande apoio da população que parou para ouvir o que as mulheres defendiam. A ação terminou com uma grande atividade cultural com a participação das poetas do movimento, coletivos de cultura da cidade e uma apresentação projetada na parede contando sobre o projeto e sua história. Foi denunciado, ainda, que esse imóvel continua abandonado desde 2017, enquanto as mulheres correm o risco de ficar sem um espaço para continuar o trabalho. O ato defendeu, também, que seja garantida a moradia das 34 famílias que moram na Ocupação Manoel Aleixo, organizada pelo Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas, ao lado da Casa Helenira. Ambos os prédios foram leiloados ao mesmo tempo. 

A partir das mobilizações iniciadas no mês de abril, os movimentos tiveram uma vitória temporária: o embargo do leilão até o dia 26/05. No entanto, a probabilidade é a de que após esse prazo a justiça burguesa entregue o terreno ao novo proprietário.

Vale lembrar que, após a ocupação do movimento, a prefeitura de Mauá abriu mão de cerca de 3 milhões de reais para retirar o terreno da área de interesse social, o que exclui a obrigatoriedade de sua utilização para fins públicos, viabilizando, assim, o leilão que põe em risco as duas ocupações.

Deste modo, fica evidente que o processo, dispondo de dinheiro público, aconteceu para beneficiar setores do capital imobiliário que não têm compromisso com as vidas dos mauaenses e que, na sociedade capitalista e patriarcal em que vivemos, o lucro é prioridade para as classes dominantes e seus governos, ao passo que as mulheres precisam lutar para seguirem vivas.

Assim, o recado dado pelas mulheres é que o movimento social organizado tem compromisso com as vidas das mulheres e de todos os brasileiros e não vai abrir mão de continuar realizando esse trabalho. Enquanto vivermos em uma sociedade que desvaloriza a vida e põe em primeiro plano o lucro e o capital, situações como essa continuarão a existir e também continuará existindo luta e a resistência pela vida das mulheres e pelo poder popular.

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