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Prefeitura do Rio quer vender escola para construir apartamentos de luxo

Escola Municipal Cícero Penna, em Copacabana num dos principais cartões postais do Rio. Foto: reprodução

Karol Lima | Redação Rio

EDUCAÇÃO – No dia 30 de abril, a Prefeitura do Rio de Janeiro enviou à Câmara dos Vereadores uma lista com imóveis públicos para privatizar. Entre eles está a Escola Municipal Doutor Cícero Penna, na Avenida Atlântica, em Copacabana, um dos lugares mais cotados pela especulação imobiliária. A escola possui 660 alunos e funciona desde 1960. Se vendida, pode ser construído no lugar um edifício de luxo com até 12 andares.

A rede municipal do Rio sofre com falta de infraestrutura e quantidade de vagas para estudantes que querem e precisam estudar. Essa situação é consequência da falta de investimentos na educação pública, uma política federal, estadual e municipal seguida há anos. A venda da EM Cícero Penna somente contribui para este cenário caótico, pois haverá necessidade de realocação dos estudantes matriculados para outras unidades, que podem ser distantes de seu local de moradia ou mesmo não possuírem vagas. 

Com a desculpa da necessidade de aumentar o caixa da prefeitura, o prefeito Eduardo Paes (PSD) quer atender à especulação imobiliária por causa da localização privilegiada da escola. Maria Angélica, uma das alunas do Programa de Educação de Jovens e Adultos (PEJA) que acontece na Cícero Penna, deu uma declaração que reflete a indignação de muitos alunos com quem o Jornal A Verdade conversou: “A prefeitura não pode vender algo que eles ganharam para ensinar a população, são 600 alunos, para onde vamos? Não vão estar só prejudicando os alunos e sim os funcionários que trabalham também. Como querem que o Brasil vá pra frente dessa forma, acabar com algo que muitos precisam?”

Escola é simbolo do bairro e da cidade

A comunidade acadêmica da Escola e moradores vem se mobilizando na organização de um abaixo-assinado contra a venda repudiando a proposta do prefeito. Além do problema educacional claro que se vê com a proposta, o valor histórico inestimável também não foi colocado na balança pela Prefeitura. O Dr. Cícero Penna, na década de 20, deixou o imóvel registrado em cartório como doação à Prefeitura para que se tornasse uma escola pública quando viesse a falecer. Após tantos anos, se tornou símbolo do bairro para os moradores.

A família de Cícero Penna também repudia a ação e pensa em entrar com possível medida judicial caso a Câmara aprove a venda. A partir de toda a mobilização a ALERJ aprovou o tombamento da Escola, o que impede qualquer modificação em sua fachada e venda do imóvel. No entanto, o governador Cláudio Castro (PSC) ainda não sancionou a proposta.

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