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Com medo das manifestações populares, militares ameaçam golpe

MILITARES CORRUPTOS – Revelações da CPI e manifestações populares põem a nu corrupção das Forças Armadas e do governo Bolsonaro. (Foto: Marcos Corrêa/ABR)

Manifestações populares e escândalos expõem envolvimento de militares em corrupção. Forças Armadas repetiram ameaças golpistas contra o parlamento e a população durante a última semana. Aura hipócrita de honestidade de generais está caindo por terra. 

Felipe Annunziata | Redação Rio


BRASIL – A semana passada foi marcada por muitas notícias sobre casos de corrupção envolvendo altas patentes militares que ocupam o Ministério da Saúde. À medida que as manifestações populares crescem, com centenas de milhares de pessoas nas ruas, fica mais evidente o envolvimento de generais e coronéis em falcatruas envolvendo compra de vacinas. 

Na última quarta (7), Roberto Dias, ex-diretor de logística do Ministério da Saúde e sargento reformado da Aeronáutica, foi preso em flagrante por mentir à CPI da Covid. Na mesma sessão, o senador Omar Aziz (PSD-AM) fez uma fala criticando a “banda podre dentro das Forças Armadas”. A fala do senador foi tão moderada e polida que ele chegou a mentir dizendo que na Ditadura “não tinha militar acusado de ser corrupto”. 

O fato levou a uma nota golpista por parte do ministro da defesa, general Braga Netto,  e dos comandantes das Forças Armadas. A nota continha uma ameaça clara à democracia afirmando que “as Forças Armadas não aceitarão qualquer ataque leviano”.

No dia seguinte, o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Carlos Almeida de Baptista Júnior, afirmou ao Jornal O Globo que “homem armado não ameaça” quando perguntado sobre a possibilidade de golpe. A afirmação foi mais uma ameaça diante da paralisia do parlamento em barrar ações golpistas de Bolsonaro e seus generais. Mas o que tem levado a essa reação forte por parte das cúpulas militares?

Forças Armadas querem atacar manifestações populares

LUTA POPULAR – Manifestações populares pressionam por derrubada de Bolsonaro e amedrontam militares. (Foto: EMÍLIA SILBERSTEIN / A Verdade)

No dia anterior à nota das Forças Armadas, os comandantes militares e ministros se reuniram no Palácio do Planalto, segundo informa o Jornal Correio Brasiliense. No encontro foi debatida a adesão popular às manifestações pela queda do governo. 

Segundo a matéria, uma das questões levantadas foi de que as Forças Armadas passem agora a defender ativamente o governo, descumprindo a Constituição. Durante a agenda foram passados vídeos com pessoas infiltradas nos atos mostrando a mobilização das organizações de esquerda. Nos vídeos, os infiltrados faziam análises com um discurso claramente anticomunista. 

Desde o primeiro ato, em 29 de maio, à exceção da repressão policial em Recife, os atos têm sido marcados por serem pacíficos. No entanto, a cada manifestação, setores fascistas ligados a Bolsonaro nas polícias tem procurado provocar manifestantes ou se infiltrar nos atos. 

A reunião do governo com os militares no dia 8, aliado à nota e às ameaças ao parlamento, são demonstrações de medo dos militares com a revolta popular. A cada dia, parcelas mais amplas da população passam a enxergar as Forças Armadas como uma das principais responsáveis pelo genocídio em curso. Mais coronéis e generais são pegos nos escândalos de corrupção das vacinas.

O fato é que a ameaça de quartelada não é mais que um sinal do desespero desses sujeitos. Desde sua criação, as forças militares brasileiras são marcadas pela corrupção, perseguição a democratas e revolucionários, genocídio dos povos indígenas e negros e a subserviência completa aos interesses do imperialismo. No entanto, mesmo com tantos crimes nas costas, os generais nunca foram chamados a prestar contas pelos seus atos. Apoiado pelas elites brasileiras sempre se sentiram acima da lei e do povo.   

Hoje, seus crimes mais recentes são expostos diariamente em rede nacional e repudiados pelo povo nas ruas. A indignação dos comandantes não é com a CPI da Pandemia apenas. O problema deles é ver sua aura hipócrita de honestidade cair por terra diante das mais de 530 mil pessoas mortas pelo governo do fascista Bolsonaro com apoio e execução dos senhores generais, brigadeiros e almirantes.

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