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sexta-feira, 30 de setembro de 2022

CPI da Covid denuncia Bolsonaro por crimes contra a Humanidade

QUANTO VALE UMA VIDA? CPI da Pandemia aponta Bolsonaro como principal responsável pelas mais de 600 mil mortes na pandemia (Foto: AFP)

Além de Bolsonaro, a CPI da Pandemia também indiciou pelo mesmo crime o general Eduardo Pazuello (ex-ministro da Saúde), o ministro Onyx Lorenzoni e a secretária do Ministério da Saúde Mayra Pinheiro (conhecida como Capitã Cloroquina). A publicação do relatório reforça a importância das manifestações marcadas por todo o país contra a fome e a carestia para o próximo dia 23/10 nas periferias de várias cidades, convocadas pela articulação “Povo na Rua – Fora Bolsonaro”.

Felipe Annunziata | Redação Rio


BRASIL – Nesta quarta (20), o senador Renan Calheiros (MDB-AL) apresentou seu relatório final da CPI da Pandemia. Após uma longa negociação entre os senadores, o relatório denuncia o presidente fascista Jair Bolsonaro por crime contra a Humanidade, entre outros delitos.

Além de Bolsonaro, foram indiciados pelo mesmo crime o general Eduardo Pazuello (ex-ministro da Saúde), o ministro Onyx Lorenzoni e a secretária do Ministério da Saúde Mayra Pinheiro (conhecida como Capitã Cloroquina). De fora do governo também foram denunciados médicos e os donos do plano de saúde Prevent Senior.

Bolsonaro ainda foi denunciado por charlatanismo, causar epidemia, incitação ao crime, falsificação de documento, emprego irregular de verba pública, prevaricação e crimes de responsabilidade. 

Planos de saúde, experiências com cobaias humanas e “Gabinete Paralelo”

Assim como o ex-capitão, vários outros agentes do governo, de planos de saúde e membros do chamado “Gabinete Paralelo” foram denunciados por crimes parecidos. O “Gabinete Paralelo” teria sido, segundo o relatório, responsável por dirigir a política de morte do governo durante a pandemia. 

A estratégia consistia em espalhar o uso da cloroquina e outros remédios inúteis para Covid para incentivar as pessoas a saírem às ruas e se contaminarem. A tese do governo, planos de saúde e do gabinete paralelo era de que se todos pegassem a doença a pandemia acabaria mais rápido. O resultado dessa política todos nós conhecemos: mais de 600 mil mortos em menos de dois anos de pandemia.

O caso de médicos e planos de saúde, como a Prevent Senior, consiste na realização de experimentos que lembram o nazismo para “provar” que a cloroquina funcionava. Nos hospitais da rede Prevent Senior os pacientes eram deixados para morrer após 21 dias de UTI, mesmo tendo possibilidade de sobreviver à doença. O procedimento era adotado após a empresa submeter seus pacientes a todo tipo de experimento, como a administração de ozônio pelo reto, prática ilegal no Brasil.

Em outro caso, o médico Flávio Adsuara Cadegiani é acusado de organizar um estudo ilegal com o remédio proxalutamida, que teria causado a morte de pelo menos 200 pessoas em Manaus. Todos esses “estudos” foram amplamente celebrados por Bolsonaro.

Casal chora a morte de uma mulher vítima de covid-19 sepultada em cemitério do Rio de Janeiro (Foto: Antonio Lacerda/EFE)

O que significa o relatório da CPI?

Pela primeira vez na história do Brasil o Senado faz uma denúncia real contra um crime cometido pelo Estado brasileiro. Desde 1824, quando foi criado, o Senado sempre se posicionou ao lado das elites e dos governos de plantão. Desde a defesa da manutenção da escravidão, até o apoio ao Golpe Militar de 1964, essa casa do parlamento nunca foi conhecida por se posicionar ao lado do povo, 

Na realidade, um conjunto de fatores forçou os senadores a fazerem esse relatório. Os atos que desde 29 de maio têm levado centenas de milhares às ruas criaram um clima de pressão muito forte em cima dos parlamentares. Além disso, todas as sessões da CPI foram acompanhadas por dezenas de milhares de brasileiros que, indignados com o morticínio, pressionaram os senadores a denunciarem o governo pelos crimes mais graves.

Tudo isso se somou a interesses próprios desses senadores. Em sua maioria, eles são ligados às oligarquias estaduais que foram jogadas para escanteio pelo governo, que preferiu aliança com milicianos e outros setores da elite. Esse é o caso de Renan Calheiros e Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI, por exemplo.  

Outros, por sua vez, são ligados ao grande capital financeiro, principalmente aqueles ligados aos grandes veículos de imprensa, como é o caso de Tasso Jereissati (PSDB-CE). 

Esses setores econômicos vem pouco a pouco se afastando de Bolsonaro na intenção de se livrarem da imagem tóxica do presidente fascista. Isso também explica que esses senadores tenham aceitado a acusação de crime contra a Humanidade. Além disso, em cada depoimento era tão evidente a quantidade de crimes macabros cometidos pelo governo Bolsonaro que ficava impossível não serem denunciados no relatório.

Senadores se recusam denunciar genocídio indígena

Esses interesses se manifestaram abertamente na questão da acusação de genocídio contra a população indígena. Muitos senadores que apoiaram o relatório foram contra a acusação de genocídio, mesmo com denúncias graves de invasões de grileiros e missionários fundamentalistas. Essas invasões são um dos fatores responsáveis por levarem o vírus a muitas aldeias.

O próprio Bolsonaro, em julho de 2020, vetou um projeto de lei que obrigava o governo a garantir água potável aos povos indígenas. Isso tudo se somou à distribuição massiva de cloroquina a essas populações pelas forças armadas. 

No entanto, os interesses do agronegócio, que a maioria desses senadores defende, impede qualquer denúncia desse tipo. Isso porque, se ocorresse, eles teriam também que investigar os latifundiários e grandes empresas que vem apoiando o assassinato desses povos. 

Não é possível esperar até 2022 para tirar esse bando fascista da presidência da República (Foto: JAV/Rio)

Povo na rua deve lutar por punição do governo 

Mesmo com todos esses acordos, o relatório da CPI deixa registrado todo um conjunto de ações do governo Bolsonaro com o objetivo de assassinar a população. A denúncia de crime contra a Humanidade é inédita no parlamento brasileiro e já causa indignação geral na população.

A publicação do relatório reforça a importância das manifestações marcadas por todo o país contra a fome e a carestia para o próximo dia 23/10 nas periferias de várias cidades. Os atos estão sendo convocados pela articulação “Povo na Rua – Fora Bolsonaro”.

Com a denúncia da CPI, muitas organizações já têm levantado a luta pela punição aos criminosos do governo Bolsonaro. Além dos atos deste sábado, estão previstas também manifestações no próximo dia 28/10 contra os ataques do governo aos serviços públicos e no dia 20/11 contra o racismo e o genocídio do povo negro.

Os fatos trazidos no relatório reafirmam a urgência do afastamento imediato de Bolsonaro e suas milícias do governo. Não é possível esperar até 2022 para tirar esse bando fascista da presidência da República. Novas manifestações de rua precisam ser convocadas exigindo a derrubada do ex-capitão, a punição dos responsáveis por todos os crimes cometidos durante a pandemia e um governo verdadeiramente popular para tirar o Brasil da crise.  

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