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quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

Entregadores de aplicativo pedalam 70 km por dia para ganhar menos de um salário

EXPLORAÇÃO. Entregadores sofrem com jornadas extensas e baixíssimos salários (Foto: Luiza Castro/Sul21)

Pesquisa divulgada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), mostra que a maioria dos entregadores trabalha de 9 a 12 horas por dia e recebem menos de um salário mínimo. É comum entregadores adoecerem por conta da exposição ao calor excessivo. Ou seja, esses trabalhadores estão literalmente morrendo de tanto trabalhar para enriquecer os milionários donos dos aplicativos.

Igor Barradas
Rio de Janeiro


BRASIL – No verão carioca, a exposição a altas temperaturas e à chuva é uma rotina comum para os entregadores de aplicativo que trabalham de bicicleta. Sob condições extremas de exploração, eles pedalam pela cidade e sobrevivem recebendo baixos salários.

Pesquisa divulgada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), mostra que a maioria dos entregadores trabalha de 9 a 12 horas por dia e recebem menos de um salário mínimo. Alguns chegam a rodar mais de 70 quilômetros por dia de bicicleta.

Trabalhar acima da jornada legal de trabalho (8 horas) tendo que lidar com um calor que beira os 40 graus não é nada fácil. É comum entregadores adoecerem por conta da exposição ao calor excessivo. Para piorar, quando a internação não é tratada com rapidez e eficácia, a taxa de mortalidade é de quase 80%. Ou seja, esses trabalhadores estão literalmente morrendo de tanto trabalhar para enriquecer os milionários donos dos aplicativos.

Entre os principais problemas de saúde que surgem entre os entregadores – a maioria jovens de até 24 anos – estão a desidratação, aumento do estresse, desmaios, males respiratórios e até infartos, derrames e câncer de pele.

Renda média dos entregadores por aplicativo é de apena R$ 992 mensais (Foto: Fotos Públicas)

Precarização do trabalho

Apesar de todo esse esforço e sacrifício, a renda média dos entregadores por aplicativo é de R$ 992 mensais, abaixo do salário mínimo atual, que é de R$ 1.212,00. Os principais motivos que levam milhares de jovens a encarar esse tipo de trabalho precarizado são o desemprego, a pobreza e a fome que assolam a economia brasileira.

Segundo o entregador Rennan Resende, 20 anos, que trabalha na Zona Norte do Rio de Janeiro, as condições de trabalho dos entregadores no verão carioca são degradantes. “Além de todo estresse, correria, opressão que sofremos, temos preocupações com o calor. Infelizmente, usamos camisetas UV de manga longa o dia inteiro. Temos que ter jogo de cintura, pedir para ir num posto, tirar a camiseta e levar uma ducha no corpo, se não a gente passa mal. Esse é o tipo de realidade que a gente tem que enfrentar para conseguir o nosso ganha pão”, disse ao jornal A Verdade.

Nem todo mundo aguenta esse ritmo intenso de trabalho. “Na praça onde eu trabalhei, já vi entregadores passando mal pela rua e tendo que parar pedindo ajuda ou um copo d’água. Já vi entregadores tendo que desligar o aplicativo por não aguentar mais o sol ou o cansaço do dia no colo deles. Quando eu comecei a trabalhar, sempre levava uma garrafa de 2 litros congelada e ia esperando ela descongelar e beber durante o dia. Eu sempre me perguntei por que os outros entregadores não faziam isso. Eles simplesmente não fazem isso para não ter que carregar mais peso nas costas. Já é muito difícil você trabalhar com o peso das comidas. Então, eles são impedidos desse direito básico de beber água durante o trabalho. Quando a gente tem a oportunidade de beber água, de se refrescar, é algo único no nosso dia”, explica Rennan.

A proliferação de entregadores de aplicativo é consequência direta da reforma trabalhista e do aumento do desemprego. É esse o modelo de trabalho que o capitalismo oferece à juventude brasileira no século 21.

Enquanto os entregadores sofrem no calor e passam mal de tanto trabalhar, o faturamento do Ifood aumentou 234% em apenas um ano, ultrapassando US$ 323 milhões. É urgente acabar com essa farra dos donos dos aplicativos e garantir direitos e renda digna aos entregadores.

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