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domingo, 2 de outubro de 2022

Quando menstruar dignamente torna-se um privilégio

SOLIDARIEDADE. Movimentos já distribuíram centenas de kits de absorventes para pessoas pobres no RJ (Foto: JAV/Rio)

Pesquisas apontam que, na falta do absorvente, 26% das estudantes brasileiras deixam de frequentar a escola durante o período menstrual, perdendo até uma semana de aulas por mês. Em outros casos, recorrem a métodos nada seguros e saudáveis para conter o fluxo: folhas de caderno ou jornal, papel higiênico e até miolo de pão são utilizados por pessoas que menstruam em situação de vulnerabilidade social no lugar do absorvente.

Gabriella Casares
Rio de Janeiro


MULHERES – O Brasil vive um cenário em que o povo se vê cada vez mais imerso em miséria e precariedade. Em um contexto onde falta dinheiro para a alimentação básica, itens essenciais para a higiene feminina se tornam artigos de luxo. Pessoas em situação de rua, estudantes de baixa renda e pessoas encarceradas não têm acesso a um produto básico no dia a dia de uma pessoa com útero: absorvente.

Pesquisas apontam que, na falta do absorvente, 26% das estudantes brasileiras deixam de frequentar a escola durante o período menstrual, perdendo até uma semana de aulas por mês. Em outros casos, recorrem a métodos nada seguros e saudáveis para conter o fluxo: folhas de caderno ou jornal, papel higiênico e até miolo de pão são utilizados por pessoas que menstruam em situação de vulnerabilidade social no lugar do absorvente.

Nessa sociedade capitalista em que vivemos, até mesmo o uso de itens de higiene adequados torna-se limitado apenas a quem tem como pagar por isso, e o que deveria ser um direito básico se transforma em privilégio. O prejuízo que a falta de acesso a absorventes traz à vida das pessoas que menstruam vai desde danos à saúde até ao agravamento das desigualdades de gênero na educação e mercado de trabalho, uma vez que o período menstrual torna-se uma barreira a mais para a realização de atividades de trabalho e frequência escolar.

Como que alheio a tudo isso, no ano passado, o fascista Bolsonaro vetou a distribuição gratuita de absorventes para pessoas em situação de vulnerabilidade em escolas, postos de saúde e unidades prisionais. O projeto que cria o Programa de Promoção da Saúde Menstrual foi sancionado pelo ex-capitão, mas a parte que garantia o acesso aos itens de higiene básica foi vetada sob a justificativa de que não havia especificação a respeito de onde viria o dinheiro para a distribuição dos absorventes. Assim, Bolsonaro, mais uma vez, demonstra não ter o menor respeito pela população feminina, o contrário do que demonstra quando se trata de banqueiros, políticos corruptos e generais fascistas.

Em resposta, várias campanhas de arrecadação e doação de absorventes estão sendo organizadas em todo o Brasil, a fim de reduzir o impacto da pobreza menstrual. No Rio de Janeiro, militantes da União da Juventude Rebelião (UJR) e do Movimento de Mulheres Olga Benario já distribuíram centenas de kits de absorventes para a população de rua e em vulnerabilidade nos bairros da Penha e Madureira.

Durante as ações de distribuição, muitas mulheres reclamavam da dificuldade de acesso aos itens de higiene e muitos homens pediam kits para suas filhas adolescentes. Em um sistema em que o Estado não garante os direitos básicos de suas cidadãs, ações de solidariedade acabam por ser essenciais para suprir o que o governo deveria ser obrigado a assegurar.

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