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segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Não à guerra imperialista de Biden e Putin na Ucrânia!

Em que pesem as belas frases e notas oficiais do governo russo, ou a hipócrita defesa da liberdade e da paz feita pelos EUA, as populações e nacionalidades não passam de um peão nessa história. São os interesses imperialistas que estão no comando. O que está em curso é uma luta dos grandes tubarões para devorar a Ucrânia.

Da Redação


INTERNACIONAL – Na madrugada desta quinta (24), em resposta ao avanço da OTAN para o leste europeu, tropas russas cruzaram a fronteira e deram início à ocupação militar do território da Ucrânia. Para disfarçar a invasão e dar ares de ação humanitária, o reacionário presidente russo Vladimir Putin havia anunciado, na última segunda-feira (21), o reconhecimento da independência dos territórios separatistas do Donbass, localizados perto da fronteira com a Rússia, e o envio de militares para a região, para “preservar a paz e a estabilidade em Donetsk e Lugansk”.

Essa jogada foi elogiada por ninguém mais, ninguém menos, que o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump. Para ele, a decisão de Putin foi “genial”. “Aqui está um cara que é muito habilidoso. Eu o conheço muito bem. Muito, muito bem”, disse o fascista Trump.

As informações, até agora, dão conta de bombardeios em várias cidades do país, como Sumy, Kharkiv, Kherson e Odessa. Um aeroporto militar próximo à capital Kiev também estaria sob ataque.

No discurso em que anunciou a operação militar, Putin disse cinicamente que “o plano da Rússia não inclui ocupar a Ucrânia” e que estava “protegendo” os separatistas. Porém, segundo o próprio Ministério da Defesa da Rússia, “os sistemas de defesa aérea do exército ucraniano foram suprimidos e a infraestrutura das bases aéreas das Forças Armadas da Ucrânia foi desativada”.

Putin também disse que “os eventos de hoje estão ligados não ao desejo de violar os interesses da Ucrânia e do povo ucraniano, eles estão ligados aos interesses da própria Rússia daqueles que fizeram a Ucrânia refém e tentam usá-la contra nosso país e seu povo”. Esse discurso de “defesa da pátria” é muito usado pelos imperialistas para enganar os povos sobre os verdadeiros objetivos das guerras que promovem.

Logo, não nos enganemos: em que pese as belas frases e notas oficiais do governo russo, ou a hipócrita defesa da liberdade e da paz feita pelos EUA, as populações e nacionalidades não passam de um peão nessa história. São os interesses imperialistas que estão no comando. O que está em curso é uma luta dos grandes tubarões para devorar a Ucrânia.

O que importa nesse conflito para os imperialistas não é a liberdade ou a independência do povo ucraniano, muito menos a “desnazificação” da Ucrânia, como disse Putin, mas o controle das áreas de influência e dos lucros dos monopólios capitalistas.

De um lado, o imperialismo norte-americano e seus aliados europeus são os maiores interessados na guerra, pois lutam para expandir a presença militar da OTAN para leste, se apossar das riquezas de mais um país e minar a influência russa; do outro, está o bloco Rússia/China, cujo objetivo é garantir o controle político, militar e econômico do leste europeu, impedir a entrada da Ucrânia na OTAN e proteger os negócios bilionários dos monopólios do setor de gás e energia.

Família do lado de fora de um prédio destruído na cidade de Chuguiv, no leste da Ucrânia (Foto: AFP)

Guerra injusta

Para convencer as massas da justeza de seus propósitos, os Estados Unidos e a União Europeia puseram em movimento, desde o ano passado, sua gigantesca máquina de mentiras e falsificações, os grandes meios de comunicação burgueses, que “denunciam” 24 horas os planos russos de invasão da Ucrânia e defendem o “direito” da antiga república soviética de se ocidentalizar e tornar-se membro da OTAN. Porém, não possuem nenhuma moral para pregar a paz e a democracia, pois têm as mãos sujas de sangue das centenas de guerras, intervenções militares e golpes reacionários promovidos ao longo da História.

A Rússia, por sua vez, explora de forma oportunista o legítimo sentimento antifascista da maioria do povo ucraniano contra o governo neonazista de Kiev, enganando e confundindo muita gente de que Putin, que tem total apoio da oligarquia russa, é progressista ou até mesmo anti-imperialista, e que trata-se de uma guerra justa da Rússia contra o expansionismo da OTAN.

Não há dúvida de que o imperialismo estadunidense é o principal inimigo dos povos em todo o mundo. Mas isso não pode permitir que fechemos os olhos para o regime reacionário e expansionista encabeçado por Putin. A Rússia hoje não faz parte do eixo da resistência anti-imperialista. Trata-se de mais um país imperialista que tem como objetivo fazer oposição à influência global dos EUA, às vezes se aliando a ele parcialmente, como se evidenciou ao longo do governo Trump.

Moradores de Kiev se abrigam em estação de metrô (Foto: Reuters)

Abaixo o imperialismo

A verdade é que a luta entre as potências imperialistas pelas fontes de matérias-primas e territórios se aprofunda. Como disse Stálin, “esta luta feroz entre os diversos grupos capitalistas é espantosa no sentido de se impor como elemento inevitável das guerras imperialistas, das guerras pela conquista de territórios alheios” (Stálin, “Fundamentos do Leninismo”).

Dessa forma, adotar uma posição anti-imperialista de fato significa ter consciência de que não existe “imperialismo menos pior”, mas que é preciso lutar contra todo e qualquer imperialismo. “A classe operária”, dizia Lênin, “se for consciente, não apoiará nenhum grupo de predadores imperialistas”.

Um revolucionário só permanecerá fiel à classe operária e à revolução se não tiver nenhuma ilusão com a burguesia, se afirmar claramente que, numa guerra imperialista, os dois lados são maus, e que é preciso lutar para derrotar a burguesia em todos os países. O contrário disso é trair o internacionalismo proletário, o marxismo-leninismo e a revolução.

A luta do povo ucraniano é uma só: derrotar o fascismo e qualquer intervenção imperialista em seu país. Os marxista-leninistas devem repudiar e combater toda e qualquer guerra imperialista, exigir a saída imediata das tropas invasoras, o fim das ameaças e sanções econômicas, e uma solução pacífica para a crise na Ucrânia, tendo como base o princípio leninista da autodeterminação dos povos.

Que os trabalhadores ucranianos sejam livres de toda opressão, extorsão, chantagem e violência por parte dos imperialistas! Que nenhuma gota de sangue do povo ucraniano seja derramada para defender os interesses de um ou de outro imperialismo!

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