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quinta-feira, 7 de julho de 2022

Mulheres ocupam prédio no Rio para criar Casa de Referência

Movimento Olga Benario ocupa prédio abandonado no Centro do Rio, hoje (8). Foto: Movimento de Mulheres Olga Benário

No 8 de março, mulheres ocupam prédio abandonado no Centro do RIo. Objetivo é organizar uma nova Casa de Referência para mulheres. É a nona ocupação do tipo realizada pelo Movimento de Mulheres Olga Benário.

Redação Rio

RIO DE JANEIRO – Hoje (8), Dia Internacional da Mulher, nasce a primeira ocupação do Movimento de Mulheres Olga Benario no estado do Rio de Janeiro. A Casa de Referência Almerinda Gama foi ocupada nesta madrugada, em um ato para denunciar a violência contra a mulher.

O imóvel, localizado no centro do Rio, encontrava-se abandonado há 8 anos, sem cumprir função social. Esta ocupação surge 6 anos após a conquista da primeira Casa – Tina Martins, em Belo Horizonte – pelo movimento. A mobilização ocorre no dia que mar a luta histórica das mulheres trabalhadoras de todo mundo na conquista por seus direitos.

A origem do 8 de Março

Apesar de o sistema capitalista tentar cooptar a data, transformando-a em um dia de presentear mulheres, o Movimento Olga Benario defende a luta para lembrar a importância histórica da data. O dia lembra a luta das mulheres de todo o mundo contra a exploração.

Na origem da data está a organização de mulheres trabalhadoras em Nova Iorque, em 1857, que lutaram pelo direito à licença maternidade e à redução da jornada de trabalho e foram mortas em um incêndio na fábrica de roupas em que trabalhavam. Desde então, sempre no 8 de março as mulheres se colocam em luta na defesa dos seus direitos.

A luta em defesa das Casas de Referência

As Casas de Referência surgem em um vácuo deixado nos equipamentos oferecidos pelo Estado às mulheres em situação de vulnerabilidade. No quinto país que mais mata mulheres no mundo, as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAM) existem em apenas 417 dos 5568 municípios brasileiros, sendo os horários de atendimento limitados ao horário comercial, com o trabalho marcadamente desempenhado por policiais homens.

No último dia 05, a Casa Helenira Preta II, em Mauá (SP), foi ilegalmente invadida, numa tentativa de desocupar o imóvel, no qual reside uma mãe com seus cinco filhos. A GCM (Guarda Civil Municipal), vem travando disputa com nossas militantes, sob ordens do prefeito Francisco Marcelo de Oliveira (PT). Nenhuma outra Casa do Movimento de Mulheres Olga Benario no Brasil foi, até o momento, desocupada. 

Segundo o Datafolha, no período entre 2020 e 2021, uma em cada quatro mulheres acima de 16 anos foi vítima de violência no Brasil. Somente em 2020, o país registrou 1.350 casos de feminicídio, sendo a maioria (61,8%) de mulheres negras. O Brasil se destaca como quinto país que mais mata mulheres no mundo, sendo o Rio de Janeiro o segundo estado com maiores números de violência de gênero. Somente o estado do Rio, em 2020, registrou 98 mil casos de violência doméstica e 78 casos de feminicídio, aponta o Dossiê Mulher, Instituto de Segurança Pública do RJ.

Como os números revelam, as políticas existentes de proteção à mulher são muito tímidas frente à dimensão do problema. Quando pressionado, o Estado não se mobiliza frente à luta, tanto em governos de direita quanto de esquerda.

Segundo o Movimento de Mulheres Olga Benario, “o objetivo das Casas não é substituir ou derrubar as ações do Estado, mas sim acolher, acompanhar e encaminhar mulheres que precisam de medidas urgentes. Além disso, o objetivo é organizar estas mulheres para que possam lutar pela libertação de outras mulheres, fazendo crescer o trabalho e as nossas conquistas. Queremos viver, ocupar, resistir e organizar!”

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