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terça-feira, 6 de dezembro de 2022

Casa Tina Martins: 6 anos de luta e resistência

Fachada da Casa de Referência da Mulher Tina Martins. (Foto: reprodução)

Jessica de Castro e Indira XavierCoordenação da Casa Tina Martins

MULHERES – Fundada em 8 de março de 2016, a Casa de Referência da Mulher Tina Martins, em Belo Horizonte (MG), criada e gerida pelo Movimento de Mulheres Olga Benario, completa seis anos de luta e resistência.

A capital mineira, assim como tantos municípios brasileiros, possui serviços insuficientes para acolher, orientar, fortalecer e proteger todas as mulheres em situação de violência e vulnerabilidade. A realidade fica latente quando são colocados em análise os números de violência contra mulheres em Minas Gerais: somente em 2016, a cada dia, 347 mulheres foram vítimas de algum tipo de violência, contabilizando 126.710 casos que foram denunciados nas 853 cidades do Estado, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública. Segundo a mesma fonte, os casos só aumentaram nos anos seguintes: 151.054 em 2019, 145.424 em 2020 (com diminuição no número de denúncias, em relação ao ano anterior, muito provavelmente por uma maior dificuldade de acesso aos órgãos de suporte devido à pandemia), 144.618 em 2021.

Somente no primeiro mês de 2022, já há o registro de 11.389 vítimas oficiais. Além disso, entre 2019 e janeiro de 2022, 1.064 mulheres foram vítimas de feminicídio e/ou de tentativas sem sucesso em Minas Gerais.

A Casa foi a primeira ocupação feminista da América Latina, uma experiência inicial de um modelo para auxiliar mulheres em situação de violência doméstica e social. A primeira ocupação foi realizada no antigo bandejão da Escola de Engenharia da UFMG, onde resistiu por 87 dias, antes de ser transferida para sua atual sede, um imóvel da década de 40 também ocioso a alguns anos antes de ser ressignificado pelo movimento, na rua Paraíba, 641 – Funcionários/BH.

A luta com nome e sobrenome que ganhou a boca e o imaginário de tantas pessoas e que é fruto de muita coletividade, já acolheu/abrigou diretamente mais de 1000 mulheres em seis anos de caminhada, chegando a 4000 pessoas, no mínimo, atendidas indiretamente – sendo elas, em sua grande maioria, trabalhadoras, periféricas, pobres, mulheres negras, sendo essas últimas mais de 60% das acolhidas.

A resistência da Casa Tina Martins é um exemplo vivo da importância do acolhimento e cuidado com as vítimas de violência doméstica e sexual, criando laços de afeto, luta e emancipação para que essas mulheres consigam efetivamente se reerguer e reconquistar seu direito a uma vida digna. Num país em que uma mulher é morta a cada seis horas e as medidas de mitigação e prevenção ao feminicídio tomadas pelo Estado são parcas e insuficientes, a luta da Casa é um exemplo de resistência e militância feminista digno da prosperidade que comemora.

Tina Martins resiste e inspira. Depois dela o Movimento de Mulheres Olga Benario construiu mais oito ocupações: Mulheres Mirabal, em Porto Alegre; Helenira Preta I e II, em Mauá; Carolina Maria de Jesus, Santo André; Laudelina de Campos, São Paulo; Preta Zeferina, Salvador; Soledad Barret, Recife; e Almerinda Gama, Rio de Janeiro .

Isso é a Casa de Referência da Mulher Tina Martins: uma possibilidade. Uma possibilidade de mulheres terem acesso ao direito mais básico: a vida.

Seguimos em luta até que todas sejamos livres. Pelo bom, pelo justo, pelo melhor do mundo!

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