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sexta-feira, 30 de setembro de 2022

A exploração doméstica das mulheres durante a pandemia

O a exploração do trabalho doméstico sempre foi um ponto fundamental da opressão machista no capitalismo. A pandemia acentuou esse processo, com mulheres tendo ficado mais tempo em casa durante parte da crise. Situação aumentou a desigualdade na sociedade capitalista.

Carolina de Mendonça


MOGI DAS CRUZES (SP) – Quando a pandemia de COVID-19 teve início no Brasil, uma parte considerável das famílias brasileiras teve que, pela primeira vez em sua história, se isolar. Com muitas pessoas ficando a maior parte do tempo em casa, aumentou a sobrecarga de trabalho doméstico e de cuidado que já é socialmente tratado como responsabilidade das mulheres, sobretudo das mães.

Quando falamos das tarefas do cuidado, das crianças, dos idosos, doentes, da casa, sabemos que muitas vezes essas tarefas são terceirizadas para outras mulheres, que em sua grande maioria no Brasil, são negras. Estas foram as pessoas que ficaram mais expostas durante a crise sanitária. Uma das primeiras vítimas de COVID-19 no Brasil foi uma empregada doméstica, que contraiu o vírus da patroa, no Rio de Janeiro.

A teoria da reprodução social na pandemia

Para o feminismo marxista a Teoria da Reprodução Social “foca sua análise em como as mulheres não só são exploradas diretamente no mercado de trabalho, mas também com todo trabalho não remunerado e desvalorizado que elas realizam dentro de suas casas, o que é essencial para que o sistema econômico continue existindo.”

Para Marx, a Força de Trabalho é uma mercadoria especial que o trabalhador vende ao capitalista em troca de salário. O salário é o valor mínimo para que o trabalhador sobreviva e volte a trabalhar no dia seguinte e a mais-valia, o trabalho não pago pelo capitalista, que já garante por si só, um lucro imenso ao capitalista.

A teoria marxista defende que o capitalismo é também a origem da opressão de gênero. Não que o sistema capitalista tenha criado a opressão de gênero, mas ela se apropria e amplia este processo, estabelecendo novos padrões de sexismo. A Teoria da Reprodução Social coloca luz sobre isso, uma vez que esse sistema se apropria do trabalho das mulheres e lucra com ele, sem pagar nada. Isso é essencial para a dinâmica do Capital.

Um ponto fundamental é que esta teoria compreende que a emancipação das mulheres só se dará de fato com o fim do capitalismo, pois tanto o racismo, quanto o machismo, são elementos de sustentação do sistema.

A Teoria da Reprodução Social já tem apontado a essencialidade do trabalho do cuidado para nossa existência mesmo antes deste período de crise sanitária, em que trabalhos relegados a um segundo plano como a enfermagem, a limpeza, por exemplo, passam a ser considerados serviços essenciais.

A pandemia chegou no Brasil, acentuando ainda mais as desigualdades enfrentadas pela classe trabalhadora, escancarou o que já sabemos, não estamos todos no mesmo barco. Sendo este sistema ainda machista e racista, a pandemia também se reflete desta maneira, deixando sobretudo as mulheres negras em situação maior de vulnerabilidade. E para a imensa maioria das mulheres brasileiras, faltou o direito ao isolamento, houve uma sobrecarga de tarefas imensa e extenuante, e segue faltando casa, renda e comida.

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