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quarta-feira, 28 de setembro de 2022

Moradores denunciam falta d’água e saneamento no Lagomar, em Macaé (RJ)

A população convive com pontos de esgoto transbordando por falta de manutenção da BRK Ambiental e com a estação de tratamento de efluentes (ETE), para onde o esgoto do Lagomar seria direcionado, sem o devido funcionamento, impactando o serviço de esgotamento sanitária da comunidade.

Joyce Melo
Macaé (RJ)


LUTA POPULAR – O Lagomar é o maior bairro da cidade de Macaé, no Norte Fluminense, com mais de 35 mil habitantes. Diariamente, seus moradores sentem o impacto da falta de políticas públicas efetivas para o povo.

O bairro teve um rápido crescimento ao longo dos anos, principalmente a partir da década de 1970, quando a Petrobrás se instala no município atraindo muitos moradores de outros locais sob a promessa de oportunidade de emprego. A partir disso, o Lagomar passa a crescer sem planejamento urbano e o povo fica à mercê de moradias sem estrutura de saneamento básico.  

A população até hoje convive com pontos de esgoto transbordando por falta de manutenção da BRK Ambiental e com a estação de tratamento de efluentes (ETE), para onde o esgoto do Lagomar seria direcionado, sem o devido funcionamento, impactando o serviço de esgotamento das caixas centrais instaladas.

Não é de hoje que as empresas não cumprem suas obrigações. Ainda em 2012, a Prefeitura de Macaé assinou um contrato de 35 anos com a BRK Ambiental. As obras de saneamento previstas neste contrato se iniciaram na parte Sul da cidade, onde estão os pontos turísticos e os moradores mais ricos, e apenas uma pequena parte do Lagomar, que não chega a ser 10% em toda a sua extensão, foi atendida pela empresa. 

Povo segue abandonado pela Prefeitura

Em 2019, quando o atual prefeito Welberth Rezende (Cidadania) era ainda deputado, setores do governo fizeram a promessa de puxar uma reunião pública com a população do bairro para debater e sanar o problema da água e do saneamento que já persiste há muito tempo.

No mesmo ano, durante uma tribuna cidadã, moradores do bairro ocuparam o plenário da Câmara de Macaé para cobrar tratamento de água e esgoto. 

Em 2022, o problema continua o mesmo de décadas atrás. A reunião popular prometida nunca aconteceu e o poder público não tomou providências, mesmo após a tribuna cidadã. Não há fiscalização das empresas que prestam serviço de saneamento e abastecimento de água e o povo segue abandonado. 

Roselene Araújo, moradora do Lagomar há mais de 20 anos, está indignada com a situação: “Moro no Lagomar e aqui estamos sem água e sem iluminação pública. Além de não ter água, a luz é assim: é um poste com luz… três, quatro sem luz. A gente de noite não pode sair de casa vindo do trabalho ou indo de madrugada trabalhar porque é uma escuridão. É muito difícil. E todo mês vem marcando na conta de luz a taxa de iluminação pública. Eu acho isso um abuso da parte desses políticos”.

Essa indignação é comum entre os moradores. Lúcia Fernandes, moradora do Lagomar há 4 anos, relata que desde que chegou no bairro vem sofrendo com a falta de água e precisa comprar galões quase diariamente. “Não tem água e quando tem vem suja e com cheiro ruim. Dá até vergonha de receber convidados aqui em casa”, afirma. 

MLB atua no Lagomar denunciando a falta de água e saneamento básico e ouvindo os moradores (Foto: MLB/RJ)

Água contaminada

Os moradores do Lagomar se sentem esquecidos pelas autoridades e não têm seus direitos garantidos. Para piorar, em parte do bairro a água ofertada é imprópria para consumo. 

A pesquisa intitulada “Avaliação da contaminação da água subterrânea de poços escavados em residências no bairro Lagomar, município de Macaé/RJ”, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia fluminense (IFF), demonstrou que a água captada em poços artesianos no bairro é imprópria para uso. 

A maior parte das amostras coletadas estava fora dos padrões de potabilidade quanto ao quesito microbiológico e químico previsto na legislação. Foram feitas análises de 36 amostras em 12 pontos de coleta de água, que resultaram na presença de E.coli ou fosfato na água. 

Vale lembrar que passamos por dois anos de pandemia e isolamento social e que a transmissão de covid-19 não acabou. Frente à crise sanitária, a higienização é uma aliada no combate à disseminação do vírus. Sem abastecimento de água, o povo enfrenta maiores riscos de contaminação.

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