UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

terça-feira, 28 de junho de 2022

Direção coletiva, controle e crítica: três armas para evitar fracassos e combater a estagnação

O método coletivo de direção é o único método de direção que permite seriamente a aplicação consistente da crítica e da autocrítica, que deve ter como finalidade descobrir e eliminar os erros e as nossas fraquezas.

Elena Ódena
Fundadora do Partido Comunista da Espanha (marxista-leninista)
Tradução: Igor Barradas (RJ)


TEORIA MARXISTA A direção coletiva sempre foi um princípio essencial em nosso Partido para lidar com todos os tipos de problemas e dificuldades, bem como para garantir a aplicação justa de nossos princípios e da política do Partido em todos os momentos.

A falta de uma direção coletiva genuína, bem como a ausência de controle e da prática da crítica e da autocrítica possibilitam toda uma série de falhas e deficiências, geralmente difíceis de detectar quando não há uma visão coletiva dos problemas, tarefas e situações específicas. Da mesma forma, a vida dos comitês de direção é enfraquecida, tendo chegado em alguns casos extremos à virtual extinção de alguns comitês por falta do “oxigênio” que é a vida e o controle coletivo.

Mas a direção coletiva não significa de forma alguma que “todos têm que fazer tudo”, mas que todos (o comitê ou o grupo dirigente em qualquer nível!) devem estar atentos e interessados no conjunto de tarefas e abordagens em cada momento, e que a situação e o andamento das diferentes tarefas devem ser revistos coletivamente, sem que nenhuma delas constitua um “reservatório fechado” para ninguém.

O método coletivo de direção é também o único método de gestão que permite seriamente a aplicação consistente da crítica e da autocrítica, que deve ter como finalidade descobrir e eliminar os erros e as nossas fraquezas. É também o método para criar hábitos de liderança, análise e síntese em quadros e militantes. O sucesso no cumprimento das tarefas está geralmente ligado ao controle e desenvolvimento da crítica e da autocrítica, enquanto a estagnação e burocratização da vida do Partido à ausência de direção e controle coletivo e da prática da crítica e da autocrítica. Por outro lado, a gestão coletiva e a prática da crítica e da autocrítica são a única garantia de que o controle de cima se conjuga com o controle de baixo, que também é um dos fatores importantes no trabalho de gestão em todos os níveis. Devemos descartar a ideia de que o controle só é possível de cima, quando os dirigentes controlam os dirigidos.

Embora seja verdade que o controle de cima seja necessário, não é menos verdade que haja outro tipo de controle, de baixo, quando os mesmos militantes controlam os dirigentes, apontando erros e indicando a forma de corrigi-los. A combinação de ambos tipos de controle é uma das formas mais eficazes de assegurar o avanço do Partido e garantir o funcionamento coletivo da direção.

Por outro lado, e para garantir a crítica e a autocrítica, é necessário combater qualquer tentativa de travar ou dificultar a sua implementação e evitar qualquer tipo de discriminação contra quem formula a crítica construtiva. A este respeito, o camarada Stálin disse que “perseguir a crítica e a autocrítica significa liquidar todo o espírito de iniciativa na organização do Partido e estabelecer na vida da organização os hábitos anti-partidários dos burocratas, dos inimigos jurados do Partido”.

Somente por meio da direção e do controle coletivo de baixo para cima e de cima para baixo é possível conhecer os companheiros e ter uma ideia concreta de suas características e de como eles agem em diferentes tarefas e situações. Não basta ter uma linha correta; é essencial pô-la em prática para destacar quadros idôneos, responsáveis e capazes para as diferentes tarefas e dispostos a defender essa linha e cumprir as tarefas que lhes são confiadas.

Somente a direção coletiva, o controle, a crítica e a autocrítica permitem descobrir prontamente falhas e mal-entendidos ou deficiências de qualquer natureza, ver as questões que não são compreendidas ou que não são claras e voltar a elas discutindo-as e explicando-as repetidas vezes até que estejam claras.

Somente a direção coletiva permite também o estudo e a discussão coletiva do jornal Vanguardia Obrera [Vanguarda Operária] e de outros textos centrais do Partido, controlando assim sua compreensão e assimilação.

Um aspecto igualmente importante da direção coletiva é que ela permite que o controle seja exercido corretamente e não de forma pessoal, arbitrária ou burocrática. Já no Relatório do Comitê Central ao Congresso do Partido se dizia a esse respeito:

Quando, ao realizar um controle das tarefas, há contradições entre certos camaradas ou organizações, a atitude correta é, antes de tudo, fazer um esforço coletivo para tentar resolver essas contradições, erros ou falhas, buscar suas causas e as medidas para solucioná-los.” (Documento do 2º Congresso do Partido, pág. 98)

A liderança e o controle coletivo permitem exercer a vigilância revolucionária coletiva e também conhecer e prestar atenção ao estado de espírito e aos problemas dos vários camaradas, o que permite agir, intervir a tempo, quando alguns sintomas de cansaço, mal entendimento ou qualquer outro problema pessoal que às vezes afeta a vida do militante dificulta seu trabalho.

De todo o exposto, pode-se deduzir: 1) o fortalecimento da vida coletiva, 2) aplicação correta do controle e 3) a crítica e a autocrítica são medidas essenciais para acelerar o processo de superação dos fracassos, superficialidades, ativismo e indisciplina que se manifestaram em algumas organizações do Partido.

*Publicado no nº 245 do jornal Vanguardia Obrera, em 28 de julho de 1978.

Outros Artigos

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Matérias recentes