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sábado, 10 de dezembro de 2022

Não permita que manipulem a sua fé

Em troca de favores e de apoio político, lideranças evangélicas estão fazendo de tudo para manter Bolsonaro no poder, inclusive manipular a fé dos fiéis membros de suas congregações.

Núcleo do MLC UFRJ
Rio de Janeiro


OPINIÃO – O Brasil é um Estado Democrático de Direito e não possui religião oficial. É o que chamamos de Estado laico e, portanto, qualquer iniciativa por parte de determinado grupo religioso que busque impor sua religião a todo o país é extremista e ditatorial. Tal ação nada tem a ver com “conservadorismo” ou “tradicionalismo”, pois ambos os termos definem um posicionamento de defesa de doutrinas próprias sem necessariamente a intenção de dominar ou destruir outros grupos.

O que ocorre com o movimento ao qual chamamos de “bolsonarismo”, que se apropria da religião cristã (principalmente a evangélica) como ferramenta de ataque a outros grupos e minorias, é um tipo de extremismo que se assemelha ao fascismo, movimento de extrema-direita radical que usa a violência, o discurso de ódio e a eliminação dos diferentes como armas de conquista do poder. Os nazistas na Alemanha, nas décadas de 1930 e 1940, por exemplo, usaram dessas estratégias para perseguir e eliminar milhões de judeus em função de sua fé e origem. Muitos nazistas se diziam cristãos. E Jesus Cristo era judeu.

Por conseguinte, a contradição de tal posicionamento em relação ao evangelho de Cristo é gritante. Jesus ensinava o amor, que pressupõe o perdão ilimitado, o cuidado e a caridade. Ele acolhia os diferentes. Jamais ensinou que a violência em qualquer de suas formas fosse uma atitude correta para um de seus seguidores. Ao contrário, repreendia aquele que a praticava (como no texto de João 18:11). Jesus jamais diria, como é comum entre bolsonaristas, que “bandidos merecem ser assassinados” ou que “homossexuais devem ser humilhados”.

É importante ressaltar que há no Congresso Nacional a chamada “bancada evangélica”, formada por parlamentares que, em sua maioria, são dessa orientação religiosa. Tal grupo busca costurar acordos – muitas vezes escusos – com o governo para conseguir vantagens para suas instituições religiosas e, frequentemente, sem qualquer relação com a fé cristã. Em muitos casos, os indivíduos dessa bancada advogam em causa própria, o que pode ser comprovado pelo patrimônio pessoal de muitos deles.

Deste modo, fica muito clara a natureza da ligação destas lideranças evangélicas com o governo de Bolsonaro: em troca de favores e de apoio político, esses líderes farão de tudo para mantê-lo no poder, inclusive manipular a fé dos fiéis membros de suas congregações.

A manipulação se dá através de muitas mentiras – que são livremente compartilhadas até nas mídias internas de igrejas e grupos religiosos – e, principalmente, da propagação do medo e da distorção de fatos sobre a esquerda e sobre pessoas e candidatos. Citam ameaças ao Evangelho ou às instituições, fechamento de igrejas, implementação de medidas tidas como antibíblicas, mas sem a menor comprovação e nenhuma base na realidade.

Tudo isso se transforma num verdadeiro voto de cabresto (ou “voto de cajado”, como alguns chamam). Muitos pastores usurpam a função de Deus e parecem decidir quem vai para o céu ou para o inferno em função de seu voto nas próximas eleições, atitudes de um verdadeiro anticristo.

Por fim, considerando o Evangelho de Jesus e pensando nas eleições presidenciais, o voto será mais alinhado com a visão cristã se for direcionado para aquele candidato que mais se preocupa com os pobres e que respeita as diferenças, como Jesus o fez: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para pregar boas-novas aos pobres. Ele me enviou para proclamar liberdade aos presos e recuperação da vista aos cegos, para libertar os oprimidos e proclamar o ano da graça do Senhor” (Lucas 4:18-19 NVI).

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