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sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

No retorno às aulas presenciais, estudantes encontram universidades sucateadas por todo o país

Durante o período em que as universidades ficaram fechadas, Bolsonaro aproveitou para acelerar o processo de desmonte do ensino superior público no país. Segundo a Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais do Ensino Superior (Andifes), em dois anos, o orçamento das universidades perdeu mais de 1,4 bilhão de reais.

Luiz Fonseca
Minas Gerais


JUVENTUDE – As universidades públicas brasileiras foram as últimas instituições de ensino a realizarem o retorno presencial na pandemia. Muitas, inclusive, iniciaram seus primeiros semestres completamente presenciais somente no mês passado.

Durante o período em que as universidades ficaram fechadas, Bolsonaro aproveitou para acelerar o processo de desmonte do ensino superior público no país. Nesse período, segundo a Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais do Ensino Superior (Andifes), o orçamento das universidades sofreu duros cortes. Em 2021, foram mais de 1 bilhão de reais a menos, enquanto este ano 440 milhões já deixaram de ser repassados. Essa política de cortes vem se aprofundando desde 2015. Hoje, o orçamento disponível para o setor é de apenas 4,4 bilhões, muito inferior aos 12 bilhões que existiam em 2011.

Todos esses cortes têm sufocado as universidades, impedido seu pleno funcionamento e precarizado as condições de ensino e permanência de milhões de alunos. Enquanto as universidades estavam fechadas e funcionando remotamente, a diminuição do orçamento não foi sentida diretamente pelos estudantes, e as próprias instituições de ensino conseguiram manter seu funcionamento reduzindo alguns gastos.

Porém, com o retorno 100% presencial, estudantes, professores, técnicos administrativos e trabalhadores terceirizados têm encontrado um cenário de terra arrasada dentro das universidades. Em vários estados, reitorias desligam as luzes antes do final do horário de aula para economizar, os valores cobrados nos restaurantes universitários sobem, bolsas de permanência, pesquisa e extensão são cortadas e problemas na infraestrutura de prédios e salas de aula se agravam.

Universidades sob risco de fechar

Na UFRJ, a maior universidade federal do país, alunos da Escola de Belas Artes tiveram as aulas suspensas, no último dia 14/09, devido à falta de água, luz e de lixo espalhado pelo prédio. Segundo o DCE, nos últimos sete anos, a UFRJ viu as verbas que recebe do governo federal caírem pela metade. “De 2018 pra cá, três prédios dentro da universidade pegaram fogo por falta de manutenção: o Museu Nacional, o prédio da Reitoria e, mais recentemente, o Hospital Universitário”, denuncia Lucas Peruzzi, coordenador do DCE Mário Prata e militante do Movimento Correnteza. “No ano passado, a Reitoria havia anunciado a possibilidade de fechamento da universidade por falta de verbas. Não fosse a manifestação que o DCE e os centros acadêmicos organizaram com milhares de estudantes, isso teria acontecido. Agora, mais uma vez, o orçamento atual assegura o funcionamento da UFRJ somente até outubro”, afirma.

Em Minas Gerais, as universidades federais de Juiz de Fora (UFJF), Alfenas (UNIFAL), Ouro Preto (UFOP), Lavras (UFLA) e Viçosa (UFV) também enfrentam problemas semelhantes. Na UFJF, metade das bolsas de permanência oferecidas foi cortada para novos alunos e a Reitoria afirma só ter recursos para funcionar até dezembro. Na UNIFAL, bolsas acadêmicas e de assistência estudantil já foram reduzidas, bem como a compra de insumos para aulas práticas. Na UFLA, 25% dos trabalhadores terceirizados da limpeza, manutenção e segurança foram demitidos por falta de verbas, enquanto na UFOP e UFV os restaurantes universitários aumentaram de preço.

Na UFMG, as luzes do campus Pampulha são desligadas antes do final das aulas para fazer economia, prejudicando o andamento de aulas e pesquisas e colocando em risco a segurança de toda a comunidade acadêmica. “Não existem mais bolsas de pesquisa para projetos ligados a ciências humanas, além de que o transporte dentro do campus reduziu de horário fazendo com que muitos estudantes se atrasem para as aulas ou tenham que ficar o dia inteiro na universidade”, critica João Márcio Dias, militante do Correnteza na UFMG.

Ensino prejudicado

No Rio Grande do Sul, a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre comunicou que não tem condições de utilizar um novo prédio construído para ampliação das aulas por falta de recursos. Na UFRGS, o retorno presencial ainda não aconteceu plenamente em decorrência de problemas de infraestrutura. “Falta álcool gel, trabalhadores responsáveis pela limpeza dos prédios e segurança para o retorno efetivo das aulas. Por isso, muitos professores continuam dando aulas online”, afirma Sarah Domingues, diretora da UNE e militante do Correnteza na universidade.

No nordeste, a situação não é diferente. Na Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), alunos reclamam da precarização das condições de estudo. “Após o retorno presencial, encontramos a universidade esvaziada. O corte nas bolsas de permanência fizeram aumentar a evasão dos estudantes, o bandejão pirou muito e tentaram cortar até o ônibus intercampi no turno noite, mas não deixamos”, explica Felipe Oliveira, diretor do Diretório Central dos Estudantes.

Sem verbas para contratar segurança e comprar materiais necessários às aulas práticas, a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) também enfrenta dificuldades. “A falta de estrutura foi perceptível na volta às aulas presenciais. Quando voltamos, o RU ainda estava fechado e muitos bebedouros estavam interditados”, afirma Alberes Fabrício, estudante de Biblioteconomia e militante da UJR.

Bolsonaro é inimigo da educação

A verdade é que Bolsonaro tem ódio das universidades, de seus professores, servidores e estudantes, pois encontra neles forte oposição a todos os ataques que seu governo promove contra a educação pública.

Se pudesse, o ex-capitão faria o que nem a ditadura militar conseguiu fazer, ou seja, privatizar as universidades e entregá-las aos tubarões do ensino pago. Ele se aproveitou da pandemia para “passar a boiada” de medidas contra a educação, a ciência e a cultura.

Mas, a cada ataque desse fascista contra os direitos e o futuro da juventude, nós temos respondido com luta. Foi assim em 2019, com os Tsunamis da Educação, e em 2020 e 2021, com as manifestações pelo Fora Bolsonaro. Este ano, seguimos mobilizados para derrotar Bolsonaro nas urnas e o fascismo nas ruas, pois ambos são faces da mesma moeda que tem como objetivo enriquecer a burguesia às custas da vida da juventude e do povo brasileiro.

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