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terça-feira, 7 de fevereiro de 2023

As ocupações do Movimento de Mulheres Olga Benario: exemplos de organização popular

O movimento realiza ocupações de mulheres no Brasil todo para denunciar os altos índices de violência contra as mulheres: no ano de 2022, o número de feminicídios atingiu maior taxa dos últimos anos, com cerca de 4 vítimas por dia.

Movimento de Mulheres Olga Benario


SÃO PAULO – Esta é a situação de diversas mulheres que procuram ajuda nas casas do Movimento Olga Benario: mulheres em situação de violência que já tentaram ajuda em outros serviços mas que não tiveram sucesso.

“Me passaram seu contato, eu estou agora na delegacia da Mulher com uma vítima recorrente de violência doméstica. Ela estava em situação de rua e precisa de um abrigo longe”.

Este foi o relato de um dos pedidos de ajuda que chegou através de nossas redes, de uma mulher em situação de cárcere privado que tentou ajuda de várias instituições e que após a ajuda prestada em uma das casas do Movimento de Mulheres Olga Benario e de uma ação conjunta da rede de serviços públicos, a polícia foi realizar a busca na casa do agressor e garantiu que ela estivesse a salvo.

Muitas das vítimas poderiam estar vivas, mas infelizmente, as políticas públicas de enfrentamento da violência contra as mulheres têm sofrido cortes de verbas e estão sendo sucateadas. Em uma das suas últimas canetadas, Bolsonaro cortou 94% do orçamento destas políticas, corte que ameaça à extinção do disque 180, canal específico ao atendimento das mulheres.

Diante deste cenário, o Movimento Olga Benario constrói as ocupações em imóveis abandonados e sem cumprir função social há anos, para reivindicar políticas públicas e para a construção de casas que atendem mulheres em situação de violência, organizando profissionais voluntárias como advogadas, psicólogas e assistentes sociais, que realizam um atendimento humanizado e individualizado, “quando eu atendia no serviço público eu tinha 30 min ou menos para fazer um atendimento. Agora, na Laudelina é outra coisa, podemos ficar com a pessoa 2 horas conversando, é outra qualidade, outro tipo de acolhimento mil vezes mais humanizado e completo”, conforme relata uma das técnicas das casas.

REATAURAÇÃO. Casa Laudelina é exemplo de como o movimento transforma imóveis abandonados em locais de acolhimento e luta (Foto: Reprodução/ Olga Benario).

As casas são também exemplos de organização popular, onde as mulheres que já sofreram violência podem se organizar para apoiar outras mulheres, conforme o exemplo de uma das atendidas da casa que relata: “Eu me redescobri como uma guerreira e valente que sempre fui. Eu estava desanimada, triste e sofrida, mas a turma do Olga Benario me levantou e agora ninguém mais me segura. Nada mais me acorrenta, nada mais me oprime, eu sou livre, sou forte e vou encorajar outras guerreiras a serem fortes também”.

São realizados cursos, estudos coletivos, rodas de conversa, palestras, atividades para promoção da cultura popular e cursos para geração de renda, além de assembleias populares para debater a luta das mulheres nos locais onde as casas são inseridas.

São 13 casas espalhadas pelo Brasil e 3 delas ficam no estado de São Paulo, a Casa de Referência para Mulheres Helenira Preta I, a Casa de Referência Laudelina de Campos Melo e a Casa Carolina Maria de Jesus. E no ano de 2022, o Movimento expandiu seus atendimentos à região metropolitana de Campinas, com a formação da Rede de Apoio Maria Lucia Petit.

Para manter o funcionamento das casas de forma independente, é necessário garantir sua autossustentação. Os atendimentos têm custos com as passagens para que as mulheres possam chegar até as casas e outros serviços que necessitam, muitas mulheres chegam às casas com fome, muitas chegam com seus filhos pequenos que precisam de comida, leite e fralda!

Além disso, as próprias contas fixas, como luz, água, internet e produtos de limpeza e de higiene pessoal. As casas também precisam ser divulgadas para que mais mulheres saibam que existem espaços onde podem procurar ajuda! Assim, há gastos com panfletos e materiais de agitação e propaganda.

Todo esse trabalho é construído através de atividades para angariar finanças, como almoços, festas, saraus, venda de camisetas, rifas, cadernos.

Mas a principal forma de arrecadação é através do apoio de quem entende que a luta contra a violência contra as mulheres é uma luta urgente! Atualmente, as casas e rede de São Paulo conta com o financiamento coletivo através do apoia.se que pode ser acessado pelo link apoia.se/pelavidadasmulheres e todos podem contribuir com essa luta sendo um doador mensal a partir de 10 reais.

É fundamental entender que a luta de enfrentamento da violência contra as mulheres é uma luta de toda a sociedade, afinal, construir uma sociedade melhor para as mulheres é construir uma sociedade melhor para todos! Não devem haver defensivas para pedir o apoio para uma causa tão nobre como salvar a vida das mulheres e esta tarefa não pode esperar, as mulheres estão morrendo HOJE!

Divulgar as políticas de finanças das casas do Movimento de Mulheres Olga Benario é divulgar o trabalho revolucionário do movimento, com um exemplo concreto de que o trabalho coletivo e organizado pode transformar essa realidade de violência para as mulheres todos os dias, convencendo mais trabalhadoras, estudantes e mães à ingressar nas fileiras do movimento e aumentar as nossas forças para a construção de uma sociedade socialista!

Confira a luta das casas do Movimento de Mulheres Olga Benario em São Paulo, no ano de 2022: https://bit.ly/Olga2022

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