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domingo, 14 de abril de 2024

Empresários aumentam a tarifa e precarizam transporte público

Igor Barradas | Rio de Janeiro (RJ)

Nas últimas semanas, várias cidades tiveram um reajuste no valor da tarifa do transporte público. No Rio de Janeiro, a passagem dos trens aumentará a partir de fevereiro, passando de R$7,00 para R$ 7,40. Já as passagens de ônibus, BRT e VLT da capital fluminense passarão a custar R$ 4,30.

Não bastasse a precariedade de outros serviços públicos, como escolas, universidades e hospitais, os transportes estão ficando cada vez mais caros. Esses aumentos no valor da passagem levam muitas pessoas a trocarem o transporte público por longas caminhadas, dificultam a busca por emprego e diminuem a renda das famílias trabalhadoras.

“O trem estava tão lotado que esmagou a minha marmita”

Para Rosângela de Souza Silva, 59 anos, que trabalha como faxineira e mora em Queimados, “esse aumento da passagem dos trens é um absurdo. Olha os trens como é que estão: uma porcaria. A gente passa um sufoco danado pra poder pegar o trem. Eu tô achando um absurdo. Ele é muito lotado”. Segundo ela, usar transporte público no Rio de Janeiro é um desafio. “Hoje mesmo, o trem estava tão lotado que a minha marmita ficou amassada. Nem consegui almoçar, não tive condições de comer a comida que levei de casa. Esse dinheiro, que agora vai pra pagar a passagem, vai me fazer muita falta. Eu ganho pouco. Já pensou? Ida e volta todo dia? Vai me fazer muita falta e atrapalhar muito o meu orçamento”, reclama.

Ouvimos a mesma reclamação da auxiliar de limpeza Mônica Pinto Muniz, 43 anos, moradora de Belford Roxo. “O trem não é bom. A situação não é boa. Eles estão superlotados, sempre estão atrasados. E o ramal que pego, de Belford Roxo, é terrível. Esse aumento atrapalha muito as contas do final do mês. Eu pego um trem e depois uma van. Então atrapalha muito, porque tem uma passagem que meu chefe não dá e eu tenho que tirar do meu próprio bolso”, disse.

Sucateamento e lucro acima da vida

Tarifas altas e mau serviço no transporte público privatizado não são exclusividades do Rio de Janeiro. Em Caxias do Sul (RS), a passagem é a mais cara do país (R$ 6,10 no dinheiro e R$ 4,90 no cartão). Em algumas linhas esse valor pode chegar a mais de R$ 7,00. Caso uma pessoa utilize o ônibus durante seis dias na semana, ida e volta, gastará, em média, R$ 264,00. Desse modo, quem ganha um salário mínimo em Caxias do Sul gastará 20% de seu salário apenas com transporte.

Houve também aumento nas tarifas de ônibus em ao menos dez cidades da Grande São Paulo. Os moradores de Barueri, Osasco, Carapicuíba, Cotia, Diadema, Itapevi, Guarulhos, Santo André, São Bernardo e São Caetano do Sul passaram a pagar mais caro por ônibus que atrasam, estão sempre lotados e quebram no caminho.

Estatização de todo o sistema de transporte sob controle dos trabalhadores

Não há dúvidas, portanto, que a burguesia brasileira edifica toda a sua riqueza sobre o suor de quem trabalha, assim como está escrito nos versos da canção “A Internacional”, composta por Eugène Pottier, um trabalhador do setor de transportes e membro da Comuna de Paris (1871).

É preciso que os trabalhadores tomem controle sobre o sistema de transportes através de uma revolução social. Somente desta forma será encerrada a farra desumana dos ricos, que aumentam as tarifas dos transportes, enquanto a maioria dos cidadãos passa fome.

O socialismo trará aos pobres e oprimidos o verdadeiro acesso às cidades, com transportes de qualidade para os usuários, o fim da superlotação nos ônibus e trens e mais linhas nos bairros pobres.

Matéria publicada na edição nº 264 do Jornal A Verdade

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