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sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

Genocídio Yanomami: governo Bolsonaro ignorou 21 pedidos de socorro

Ao menos 570 crianças Yanomami morreram durante os quatro anos do governo Bolsonaro. Nesse período, foram registraram 21 pedidos de ajuda ao Governo Federal, Ministério Público Federal, Funai e Exército, relatando um cotidiano de terror promovido por garimpeiros e madeireiros nas terras indígenas. Nenhum pedido foi atendido.

Raul Bittencourt | Rio de Janeiro


BRASIL – A tragédia que caiu sobre os Yanomamis em Roraima, cujas imagens remetem aos horrores dos campos de concentração nazistas, é consequência do comportamento criminoso do governo Bolsonaro, que desmontou a proteção das terras indígenas para agradar seus apoiadores e abrir caminho para o agronegócio e o garimpo ilegal.

Informações dão conta de que cerca de 570 crianças Yanomami menores de 5 anos morreram durante os quatro anos do governo do ex-capitão. A imensa maioria delas de doenças para as quais tem tratamento, mas que fora negado acesso pelo governo1.

De acordo com levantamento feito em agosto pelo The Intercept Brasil, os povos Yanomami registraram 21 pedidos de ajuda públicos ao Governo Federal, Ministério Público Federal, Funai e Exército. Todos foram ignorados. Nesses pedidos de ajuda, os Yanomami relatavam um verdadeiro cotidiano de terror.

O Portal Sumaúma alerta, que por mais horríveis que sejam os números, eles podem ser menores do que a realidade, em face do apagão de dados estatísticos imposto pelo governo fascista. Nesse sentido, segundo reportagem do site Pública, de 2019, cerca de 15 mil garimpeiros invadiram a terra indígena Yanomami, habitada por uma população de 27 mil pessoas,2 valendo-se de ameaças e armas cuja compra foi facilitada por Bolsonaro.

As condições de vida dos povos indígenas guardam relação direita com o meio ambiente do local onde residem, e o processo de identificação, demarcação e formalização de terras indígenas é essencial para sua subsistência. Entretanto, apesar do direito às suas terras ancestrais ser garantido pela Constituição, sua efetividade enfrenta ameaças concretas, em especial pela constante invasão destes territórios pelo agronegócio, madeireiras e garimpos clandestinos.

O garimpo, aliás, tem impacto especialmente cruel na vida dos Yanomami através da derruba da floresta, expulsando animais, destruindo roças e envenenando cursos d’água com mercúrio, metal extremamente tóxico utilizado na separação do ouro do cascalho sem valor comercial. Essas atividades criminosas contavam com a conivência de autoridades federais que tinham o dever legal de combatê-las.

O ex-presidente Bolsonaro por diversas vezes prometeu não demarcar “um centímetro quadrado” de territórios indígenas e quilombolas, tendo atuado para esvaziar as estruturas de fiscalização e nomeado generais e outros apoiadores em posições de mando, dando a prometida “foiçada no pescoço da Funai” e nos órgãos ambientais, o que facilitou “a passagem da boiada”, nas palavras do ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

Segundo o Observatório da Mineração, “em 2021 o garimpo registrou a maior expansão em 36 anos, devorando 15 mil hectares num único ano. Em cinco anos, de 2017 a 2021, novas áreas de garimpo atingiram 59 mil hectares, superando todo o espaço tomado pela atividade garimpeira até o fim da década de 80”3. Ou seja, não foi um infortúnio, mas sim uma política de governo, leniente com o crime, que provocou esse genocídio.

Nesse cenário de conivência do poder público, o morticínio de lideranças indígenas se tornou fato corriqueiro, ainda que pouco noticiado. Furando a bolha da mídia, os assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips, na região amazônica do Vale do Javari, segunda maior terra indígena do país, expuseram a ponta do iceberg destes esquemas criminosos. As armas, cuja compra foi facilitada para os CAC’s por Bolsonaro, são usadas para silenciar os defensores das florestas e povos originários.

Não por acaso Bolsonaro, que se gaba ter sido garimpeiro enquanto ainda estava no Exército, e seus generais contavam com expressivo apoio entre esses grupos criminosos, havendo indícios de que eles ajudaram no financiamento dos atos antidemocráticos e golpistas4. As atividades de madeireiros e garimpeiros clandestinos consistem em roubo das riquezas nacionais, que são contrabandeadas para o exterior, enchendo o bolso de criminosos daqui e de lá, às custas do massacre dos povos indígenas e da destruição ambiental. Enquanto isso, os homens de farda, que afirmam defender o Brasil, estavam mais preocupados em usufruir das mordomias decorrentes dos mais de 8 mil cargos públicos civis que ocuparam nos últimos quatro anos.

É urgente a investigação sobre as responsabilidades, seja por ação ou omissão, de autoridades do governo federal que deixaram crianças morrer de fome, doença e violência, de forma a viabilizar o saque às nossas riquezas naturais. Para os líderes criminosos, de terno ou farda, devemos afirmar “sem anistia para Bolsonaro, sua família e aliados”.

1https://sumauma.com/nao-estamos-conseguindo-contar-os-corpos/

2https://apublica.org/2019/08/dario-kopenawa-sao-20-mil-garimpeiros-explorando-a-nossa-casa/

3https://observatoriodamineracao.com.br/bolsonaro-cumpre-promessa-e-garimpo-em-terras-indigenas-cresce-632-em-uma-decada/

4https://www.cut.org.br/noticias/garimpeiro-e-preso-com-r-150-mil-e-roupas-com-slogan-deus-patria-e-familia-dbce

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