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sexta-feira, 1 de março de 2024

Famílias se manifestam na sede da Cemig em BH

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Cerca de 100 famílias representantes de 10 comunidades, realizaram ato contra a ameaça de despejo, na manhã dessa quarta, 03-05 em Belo Horizonte. As famílias que estão a décadas morando em vilas da capital, clamam por socorro e podem perder suas casas sem terem nenhuma alternativa.

Edinho Vieira* – Belo Horizonte

LUTA POPULAR – Na manhã desta quarta feira, 03 de maio, cerca de 100 famílias, realizaram uma manifestação na porta da sede da CEMIG – Companhia Energética de Minas Gerais, contra a ameaça iminente de despejo de dez comunidades que estão em áreas de servidão. As comunidades são: Vila Bernadete, Vila Pinho, Vila Cemig, Alto das Antenas, Morro das pedras, Vila Ecológica, Vila Independência, Montes Claros, Conjunto Paulo VI e Morro do Papagaio que buscam por uma negociação justa, já que as famílias foram morar a décadas nessas comunidades e agora correm risco de serem expulsas de suas casas.

A agente comunitária em mediação de conflitos, Maristela Paloma, de 39 anos, é moradora do Morro do Papagaio desde que nasceu,  ela relata que a partir de 2010, algumas famílias começaram a ser notificadas em um processo de reintegração de posse  por estarem em uma área de risco, dentro da faixa de servidão. Relata também que em 2013 a prefeitura fez uma promessa de que às famílias que estavam em áreas de risco, seriam atendidas com apartamentos no programa Vila Viva e que a CEMIG se comprometeu a fazer uma rede subterrânea, impactando assim um número maior de famílias. No final das contas, cerca de 300 apartamentos foram construídos, mas nenhuma das  famílias que estavam em área de risco foram atendidas. As obras da rede subterrânea também não foram executadas.

Segundo Maristela, um mapeamento foi realizado e a estimativa é que são mais de 2 mil famílias afetadas em Belo Horizonte que correm risco de despejo pelo mesmo problema. Só no Morro do Papagaio são 540 casas sob ameaça: “O governo só negocia com grandes empresários e mineradoras! Essas famílias não têm para onde ir, e até o momento não tem nenhuma negociação, não tem indenização e não tem outra moradia… a prefeitura parece temer, se coloca fora da negociação sendo que essas dez comunidades estão dentro da capital… nós construímos essa cidade, nós trabalhamos, e nos é negado o direito à cidadania”.

Luís Ricardo Aguiar tem 42 anos e é presidente da Associação de Moradores da Vila Ecológica, segundo ele algumas famílias procuraram a Associação após serem notificadas por um oficial de justiça acerca do processo de reintegração de posse. Cerca de 350 famílias moram a mais de 20 anos dentro da área ameaçada de despejo, “vamos lutar e batalhar para que nenhuma casa seja demolida, tivemos uma audiência pública, mas acerca da negociação nada anda, a CEMIG diz que é um problema da prefeitura e a prefeitura diz que o problema é da CEMIG, e no final ninguém se compromete com o problema”.

Uma comissão de lideranças foi recebida pela CEMIG, que foi relutante e mantém a agendada demolições já para a próxima semana sem nenhuma alternativa.

*Coordenação Nacional do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas

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