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domingo, 21 de abril de 2024

Pessoas em situação de rua sofrem com a madrugada mais fria do ano em SP

A temperatura média chegou a 8,5°C na capital paulista no sábado (17), sendo a mínima marcada de 4,3°C na região da Capela do Socorro, no extremo sul da cidade.

Reinilson Câmara | São Paulo


BRASIL – A metrópole, conhecida como um dos maiores centros financeiros globais, enfrenta a contradição de ser simultaneamente um polo de riqueza e o lar de uma crescente população vulnerável ao frio.

Esta condição reforça os problemas intrínsecos ao sistema capitalista, que apesar de transformar São Paulo em uma cidade rica, simultaneamente a faz abrigar o maior número de pessoas em situação de rua no país. Mesmo com a atuação da prefeitura, que afirma intensificar o atendimento a esta população, a realidade é dura e o sistema falha na proteção desses cidadãos.

Embora a prefeitura afirme ter intensificado o atendimento à população em situação de rua, com a distribuição de cobertores, alimentos e doses de vacina, a realidade é que o sistema ainda deixa muitos cidadãos desprotegidos. A triste prova disso são as quatro mortes ocorridas na cidade entre os dias 14 e 30 de maio, que a polícia investiga como causadas pelo frio. As vítimas eram todas pessoas em situação de rua, e suas mortes revelam a brutalidade do sistema capitalista, que falha em oferecer proteção básica aos mais vulneráveis.

“Não tenho casa quentinha pra me esconder do frio, não tenho grana pra comprar umas roupas mais quentes ou cobertor”, relata João, 46 anos, um dos muitos cidadãos que vivem nas ruas da região da praça da Sé em São Paulo. Este é um testemunho da realidade amarga enfrentada por essa população, especialmente em tempos de frio extremo.

O sistema capitalista tem falhado em oferecer proteção básica aos mais vulneráveis. As estatísticas revelam uma lacuna entre a realidade e o reconhecimento oficial: o número de pessoas em situação de rua é estimado em mais de 51 mil pelo Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), muito além dos 31 mil registrados oficialmente.

Essa dura realidade também é permeada pelo racismo estrutural. Cerca de 70% das pessoas em situação de rua em São Paulo são negras, uma estatística que realça a interseção entre desigualdade racial e socioeconômica.

O fato de tantos cidadãos – sobretudo negros – estarem vivendo em condições tão precárias é um sintoma de uma falha sistêmica. A negligência com os cidadãos em situação de rua, a inacessibilidade à saúde, a falta de oportunidades de emprego, o déficit habitacional, são todas falhas que não são acidentais, mas emergem de um sistema que prioriza o lucro em detrimento das pessoas.

Para superar essa falha sistêmica precisamos de uma reestruturação radical que coloque o bem-estar humano e a equidade no coração de nossa economia. O socialismo propõe justamente isso, que o direito à moradia, à alimentação, à saúde e ao emprego não sejam um negócio, mas direitos fundamentais garantidos a todos e todas. Através dele, as desigualdades sociais seriam combatidas ativamente e não perpetuadas e ampliadas.

Ao confrontar a realidade fria de São Paulo e as falhas do capitalismo, a discussão sobre o socialismo se torna ainda mais pertinente. Enquanto o frio persiste, milhares de cidadãos permanecem vulneráveis e esquecidos. É hora de avançar para uma sociedade mais igualitária e humana.

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